sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Educação Sexual nas Escolas, Bullying e TDAH - Relato de uma mãe - Mamãe botou um ovo


Análise Crítica do livro Mamãe Botou um Ovo - Por vezes situações acontecem sem o devido conhecimento da direção da escola, nem do orientador pedagógico ou do psicólogo escolar. Depois, a imagem da instituição escolar fica arranhada e é difícil desfazer. 

Relato de uma mãe. 
Mamãe botou um ovo!
Educação Sexual das Escolas, Bullying e TDAH

Por Marise Jalowitzki
28 de fevereiro de 2014
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2014/02/educacao-sexual-nas-escolas-bullying-e.html

Olha como uma coisa leva a outra.
Educação Sexual nas Escolas, Bullying e TDAH. Aparentemente, três coisas distintas. Onde elas se correlacionam?
Uma mãe ansiosa e sem saber que rumo tomar, desabafou. Seu filho está agora com 09 anos e cursa a 3ª série do Fundamental. Há poucos dias foi “diagnosticado como TDAH”. A mãe recebeu o diagnóstico através da orientadora pedagógica mas diz que não quer levar o filho a um psiquiatra ou neurologista, como orienta a pedagoga.
Disse o que penso, daquilo que conheço:

- Procura primeiro um psicólogo e faz o tratamento, também, caso seja necessário, com homeopata.

- Eu não queria nem isso. – disse a mãe. – Eu sei o que meu filho tem e sei porque e quando começou. Ele não tem déficit de atenção como elas dizem. Ele tá sofrendo bullying, só que a professora está junto nessa!

- Queres me explicar? - pergunto.

- É que, já no ano passado, eles tiveram aula de educação sexual e o menino ficou constrangido com o que ouviu e recebeu como material. Na aula, se encolheu e ficou quieto e, em casa, primeiro não quis me mostrar, quando apertei, apresentou a cartilha.

- São aquelas proibidas e já retiradas de circulação pelo MEC? - perguntei.

- Não. – ela disse. – Meu filho estuda em uma escola particular e a cartilha é editada pela Editora Ática. O nome é Mamãe botou um ovo. Caríssimo!

- Não conheço a obra.

- Pois é. Ele chegou em casa, mostrou pra mim, também não gostei. Aliás, acho que 2ª série é muito cedo pra criança pequena ter explicações assim pesadas.

- Mas eles já falam entre si sobre o assunto!

- Sim, mas fica meio na brincadeira, no escondido. Aí, se tem uma explicação bem isenta, real mas superficial, sem dar tanta importância, em casa e na escola, passa batido.

- Concordo. Embora de tempos em tempos o assunto volte. Faz parte. Mas o tema é importante e concordo que 2ª série, por serem todos novinhos, tem de ser apresentado de uma forma suave!

- Pois é. Fui falar na escola que eu tinha o direito de mãe para dizer como e quando meu filho teria informações sobre sexo e que aquela forma não era a ideal. Que eu paguei pelo livro, que veio direto pra escola, e nem vi seu conteúdo antes de meu filho. "A mamãe precisa se atualizar." – me disse a psicóloga do colégio. – "Nós escolhemos o melhor material didático e a professora expõe da melhor maneira. Um conhecimento que os alunos precisam ter, quanto mais cedo, melhor, pra não se perderem por aí." Mostrei as páginas que mais me ofenderam, mas não teve jeito. Fui pra casa sem chão, pois a errada, no final das contas, era eu.

- E como ficou o teu filhote?

- Tá encolhido. Ficou meio com medo de dizer qualquer coisa de novo. Só esperando as férias. Este ano, com o reinício das aulas, aquela professora continua com eles e logo, no primeiro dia, perguntou em tom de brincadeira, na frente de todos: "E aí, Vinicius, mais acostumado agora com aquele assunto?"

- E o que ele fez?

- Ficou envergonhado, ora. Ainda mais que parecia que todos se lembravam do que aconteceu no ano passado, pois a classe inteira riu dele. Ele diz que as piadas continuam nos intervalos e que virou a chacota dos colegas. Pegaram no pé dele legal. Tipo: "E ahe, Vinícius, chateado por falar de sexo?" e outras coisas que não quer me contar, mas que posso muito bem imaginar. Agora, ele não quer mais ir pra aula. Tô voltando agora de uma nova reunião com a orientadora. Ela me chamou pra dizer que o meu menino ta desatento e que provavelmente ele ta com déficit de atenção. Não colabora em aula e não está fazendo os temas. Disse pra eu levar ele ao neurologista. Tô até com uma indicação aqui. Eu não quero!Não sei o que vou fazer!

