terça-feira, 30 de novembro de 2010

COP-16 - CHINA MOSTRA UMA SAÍDA INÉDITA PARA PROSPERIDADE COM SUSTENTABILIDADE!

PRODUZIR PARA OS DESPROVIDOS 

 

COP-16

China mostra uma saída inédita para prosperidade com sustentabilidade!

Marise Jalowitzki

 

30.novembro.2010 - 13h07min

 

"Para isso, será fundamental distinguir o consumo dos bens e serviços necessários para uma vida social digna daquele que marca a suntuosidade e o desperdício. Reduzir a desigualdade entre os indivíduos é uma condição básica para o sucesso da luta contra o aquecimento global".

 

Novamente os países estão reunidos em Cancun, no Mexico, para mais uma reunião que visa encontrar uma equação entre progresso e diminuição do aquecimento global e emissão de gases tóxicos na atmosfera. É a COP-16 - Conferência das Nações Unidas para o Clima.

 

Depois do fracasso retumbante em Copenhague (onde o Brasil deixou uma péssima impressão, pois Lula, que era esperado como top não apareceu), vamos ver o que irá acontecer de efetivo. Se, em Copenhague, o convite era expresso, com cartão nominal endereçado aos governantes, Cancun, além de conviver com a derrota do encontro anterior, soma o "convite aberto", isto é, os países aderiram por vontade própria.


Felizmente, EUA e China enviaram suas delegações. As duas super potências são as responsáveis pelo maior percentual de emissão tóxica do planeta. Ambas relutam em diminuir suas emissões. agravando os efeitos. Já deixaram bem claro sua pouca vontade em retroceder com a produção forjada na tecnologia atual (energias sujas).

Entretanto, China, através de um grupo de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Sociais, possui uma proposta interessante, que será uma verdadeira revolução no mundo:

- Analisar qual a suportação de aumento da temperatura - por exemplo, 2 graus até 2050.

- Continuar diminuindo gradativamente a emissão tóxica. Em 2020 já ter uma redução significativa e até 2100, zero (isso é meio assustador, pois parece tempo demais).

- Ir aumentando, paralelamente, o desenvolvimento e a utilização das energias limpas. (Hoje, China é quem mais polui - está em 1º lugar - mas, também, é quem mais investe em energias renováveis.)

- A partir desse levantamento, país superavitário será aquele que produzir com menor emissão de carbono. (aqui, fecha com a proposta de Marina Silva, de linkar PIB com índice de emissão de CO2) 

Para que isso não fique apenas no ideário e contemple, efetivamente, a população mais desprovida, vem o boom da proposta:

- Mudar a Natureza da Produção Planetária 
Aqui está o boom!!! Aqui está a chave da proposta: produzir apenas bens e serviços voltados para erradicar a miséria, para atender ao conforto e consumo básico! Parar de fabricar produtos sofisticados, destinados à classe A!!!

Assim, propõem eles, as pessoas que hoje vivem na linha da miséria e aquelas que lutam por seu sustento, terão acesso a condições dignas de vida.

A realidade dos 1,99

 O que, aliás, já começou pelos próprios chineses!

A entrada, há uma década, dos produtos baratos, gerou a proliferação dos [iniciais] 1,99 - Hoje, todas as lojinhas se denominam "bazar".

Uma coisa é inconteste (e já tenho comentado isso várias vezes): Nunca a população carente, ou as chamadas classe C, D, E e as demais "inomináveis", nunca tal população conseguiu enfeitar tanto suas casas, organizar em potes dignos seu alimento, ter uma toalha para colocar na mesa e trocar; nunca enfeitou tanto sua casa nos natais. Os doces, os enfeites para os cabelos das meninas, as xícaras.

Creio que, quem convive nessa realidade (e tem coragem de admitir) sabe a diferença entre o antes e o depois da presença dos produtos chineses no Brasil (falando só da nossa realidade nacional).  No início da enxurrada de produtos chineses no mercado, a contestação era geral: "é tudo porcaria", "quebra fácil", "não vale nada!" - diziam muitos.

Hoje o mercado está consolidado.

Agora, levar esta idéia para a construção de casas populares, utilizando, efetivamente, as idéias que aí já estão. Instalá-las já com energia renovável. Colocar à disposição da população os carros (realmente) populares, tais como o modelo que já está à venda na Índia (cerca de 5 mil reais, na nossa moeda), isto sim, pode dar uma reviravolta no mercado e na vida de toda a população.

Utopia?
Mais uma vez, está das mãos daqueles que estão lá para decidir e, efetivamente, agir. Aqueles que, com a força de nosso voto, lá colocamos!

