quinta-feira, 8 de junho de 2017

TDAH - Maior estudo já realizado no mundo sobre diferenças de volume de cérebro subcortical no Transtorno do Déficit de Atenção traz Divergências, recebe Críticas e Respostas - Pesquisas continuam



"De acordo com Dehue e colegas, as descobertas originais “não mostraram diferenças significativas no cérebro de adultos com TDAH, o que sugere que as pequenas diferenças nas crianças desaparecem principalmente quando crescem. (Lancet PsychiatryEsta descoberta poderia ter sido notícia destacada como manchete, dadas as alegações de empresas farmacêuticas comerciais e especialistas patrocinados que TDAH é um transtorno ao longo da vida em necessidade de tratamento durante toda a vida." (MadInBrasil)


Lembrando sempre que estudos científicos são estudos. Após a publicação dos resultados vão para análise dos órgãos reguladores internacionais e, somente após acurada análise, podem ser aprovados. Nada disso ainda aconteceu, com nenhum dos estudos sobre tdah até agora publicados.



Por Marise Jalowitzki
08.junho.2017
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2017/06/tdah-maior-estudo-ja-realizado-no-mundo.html


Desde fevereiro andam circulando comentários e questionamentos se "agora" efetivamente está "comprovado" que há mudanças estruturais "para menor" no cérebro das crianças e adultos tidas como tdah. Há um artigo, inclusive, da associação brasileira que parece dar "como comprovação certa" tal afirmação, baseado em um estudo científico considerado o maior de todos os tempos. Sim, este estudo efetivamente aconteceu e foi publicado no Lancet Psychiatry, considerado o mais sério no tema. O que não aconteceu é a comprovação (!) além de informações controversas na própria explanação do desenvolvimento da análise e seus resultados! Está tudo nesta página! Querendo, leia.

Pois, quando li o original (http://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(17)30049-4/fulltext -veja ao final, traduzido em português), como não domino inglês, li e reli e pensei: É minha "leiguice" que me dá a impressão que alguns dados parecem não encaixar. Mas, não! Não fecham mesmo! Efetivamente, erros foram encontrados na publicação dos resultados, o que fez com que a comunidade científica que não apoia a teoria que tdah é uma "doença mental" se posicionasse, evidenciando as divergências e solicitando que o Lancet retirasse a publicação.
"Embora isso tenha levado a uma petição para a retirada do artigo, a equipe editorial da Lancet Psychiatry decidiu publicar uma correção e depois dedicar uma edição inteira a exibir as críticas e uma réplica de Hoogman e colegas."Os pesquisadores também reconheceram a disparidade em alguns dados, mas o artigo não foi retirado. Lancet decidiu por abrir uma nova edição, dando espaço para a continuidade das discussões de ambos os lados. O que isto acarreta? Que pessoas "apressadas", ou não muito bem informadas-intencionadas, peguem apenas o original, não comentem nada sobre as reações posteriores e as evidências divergentes encontradas e faça com que tudo (como costuma acontecer no Brasil), continue sendo "vendido" como se já estivesse coprovado, dando a entender como "fato feito" e não como uma pesquisa que precisa de novos estudos e revisões.





 Mas a realidade é; NADA ESTÁ CONCLUSO, exceto nossa NECESSIDADE E COMPROMISSO EM AMAR NOSSOS PEQUENOS, acolhendo-os e realizando da melhor forma a adequação de metodologias escolares, a promoção de ambientes não hostis, onde eles possam se sentir à vontade, aceitos e queridos! Isto é Saúde! 

O sofrimento psíquico existe, sim, pois, quem gosta de ser constantemente criticado? 

Cabe ao mundo adulto efetuar a promoção de um ambiente mais condigno com a natureza sensível destes amados.

"Mesmo nos casos diagnosticados, em mais de 80% dos casos, não é preciso medicação! Apenas mudança na forma de tratar e terapia psicológica".
(Dr. Sérgio Barbirato - RJ)



Querendo, leia o que foi publicado no MadInBrasil e conheça os fatos:

O controverso estudo sobre TDAH publicado em Lancet Psychiatry: Erros, Críticas e Respostas
Em meio a chamadas para uma retratação, o renomado periódico científico Lancet Psychiatry abre suas páginas para artigos criticando a descoberta original e para uma resposta dos autores.
Peter Simons
 De
 -