Orientei-a a insistir mais com a orientadora, trazer o assunto do ano anterior que, é sim, o detonador de toda a situação, procurar mais alguns pais que pensem como ela, propor à escola a revisão de certos conteúdos, rever a postura da professora. Ela disse se sentir fraca e sozinha pra isso. “Sou um lambari em meio a tubarões”. Disse-lhe, então, para procurar o pároco, levar a cartilha e exigir sua intervenção. Relutou. Finalmente, aconselhei-a, então, a procurar a Vara da Infância e Juventude, a Procuradoria Geral do Estado, o Conselho Tutelar, a Defensoria Pública. Ou trocar o filho de escola, caso não se sentisse forte para a possível incompreensão.

Não sei se ela vai fazer qualquer uma dessas alternativas. A verdade é que os pais se sentem isolados e desprotegidos, sem canais de acesso para providências dentro de uma legislação específica e temem retaliações, que realmente acontecem, expondo ainda mais a criança ou adolescente!

Quem arca com o ônus de toda esta desestrutura? O pequeno!
Quem vai acabar sendo dopado para fazer frente ao instituído? O pequeno!
O que isso vai acarretar no futuro, além de matar-lhe a iniciativa? Além da Ritalina, daqui uns anos vão encontrar novos distúrbios, as comorbidades, vai receber aditivos farmacológicos (...,...) e, pronto, mais um ser adulto amorfo para dizer “amém”, mesmo que sofrendo, a este mundo caótico.


Por vezes vale mais receber um rótulo de "família problema" do que vergar-se ao instituído! Pais devem e precisam tomar pé do que acontece com seus filhos na escola. Filhos tem um papel bem definido dentro das famílias: serem protegidos pelos pais! Educação Sexual nas Escolas, Bullying e TDAH
TDAH - Crianças que Desafiam - Marise Jalowitzki

Estava concluindo este artigo quando recebi um e-mail de alguém que leu "Educação Sexual - Cartilhas do MEC", neste blog  e deixou este comentário:

Transcrevo o comentário com o link e, também, o que a mãe colocou lá no facebook. Procurei e li todos os links e creio, sim, que temos no Procurador Miguel Nagib, Procurador do Estado de São Paulo e no seu site Escola sem Partido um ponto de referência e apoio para questões do desamparo que muitos pais sentem, sem saber o que fazer. É minha esperança que mais pessoas da Lei abracem esta causa e levantem esta bandeira. É preciso fazer algo efetivo, e urgente, para que se torne mais "normal" os pais terem voz e escuta em seus argumentos!

Há tempos tem pessoas que estão denunciando que "as cartilhas do MEC" continuam circulando, mas não especificam se a escola é pública ou privada. É preciso que haja mais dados, como os que a Sá Ollebar enviou, pois assim dá para ver a procedência e discutir e opinar. De qualquer maneira, quando os pais argumentam junto à escola, a resposta dos responsáveis é "Seguimos as diretrizes do MEC" o que dá a entender que, sim, o MEC avalia, abaliza, endossa e recomenda os conteúdos!

A vigilância e supervisão do conteúdo didático distribuído precisa acontecer em nível minucioso e, especialmente em questões delicadas como a educação sexual para crianças, folha a folha, página por página. Pis também precisam ser ouvidos. Em instituições privadas, são eles que pagam os livros, geralmente a professora envia um recado, os pais enviam o valor, o livro é comprado e os pais só ficam sabendo do conteúdo depois. 



LIVRO: MAMÃE BOTOU UM OVO!



Parte da coleção Babette ColeTradutor: Lenice Bueno da Silva

Atrativos do livro



Papai e mamãe decidiram contar aos filhos como são feitos os bebês. E inventaram um monte de besteiras, sem saber que as crianças já sabiam de toda a verdade.



Uma abordagem moderna para uma questão delicada para pais e educadores.
Mostra que é possível aprender e rir ao mesmo tempo.