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora
www.compromissoconsciente.blogspot.com
Porto Alegre - RS - Brasil 

 

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Conheça o texto publicado no Terra:

Terça, 30 de novembro de 2010, 08h07

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4818075-EI6780,00-Chineses+propoem+saida+ao+dilema+prosperidade+versus+clima.html

Chineses propõem saída ao dilema "prosperidade versus clima"

Reuters
A secretária para mudanças climáticas da ONU, Christiana Figueres, ao lado da ministra das Relações Exteriores, Patricia Espinosa, e do presidente do ...
A secretária para mudanças climáticas da ONU, Christiana Figueres, ao lado da ministra das Relações Exteriores, Patricia Espinosa, e do presidente do México, Felipe Calderón, no início da COP 16

Amália Safatle
De São Paulo


Se existe um país que melhor representa o dilema entre a busca prosperidade pelas economias pobres ou emergentes e o combate à mudança climática, este país é a China. Que, por sinal, desbancou recentemente os Estados Unidos do posto de maior emissor de gases de efeito estufa do mundo.
Juntos, China e EUA são responsáveis por quase metade dos lançamentos dos gases na atmosfera. O segundo não contou com a aprovação do seu Senado para assumir reduzir emissões. E o primeiro já deixou claro que, embora persiga a redução na intensidade de carbono na economia, não adotará medidas que possam prejudicar as suas robustas taxas de crescimento.

A postura das superpotências dá logo o tom da COP 16, a Conferência das Nações Unidas para o Clima, que começou ontem em Cancún, no México. Ou seja, são baixas ou nulas as expectativas de se chegar a acordos vinculantes -, ao contrário do que se vivenciou na COP 15, em Copenhague, em que a enorme esperança gerou uma proporcional frustração diante do fracasso do acordo.

Independente do que avançar ou não em Cancún, o bode ainda está na sala: países que hoje desfrutam de um nível de desenvolvimento e prosperidade historicamente alcançados sem limite às emissões têm o direito de defender limites para aqueles que hoje precisam de crescimento para alcançar alguma prosperidade (supondo, claro, políticas de distribuição de renda)?

A prosperidade sem crescimento é algo possível em países pobres e emergentes ou por enquanto factível apenas nos países ricos? Os atuais instrumentos da economia "verde" e suas condições de financiamento e desenvolvimento tecnológico conseguiriam atender a essa urgência social dos mais pobres com baixas emissões? Ao mesmo tempo, a biosfera não dará conta de atender à demanda de consumo se o mundo seguir o padrão dos ricos. Então, qual seria a alternativa?

Partiu justamente da China uma proposta nesse sentido, elaborada pelo grupo de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Sociais - como relata, em artigo no Boletim da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia da FEA, pesquisador do CNPq e coordenador do Projeto Temático Fapesp sobre Impactos Socioeconômicos das Mudanças Climáticas no Brasil. O artigo intitula-se "Reduzir a desigualdade entre os indivíduos para combater o aquecimento global".

A proposta dos pesquisadores chineses é para a adoção de um "orçamento carbono", que busque atender as necessidades básicas de todos os indivíduos do planeta (inclusive as futuras gerações, claro), considerando os limites da biosfera. Uma vez acordado o aumento aceitável da temperatura média no planeta - por exemplo, uma elevação de 2 graus até 2050 - é possível aplicar a proposta dos pesquisadores chineses, pela qual se define quem é superavitário e quem é deficitário em termos de carbono, considerando as emissões históricas.

Países cujos padrões de consumo basearam-se em altas emissões são hoje deficitários. Já países como a Índia são altamente superavitários, ou seja, suas emissões per capita estão muito aquém do que seria a média mundial. "O caso da China é interessante, pois, superavitária hoje, deve tornar-se deficitária no máximo em 2020," observa Abramovay.

"Mesmo que este julgamento de valor possa apoiar-se em considerações científicas, ele envolve, antes de tudo, um tema de natureza ética", escreve o professor, ao citar dois parâmetros fundamentais em que o raciocínio se apoia. O primeiro corresponde àquilo que já foi emitido no passado. Os pesquisadores chineses mostram que é realista tomar como ponto de partida o ano de 1900, pois não há grande diferença entre o nível de emissões registrado nessa época, por exemplo, o de 50 anos antes. O segundo parâmetro é o que se pode emitir daqui em diante, levando em conta quanto (e quem) já emitiu e qual o limite de emissões que não compromete de maneira catastrófica a própria reprodução das sociedades humanas.

"O mais importante nessa proposta é que ela sinaliza claramente para o fato de que o sucesso na luta contra as mudanças climáticas globais exige uma abordagem de natureza socioambiental", conclui o professor.

Para ele, a proposta indica que é possível atender às necessidades básicas dos povos dos países desenvolvidos, aumentar a produção de bens e serviços para que o preenchimento destas necessidades chegue aos mais pobres, ao mesmo tempo em que se contém a elevação da temperatura.

