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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Wikileaks - EUA e o "Cacarejo" de Lula




Wikileaks - EUA e o "Cacarejo" de Lula

Por Marise Jalowitzki

Quando Julian Assange publicou, através do Wikileaks, que os documentos norte-americanos referiam-se às declarações de Lula sobre questões climáticas como "O Cacarejo de Lula", o governo brasileiro preferiu não se manifestar e tudo ficou no limbo, sem nenhum comentário adicional.


O que significa um "Cacarejo"?

Logo que a notícia publicada no Wikileaks foi comentada, um aluno dp ensino médio, perguntou para a professora sobre o motivo dos EUA ter chamado o nosso presidente de "galinha" e não de "galo", já que quem "cacareja" é galinha, não galo. Todos riram. Claro que ele (o rapaz) queria obter esse resultado, mesmo: o riso dos colegas.


Educadamente, a professora explicou a todos o que a expressão (dito popular) significa: galinha cacareja mesmo quando o ovo não foi ela quem postou; galinha cacareja mesmo quando não há ovo nenhum. O que os Estados Unidos quiseram dizer é que o governo brasileiro fala muito em controlar a emissão de GEE - gases de efeito estufa - , mas não faz tudo que diz e promete.


Ficou um ar de desconforto geral, pois, não dizer a verdade, na idade deles, ainda é uma coisa deplorável, um valor desestimulado entre todos.


No discurso, a coisa toda já está pronta e perfeita.


Assim, quando foi anunciado, com muita satisfação por parte da delegação da COP-16, que o presidente brasileiro assinou oficialmente o comprometimento em diminuir o desmatamento e a emissão de gases tóxicos, ninguém fez muita festa, não. Até porque, para acreditar, tem de acontecer.


Só assinar, sem aumentar o efetivo para supervisionar, cuidar, prender, multar, coibir, em nada resultará.


Aí, sim, ficará apenas um cacarejo.


Marise Jalowitzki
Escritora e consultora organizacional
Porto Alegre - RS - Brasil
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O que é REDD, REDD+ e REDD++ Reduções de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal


Desmatamento é chaga difícil de aceitar!

O que é REDD, REDD+ e REDD++  Reduções de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal

Por Marise Jalowitzki
14.dezembro.2010
http://t.co/AkDMtCz

O QUE É REDD

O REDD - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal - é um medidor de responsabilidade ambiental, criado a partir das discussões internacionais sobre Mudanças Climáticas, nível de Emissões de Carbono na atmosfera por desmatamento e consequente aumento do efeito estufa (diminuição da floresta, queimadas, etc.) e Degradação Florestal (destruição da mata nativa, extração irregular e irresponsável, queimadas, alterações nos leitos dos rios e no entorno - assoreamento -, etc.

Este mecanismo foi criado para que os órgãos internacionais possam remunerar os responsáveis por manter a floresta em pé, sem desmatamento/corte. 

Após uma série de discussões, havidas em várias Conferências, a decisão tomada é de que os recursos financeiros recebidos pelas nações terão como tesoureiro e administrador o Banco Mundial, até 2013. Assim, o Banco Mundial e mais um conselho de 24 membros, oriundos de vários países (desenvolvidos e em desenvolvimento) vão decidir a quem serão repassados os valores arrecadados, o Fundo Verde.

A COP-16 acordou, também, que o REDD - Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal - será um índice obtido pela área/país em si, sem considerar o Mercado de Carbono (onde os países mais ricos podiam "ganhar pontos" por ajudar financeiramente áreas mais vulneráveis, em diferentes países.

27 deputados e senadores estão envolvidos nos ganhos por desmatamento e degradação florestal
(Leia neste blog)

Os recursos repassados pelo Fundo Verde serão enviados aos governos dos países, que administrarão obras, instituições, programas sociais, etc. Antes da realização desta 16ª Conferência (COP-16), ainda não havia uma definição sobre quem receberia o dinheiro repassado - as populações que vivem na floresta, os donos da terra ou o governo do país. Optaram por este último.

Que os mecanismos de controle sejam os mais idôneos possíveis. Pelos históricos que temos, até agora, essa idoneidade foi bem difícil de ser constatada.


ORIGEM DO REDD

O REDD - Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação Florestal surgiu em 2007, em Bali, por ocasião da COP-13 e constou da Carta do Caminho de Bali, prevendo a criação de políticas e incentivos positivos a questões referentes relacionadas com
- a redução de emissões provenientes do desflorestamento e da

- a redução de emissões provenientes da degradação florestal nos países em desenvolvimento
o papel da conservação da floresta em pé
- o manejo sustentável das florestas e
- o aumento dos estoques de carbono das florestas nos países em desenvolvimento (reflorestamento).


CATEGORIAS DE REDD

Existem 3 "tipos" de REDD - Reduções (no nível) de Emissões (tóxicas advindas) por Desmatamento e Degradação Florestal.  