Aplicação


 - Literatura Infantil
Faixa etária/Ano: 6/7 anos / 1º e 2º anos
Leitura acompanhada: a partir de 3 anos

Temas: Ciclo da vidaTemas transversais: Orientação sexualCategorias: Histórias contemporâneasDatas comemorativas: Dia das MãesDia dos Pais


ANÁLISE DO LIVRO, MEU PARECER PESSOAL, A PARTIR DAS FOTOS ENVIADAS PELA SARA RABELLO e outras obtidas em blogs na web:

A capa é bem bacana, atrativa e engraçada.Mostra pais com amoroso semblante.


As 4 primeiras páginas. Como acontece muitas vezes na vida real, pais despreparados utilizam subterfúgios e metáforas para não explicar as coisas como realmente são.


A narrativa segue divertida, como se os pais também participassem da brincadeira, em contar de um modo fantasioso a origem de uma criança. 
 


Quem ouve o relato (personagens do livro - os filhos do casal) já não são crianças de 3 anos (faixa inicial para quem o livro é destinado), o que mostra o despreparo dos pais (na narrativa) em relação à educação sexual dos filhos. 



Os filhos, já infanto-juvenis, troçam dos pais. Riem deles e os deixam envergonhados. Aqui vai a minha primeira crítica ao livro. Creio que troçar dos pais, deixá-los confusos e envergonhados, não é uma boa atitude por parte da escola (livro). Passamos, sim, por um momento onde, em muitos filmes e livros, seriados como o Simpson e outros, os pais são uns bobos, que vivem entrando em fria. Mas, mesmo tal procedimento sendo considerado "moderno" isso não é recomendável. Envergonhar os pais nunca é uma boa ação. Eles nos deram a vida, nos sustentam enquanto dependentes, praticamente todos querem sempre oferecer o melhor. O livro poderia ter enveredado por um relato igual ao exposto, mas sem deixar os pais envergonhados e humilhados, como se fossem pegos "no flagra". Isso, não!



Aqui começa uma explanação didática bem interessante, que poderia ter tido um encaminhamento até mesmo por parte dos pais, do tipo:
- Bem, já brincamos bastante, agora é hora de vocês mostrarem o que aprenderam na escola. E os dois filhotes poderiam apresentar o que segue.



Aqui, considero um novo ponto bastante nevrálgico. Informação precoce, poderão opinar alguns, mesmo que em tom de brincadeira. E, mais: crianças tentam imitar tudo o que vem. Todas as posições desse kama-sutra infantil são perigosas: skate, acrobacia, pendurados em um balão, em cima de uma bola Pilates (pula-pula). Se tentarem, por certo vão se machucar. E mais, onde está o Carinho, a Delicadeza, a Ternura, o Amor?



Aqui, o texto volta a ser bem didático e explicativo. Muito bom! Embora mostre uma mamãe sem abraçar seu filhote, naturalmente sentada.


E aqui, o final apoteótico. Pais realmente humilhados, envergonhados e confusos, expostos ao "Todo mundo já sabia, menos vocês!" Considero isso bastante delicado e triste. 

E a casa é invadida! O reduto do lar, exposto totalmente.

Lembrando:
Faixa etária recomendada/Ano: 6/7 anos / 1º e 2º anos
Leitura acompanhada: a partir de 3 anos

Parece que, definitivamente, Sexo com Amor é "coisa do passado" para quase todos. Pois bem, eu ainda considero sexo com amor e respeito e não apenas o incentivo a uma "transa gostosa".

Embora divertida, pula-pula, balão, palhaços e skate, bem sabemos que as crianças tem a tendência a imitar tudo que enxergam, especialmente o que acham engraçado. O que dirão os pais ao verem dois priminhos, dois amiguinhos, dois coleguinhas (dos 3 aos 9 anos) imitando estas posturas?! E - como uma vez, infelizmente, tive o desprazer de conhecer um casal que se "divertia" vendo os filhos "brincarem" assim! Incentivo saudável? Claro que não! Ainda mais se o livro vem recomendado!


As instituição de ensino precisam estar mais atentas e promover o consenso com os pais, especialmente em conteúdos delicados e que não são os essenciais!

Sei de alguns casos bastante semelhantes de livros adquiridos pelas escolas, contendo mensagens bastante desconectadas, em outras disciplinas também. Meu genro teve de intervir para o recolhimento de um livro (que todos pagaram), o que, felizmente, aconteceu. Era um livro para aula de literatura e trazia claras sugestões de como "roubar em casa" para atingir os objetivos, "comprar uma arma" para sair fazendo justiça, etc. Sem que fossem trabalhados esses valores morais e éticos.