"Para isso, será fundamental distinguir o consumo dos bens e serviços necessários para uma vida social digna daquele que marca a suntuosidade e o desperdício. Reduzir a desigualdade entre os indivíduos é uma condição básica para o sucesso da luta contra o aquecimento global", escreve.

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Rio - "The Day After" - Sensação de vitória ou impotência?

 


Rio - "The Day After" - Sensação de vitória ou impotência?


Por Marise Jalowitzki, Ricardo Vichinsky, Heitor Herculano e Rodrigo Meller Fernandes
30 de novembro de 2010


No episódio da ocupação das favelas do Rio, escancaram-se algumas evidências que fazem pensar. E, aí, vem a impotência, por ter de conviver com fatos que acabam consolidados de maneira insólita e, ainda assim, recebem aplausos.


Reluto em aceitar que haja pessoas que r-e-a-l-m-e-n-t-e recebam as ações intervencionistas e acreditem que deva ser por aí. Será falta de planejamento, visão local e não generalizada, amadorismo, excessiva "vontade de acertar, já" ou estar a serviço de propósitos nebulosos, não divulgados? Provavelmente, nunca saberemos. Daí, a sensação de impotência. A fuga propiciada é um fato; as ações da polícia deram esta condição aos criminosos. Os bandidos tiveram tempo para fugir.

Porque as coisas são como são?

Eu cheguei pela primeira vez no RJ em 1972, pelo Leblon. Subimos o Morro Dois Irmãos e, de lá de cima, olhamos aquele quadro estranho: no outro pico de morro, um monte de casinhas miúdas, inscrustradas, apinhadas, pareciam grudadas. Nunca havia visto algo igual. Devia ser muito difícil viver ali, onde carros não subiam, onde caminhar ladeira abaixo e acima era um exercício interminável.


E, sabemos, era só o começo! A partir dali e até os dias de hoje, as favelas só fizeram se multiplicar e multiplicar, sem que as ações governamentais acompanhassem aquele crescimento irrefreado.


Agora, tráfico dominante, a polícia tem como papel retomar ao Estado o que sempre foi do Estado, mas que foi, convenientemente, "cedido"  até se tornar um bomba relógio sem controle.


O que esperar doravante? Quando o óbvio é tão óbvio!


PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - vai continuar sem supervisão nas suas ações? Então, não era previsível que os traficantes, mandando em tudo, estabeleceriam também as suas condições nas obras? Como que não houve supervisão?


Policiais vasculham todos os pontos


Bem, "agora" os túneis já foram "descobertos". Túneis amplos, que permitiram aos bandidos sair andando, em pé, calmamente, pois tiveram 24 horas para isso. A retomada, pelas milícias, estava anunciada para sábado de manhã. Ficou meio dia, veio a noite do sábado, aconteceu só domingo pela manhã. Deu tempo para tudo.


Então, tá!


Achei interessante transcrever alguns comentários de outro site onde publico:


Ricardo Vichinsky comenta:
"29/11/2010 23:43 - Ricardo Vichinsky
No Rio se trata de um problema cultural e social ainda mais serio, junto com o terror e o dinheiro do trafico, que corrompe, qualquer um que esteja em seu caminho, isso da vergonha, mas ocupar a favela sim eu acho de certa forma algo bom , houve apreensões de drogas e armas , mas ainda há muito a ser feito, pois se existe traficante é porque existem consumidores, será que esses vão entrar em abstinência pela falta da droga??? Ou será que as milicias do rio não vão ocupar os morros na falta dos traficantes , enfim ali é um problema antigo, espero que esse primeiro passo seja correto , bjss"


Marise pondera:


"Concordo com o passo dado, também. Só que foge do entendimento o fato de terem facilitado desta forma a fuga dos bandidos! Um cerco planejado, solicitando a evacuação antecipada da população, teria dado um efeito bem mais importante. E sério.

Com relação aos consumidores, me detive a acompanhar dois artigos publicados no Terra e ler os comentários. As "bocas" continuam funcionando, de acordo com os depoimentos...??? Falam em Portão Nove e tudo mais. Gíria conhecida! E, qual o destino da droga apreendida? Alguém ouviu a polícia anunciar quando será queimada a cocaína???"

Droga apreendida

Heitor Herculano comenta:
"29/11/2010 06:58 - heitorherculano
 Marise, continuo achando que tudo voltará à estaca zero daqui a alguns meses. Por enquanto é só vitória para a polícia, o governador, o secretário de segurança, etc. etc. Mas o que eu gostaria mesmo de ver é uma satisfação explícita das autoridades quanto ao que elas fazem com tanta drogra apreendida. Hein? Hein? Queimam? De vez em quando fazem umas fogueirinhas tipo festa junina, com alguns quilos de maconha tomados dos traficantes, diante de toda a mídia; mas e a coca, hein? A valorizadíssima cocaína? Pra onde vai ela? Desabafei sobre este problema em minha recente crônica PRA ONDE VAI A DROGA APREENDIDA? Parece até o ciclo vital das florestas tropicais, em que as folhas mortas caem, apodrecem, e delas mesmas renascem os brotos de uma nova árvore, num rodízio imutável."

