sábado, 24 de julho de 2010

SACOLINHAS: ESTA QUESTÃO É NOSSA!


SACOLINHAS: ESTA QUESTÃO É NOSSA!
Marise Jalowitzki



Qual a diferença entre consumo e desperdício?

A estrutura básica está apta para resolver, com processos de reciclagem, o caos do plástico?
Qual a SUA PARTE?

Muito se fala sobre a questão das sacolinhas plásticas, sobre o consumo abusivo e o desperdício, que são coisas diferentes.

- Consumo abusivo - Pense bem: para cada coisinha que você adquire, recebe (e aceita) uma sacolinha plástica, por vezes revestida de outra. Por exemplo, você compra morangos: a embalagem de isopor (tóxico) sustenta os morangos, que estão revestidos com plástico aderente e etiquetado com o adesivo que traz o valor a ser pago; ao chegar no caixa, esse coloca a embalagem dos morangos em uma sacolinha plástica (!!!) para separar o produto (mais frágil) dos demais e, ao final, depois de empacotar todos os demais produtos - em mais sacolas plásticas, muitas vezes duplas (para sustentar o peso), coloca a sacolinha contendo os morangos bem em cima, para que não amasse. Cansou só de ler, não é mesmo? Contabilize quanto plástico está ali. E estamos falando somente de um produto! Porque acontece assim também com o queijo, com os produtos de limpeza e assim por diante.

- Desperdício é o que vem a seguir: você chega em casa, retira todos os produtos, amassa as embalagens, coloca tudo em um novo saco plástico para destinar ao lixo. Independentemente se acontece a seleção (no caso, plástico, papel, orgânico) ou não, tudo isso é desperdício.

Portanto, CONSUMO em si não é o problema. Cada um pode continuar comprando e usufruindo dos produtos que necessita. O que é preciso é uma conscientização de QUANTO de tudo isso efetivamente precisamos, de COMO esses produtos precisam estar embalados e, principalmente, PARA ONDE vai o que trazemos para casa, escritório, empresa. Qual o destino final. Assim, Desperdício é aquilo que não é aproveitado ou possível de ser reaproveitado. O que vai fora. O que é descartado.

Até onde vai a nossa parte? A nossa participação?


Fatos concretos:

- A indústria da reciclagem não aproveita tudo que recolhe - o interesse de compra e reciclagem ainda está concentrado em apenas alguns produtos e com dimensões mínimas especificadas - Vidros (tem de estar limpos), geralmente potes e garrafas; dificilmente alguém compra cacos de vidro; garrafas pet, preferencialmente as de 02 litros ou mais; latinhas amassadas; plásticos - limpos e dobrados; papelão e papel por quilo, amarrados em maços (quem se importa com as dezenas de pequenas embalagens, hiper coloridas, de balas e chicletes, por exemplo? Sabemos que, quanto mais cores impressas nas embalagens, mais tóxicas).

Em uma simples caixa de bombom, encontramos cada bombom embalado separadamente em duas camadas; todos eles dentro de um saco térmico, dentro de uma caixa, sendo que essa caixa está revestida, geralmente com celofane (tóxico). Chegamos ao caixa, mais uma sacola plástica... Gente, é só contabilizar!

Assim é fácil de entender que a indústria de reciclagem não dá conta de reutilizar tudo que é desperdiçado.

- Há uma gigantesca falta de estrutura para reaproveitar -
Mesmo considerando apenas a realidade das grandes capitais, não há estrutura disponível para encaminhar para reaproveitamento tudo o que é desperdiçado.

- Coleta seletiva ainda é uma meta a ser alcançada -
A maioria das grandes cidades brasileiras conta apenas com coleta seletiva PARCIAL; que dirá cidades pequenas. Os lixões das metrópoles, os lixões de todas as cidades, entulhos e apodrecimentos estão aí, são testemunhas por si só.

- A população ainda é espectadora -
A grande maioria da população ainda não está conscientizada o suficiente, ainda acredita que o problema é "apenas" com os animais, com a natureza, como se isso não lhe dissesse respeito; portanto, NÃO ESTÁ FAZENDO A SUA PARTE!

Iniciativas por parte do comércio varejista em relação à diminuição do consumo e desperdício de sacolas plásticas:

- Algumas grandes redes de supermercado estão oferecendo algum produto como brinde ou alguns centavos para cada cliente que DEVOLVER 50 sacolas plásticas que houver recebido naquela loja - NÃO RESOLVE! Pelo contrário! Incentiva o aumento do uso e solicitação abusiva naqueles clientes que se interessam em adotar a campanha e usufruir dela. Todos sabem do vício cultural do brasileiro de "ganhar um brinde".



- Algumas grandes redes de supermercados oferecem pequenos descontos (centavos) no total das compras para os clientes que dispensarem o uso de sacolas plásticas e trouxerem as suas de pano de casa. É um paleativo! Com um mérito: inicia o processo de conscientização para a diminuição do consumo de sacolas plásticas. Mas, é apenas um paleativo. TAMBÉM NÃO RESOLVE, pois o exemplo precisa ser ampliado ali dentro mesmo, do supermercado: TODOS os produtos são generosa e repetidamente embalados e reembalados, todos com material tóxico.