Todas essas questões podem e devem ser comentadas em sala, em cima de algum fato do cotidiano daquele grupo e que lhes chame a atenção. E sempre acompanhado de elucidações comportamentais éticas. Não sacramentadas em uma história ou narrativa, sem o devido debate, pois fixa como se estratégia fosse!

Para a Sara Rabello?
Coloco as indicações mencionadas acima! Creio, sim, que tem de lutar para que a postura seja revista. E entrar em contato com o Procurador, caso necessário! Temas muito importantes ela traz em sua pesquisa, que todos nós podemos ler, estudar, aprofundar e compartilhar!

E, mais uma vez a pergunta:
QUEM FISCALIZA, DO MEC, QUAL A QUALIDADE DO MATERIAL DIDÁTICO ENTREGUE AOS ALUNOS? E, EM PASSANDO PELO CRIVO DA AUTORIDADE DESIGNADA, CABE APENAS AOS PAIS ACATAR? NÃO PODE SER! TEM DE HAVER UM FÓRUM PARA CONTINUAÇÃO DESTE DEBATE!

Transcrevo assim como está no link recebido:

https://www.facebook.com/Sara.Rabello.Malika.Azaah/posts/750541968297159?comment_id=91830903&offset=0&total_comments=5&notif_t=feed_comment

Sá Ollebar adicionou 10 fotos novas.
Olhem o que o colégio são João Gualberto deu pra Ester de 7 anos, minha Filha!Me diga: pode um colégio católico, dirigido por um Dom simplesmente distribuir livro de educação sexual para crianças de 7 anos sem a permissão dos pais???
ESTOU P..... com o Colégio São João Gualberto Instituto Educacional São João Gualberto - que isso? qndo foi que permiti isso?? basta!~
Deveriam ter vergonha qndo dizem "Colégio São João Gualberto com 47 anos de tradição e inovando a cada dia, é uma escola católica, que prima a formação da pessoa humana em todos os níveis." PARABENS PELA INOVAÇÃO DE ESCOLHER A EDUCAÇÃO QUE MINHA FILHA VAI TER SEM ME CONSULTAR - PRA MIM O COLÉGIO É PARA ADICIONAR E NÃO EXCLUIR, JAMAIS EU DELEGO A EDUCAÇÃO DAS MINHA FILHA PRA TERCEIROS - ME ENGANEI PENSANDO QUE ERAMOS UMA PARCERIA "ESCOLA E PAIS"

"Pais precisam acompanhar os conteúdos a que seus filhos tem acesso nas escolas. A Escola é fonte de educação e aquisição de conhecimento, mas não substitui a força e a base da família. E, sempre que necessário, a família tem de interferir, sugerindo melhorias, auxiliando nas decisões e até mesmo, barrando aquilo que julgar inconveniente ou fora de contexto." (Marise Jalowitzki - Compromisso Consciente)

"...pais exerçam, efetivamente -- recorrendo à Justiça, se necessário --, o direito, que lhes é assegurado pela Convenção Americana de Direitos Humanos, a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.
.....
Não existe uma disciplina escolar intitulada “educação de valores”. Esse conteúdo é “espalhado” nas disciplinas obrigatórias do curriculum -- Português, Matemática, Geografia, Biologia, História --, por meio de uma técnica chamada transversalidade. Assim, por exemplo, numa aula de Ciências, ao tratar do aparelho reprodutor, o professor aproveita para explicar aos alunos “como se transa”; ou, numa aula de Comunicação e Expressão, o professor manda que os alunos leiam um texto que, a pretexto de combater o “preconceito”, promove o comportamento homossexual.

Nesse tipo de educação, o objetivo não é transmitir conhecimento, mas, sim, inculcar valores e sentimentos na consciência do estudante de modo que ele tenha determinado comportamento. É um tipo de lavagem cerebral, porque utiliza, muitas vezes, técnicas de manipulação mental bastantes conhecidas, conforme demonstrado por Pascal Bernardin, no livro “Maquiavel Pedagogo ou o ministério da reforma psicológica”.

Acontece que os valores promovidos pela escola não coincidem necessariamente com aqueles que o estudante aprende em casa com seus pais. E isso fica muito claro quando o assunto é alguma questão relacionada à moral sexual.
Em suma, não há dúvida de que as disciplinas obrigatórias do curriculum -- tanto das escolas públicas, quanto das particulares -- estão sendo usadas para promover determinados valores morais, especialmente, em questões ligadas à sexualidade.
O problema -- e aqui chegamos ao aspecto propriamente jurídico da matéria -- é que isto se choca com o direito dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.