Rodrigo Meller Fernandes comenta:
"28/11/2010 02:15 - Rodrigo Meller Fernandes
Prezada Marise. Tenho escrito algumas opiniões a respeito aqui no RL, sobre a questão do Rio. Eu gostaria de acreditar que preto é preto, branco é branco, o bem é o bem, o mal é o mal. Infelizmente eu vejo tudo cinza. Tem dois anos no minimo que vários blogueiros denunciam que tropas brasileiras treinam guerrilha urbana no Haiti para uma limpeza no Rio, visando a Copa e a Olimpiada. O Rio terá obras. Obras para estes eventos. Urbanização, e inserção de favelados na sociedade só te respondo em 2.017, se o mundo não se esbagaçar antes."

Marise pondera:
Tristes, desanimadoras e previsíveis verdades!!! Até quando?
Vamos esperar os anúncios dos próximos dias.

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Imagens do Terra
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Links relacionados:
- Violência no Rio - Chacinar não é solução!
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-chacinar-nao-e-solucao.html

- O que fazer com os bandidos? - super população carcerária http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/o-que-fazer-com-os-bandidos-trafico.html
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Vale o sorriso das pessoas que esperam por dias melhores!

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

VALORIZE A ÁGUA - EM ALGUNS LUGARES ELA NÃO EXISTE MAIS!


VALORIZE A ÁGUA - EM ALGUNS LUGARES ELA NÃO EXISTE MAIS!

Texto repassado por Alvim Bandeira
29.novembro.2010

PARA SERVIR DE ALERTA, veja algumas imagens no mundo:




Deli, Índia. Todos querem, apenas, um pouco de água...




Dois Sudaneses bebem água dos pântanos, com tubos plásticos, especialmente concebidos para este fim, com filtro para filtrar as larvas flutuantes, responsáveis pela enfermidade da lombriga da Guiné.


O programa distribuiu milhões de tubos e já conseguiu reduzir em 70% esta enfermidade debilitante.





Os glaciares que abastecem a Europa de água potável perderam mais da metade do seu volume, no século passado. Na foto, trabalhadores da estação de esqui do glaciar de Pitztal, na Áustria, cobrem o glaciar com uma manta especial para proteger a neve e retardar o seu derretimento, durante os meses de Verão...





As águas do delta do rio Níger são usadas para defecar, tomar banho, pescar e despejar o lixo.




Água suja em torneiras residenciais, devido ao avanço indiscriminado do "desenvolvimento".






Aldeões na ilha de Coronilla, Quenia, cavam poços profundos em busca do precioso líquido, a apenas 300 metros do mar. A água é salobra.









Aquele que foi o quarto maior lago do mundo, agora é um cemitério poeirento de embarcações que nunca mais zarparão...


VALORIZE A ÁGUA!


EM ALGUNS LUGARES, ELA NÃO EXISTE MAIS...

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Comentários de Marise Jalowitzki:

Hoje a amiga Lili (Eliana Crivellari) me encaminhou mensagem do amigo marineiro Alvim Bandeira, do Ceará, onde ele repassa uma série de imagens mostrando lugares no mundo onde a convivência com a água já é quase inexistente.

Há pessoas que, ao ver imagens como essas, exclamam: "Ah, mas isto é lá do outro lado. Vamos viver a nossa vida. Eles que se virem." E seguem seu cotidiano sem prestar atenção.

Noutro dia recebi uma mensagem que dizia assim: "Deixa que morram! Chega de paternalismo inútil!"...

Quando recebo demonstrações de tanta insensatez, só resta uma ação: deletar a mensagem. E, depois, trabalhar para que mais e mais pessoas se conscientizem do muito que há por fazer em prol do planeta, que somos nós! O planeta se modifica. Nós, desaparecemos!!!...

Portanto, este meu recado tem o objetivo de dizer ao Alvim, à Lili e a todos os que lêem este tópico, que divulguem esta mensagem, que reencaminhem aos seus contatos.

Temos, como conscientizados, a missão de sensibilizar mais e mais pessoas para que relembrem que este planeta é a casa de todos nós e o que afeta a um, afeta a todos.

Juntei uma foto "bem nossa" só para lembrar do sofrimento de nossos irmãos nordestinos!



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Links relacionados:
- Chove Chuva! - Quando o Ideal e a Verdade se encontram - Por Gabriel Novis Neves - http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/chove-chuva-quando-o-ideal-e-verdade-se.html

- Dica de Responsabilidade Social - Lixo e Água Pura - Por Janderson Fontenele http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/dica-de-responsabilidade-social-lixo-e.html

- Sacolinhas, esta questão é nossa! (uma das maiores causas de entupimentos e poluição hídrica) - Marise Jalowitzki -   http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/07/sacolinhas-esta-questao-e-nossa.html

- Todos os artigos do banner MEIO AMBIENTE neste blog.
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domingo, 28 de novembro de 2010

RIO - ERA SO PRA "BOTAR PRA CORRER"?