05/18/2017

Em 17 de fevereiro de 2017, Lancet Psychiatry publicou um artigo controverso que alegou haver encontrado diferenças cerebrais entre crianças com um diagnóstico de transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e crianças sem. Os autores, liderados por Martine Hoogman, do Instituto Donders de Cérebro, Cognição e Comportamento, Holanda, afirmaram que sua evidência apoiou a teoria de que o TDAH é um distúrbio cerebral.
Na verdade, Hoogman e colegas vão tão longe em seu artigo original a ponto de dizerem: “Nós confirmamos, com análise muito rigorosa, que os pacientes com TDAH têm cérebros alterados; portanto TDAH é uma doença do cérebro. ”
Essa conclusão exagerada desencadeou uma tempestade de imediatas controvérsias. Pesquisadores tão proeminentes como Allen Frances, presidente da força tarefa DSM-IV (que escreveu o livro sobre categorias de diagnóstico), se juntou para denunciar o estudo. Em um artigo em que Frances é coautor ele declarou explicitamente:
 “O argumento mais importante contra a conclusão dos autores de que ‘pacientes com TDAH têm cérebros alterados’ é que ele não tem suporte em suas próprias descobertas.”
Eles acrescentam que a conclusão de Hoogman e colegas “é extremamente especulativa e perigosamente enganosa num momento em que o TDAH já está superdiagnosticado e ocasião para o sobretratamento com medicação em países de renda média e alta”.
Isso fez parte de um esforço maior de pesquisadores em vários países para examinar os dados estranhos e problemáticos apresentados por Hoogman e colegas. O erro mais óbvio no artigo original foi a troca das duas variáveis em uma análise, o que resultou em um gráfico mostrando que os indivíduos com TDAH pareciam ter QIs mais elevados do que os indivíduos saudáveis do grupo de controle – um achado surpreendente que contradiz a pesquisa anterior.
Em resposta à crítica, Hoogman e colegas reexaminaram seus dados e descobriram que isso era, de fato, um erro – seus achados foram consistentes com pesquisas anteriores sugerindo que os sintomas de TDAH estão associados com um desempenho mais pobre em medidas de QI padronizadas.
Os pesquisadores, liderados por Susanne Bejerot, da Universidade de Orebro, Suécia, reanalisaram os dados corrigidos e concluíram que, ao controlar os novos dados de QI, muitas das diferenças cerebrais observadas desaparecem.
“Não encontramos diferença significativa entre os indivíduos com TDAH e aqueles no grupo de controle, em qualquer uma das áreas investigadas do cérebro, quando a diferença de QI é controlada”.
Em sua resposta, Hoogman e colegas reconhecem que “porque um QI ligeiramente mais baixo pode ser uma característica de ADHD, ajustando para o QI removerá efeitos do transtorno em regiões do cérebro associadas com TDAH e QI.” Ou seja, reconhecem que ao controlar as diferenças no QI, suas supostas diferenças cerebrais desaparecem. Eles argumentam que menor QI é causada por TDAH e não deve ser estatisticamente controlado. Esta é uma abordagem controversa para a pesquisa de TDAH, na medida em que a causalidade não foi demonstrada e baixo QI não é um critério para um diagnóstico de TDAH. Assim, quaisquer diferenças cerebrais encontradas são susceptíveis de serem devidas simplesmente a diferenças no QI, não ao diagnóstico de TDAH.
Os críticos do estudo (cf. o relatório do Mad in America)  também vêem este erro como iluminando seu problema fundamental: eles alegam que Hoogman e seus colegas estavam ansiosos demais para provar sua hipótese e não examinaram cuidadosamente quais resultados poderiam ser apoiados por seus dados. Críticos argumentam que esse erro deveria ter sido pego por Hoogman e colegas, pelos revisores que aprovaram o artigo, ou pela equipe editorial da revista que publicou. Que uma descoberta tão incomum e convincente passou completamente despercebida e não reportada indica aos críticos que os autores, revisores e equipe editorial foram tão tendenciosos devido à sua percepção de TDAH como uma desordem cerebral que eles ignoraram provas substanciais mostrando o contrário.
Embora isso tenha levado a uma petição para a retirada do artigo, a equipe editorial da Lancet Psychiatry decidiu publicar uma correção e depois dedicar uma edição inteira a exibir as críticas e uma réplica de Hoogman e colegas.
Entre os artigos críticos do estudo original estava uma análise conduzida por Trudy Dehue da universidade de Groningen, Holanda. Dehue e colegas descobriram que os resultados originais realmente mostram que para adultos não houve diferença no volume cerebral entre aqueles com TDAH e aqueles sem. Mesmo para crianças, Dehue e colegas argumentam que o pequeno tamanho de efeito encontrado indica que havia uma considerável sobreposição no tamanho do cérebro entre os dois grupos (95% das duas populações sobrepostas). Ou seja, mesmo em média havia tanta sobreposição que apenas os extremos eram relevantes. Outra maneira de olhar para esta descoberta é que 95 em cada 100 crianças com diagnóstico de TDAH teve um volume cerebral que corresponde ao de uma criança no grupo de controle de saudáveis.
De acordo com Dehue e colegas, as descobertas originais “não mostraram diferenças significativas no cérebro de adultos com TDAH, o que sugere que as pequenas diferenças nas crianças desaparecem principalmente quando crescem. Esta descoberta poderia ter sido notícia destacada como manchete, dadas as alegações de empresas farmacêuticas comerciais e especialistas patrocinados que TDAH é um transtorno ao longo da vida em necessidade de tratamento durante toda a vida.