Que direito é esse?

Além de ser um direito natural -- ou seja, um direito que existe independentemente de estar previsto em lei, porque decorre da própria natureza das coisas --, esse direito é garantido expressamente pelo art. 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), também conhecida como Pacto de São José da Costa Rica.

O art. 12 da CADH diz o seguinte:

“Os pais têm direito a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções.”

Ao dizer que os pais têm direito a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções, a CADH está reconhecendo aos pais o direito de decidir a educação moral que será transmitida a seus filhos.

Ora, se cabe aos pais decidir o que seus filhos devem aprender em matéria de moral, nem o governo, nem a escola, nem os professores têm o direito de usar as disciplinas obrigatórias -- aquelas disciplinas que o estudante é obrigado a frequentar sob pena de ser reprovado --, para tratar de conteúdos morais que não tenham sido previamente aprovados pelos pais dos alunos.

Por outro lado, o art. 5º, inciso VI, da Constituição Federal, estabelece:

VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, (...);

Ora, se o governo, as escolas ou os professores usarem as disciplinas obrigatórias para tentar obter a adesão dos alunos a determinadas pautas morais, isso fatalmente se chocará com a liberdade de consciência dos alunos.

Observo, de passagem, que a liberdade de consciência é absoluta. As pessoas são 100% livres para ter suas próprias convicções e opiniões a respeito do que quer que seja. Ninguém pode obrigar uma pessoa a acreditar ou não acreditar em alguma coisa. O Estado pode obrigá-la a fazer ou não fazer alguma coisa, mas não pode pretender invadir a consciência do indivíduo para forçá-lo ou induzi-lo a ter essa ou aquela opinião sobre determinado assunto. Isto só acontece em países totalitários como Cuba e Coreia do Norte.

Como o ensino obrigatório não anula e não restringe a liberdade de consciência do indivíduo -- do contrário, ele seria inconstitucional --, o fato de o estudante ser obrigado a cursar determinada disciplina impede terminantemente que o Estado, a escola ou o professor se utilizem dessa disciplina para inculcar valores e sentimentos na consciência do aluno.

Além disso, é preciso considerar que a nossa religião é inseparável da nossa moral. Portanto, a liberdade religiosa dos nossos filhos também estará ameaçada se as disciplinas obrigatórias do curriculum veicularem conteúdos morais incompatíveis com os preceitos da nossa religião.

Como se vê, o ordenamento jurídico oferece ao estudante e seus pais toda a proteção necessária para impedir que o Estado, as escolas e os professores se utilizem das disciplinas obrigatórias para promover a tal "educação de valores".

Mas não é só isso. Parece-nos inaceitável que um Estado laico como o nosso possa usar o sistema de ensino para promover valores morais. Pela simples razão de que a moral é inseparável da religião (pelo menos no que se refere à religião da esmagadora maioria do povo brasileiro, que é o Cristianismo). Se o Estado não pode promover uma determinada religião, também não pode promover uma determinada “moralidade”.

Em todo caso, se o Estado pudesse utilizar o sistema de ensino para promover valores morais, seria necessário saber, antes de mais nada, que valores seriam esses. Haveria uma lista de valores? Quem iria aprovar essa lista? O Congresso Nacional? O Presidente da República? Os Governadores dos Estados? Os Prefeitos? Os funcionários do Ministério da Educação? Cada professor em sua respectiva sala de aula?

Por aí já se vê a absoluta impossibilidade constitucional da utilização do sistema de ensino para a promoção de uma determinada agenda moral. Mas, a despeito dessa impossibilidade constitucional, essa política está sendo aplicada em nosso país pela burocracia do MEC e das secretarias estaduais e municipais de educação, pelas escolas, pelos professores e pelas editoras de livros didáticos.

A abordagem de questões morais em sala de aula -- em prejuízo, diga-se, de conteúdos que a escola deveria transmitir aos alunos -- vem sendo feita sem nenhuma base legal. Não existe lei, votada pelo Congresso Nacional ou pelas Assembleias Legislativas dos Estados, determinando ou permitindo que o sistema de ensino seja usado com essa finalidade. E se lei existisse, ela seria inconstitucional.