É muita coisa! É como uma neurose que tomou conta de tudo e todos! Em nome da higiene, chegou-se a um tal nível de "cuidados" que é fácil de se perguntar: a que leva tudo isso? Será que estamos, mesmo, nos preparando para viver dentro de bolhas? Sim, pois se nossas defesas são tão minúsculas, logo, logo não teremos mais lugar no mundo! Ele será das bactérias, vírus, microorganismos!...rs Onde estão os nossos anti corpos para fazer frente a algumas agressões (antes naturais) do meio ambiente?

Essas coisas pouco pensadas é que levam ao descarte e ao abandono.

Lembro de uma palestra que assisti de um norte-americado que veio fazer propaganda de um material para "limpar vegetais" (!!!). Era um produto que se misturava à água e, a seguir, se imergia um brócolis, por exemplo. Após alguns minutos, ficavam boiando dezenas de pequeníssimos bichinhos, que estavam alojados entre as florzinhas do vegetal. Todos sentiram TANTO nojo! Foi um "arghh" generalizado, muitos exclamando que "nunca mais comeriam brócolis"! Foi uma confusão! Estamos em uma era que procura através do microscópio, na vida cotidiana, comum, os "agressores que irão nos destruir", que representam risco. Ao mesmo tempo, descuidamos de algumas premissas:

- Alguém lembra do poder do cozimento? Quando se ferve ou gratina um brócolis, o que acontece com os minúsculos bichinhos? Você sente nojo em pensar que os está comendo? E a carne vermelha? Só porque vem embalada em bandejas e plásticos, deixou de fazer parte de um animal enorme, que tinha sangue, olhos, instinto de sobrevivência e tudo o mais? Quantas milhares de toxinas estão injetadas na carne do animal que pressente a morte instantes antes de ser executado? E tudo é ingerido com prazer! A minhoquinha também, só que é pequinininha!

- Alguém já sentiu, nem que seja da casa de um vizinho, aquele cheiro podre que exala quando o freezer é aberto e a carne passa de uma temperatura a outra? Com certeza devem saber que os consumidores de carne dificilmente põem tudo no lixo. Geralmente, colocam mais pimenta e condimentos, assam e... comem! Quantos [novos] microorganismos nasceram ali?

Voltando às sacolas plásticas.
A mudança maior com relação ao desperdício não acontecerá por parte das redes varejistas, não. A mudança fundamental irá acontecer quando cada um de nós se dispuser a fazer a sua parte.

DICAS:
1) Leve sua sacola de pano SEMPRE DENTRO DA BOLSA, ao fundo da maleta do notebook, no banco de trás do carro, seja onde for. Dispensar a plástica, mesmo quando o empacotador insistir em embalar. Agradeça e recuse. É só isso! Depois de tornado um hábito, fica fácil!

2) Chegando em casa, separe as sacolas limpas daquelas que estão com restinhos. Os sacos plásticos transparentes que embalam alface, por exemplo, podem ser guardados para a feira da semana seguinte e reutilizados várias e várias vezes. Não tem gordura, não tem sujeira; por vezes, um pouco de umidade; é só deixar do lado avesso tomando ar por alguns minutos e guardar em local específico (Os porta-sacos - também chamados de puxa-saco - de pano ou barbante são os melhores, pois ventilam).

3) Quando você vai escolher as batatas, cenouras, beterrabas, bananas, maçãs, mangas, dê um nó tipo "lacinho" no saco, antes de passar pelo caixa (ou no guichê de pesagem). Assim, ao chegar em casa, pode abri-lo sem danificar. E reutilizar mais tarde.

4) Na panificadora (padaria) sugira o retorno aos sacos de papel. Pela ventilação natural do papel, são até melhores, pois o pão quentinho não "murcha". Pela coloração natural do papel (meio marrom) nem necessita de muito preparo (e tinta), deixando o papel mais limpo e puro.

5) Ao efetuar o descarte, dobre, deixe direitinho, pois facilita todo o processo de reaproveitamento; pense no profissional da reciclagem que irá separar e processar. Somos, o tempo todo, clientes e fornecedores desse enorme processo de alimentação e realimentação vital.

São ações diárias que geram resultados. Não irão resolver as catástrofes que já aconteceram, mas, para os animais que continuam conseguindo nascer e sobreviver em meio ao caos que está instaurado, a esses, sim, estaremos fazendo diferença.

E, se você ainda não consegue pensar nos animais que você não consome, pense em você mesmo! Lembre que uma das maiores causas de enchentes urbanas residem no entupimento dos bueiros e é ali (nos bueiros) que vão parar as sacolinhas que todos os dias encontramos em ruas de nossas cidades. Ratificando: sacolas plásticas, em contato com a água e gordura que é ejetada nessa mesma água de esgoto, viram uma massa dura e cristalizada que entope o bueiro, sendo de difícil remoção, mesmo para os profissionais da área.

Vamos fazer o que está a nosso alcance? Diminua o consumo e o desperdício de sacolinhas plásticas. Esta questão é nossa! Está em nossas mãos.

Você está disposto a participar?

____________________________________________

MARISE JALOWITZKI é escritora, consultora organizacional e
palestrante internacional, certificada pela IFTDO-USA, pós-graduação
em RH pela FGV-RJ, autora de vários livros organizacionais.
marisej@terra.com.br
http://www.compromissoconsciente.blogspot.com/
http://www.marisejalowitzki.blogspot.com/
F (51) 97056424
Porto Alegre - RS - Brasil
_______________________________________________________

Nenhum comentário:

Postar um comentário