Violência no Rio - Para onde irão os bandidos?

ERA SÓ PRA "BOTAR PRA CORRER"?

Por Marise Jalowitzki
28.novembro.2010 – 21h

Era só pra "botar pra correr"? Este foi o termo usado pela apresentadora em programa televisivo. "Botar pra correr". Surpreende o termo porque o assunto é grave, envolve um problema social de alta periculosidade. Envolve o viver de mais de 500 favelas no RJ! Um problema de quase 40 anos!

Talvez nós, os brasileiros, sejamos mesmo dessas pessoas crédulas que “precisam” acreditar nas pessoas, no que elas dizem e prometem. Mas, por que essa sensação de dúvida, de haver subterfúgios nas estratégias adotadas pelos governos, fica “dançando” nas mentes das pessoas, como se a ação necessária tivesse de ser outra?!

Pessoas festejam, pois anseiam pela paz. Outras, céticas, esperam, inteligentemente, que o transcorrer dos dias mostre a realidade.

Sim, pois os fatos mostram-se ilógicos, até para os mais leigos. Ou, então, as UPPs serão, apenas, mesmo, uma “ocupação”? Mostra-se o poder bélico, dá-se uma impressão de “estar disposto a”...mas, ação efetiva, que é a prisão dos traficantes, fica condicionada ao tempo!

Assim, “ocupar as favelas” não era prender bandidos!... (Até agora, tem-se notícia de que houve 15 prisões; estimam-se 500 a 600 traficantes conhecidos)... Era ocupar o espaço físico. Mostrar a força ofensiva. Desmantelar esconderijos. Apreender armas e drogas.

Parece que o plano era:
1º.  Avisar (a população e aos bandidos): Olha, estamos chegando!”

2º. Entrar na área (Cruzeiro), mostrar a força da intervenção, deixar passar um tempo - tempo suficiente para os bandidos fugir.

3º. Depois, alertar toda a mídia internacional, exibir fotos de nosso Bope (iguais aos do filme de sucesso Tropa de Elite I e II). Equipamentos, tanques, uniformes, rostos compenetrados.

4º. Deixar passar mais um tempo, deixar passar mais uma noite, à espera da entrega dos bandidos. Mas isso, também, proporciona um tempo precioso para que possam fugir, acobertados pela escuridão, sem serem vistos pela população. Falou-se, inicialmente, em túneis estratégicos, cavados pelos traficantes há tempos, para usar em situações de emergência. Elementar (isso os jesuítas já ensinaram aos guaranis, há séculos, por ocasião da construção dos "Sete Povos das Missões" e visava uma defesa contra os ataques espanhóis)!

5º. E, na manhã do domingo, hastear as bandeiras do Brasil e do RJ (antes, por engano, foi hasteada a da polícia no lugar da bandeira do RJ)."O Complexo é nosso”...!

“Até a Globo” perguntava nos noticiários:
“- Não era previsível que os criminosos iriam fugir?” – referindo-se à fuga em massa, acompanhada pelo helicóptero, da favela Cruzeiro para o Complexo do Alemão -. Respondia o comandante: “Nós vamos prendê-los, estejam onde estiverem!” Mas, por que os deixaram fugir, antes?

Se o plano era iniciar por liberar o espaço, ok. Ainda assim, é cedo para comemorar.
Ficamos todos na expectativa do que virá a seguir.
Sim, pois essa ação deverá apenas anteceder várias outras, de inserção e acompanhamento social.
Tudo soou bem estranho, desde o início das operações, na segunda-feira passada. Como, para uma ação, que se pretende de tamanho porte, apenas contar com as forças do estado? Só depois veio a Marinha...

E, sinceramente, transferir os “chefões” para presídios e outros estados tem algum efeito em plena era da informática? Qual a diferença de um líder do narcotráfico comandar as ações por um celular ou pela web de dentro de um presídio de Paraná ou do Nordeste:  Ou será que era “problemas de linha”?... Ou é uma ação temporária para distanciar dos próprios policiais corruptos que facilitam a vida dos presos? E, dos quais, a alta cúpula tem conhecimento?

Como disse um amigo, ontem à noite: “Não alimente idéias grandiosas de grandes mudanças no atual quadro. Eles não vão querer que os criminosos, uma vez presos, abram a sua boca e falem. Isto envolveria muita gente até agora ´intocável´! “

Crime organizado é isso! E já que todos sabem que, além dos traficantes, há também pessoas envolvidas de dentro da própria polícia e dos meios políticos, prender apenas um dos lados iria se mostrar bastante frágil.