Isso está sendo feito por iniciativa exclusiva de funcionários públicos. Servidores dos ministérios e das secretarias de educação e professores estão decidindo por conta própria o que deve ser ensinado aos nossos filhos em matéria de moral -- principalmente moral sexual. Funcionários públicos estão fazendo aquilo que o próprio Congresso Nacional não tem poderes para fazer.

Portanto, ao contrário do que se pensa, os professores e as escolas não só não estão obrigados a seguir as recomendações dos PCNs em matéria de educação sexual -- o que o próprio MEC reconhece --, como estão proibidos de fazê-lo.

O governo, as escolas e os professores estão obrigados a respeitar o direito dos pais e a liberdade de consciência e de crença dos alunos. E os pais podem recorrer ao Judiciário para fazer valer esse direito.

Em resumo: o art. 12 da CADH e o art. 5º, VI, da Constituição Federal, exigem que os conteúdos morais hoje presentes nos programas das disciplinas obrigatórias sejam reduzidos ao mínimo indispensável para a assegurar que a escola possa cumprir aquela que é a sua função primordial: transmitir conhecimento aos estudantes.

Tudo o que passar disso deve ser colocado, quando muito, no programa de uma disciplina facultativa. Conhecendo o programa dessa disciplina, os pais decidirão se querem que seus filhos a frequentem.

* Procurador do Estado de São Paulo, fundador e coordenador do sitewww.escolasempartido.org
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  • 4 pessoas curtiram isso.
  • Juju Enjuadinha Nossa! To passada! Nem meu filho que vai fazer 10 anos sabe disso! Acho q esta na hora de começar a falar... Preciso ate me informar sobre isso...
    há 6 horas · Curtir · 1
  • Sá Ollebar Juju Enjuadinha eu estou irada ! Nâo sou contra a educação sexual, mas quem decide o tempo que minha filha vai receber somos nós os pais dela - outra coisa não preciso mostrar dessa forma nojenta. Mas isso não vai e nem pode ficar assim, a cartilha foi proibida o colégio simplesmente não me consultou á respeito!
  • Deuseli De Carvalho Nossa que triste...
    há 6 horas · Curtir · 1
  • Juju Enjuadinha Pois é, acho q se minha filha chega com um livro desse eu surto tambem... Acho ate que da maneira cientifica é bem melhor... Nossa! Mas q livro absurdo!
  • Sá Ollebar http://www.tradicaoemfococomroma.com/.../cartilha-de...

    www.tradicaoemfococomroma.com
    ©2009 APOSTOLADO TRADIÇÃO EM FOCO com Roma | "A verdade é definida como a conformidade da coisa com a inteligência" Doctor Angelicus Tomás de Aquino
  • Sá Ollebarhttp://compromissoconsciente.blogspot.com.br/.../mpf...