Dehue e colegas, de fato, chegam a afirmar explicitamente:
     “Não há nada que nos permita dizer que uma criança com TDAH tem um distúrbio cerebral.”
Outro artigo publicado pela Lancet Psychiatry neste mês abordou a descoberta original de que as áreas de processamento emocional do cérebro estavam implicadas como diferentes entre crianças com diagnóstico de TDAH e crianças sem o diagnóstico. Os autores, Alison Poulton e Ralph Nanan na Universidade de Sydney, Austrália, argumentam que, como antes, Hoogman e colegas deveriam ter destacado esta descoberta inesperada. Poulton e Nanan indicam que não há componente emocional para o diagnóstico de TDAH e questionam por que os pesquisadores encontrariam uma diferença cerebral desse tipo. Seu argumento é que o diagnóstico de TDAH muitas vezes se sobrepõe com outros diagnósticos comumente dados na infância, como transtorno desafiante de oposição (TDO), cuja característica proeminente é a desregulação emocional.
Poulton e Nanan argumentam que muitas das descobertas de Hoogman e colegas são realmente devido à baixa especificidade do diagnóstico de TDAH e sua sobreposição com outros diagnósticos. Se os resultados estão relacionados com TDO ao invés de TDAH, isso põe em questão se os dados podem ser usados para sugerir que o TDAH é um distúrbio cerebral.
Hoogman e colegas simplesmente concordam com esta crítica e afirmam que esperam investigar mais. Eles não abordam as implicações que isso tem para a interpretação de seus resultados.
O diagnóstico de TDAH tem sido controverso. A principal crítica tem sido o afrouxamento das categorias diagnósticas, o que leva ao sobrediagnóstico. Os críticos argumentam que os critérios para o diagnóstico de TDAH são tão frouxos que quase ninguém poderia receber o diagnóstico (um critério é “sentimentos de inquietação”, por exemplo). Outros estudos mostraram que são as crianças mais novas em sala de aula que estão mais propensas a receber um diagnóstico, e são mais de duas vezes mais propensos a receber medicação estimulante do que as crianças mais velhas. Pesquisadores teorizam que as crianças mais jovens brigam mais na escola e estão em estágio de desenvolvimento mais precoce do que as crianças que estão quase um ano mais velhas – o que pode torná-las mais propensas a se encaixar nos critérios comportamentais para o diagnóstico de um transtorno mental.
Um artigo publicado no New York Times em 2013 expôs práticas de publicidade enganosa da indústria farmacêutica (tanto para médicos quanto para consumidores), que resultaram em inúmeras investigações e punições da agência FDA, ligando tais práticas ao aumento do sobrediagnóstico e sobreprescrição de TDAH.
Dr. Keith Connors, que ajudou a orientar a construção da ideia de TDAH e que conduziu os primeiros estudos sobre metilfenidato (Ritalina), diz que nos últimos anos, ele começou a entender que seu trabalho tem sido desastrosamente mal utilizado. Ele diz que “anunciou aos colegas atordoados que o diagnóstico exagerado do TDAH era ‘uma epidemia de proporções trágicas’ “.
              “Trágico, porque muitas crianças recebem o diagnóstico errado e aquele que realmente têm algum problema diferent, que precisa de um tratamento diferente, não recebe. Ou são jovens normais a quem é dado um tratamento que não precisam; ou as drogas prescritas para eles são dadas ou vendidas a outros estudantes que querem uma solução rápida para estudar ou festejar – esta é uma das razões porque escolas e faculdades agora têm um grande número de estudantes usando drogas estimulantes e porque as salas de emergência estão cada vez mais sobrecarregadas com jovens em overdose. “
Hoogman e colegas foram obrigados a responder aos argumentos de pesquisadores proeminentes de que os seus dados apoiam uma ideia de que o TDAH não é um distúrbio cerebral. Eles tiveram a boa vontade para admitir algumas limitações, tais como reconhecer que erraram nos relatos dos escores de QI e que isso afetaria seus resultados. No entanto, apesar de suas descobertas sugerirem exatamente o oposto, eles continuam a argumentar que “TDAH é um transtorno conforme todos os padrões de nosologia psiquiátrica”. Ou seja, mesmo que não seja apoiada por seus dados, eles reivindicam o senso-comum que TDAH é um distúrbio cerebral!!
Hoogman e seus colegas resumem bem o argumento de seus críticos:
             “As críticas feitas nessas cartas, cujo efeito é de pequena dimensão, na verdade implicam que devemos usar apenas o termo desordem do cérebro quando todo mundo com o transtorno mostra o mesmo padrão de anormalidades cerebrais. Por essa definição, nenhum transtorno psiquiátrico seria uma desordem cerebral. “
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Batstra, L., te Meerman, S. Conners, K., & Frances, A. (2017). Subcortical brain volume differences in participants with attention deficit hyperactivity disorder in children and adults. Lancet Psychiatry. http://dx.doi.org/10.1016/S2215-0366(17)30107-4
Bejerot, S., Nilsonne, G., & Humble, M. B. (2017). Subcortical brain volume differences in participants with attention deficit hyperactivity disorder in children and adults. Lancet Psychiatry. http://dx.doi.org/10.1016/S2215-0366(17)30160-8
Dehue, T., Bijl, D., de Winter, M., Scheepers, F., Vanheule, S., van Os, J. . . . Verhoeff, B. (2017). Subcortical brain volume differences in participants with attention deficit hyperactivity disorder in children and adults. Lancet Psychiatry. http://dx.doi.org/10.1016/S2215-0366(17)30158-X
Hoogman, M., Buitelaar, J. K., Faraone, S. V., Shaw, P., & Franke, B. (2017). Subcortical brain volume differences in participants with attention deficit hyperactivity disorder in children and adults – Authors’ reply. Lancet Psychiatry. http://dx.doi.org/10.1016/S2215-0366(17)30200-6
Hoogman, M., Bralten, J., Hibar, D.P., Mennes, M., Zwiers, M. P., Schweren, L. S. J. . . . Franke, B. (2017). Subcortical brain volume differences in participants with attention deficit hyperactivity disorder in children and adults: a cross-sectional mega-analysis. Lancet Psychiatry, 4, 310–19. http://dx.doi.org/10.1016/S2215-0366(17)30049-4
Poulton, A., & Nanan, R. (2017). Subcortical brain volume differences in participants with attention deficit hyperactivity disorder in children and adults. Lancet Psychiatry.http://dx.doi.org/10.1016/S2215-0366(17)30105-0