COMO EU QUERIA QUE ALGUEM VIESSE E PROVASSE QUE ESTAMOS ENGANADOS EM NOSSA PERCEPÇÃO DOS FATOS E NÃO QUE FOMOS ENGANADOS DE FATO! De novo!

Lembro do José Antonio Daudt, aqui de Porto Alegre, correndo com as mãos apertando o peito baleado, em frente à sua casa, gritando: “Olha o que fizeram comigo!” – instantes antes de cair já morto, pelo tiro certeiro. Era a década de 80. Ele havia anunciado que, na semana próxima, iria denunciar, em plena reunião da Assembléia Legislativa, onde era deputado, o nome dos políticos “da casa” que estavam envolvidos com o narcotráfico. Foi morto antes de denunciar. Como motivo do assassinato, primeiramente, foi anunciado um possível envolvimento “pois ele era gay”; depois, as investigações “avançaram” e “provou-se” que havia sido crime encomendado “por ciúmes” pois ele havia  transado com esposa de outro. Pronto! O “crime foi desvendado” e não se falou mais nisso.

Boa semana a todos!
No momento em que a humanidade quiser, realmente, fazer diferente e erradicar certas chagas que maculam o viver sensato, hão de surgir ações efetivas. E não apenas blá-blá-blá. História verdadeira e não, apenas, "oficial".

Até lá, Viva o Carnaval! Todos se fantasiando de reis e rainhas, vivendo a ilusão do país-do-faz-de-conta!

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora
Porto Alegre - RS - Brasil


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Links relacionados:
- Violência no Rio - O Anel do Papa e as Ações Sociais - ONGs http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-o-anel-do-papa-e-as.html 

- Violência no Rio - Chacinar não é solução!
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-chacinar-nao-e-solucao.html


- O que fazer com os bandidos? - super população carcerária http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/o-que-fazer-com-os-bandidos-trafico.html
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sábado, 27 de novembro de 2010

Rio - Cidadãos do Complexo do Alemão, saiam saí! Será descrédito?


Rio - Cidadãos do Complexo do Alemão, saiam saí!


Por Marise Jalowitzki
27.novembro.2010 - 21h15min


Cidadãos, saiam daí! 

Poucos foram os moradores que saíram de suas casas, mas estão todos estão sentindo que será para valer. Será que eles não acreditam na ação militar? Será que o risco e a insegurança já fazem parte de suas vidas, a ponto de não sentirem firmeza em largar de viver seu cotidiano e sair? Será descrédito nas autoridades instituídas? Pode ser! Há tanto tempo largadas, governo após governo, apenas promessas. Todos sabem que quem manda, mesmo, no morro, nas favelas, são os líderes do narcotráfico.


Agora há pouco houve o comentário de famílias que continuam seu dia a dia, saindo para a balada, indo para festas de aniversário:


- "A vida continua. Não vamos largar tudo para que outros venham e roubem tudo."


- "A própria polícia também já roubou. Olha o caso do nosso vizinho, que é pastor evangélico, foi a polícia que entrou hoje pela manhã no barraco dele! Ele tinha acabado de receber todo o seu fundo de garantia e ía comprar uma casinha longe daqui. Roubaram tudo!"


- "Ele até registrou BO na delegacia, mas a gente sabe que não vai acontecer nada! Sempre sobra pro mais pequeno!"


Não devia o governo anunciar a gravidade da situação e solicitar a evacuação da área?


Amanhã saberemos.


Em 2007 já houve um confronto violento, nesse mesmo Complexo. Só que, agora, o olho do mundo está mais forte do que nunca sobre o Brasil e o Rio de Janeiro. Afinal, o Brasil alardeia ao mundo que estamos "emergentes". Também, seremos palco de Copa do Mundo, temos o presidente mais popular de nossa história e, afinal, "a classe média chegou para 14 milhões de brasileiros"!!!  Palavras da presidenta eleita. Assim, com certeza, há que dar uma resposta ao mundo.


Certamente, para os que moram nas favelas, os ares de classe média estão bem distantes. O que os acompanha são o terror, a insegurança, o medo. Quem pode, está saindo.

Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora
http://www.compromissoconsciente.blogspot.com/
Porto Alegre - RS - Brasil

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Links relacionados:
- Violência no Rio - O Anel do Papa e as Ações Sociais - ONGs http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-o-anel-do-papa-e-as.html 

- Violência no Rio - Chacinar não é solução!http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-chacinar-nao-e-solucao.html

- O que fazer com os bandidos? - super população carcerária http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/o-que-fazer-com-os-bandidos-trafico.html
 

Que Deus abençõe a todos!