    compromissoconsciente.blogspot.com
    Miseráveis salario digno uma educação nas escolas e melhorar a saúde ninguém faz vá pra pqp Dilma tenho vergonha de ser brasileiro
  • Sá Ollebar Mas esse tipo de cartilha foi proibida!!  o que faz esse "SANTO" colégio distribuindo?
    há 6 horas · Curtir · 1
  • Ana Cristina Duarte Minha filha sabia esse livro decor aos 7 anos... Se você não explicar isso a eles de forma lúdica e legal, eles vão aprender da pior maneira possível entre colegas. Acho inclusive esse um dos melhores livros para explicar sexualidade a crianças dessa idade...
    há 2 horas · Curtir · 1
  • Sá Ollebar Ana Cristina Duarte Não vejo problema em aprender seja pelo livro ou de qualquer outra forma natural, mas o que me irrita é o colégio querer decidir por mim quando minha filha recebe educação sobre esse ou outros assuntos. Eu sou a mãe dela, eu a crio e educo a escola é um "adicional". Nâo gostei, principalmente se tratando de um colégio que quer forçar "portas fechadas"
  • Ana Cristina Duarte Na verdade O MEC decide quando a criança tem que aprender tudo, desde a primeira letra até trigonometria. Só sexo, baita tabu, que a gente prefere decidir em família a melhor hora de discutir. Mas a realidade é que se a escolha não introduzir o assuntoaos 7 anos, eles já estarão discutindo isso entre eles, quer você queira, quer não. E o efeito dessas conversas de recreio sem a devida referência bacana, pode ser bem desastroso...
    há 2 horas · Curtir · 1
  • Sá Ollebar "o MEC"uma verdadeira cacá rsrs. Eu fui atrás de conhecimento que acompanhasse ela - o MEC é a "coisa" mais perdida desse mundo, todos colégios dizem que seguem o recomendado pelo MEC, porém não é bem assim, pelo menos no particular, cada colégio tem um nível de aprendizagem. Tive que intervir e cobrar que a escola fosse capaz de manter o nivel da minha filha e não deixar que ela regrida, já que na Bahia o ensino é melhor que SP - estou a todo momento decidindo sim com o colégio o que elas aprendem, sexo não é tabu pra nossa família,porém como um todo eu exijo que não seja tirado de mim o direito de educar minhas crias, seja temas como línguas, matemática, português, sexo ou religião.
  • Ana Cristina Duarte Mas Sá, eles vão aprender línguas, matemática, português, biologia (sexo) na escola.. o único jeito de não ensinarem isso é fazendo home schooling...
    há 2 horas · Curtir · 1
  • Ana Cristina Duarte eu odeio o conteúdo MEC, acho um atraso de vida, mas acho que ele é atrasado com tudo igualmente. O que eu quero dizer é que no Brasil quem decide que ano as crianças aprendem cada coisa é o MEC, não a família.
  • Sá Ollebar Isso é um vdd Ana Cristina Duarte pra quem acostumou delegar os filhos pra terceiros - existe proteção na lei me dando o direito de educar minhas crias e a escola precisa entender que não são "donos" das minhas crias e cumprir o que eles tanto afirmam...A escola é uma parceria com os pais! Pois bem quero que eles tenham vasto conhecimento sobre vários assuntos, porem volto a dizer, a escola está como "adicional" e não para decidir quando e como fazer isso por mim e pela propria criança. Não delego a vida deles pra ninguém! rs
  • Ana Cristina Duarte Sá, eu como educadora sou uma ótima parteira, né, não entendo nada. Então pelo que você está dizendo, é possível que cada pai chegue na escola e decida se os naquele ano o filho vai aprender exponenciação ou não? Tipo o pai do joão pode decidir que esse ano que reforço em multiplicação, não entra em exponenciação, mas pode adiantar expressões matemáticas, já que ele julga que isso é melhor para o filho dele? Eu agora fiquei surpresa com essa info!! E triste de não ter sabido antes.



Gratidão à Sá Ollebar (codinome no face) pelo envio do comentário e pela inserção da matéria do blog. Estamos aí pra isso mesmo! Ampliar o debate!




Quando estava já com o livro TDAH Crianças que Desafiam concluído, encontrei uma informação que não sabia: O Conselho Tutelar pode entrar na escola e questionar posturas que vão de encontro, que se chocam com o que os pais pensam e querem. Embora estejamos incipientes neste caminho (e, por vezes, também os que ocupam os cargos desse próprio órgão de assistência e cuidado) temos de continuar, pois é através da prática que nos aperfeiçoamos!


Conselho aos Pais

http://www.escolasempartido.org/conselho-aos-pais
Senhores Pais,
Exerçam o direito que lhes é assegurado pelo artigo 12 da Convenção Americana de Direitos Humanos:
"Os pais têm direito a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções." 
 
PROCESSEM
POR DANO MORAL
AS ESCOLAS E OS PROFESSORES
QUE TRANSMITIREM
CONTEÚDOS IMORAIS
AOS SEUS FILHOS
Miguel Nagib
Procurador do Estado de São Paulo, fundador e coordenador do site www.escolasempartido.org

E eu adendo:
...só depois de haver transferido seu pequeno de escola, pois senão será o maior prejudicado (e perseguido!). Tente conversar, muito, dialogar sempre, só quando a situação não avançar em qualidade, tome as medidas plausíveis.

Seu filho provavelmente irá calar-se, por medo ou vergonha. Instigue o diálogo, dê condições (ambiente e tempo) para conversar com ele!


Convido a participarem do Grupo TDAH Crianças que Desafiam, no Facebook.


Marise Jalowitzki
Compro
misso Consciente

Escritora, Ambientalista de coração,
Educadora, Coordenadora em Dinâmica de Grupos,
Pós-Graduação em RH pela FGV,
International Speaker pelo IFTDO-VA-USA
compromissoconsciente@gmail.com.br