 Peter Simons MIA-UMB News Team: Peter Simons tem formação em ciências humanas onde estudou inglês, filosofia e arte. Agora está em seu doutorado em Psicologia de Aconselhamento, sua pesquisa recente tem se concentrado em conflitos de interesse na literatura de pesquisa psicofarmacêutica, o uso de medicamentos antipsicóticos no tratamento da depressão, e as implicações filosóficas e sociopolíticas gerais da taxonomia psiquiátrica no diagnóstico e tratamento.





Texto original publicado no Lancet (http://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(17)30049-4/fulltext)


Diferenças de volume de cérebro subcortical em participantes com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade em crianças e adultos: uma mega análise de seção transversal

Abstrato
FUNDO:
Os estudos de neuroimagem mostraram alterações estruturais em várias regiões do cérebro em crianças e adultos com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Através da formação do grupo de trabalho internacional ENIGMA ADHD, buscamos abordar fraquezas de estudos de imagem e meta-análises anteriores, a saber, tamanho de amostra inadequado e heterogeneidade metodológica. Pretendemos investigar se existem diferenças estruturais em crianças e adultos com TDAH em comparação com aqueles sem esse diagnóstico.

MÉTODOS:
Nesta mega análise, utilizamos os dados da colaboração internacional do Grupo de Trabalho ENIGMA, que na presente análise foi congelada em 8 de fevereiro de 2015. Os sites individuais analisaram as varreduras cerebrais estruturais T1 com IRM com protocolos harmonizados de indivíduos com TDAH em comparação com aqueles que não possuem esse diagnóstico. Nosso principal resultado foi avaliar as diferenças caso-controle em estruturas subcorticais e volume intracraniano através da combinação de todos os dados individuais de todas as coortes nesta colaboração. Para essa análise, os valores de p foram significativos na taxa de descoberta falsa limite corrigido de p = 0 · 0156.

RESULTADOS:
Nossa amostra incluiu 1713 participantes com ADHD e 1529 controles de 23 sites com idade média de 14 anos (faixa 4-63 anos). Os volumes dos accumbens (d = -0,15 de Cohen), amígdala (d = -0,19), caudado (d = -0,11), hipocampo (d = -0,11), putamen (d = - 0 · 14) e o volume intracraniano (d = -0 · 10) foram menores em indivíduos com TDAH em comparação com controles na mega análise. Não houve diferença no tamanho do volume no pallidum (p = 0 · 95) e no tálamo (p = 0 · 39) entre pessoas com TDAH e controles. A modelagem exploratória da vida útil sugeriu um atraso na maturação e um atraso na degeneração, já que os tamanhos dos efeitos foram mais altos na maioria dos subgrupos de crianças (<15 adultos="" anos="" versus=""> 21 anos): nos accumbens (Cohen's d = -0,19 vs - 0 · 10), amígdala (d = -0 · 18 vs -0,14), caudado (d = -0 · 13 vs -0, 07), hipocampo (d = -0 · 12 vs -0 · 06), Putamen (d = -0 · 18 versus -0 · 08) e volume intracraniano (d = -0 · 14 vs 0 · 01). Não houve diferença entre crianças e adultos para o pálido (p = 0 · 79) ou tálamo (p = 0 · 89). As diferenças de casos e controles em adultos não foram significativas (todas p> 0 · 03). 

O uso de medicação psicossimilhante (todos p> 0 · 15) ou os escores de sintomas (todos p> 0 · 02) não influenciaram os resultados, nem a presença de transtornos psiquiátricos comórbidos (todos p> 0,5).

INTERPRETAÇÃO:
Com o maior conjunto de dados até o momento, adicionamos novos conhecimentos sobre reduções bilaterais de amígdala, accumbens e hipocampo no TDAH. Estendemos a teoria do atraso da maturação do cérebro para o TDAH para incluir estruturas subcorticais e refutar os efeitos da medicação sobre o volume cerebral sugerido por meta-análises anteriores. As análises da vida útil sugerem que, na ausência de estudos longitudinais bem alimentados, a amostra transversal ENIGMA em seis décadas de idades fornece um meio para gerar hipóteses sobre trajetórias de vida nos fenótipos cerebrais.
FINANCIAMENTO:
Instituto Nacional de Saúde.
Copyright © 2017 Elsevier Ltd. Todos os direitos reservados.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28219628
PubMed.gov

Abstract

BACKGROUND:

Neuroimaging studies have shown structural alterations in several brain regions in children and adults with attention deficit hyperactivity disorder (ADHD). Through the formation of the international ENIGMA ADHD Working Group, we aimed to address weaknesses of previous imaging studies and meta-analyses, namely inadequate sample size and methodological heterogeneity. We aimed to investigate whether there are structural differences in children and adults with ADHD compared with those without this diagnosis.

