quinta-feira, 7 de abril de 2011

Morro do Bumba - Um ano após a tragédia, Casa, Aluguel Social ou Banda Larga?

As monumentais obras previstas para a Copa do Mundo contrastam com a realidade vivida pelos moradores dos morros no Rio

Morro do Bumba - Um ano após a tragédia, Casa, Aluguel Social ou Banda Larga?

Por Marise Jalowitzki
07.abril.2011
http://t.co/YyF9dYt

Esse é um artigo sobre a necessidade de saber aterrissar. Colocar os pés no chão e priorizar o que é verdadeiramente necessário para a população.

Com certeza, antes de banda larga, vem moradia; e antes de casa reconstruída, vem como pagar um aluguel provisório.

Lembram da tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, quando veio abaixo todo aquele morro que era antes um lixão? Na ocasião, o mau cheiro, o lixo plástico-tóxico se misturando à dor da população e ao odor fétido dos 56 mortos, mostravam a necessidade de ações urgentes para a melhoria daquela sofrida e desprovida população.


A cena daquele morro de entulhos deslizando é para nunca mais esquecer. Um horror!


Agora, passado um ano do grave evento, os moradores de vários bairros atingidos pelas chuvas de abril de 2010 ainda intentam receber o aluguel social e anseiam por ver a construção de casas para os  que ficaram desabrigados. Não só não receberam indenização pelas perdas causadas pela ineficácia da máquina administrativa, como ainda precisam lutar para receber o mínimo, previsto em lei.

No último dia 08.abril.2011, a população se reuniu em protesto, seguindo em passeata até a Câmara dos Vereadores e depois em frente à prefeitura.

A reclamação mais frequente é a de atraso ou simplesmente o não pagamento do aluguel social, no valor de R$ 400, promessa feita pelo governo para assegurar moradia a quem perdeu tudo, enquanto a casa é reconstruída em outra área, que não ofereça o mesmo risco.

Arlete Cordeiro, aposentada, moradora do Bairro Barreto, diz: "Eu tive que voltar para minha casa, que está em área de risco, porque nunca recebi um tostão da prefeitura".

Outra aposentada, Maria Angelina Pureza, do bairro Baldeador, que precisou deixar sua casa, interditada pela Defesa Civil, também está vivendo do jeito que pode. "Nunca recebi nada da prefeitura. Pago R$ 250 de aluguel e, com o dinheiro que recebo de pensão, acabo passando fome", disse.


Morro do Bumba - Meses após o desastre, o chorume ainda escorria morro abaixo.
Hoje, moradores ainda esperam por suas casas.


O presidente da Associação das Vítimas do Bumba, Francisco Ferreira de Souza, afirmou que o repasse de 3,2 mil alugueis sociais é insuficiente para atender a todas as vítimas das enchentes na cidade, que ele calcula em cerca de 10 mil no total. "Só no Bumba, tem 20 famílias que não estão recebendo o aluguel social. E muitos estão voltando - pelo atraso no repasse do dinheiro - para morar em área de risco", disse.

A prefeitura de Niterói declara que paga o aluguel social e que, quem não recebe, é porque não tem a documentação em dia e deve encaminhar-se ao Setor de Gestão de Crise. O nome é pomposo.

A tragédia no Rio começou na noite de 5 de abril de 2010, quando um forte temporal - apontado como o pior desde 1967 - arrasou a região metropolitana. Houve mortos em soterramentos nos morros dos Prazeres, em Santa Teresa; Borel, na Tijuca; Andaraí; Cerro Corá, Cosme Velho; Macacos, em Vila Isabel. O total de mortos chegou a 257 em todo Estado. Só Niterói contabilizou 168 vítimas. O número de desabrigados ultrapassou os 11 mil, contando Rio, Niterói, São Gonçalo e Baixada.

Esses são os números oficiais, que não contabilizam as centenas e centenas de desaparecidos que, soterrados pela imensidão de lama, nunca serão encontrados e dos quais não se tem registro.


A dor da perda ainda é sentida pela população do Bumba - No Rio

O desamparo acompanha a vida de muitos cidadãos, apesar de seus direitos.

A prefeitura não comenta sobre o tempo para entrega das casas em construção, o que é preocupante. Houve a informação de que o prefeito Jorge Roberto Silveira assinou um novo termo de cooperação que permitirá a continuidade no pagamento por mais nove meses.

E depois?

As prioridades do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, parecem ser outras.

Banda Larga para quem não tem casa?




Governador do RJ quer banda larga para todo o estado, até 2014

Na última terça-feira (05.abril.2011), durante a inauguração do Fórum de Líderes do Setor Público da América Latina e Caribe declarou que "a falta de democracia anda de mãos dadas com a falta de acesso à tecnologia. Esse é o nosso desafio. Já está em estudo uma parceira público-privada que permita que o Rio de Janeiro se torne o primeiro estado digital do Brasil. Esse tema é fundamental porque tem a ver com democracia, informação e formação para os nossos jovens".

O governador fluminense afirmou que pretende implantar acesso a internet banda larga em todo o Estado até 2014.

"Estamos vendo como regimes políticos no Oriente Médio utilizam a possibilidade da tecnologia para o controle dos cidadãos", explicou Cabral, durante o primeiro dia do ciclo de conversas, realizado em Washington. "Deveria ser justamente o contrário, as novas tecnologias de informação são parte do processo do avanço democrático", sustentou.

Estiveram presentes ao Fórum promovidopela Microsoft:
- Lula
- a presidente de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar
- o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Luis Alberto Moreno,
e vários ministros latino-americanos.


Rio 2014 - Quais as prioridades - modernas tecnologias ou a segurança da população
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Leia mais sobre a Tragédia no Rio:

- Governos, são vocês que precisam pagar pela Tragédia no Rio - Link:  http://compromissoconsciente.blogspot.com/2011/01/sistema-meteorologico-que-poderia-ter.html

- Chorume e Necrochorume - A poluição das águas e solo no Rio de Janeiro - Link: http://compromissoconsciente.blogspot.com/2011/02/viscoso-podre-mal-cheiroso-e-poluente.html

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2 comentários:

  1. Com o nosso dinheiro, fica mais fácil pra esse DESgovernador, não é?

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