Assim, temos o REDD, o REDD+ e REDD++
REDD: Elemento de valorização da floresta correspondente à redução de emissões provenientes do desflorestamento e da degradação florestal nos países em desenvolvimento.

Ou seja, diminuir o desmatamento, reduzindo o corte em percentuais anunciados (o Brasil comprometeu-se em torno de 38%).


REDD+: É o REDD, mais o papel da conservação, do manejo sustentável das florestas e do aumento dos estoques de carbono das florestas em países em desenvolvimento.

Ou seja, diminuir o desmatamento, reduzir o corte, conservar o que existe, uso apropriado da terra e florestas, além de aumentar os estoques de carbono (reflorestar, aumentar as áreas de floresta).

É o que foi acordado na COP-16, em Cancun.

REDD++: É o REDD+, mais a agricultura, incluindo a garantia de melhores práticas com vistas ao não desmatamento.

Ou seja:
- Diminuir o desmatamento
- Reduzir o corte
- Conservar o que existe
- Garantir o manejo sustentável (rios, beiras de rios, prevenir a erosão, permitir que as árvores alcancem sua idade madura), e...

...Incluir o compromisso em adotar uma atitude responsável em relação à agricultura:
- Quais os melhores produtos a serem plantados em determinadas áreas (tipo de solo, clima, etc.)
- Diminuição (extinção) do uso de agrotóxicos
- Extinção das queimadas
- Meios de irrigação responsáveis, etc.

Hoje apenas 6% dos ruralistas e agricultores em geral utilizam recursos responsáveis para a irrigação, utilizando água sem nenhum controle.

Esta pesquisa utilizou declarações em diferentes órgãos, veiculadas na mídia e foi uma tentativa de levar a leigos, como eu, a entender melhor a matemática de repasse de ajuda financeira para a melhoria do Verde em nosso planeta.

Abraços a todos!

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora organizacional
compromissoconsciente@gmail.com
Porto Alegre - RS - Brasil
Filosofia de agir sem pensar no entorno gera prejuízos gravíssimos ao meio ambiente. Quem sofre as consequências somos todos nós!

Ressalto importantes esclarecimentos que constam no link

Rio Juruena - Mato Grosso - Devastação, Degradação, Desmatamento
Foto de Margie Moss


  Novo Código Florestal
E mais:
Uma das propostas do Novo Código Florestal é a de perdoar todas as multas por desmatamento ilegal até 2008!!


Ruralistas x Ambientalistas - Novo Código Florestal


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Leia também:

- Porque um Grupo de Políticos quer Mudar o Código Florestal - Chega de impunidade!!!  - LINK: http://t.co/6fFGrIf

- Ambientalistas e ONG's são mais organizados do que pensamos - LINK: http://t.co/YobNsv1

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Desmatamento é chaga difícil de aceitar!
 
O que é REDD, REDD+ e REDD++  Reduções de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal



Mais sobre Código Florestal, Desmatamento, Degradação, Preservação: LINK: http://ning.it/gzWrbi


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COP-16 - Medidas para frear o Aquecimento, Redução do desmatamento e o Mercado de Carbono


Medidas para frear o aquecimento global são efetivas?

COP-16 - Medidas para frear o aquecimento, Redução do desmatamento e o Mercado de Carbono

Por Marise Jalowitzki
14.dezembro.2010

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Nota de 31.março.2011
Roubo de Certificados põe em xeque a credibilidade do Mercado de Carbono
Leia em: http://t.co/aNjmDOT
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Terminada a COP-16, em Cancun, no Mexico, as nações avaliam os resultados de um encontro tenso, que exigiu bastante de todos os que lá estiveram como negociadores por um planeta mais limpo e preservado.

É certo que nenhum deles saiu de lá satisfeito, pois os resultados foram pequenos em relação à gravidade do momento pelo qual passa a Mãe Terra.

Com relação às medidas para frear o aquecimento global, o Acordo assinado em Cancun se assemelha mais a um apelo do que uma providência: uma necessidade urgente de realizar "fortes reduções" nas emissões de carbono,  evitando que a temperatura média do planeta aumente mais de 2º C em comparação com os níveis da era pré-industrial.

Isso já vem sendo divulgado em larga escala em, praticamente, todos os meios noticiosos.


O Acordo ratifica os índices de redução necessários para a emissão tóxica jogada na atmosfera, pelos países industrializados: entre 25% e 40% até 2020 em relação ao nível de 1990.

Estes já eram os índices acordados em Kyoto. Como Estados Unidos não assinou, para aquele país, "não vale".


Quais as providências a serem aplicadas quando o acordo não é cumprido? Isto não foi divulgado.

Aliás, espera-se que não se fale em "multas" pois essa forma, parece-me, é a que mais estimula a irresponsabilidade. Pagar [com dinheiro] uma ação irresponsável não confere conscientização, apenas penalização inócua. Por vezes, dependendo do valor das multas, até estimula a contravenção.