METHODS:

In this cross-sectional mega-analysis, we used the data from the international ENIGMA Working Group collaboration, which in the present analysis was frozen at Feb 8, 2015. Individual sites analysed structural T1-weighted MRI brain scans with harmonised protocols of individuals with ADHD compared with those who do not have this diagnosis. Our primary outcome was to assess case-control differences in subcortical structures and intracranial volume through pooling of all individual data from all cohorts in this collaboration. For this analysis, p values were significant at the false discovery rate corrected threshold of p=0·0156.

FINDINGS:

Our sample comprised 1713 participants with ADHD and 1529 controls from 23 sites with a median age of 14 years (range 4-63 years). The volumes of the accumbens (Cohen's d=-0·15), amygdala (d=-0·19), caudate (d=-0·11), hippocampus (d=-0·11), putamen (d=-0·14), and intracranial volume (d=-0·10) were smaller in individuals with ADHD compared with controls in the mega-analysis. There was no difference in volume size in the pallidum (p=0·95) and thalamus (p=0·39) between people with ADHD and controls. Exploratory lifespan modelling suggested a delay of maturation and a delay of degeneration, as effect sizes were highest in most subgroups of children (<15 adults="" versus="" years="">21 years): in the accumbens (Cohen's d=-0·19 vs -0·10), amygdala (d=-0·18 vs -0·14), caudate (d=-0·13 vs -0·07), hippocampus (d=-0·12 vs -0·06), putamen (d=-0·18 vs -0·08), and intracranial volume (d=-0·14 vs 0·01). There was no difference between children and adults for the pallidum (p=0·79) or thalamus (p=0·89). Case-control differences in adults were non-significant (all p>0·03). Psychostimulant medication use (all p>0·15) or symptom scores (all p>0·02) did not influence results, nor did the presence of comorbid psychiatric disorders (all p>0·5).

INTERPRETATION:

With the largest dataset to date, we add new knowledge about bilateral amygdala, accumbens, and hippocampus reductions in ADHD. We extend the brain maturation delay theory for ADHD to include subcortical structures and refute medication effects on brain volume suggested by earlier meta-analyses. Lifespan analyses suggest that, in the absence of well powered longitudinal studies, the ENIGMA cross-sectional sample across six decades of ages provides a means to generate hypotheses about lifespan trajectories in brain phenotypes.

FUNDING:

National Institutes of Health.
http://tdah.org.br/br/artigos/textos/item/1179-maior-estudo-j%C3%A1-realizado-no-mundo-revela-novas-altera%C3%A7%C3%B5es-cerebrais-no-transtorno-do-d%C3%A9ficit-de-aten%C3%A7%C3%A3o.html


Lembrando, porém:

Mas a realidade é: NADA ESTÁ CONCLUSO, exceto nossa NECESSIDADE E COMPROMISSO EM AMAR NOSSOS PEQUENOS, acolhendo-os e realizando da melhor forma a adequação de metodologias escolares, a promoção de ambientes não hostis, onde eles possam se sentir à vontade, aceitos e queridos! Isto é Saúde! 




O sofrimento psíquico existe, sim, pois, quem gosta de ser constantemente observado e criticado? Cabe ao mundo adulto efetuar a promoção de um ambiente mais condigno com a natureza sensível destes amados.

"Mesmo nos casos diagnosticados, em mais de 80% dos casos, não é preciso medicação! Apenas mudança na forma de tratar e terapia psicológica".
(Dr. Sérgio Barbirato - RJ)




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 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/

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sábado, 3 de junho de 2017

TDAH em adultos - 5 ritalina por dia

Um amigo quer ajudar o rapaz. Difícil de dar certo, pois o jovem não se percebe como tendo um comportamento alterado!  - Como passar valores de uma vida simples, menos calcada na competitividade, em um mundo enlouquecido por "número 1"?

 O que é ser campeão? ser o "vencedor" para os outros? ou enfrentar, conviver e vencer seus próprios medos?
Nenhum problema em ter ou ser um campeão. Há que analisar o preço que cada um irá pagar por isto!
Realizar a SUA própria vida, sem comparativos com outros modelos, este é o desafio!
Aceitar-se é a base!
Amar-se é o tronco!
As folhas e os frutos? Sentimentos verdadeiros, contatos de essência, fazer o seu possível e viver o melhor possível com a realidade! Mudar quando possível e necessário e não se exigir além das forças!


Por Marise Jalowitzki
03.junho.2017
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2017/06/tdah-em-adultos-5-ritalina-por-dia.html


Um amigo escreveu:
Bom Dia! Gostaria de sua ajuda!
Adquirir o seu livro há alguns dias e vi o perigo do uso indevido do Ritalina.
Pois tenho um colega na faculdade que está vendo coisas,os colegas de trabalho achando que ele está maluco e ele achando que ele está bem,mas está falando coisa com coisa.
Gostaria de orientação como posso ajudar ele,caso ele queira.
Ele disse que toma 5 compridos de ritalina ao dia.

O que respondi:
Caro amigo!
Louvo tua iniciativa em querer auxiliar teu amigo. Entretanto, é bem como dizes: caso ele queira. O problema de quem ingere estes psicotrópicos, onde, sim, um dos efeitos adversos são as alucinações, o criar um mundo a parte, é de que estes adultos estão tão convictos destas suas verdades que ele - teu amigo - é que pode chamar-te 'louco'! Tenta, se ele te ouvir, é uma vida salva! Também faço o mesmo por aqui, embora, por vezes, os xingamentos arrefecem a vontade.