Rio - DESCASO DE GOVERNOS RECAI SEMPRE NA DESGRAÇA DA POPULAÇÃO



Rio - DESCASO DE GOVERNOS RECAI SEMPRE NA DESGRAÇA DA POPULAÇÃO


Por Marise Jalowitzki
27.novembro.2010 - 20h50min

Desculpem a minha ignorância!!!? Mas, não é o caso de pedir para as pessoas "de bem" deixar a favela?  As autoridades não devem ordenar à população para evacuar a área? Ok que o Complexo do Alemão é muito grande. Mas, é certo, também, que a segurança desta população está por um fio!
Fala-se em táticas e recursos utilizados no Iraque e Haiti. E então? Não vai acabar chegando na população?


Noite de tensão.

Apesar de a Polícia anunciar que o tempo está se esgotando para que os criminosos se entreguem, eles não se rendem. Poucos foram os que, até agora, se entregaram. A noite, e sua cúmplice escuridão, o que irá acobertar?

Os militares podem ter a melhor artilharia e o melhor preparo tático, mas, em primeiro lugar, não se sabe, exatamente, o quanto os traficantes, como crime organizado, estarão também preparados para situações de conflito como esta que estamos vivenciando. E, mais, eles conhecem a área, conhecem as surpresas da mata, dos valos, das escarpas.

Como vai ser?
Paz, Paz, Paz! Agitam-se bandeirinhas, panos e pequenos cartazes.

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora
http://www.compromissoconsciente.blogspot.com/
Porto Alegre - RS - Brasil


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Links relacionados:

 - MC Ferrow e MC Deu Mal no Complexo do Alemão - mau gosto
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/mc-ferrow-e-mc-deu-mal-no-complexo-do.html
- Violência no Rio - Chacinar não é solução!
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-chacinar-nao-e-solucao.html

- O que fazer com os bandidos? - super população carcerária http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/o-que-fazer-com-os-bandidos-trafico.html

 - Cidadãos do Complexo do Alemão, saiam já daí! - http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/rio-cidadaos-do-complexo-do-alemao.html

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 - Era só pra "botar pra correr"?
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- O anel do papa e as ações sociais
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Violência no Rio - O Anel do Papa e as Ações Sociais - Ongs




Violência no Rio - O anel do papa e as Ações Sociais - Ongs
Marise Jalowitzki

Bope nas ruas. Tanques blindados, rostos tensos. Jovens pretos e magros correndo desabaladamente. São os que são conhecidos internacionalmente como a marginália, como "O Mal".


Sabem que algo muito grande está sendo posto em prática. Os resultados? Imprevisíveis.


Claro que tenho a noção do que significa tudo o que está acontecendo. Sei do horror que é o mundo das drogas, o comércio das drogas, o poder dos traficantes, o poder das armas que eles tem...e o atrativo do produto que vendem!!! Dura realidade!


Mas, desculpem, não posso esquecer de que estes jovens cresceram em meio ao crime organizado, em meio ao poder paralelo. A qual desses jovens, mesmo que um deles quisesse, seria dada uma nova chance? Os evangélicos tentam. Conseguem um pequeno número de adeptos e alguns desses, se tornam até pastores.


Sabemos que a semente que é plantada na infância, tem um poder irressistivelmente forte sobre a vida inteira. Quem está em um presídio, quem já passou por situações perigosas, quem está envolvido em tráfico, dificilmente se livra.


Se até um "mísero" consumidor de maconha é assassinado por que não consegue saldar sua conta de 20 reais, o que se vai dizer de alguém que cresceu e se tornou rapaz (alguns são ainda adolescentes) em meio a esta vida de poder, marginalização, suspense e droga?


O anel do Papa - Da validade das ações sociais


Os programas sociais precisam ser preventivos para dar certo. O índice de resultados positivos decai proporcionalmente à idade dos envolvidos. Isto é da gênese humana.


Para os que lem este texto e que tem mais de 30 anos de idade: Lembram do anel que o papa João Paulo II deixou, simbolicamente, de presente, quando foi visitar as favelas do Rio? O anel ficou em exposição. Logo, logo foi roubado. Nunca se soube mais dele. Tão previsível! O que um tremendo anel de ouro iria fazer exposto em meio à exclusão, em meio à pobreza escancarada? Certas ações são tão previsivelmente bobas que nem se sabe como acontecem.


Figura boníssima, mas não soube avaliar a fragilidade de seu espontâneo gesto.


Bem que há o dito popular de que "o hábito faz o monge". Somos seres que nos forjamos na repetição. As crenças se criam pela repetição e pelo hábito. Quem está longe da situação exposta dificilmente vai conseguir abarcar as nuances da realidade de quem a vive.

Ongs
Louvo o trabalho das ongs, que procuram implementar programas de recuperação e afastamento da zona de risco. Mas, ao mesmo tempo, sou cética, também. Todos sabem que rola muito dinheiro que não é aplicado com os jovens; onde tem ser humano, a possibilidade de corrupção e desvios é notória.


E, quem disse que todos os jovens e crianças querem ir dançar, cantar, tocar um instrumento, tamborilar em latas?

Os temperamentos são diversos e o que serve para um, pode ser o martírio para outro. Sim, também para quem nasce nos morros cariocas, também para quem nasce em qualquer região de excluídos, no Brasil e no mundo.

Quais as alternativas que tais programas oferecem em termos de inserção no mundo econômico-financeiro, por exemplo?

Que bom que se está "fazendo algo". Mas, é preciso aprimorar para se obter resultados efetivos! E lidar com dados da realidade "mais real"!



Mudar a realidade.


Será que as autoridades querem?





COMO que uma linha vermelha (olha o nome!) separa "ricos" de "pobres" e isto acaba se tornando cartão postal?

Das janelas de hotéis de luxo e edifícios classe média alta se vê a "paisagem" das milhares e milhares e milhares de favelas apinhadas nos morros.

"Paisagem" que até inspira artistas que ganham o mundo em notoriedade "revelando a dura realidade brasileira".

Gente, é muito descaso! Hipocrisia e indiferença!

Só pra variar, deixa-se o mal se instalar, deixa-se a situação ficar catastrófica para, só então, tomar ações "efetivas": fazer "sumir" o problema, ao invés de resolvê-lo. Nosso vizinho Uruguai fez isso nas décadas de 70/80. "De um dia para outro" não havia mais miseráveis nas ruas. Cidade "limpa"! Ares euroepus. "Orgulho nacional". Foram todos apreendidos e "sumidos". Nos bastidores, dizia-se que houve fuzilamento em massa. A revista Stern, à época, trouxe várias reportagens sobre o tema e das torturas dos intelectuais que, igualmente, sumiram. SHAME! Hoje, pouco ou quase nada se fala. Fica tudo no vazio, no limbo. Duvidando, dizem que é mentira. Importante estudar e pesquisar, para não incorrer sempre e sempre de novo nos mesmos erros!

Acredito, sim, que haja solução para o problema da ocupação das favelas pelos traficantes no Rio de Janeiro. Não a curto prazo, a não ser com ações violentas, que só trazem novas (re)ações violentas.

Humanizar as favelas. Erradicar a pobreza. Profissionalizar a juventude. Aumentar a oferta de emprego. Incentivar ações de cidadania.

Terra-das-Mil-e-Uma-Noites?

Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora organizacional
Porto Alegre - RS - Brasil

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Violência no Rio: Chacinar não é solução!


Violência no Rio: Chacinar não é solução!
Marise Jalowitzki

Já são 33 os mortos desde  o início da onda de violências no Rio de Janeiro, onde o BOPE tenta reprimir a ação dos traficantes que dominam as favelas há décadas.

Resolveu-se, agora, tomar uma medida radical e emergencial: "varrer" os traficantes das áreas dominadas.


O tráfico se arrasta há décadas, tráfico de drogas e de armas. Qual o maior? Qual o pior? Qual o mais impactante? Um reforça o outro. A arma intimida e confere poder. Poder é o que os traficantes precisam para se manter como donos, para obter o silêncio da população.

Repreensão é o caminho? Talvez neste momento. Talvez neste estágio. O nível de repreensão,o grau de violência que irá marcar a intervenção, é que, esperamos, continue sendo com o menor número de "abates" possível. Trinta e três mortes já é um número triste e apavorante. Pois as ações acontecem em meio ao "cotidiano" de cidadãos que trabalham, tem seus filhos no colégio e tudo o mais.

Mas, certamente, repreender, matar, chacinar, expulsar, nunca resolveu nada. Lembram como há poucos anos o Bush anunciava a todos que havia "exterminado" os talibãs? Estão aí, mais fortes que sempre. Em 2007, no mesmo complexo do Alemão, assistimos à chacina. Só serviu para fortalecer o tráfico.

O problema social existe. Quando observamos as tristes fotos, vemos rostos e corpos jovens, rapazes que nasceram em meio ao tráfico, conviveram com a droga, com as armas e com o estado de marginalização desde que vieram ao mundo. Suas crenças foram moldadas na dura realidade da exclusão.

Que fizeram as autoridades, década após década? Panos quentes, empurrar com a barriga, colocar a sujeira por debaixo do tapete. Minimizar o problema.

Agora, Brasil e Rio de Janeiro mais uma vez manchete para o mundo todo, creio que as autoridades querem, efetivamente, dar um "Basta!" na situação, e "acabar" com o cenário de guerra que acompanha a beleza natural do Rio de Janeiro. Será que a "limpeza" vai resolver? Caso as políticas públicas não forem implementadas com rapidez e precisão, provando efetiva inclusão social, com certeza, a resposta é: "Não!"

O que se estará dando é "um tempo" para que pobres crianças de hoje se tornem os novos líderes do tráfico daqui há poucos anos.

Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora organizacional
Porto Alegre - RS - Brasil
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