As alucinações, a paranóia, entre outros, consta da própria bula. Quem entra nessa, quando adulto, ou é porque já tomou quando pequeno - e aí só se sente autoconfiante quando toma o "comprimidinho mágico", pois "mamãe já sabia disso" - ou, se começou a ingerir quando adulto, é por uma autoestima tão lá embaixo, por conta das desqualificações (explícitas ou veladas) que recebeu durante toda a infância e adolescência.

Os acenos que podes dar a ele, podem ser:
1- Procurar um terapeuta holístico, que vai tratá-lo de forma integral (medicação homeopática, Reiki, meditação, etc.) - Sabes que há bastante preconceito quanto a isso. E mais: os "comprimidinhos mágicos" fazem com que a pessoa se sinta "A" pessoa, tipo os efeitos da cocaína, em que o cara se sente o maioral, o fod..., o que 'manja' as coisas de um jeito que os outros sequer sacam. A ritalina, como sabes, está na mesma classificação que a cocaína. Tenta!

2- Procurar um psicólogo, para tentar tratar aquelas coisas lá detrás, que nunca foram resolvidas, e que são o cerne de toda esta insegurança, fantasiada de superpoderes. Sabes que há um tremendo preconceito com relação à terapia psicológica, infelizmente, e as pessoas se defendem com um "não-tô-loco" e "eles não sabem de nada". Particularmente, creio que é o que mais o ajudaria, pois iria mexer na base emocional que deve estar bastante mal estruturada. Como ele já está neste bombardeio de drogas, vai precisar de medicação, sim, e ir efetuando um desmame gradativo, caso ele entenda, de verdade, que iniciou um processo sério de autodestruição e que, pode levar anos, mas ele não vai ficar em pé. 

Conheço vários casos onde amigos dão oportunidades de trabalho, a pessoa comparece, faz o que julga a sua parte, sé despedido, não entende porque, se queixa, fica ainda mais insegura, ingere ainda mais comprimidos (desta mesma e de outras drogaspsicotrópicas, compradas sem problema pela web, sem receita, sem nada!); tenta outra ocupação e assim vai rolando... Tenta!

3- Procurar um homeopata, ou neuro homeopata, um terapeuta da medicina antroposófica, ou da fitoterapia. Um terapeuta floral. Há vários medicamentos não invasivos que podem ser tomados juntamente aos psicotrópicos, para ir ajudando na diminuição das doses destes e proporcionar a limpeza física. Por isso, por efetuar a limpeza 'apenas' física (e isto já é um tremenda vitória, difícil de ser conseguida!), é que a terapia, um tratamento de reparação energética (como o Reiki, por exemplo, EFT, PNL, etc.) devem ser feitos conjuntamente. Sabes que há um verdadeiro bombardeio da "classe opositora" (leia-se: indústria farmacêutica + medicina alopática = lucros) contra a homeopatia, uma campanha sistemática contrária a quaisquer outros tipos de medicamentos substitutivos ou mesmo adjuvantes! Tenta!

Enfim, no Livro há várias dicas, inclusive uma parte para adultos (de como relacionar-se sendo ou convivendo). Mas tudo vai depender de como teu amigo reaje. Um dos que conheço é de dar dó. Um rapaz sensível, querido, sente-se o quanto ele sofre, mas, na hora de conversar sobre - e o debate era sobre crianças -, mesmo ele já tendo in off comentado várias coisas tristes comigo, no público ele declara, possuído de um poder que não é o seu: "Eu cheguei a tomar 10 ritalina por dia e não deu nada, tô aqui!"... só ele não vê que seus olhos estão como vidro, que tem atitudes intrigantes, que as pessoas mais chegadas toleram (por saber de seu histórico) e as que não o conhecem simplesmente o enxergam como um...drogado!

Tua iniciativa é bastante válida e eu, em teu lugar, também interfiriria. Só não abraça o mundo, amigo, pois o máximo que podes fazer são 50%! O restante é com ele!

Enviando excelentes vibrações de Paz e Harmonia!
Contata sempre que quiser!
Marise


Sobre a autora
 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Especialista em Desenvolvimento Humano. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Póa-graduada em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 
blogs:
www.marisejalowitzki.blogspot.com.br

LIVRO TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM

Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade



domingo, 28 de maio de 2017

Todos os castigos são inúteis, diz o pediatra Carlos González



Oito dicas importantes:    
1) Mimo não deixa a criança dependente nem impositiva.
2) As crianças podem dormir na cama dos pais.
3) Não se deve obrigar uma criança a comer e não faz mal se ela comer poucos vegetais.
4) Crianças precisam de limites, não de castigos.
5)  Como lidar com crianças desobedientes e ‘manipuladoras’.
6)  Comparar adultos às crianças e vice versa é uma boa prática. 
7)  É preciso quebrar as regras absurdas, as regras falsas. 
8) Crianças pequenas, especialmente até os três anos, devem ficar com os pais.




Marise Jalowitzki

Por concordar com tudo que está apresentado nesta entrevista, transcrevo vários excertos. Quando os pais entenderem bem mais profundamente o valor do exemplo, da paciência, da tolerância, da busca do entendimento, aí, sim, estaremos caminhando para um mundo de mais Paz e Equilíbrio, com mais Alegria, Felicidade e Saúde. Saúde física e emocional.

Pegar os filhos ao colo e consolá-los quando choram são algumas das idéias defendidas pelo pediatra espanhol que, apesar de ser conhecido pela irreverência, não se acha polêmico nem contra-corrente. Licenciado em medicina pela Universidade Autônoma de Barcelona, Carlos González é o fundador e presidente da Asociación Catalana Pro Lactancia Materna (que defende o aleitamento materno). Também é escritor: entre os muitos livros, destaque para ‘Bésame Mucho – Como criar os seus filhos com amor’, 'Meu Filho não come!', "Manual Prático de Aleitamento Materno' e ‘Pergunte ao Pediatra’.

Casado há 35 anos; seus filhos têm 25, 29 e 33 anos.

“Criei-os o melhor que soube.” – diz o pediatra. “Foram eles que me ensinaram a educar um filho. Aprendi a criar um filho lembrando-me, em primeiro lugar, como fui educado. Em segundo, em como gostaria de ser sido tratado e entendido, em algumas situações. É assim que quase todo o mundo aprende nesta vida!”

Seguem oito destaques que o pediatra Carlos Gonzáles deixa para os leitores:
1)   Mimo não deixa a criança dependente nem impositiva.
Todo o universo adulto deve tratar os pequenos com carinho e respeito.
Pais precisam entender que externar seu amor pelos filhos sem que lhes peguem ao colo ou consolá-los quando choram não é uma boa prática. Como é que a criança sabe que gostam dela se ninguém o demonstra? Nós, adultos, demonstramos o nosso amor fisicamente: abraçamos os amigos, beijamos os cônjuges. Não é suficiente dizer a um namorado ou namorada “amo-te”.
Um adulto necessita mais do que palavras para se sentir amado e um bebê, que não entende as palavras?... ainda mais!
A maioria dos pais concorda fortemente com isto. A maior parte deles amam os filhos e querem demonstrá-lo. Alguns acreditaram na regra de “não pegar a criança ao colo”. Tentaram colocá-la em prática, mas custou-lhes. Quando ouvem que não é necessário sacrificarem-se, que podem abraçar o seu filho sempre que lhes apetecer, sentem-se libertos.

2)  As crianças podem dormir na cama dos pais.

As crianças pequenas despertam várias vezes durante a noite, quase a cada hora e meia ou duas horas, sobretudo entre os quatro meses e os dois ou três anos. Para os pais é muito incômodo terem de se levantar três ou cinco vezes por noite para cuidar do filho. Por isso, muitas famílias descobrem que é mais cômodo dormirem todos juntos. E que tudo é uma fase.
Não há regra fixa. Há que analisar caso a caso. O resultado, nestes casos, é que os pequenos ficam felizes e dormem tranquilos. Aumenta a autoestima, aumenta a autoconfiança.
Mas também pode haver crianças ou pais que prefiram dormir sozinhos. Basicamente, há três maneiras de se organizarem para dormir: a criança pode ficar no seu quarto, no dos pais, mas no seu próprio berço ou cama, ou na cama dos pais. Estas três formas combinam-se de mil maneiras. O importante é que os pais compreendam que têm o direito de decidir sobre a maneira que melhor funciona para todos e que não são escravos da sua decisão, que podem mudar de idéias.



3)  Não se deve obrigar uma criança a comer e não faz mal se ela comer poucos vegetais.
Crianças seguem o exemplo dos pais, prioritariamente. Ver os pais alegremente ingerir dietas com mais verduras, pode influenciar positivamente

Também, de maneira geral, crianças pequenas não costumam comer muitas verduras. A verdura é baixa em calorias e simplesmente não caberia na barriga toda a quantidade que teriam de comer. Assim, elas procuram naturalmente alimentos de alto teor calórico: massa, arroz, pão, bolachas, doces… Com o tempo, o gosto muda. Atualmente, todos comemos coisas que em pequenos não gostávamos, a menos que os nossos pais tenham insistido tanto que nos fizeram odiar verduras. Os vegetais são muito saudáveis, mas o importante não é quantos vegetais comemos aos nove meses, mas sim durante toda a vida. Obrigar um bebê a comer muita verdura, faz com que este a odeie e, em seguida, para deixar é um passo. Se o deixarmos estar, comerá pouco na infância, sem rejeitar e, uma vez crescido, comerá mais.

Se ele come 4 colheres de arroz e feijão, é porque é isto que ele precisa. Se comer 5, começará a ficar obesa!



Respeitar a quantidade que o filho deseja comer é “um ato de amor sempre”. 
Para saber quanto necessita comer uma criança, os cientistas vão buscar 15 ou 20 crianças saudáveis e observá-las durante semanas, durante meses, para ver o que comem. E isso é o que elas precisam comer, o que comem as crianças saudáveis (...) E, ao fazer esses estudos, descobriram que existem crianças que comem diariamente mais que o dobro das outras, ou o triplo. Precisamente imprevisível. Claro, no fim das contas acabam dizendo: na média, o que as crianças comem são tantas calorias. A média sim, mas um come muito mais, e o outro come muito menos.

4)  Crianças precisam de limites, não de castigos. 
Os castigos são inúteis, tanto para as crianças como para os adultos. É claro que é preciso impor limites aos mais novos. Todos os pais o fazem. Os limites lógicos e razoáveis são impostos pelos pais sem que ninguém diga nada.
Não deixamos os nossos filhos brincar com o fogo ou com facas!
 Rejeito os limites que não considero lógicos ou razoáveis, que não se colocam por necessidade ou para evitar quaisquer danos, mas que apenas servem para demonstrar “aqui sou eu que mando”.
5)  Como lidar com crianças desobedientes e ‘manipuladoras’
O que fazemos com os maridos ou esposas que são desobedientes ou manipuladores? Com os namorados, amigos, parentes ou empregados? Será que os adultos nunca fazem nada de mal? Claro que sim, mas não os punimos (a não ser que cometam um delito que apenas os juízes podem punir). Eu não castigo a minha esposa ou os meus amigos, vizinhos, taxistas…
Como médico, não castigo os meus pacientes nem a minha enfermeira. Porquê castigar apenas os meus filhos? Que terão feito eles de tão terrível para merecerem um castigo? É absurdo. É curioso que se fale de crianças “manipuladoras” quando estamos precisamente comentando de colocar regras e limites a crianças. Isto é, para manipular. Nós manipulamos as nossas crianças, compramos livros que explicam como fazê-lo… e os “manipuladores” são eles?

O problema prende-se ao significado de disciplina. Falamos, por exemplo, de “disciplinas olímpicas” ou de um pianista “disciplinado” que ensaia todos os dias. A disciplina é uma qualidade interna das pessoas, que pode ser desenvolvida com amor desde a mais tenra idade. A disciplina não é gritar ou castigar. Autocontrole não é ‘aceitar ser controlado’. Autocontrole ensina-se com o exemplo.
Muitos pais precisam repensar se são os filhos que precisam se calar para que eles (pais) possam assistir tv ou continuar no celular, ou se são os adultos (pais) que precisam desligar seus aparelhos para conseguir ouvir o que o filho tem a dizer. Isso é a disciplina.

6)  Comparar adultos às crianças e vice versa é uma boa prática. “Como eu senti no meu tempo?” 
As crianças não são adultas, mas são parecidas. E, em todos os casos, precisam de mais respeito do que os adultos, porque são mais frágeis. Precisam de ser mais toleradas porque são inexperientes e ignorantes, podem cometer erros.
Muitas vezes castigamos ou repreendemos as crianças por coisas que nunca puniríamos num adulto.
- Se vejo a minha esposa ou um amigo chorar, pergunto o que se passa e tento consolá-los. Para os meus filhos é igual. Nunca escutam: “Para de 
chorar!”
- Se estou a comer com um amigo e vejo que este deixa metade da comida no prato, não o obrigo a acabar tudo. Com os meus filhos também não faço isso.
- Jamais bateria na minha mulher, no meu pai ou em companheiros de trabalho. Muito menos nos meus filhos.


7)  É preciso quebrar as regras absurdas, as regras falsas. 
Estou completamente de acordo com o circular pela direita ou com lavar os dentes depois de comer. 

Profundamente, defendo várias regras fundamentais: nunca bater nas crianças, não insultar ou humilhar… 

Mas se alguém propõe regras ridículas, como “não pegar a criança ao colo” ou “não consolá-la quando chora”, então digo para que os pais ignorem essas regras, porque são estúpidas.

8) Crianças pequenas, especialmente até os três anos, devem ficar com os pais.
Nossas crianças estão melhores em casa, do que em qualquer outro lugar. A não ser, claro, que tenham maus progenitores, que os maltratem ou ignorem. Sentem-se seguras, sentem-se inseridas em um contexto social que lhes é familiar, conhecido. Confere pertencimento. Só nos casos em que isto é impossível é que deve ser cogitado.

Se a criança chora porque não se quer separar da mãe é porque algo está errado e a criança está a sofrer. Penso que é importante que os nossos filhos sejam felizes. Além disso, na maioria das creches, pelo menos em nosso país, há muito pouco pessoal para o atendimento. A nossa legislação permite que oito bebês, com menos de um ano, estejam ao cuidado de uma só educadora de infância. Em casa, há um ou dois pais por filho. Isso permite uma interação muito maior e, consequentemente, um melhor desenvolvimento e aprendizagem.

Alguns pais preocupam-se demasiado se o filho tem tosse ou se acontece algo de pouca importância. Em contrapartida, há muitos que não se preocupam que um bebê com menos de um ano passe dez horas diárias separado dos pais.

Nunca é tarde para retificar alguns comportamentos errados dos pais, se isso é uma coisa boa. Todos os pais fazem coisas boas e más. Às vezes, alguns têm consciência dos erros. Todos os pais devem esforçar-se por fazer o seu melhor.
Pais precisam apostar mais em seu taco. O chamado ‘sexto sentido’, a intuição, o instinto. Somos seres humanos. Temos cultura, civilização, ciência… podemos fazer algumas coisas melhores do que guiados apenas pelo instinto puro. Mas também podemos torná-lo pior. O instinto permitiu aos nossos antepassados criar os seus filhos durante milhões de anos, antes de existir qualquer civilização ou cultura. O instinto não é perfeito, mas, geralmente, é muito bom e deve ser mais usado.

Fontes:




 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:

http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/

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