O estudo de novos mecanismos de mercado, para ajudar os países em desenvolvimento a limitar suas emissões, constituiu-se em um aceno de continuidade. Serão discutidos na próxima conferência, no final de 2011, em Durban (África do Sul).


Sustentabilidade - sonho ou realidade


Verificação das ações dos países em desenvolvimento para reduzir as emissões


Os países, especialmente os grandes emergentes, como China, Brasil e Índia, a cada dois anos vão divulgar relatórios que mostrem seus inventários de gases de efeito estufa, bem como informações sobre as ações de cada país para reduzí-los.


Saliente-se que tais relatórios serão submetidos a Consultas e Análises Internacionais, "não intrusivas", "não punitivas" e "respeitando a soberania nacional".

Esta ressalva é pertinente, pois objetiva vetar novas e excessivas intromissões de órgãos e governos estrangeiros, como já se tornou comum em outras tantas situações.


Redução do desmatamento



Redução do desmatamento - quais critérios?
 Objetiva "reduzir, parar e reverter a perda de extensão florestal" nas florestas tropicais.

Atualmente, o desmatamento é responsável por 20% das emissões de GEE - gases de efeito estufa de todo o planeta.

O acordo de Cancun pede aos países em desenvolvimento que tracem seus planos para combater o desmatamento, mas não inclui o uso de mercados de carbono para seu financiamento.


Mercados de Carbono - O que significa

O Tratado de Kyoto determina que, a fim de não comprometer as economias dos países desenvolvidos, e sendo "impossível" para esses países desenvolvidos atingir as metas estabelecidas de redução de CO2, poderão comprar créditos de carbono de outras nações que possuam projetos de desenvolvimento de tecnologias limpas. Isso significa fixar um valor financeiro para cada tonelada de carbono que deixe de ser lançada na atmosfera, configurando o Mercado de Carbono.

Assim, não inserir o "Mercado de Carbono" para os planos traçados pelos países em desenvolvimento, muda a ótica das nações sobre desmatamento e emissão tóxica. Considero um avanço positivo. Evita a monetarização pura e simples.

A proposta apresentada pela senadora Marina Silva, de linkar o PIB ao índice de redução de emissão tóxica, não foi aprovada. Mas essa é uma boa idéia que merece ser retomada.



Emissões de GEE - Gases de Efeito Estufa

Quem polui mais compra os créditos de quem polui menos


Como era previsto, não ficou estabelecida uma meta obrigatória para que os países ricos reduzam suas emissões de CO2.

No que diz respeito ao prosseguimento do Protocolo de Kyoto, cuja primeira fase termina em 2012, nada ficou acordado.

A próxima Conferência do Clima, a COP-17, está marcada para 2011 na cidade de Durban, na África do Sul.

Step by step. Passinho por passinho.
Temos tempo?

Fica clara a dificuldade em negociar interesses globais. Mas, é preciso persistir.
Como em toda boa causa, não há nenhuma certeza de Vitória.
Mas, as intenções, tem de continuar as melhores possíveis.
Para que se tornem ações.
Persistência.
Firmeza de Propósito.


Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora
Porto Alegre - RS - Brasil


Cancun - Step by step - COP-16 - Passinho por passinho. Avalie você mesmo!



Cancun - Step by step - COP-16 - Passinho por passinho. Avalie você mesmo!


Por Marise Jalowitzki
14.dezembro.2010

OS GANHOS

Os avanços foram miúdos! Terminou a COP-16 e, como já era esperado, os acordos efetivos, pequenos.

Criou-se um Fundo Verde e o REDD+ (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação).

O Fundo Verde - Objetiva uma ajuda monetária para os países em desenvolvimento. Administra o envio de dinheiro pelos países ricos aos mais desprovidos. 
Até o momento, 100 bilhões de dólares devem ser enviados até 2020, além de uma ajuda imediata de 30 bilhões de dólares. Quem já se comprometeu foi a União Européia, o Japão e os Estados Unidos.


O Banco Mundial foi convidado a servir como tesoureiro interino do Fundo Verde Climático por três anos e criou-se um conselho de 24 membros para dirigir o Fundo. Este conselho concede igualdade representativa aos países desenvolvidos e em desenvolvimento, juntamente com representantes dos pequenos Estados insulares, mais ameaçados pelo aquecimento. Isso é legal! Uma atitude de ouvir também os "mais pequenos".


Também, criou-se o Centro de Tecnologia Climática e uma Rede para repassar o conhecimento tecnológico aos países em desenvolvimento, ajudando a estes a  limitar as emissões e se adaptar aos impactos das alterações climáticas.


 De todo, razoável. O maior ganho: O financeiro.

Foi uma forma de contemplar as expectativas de alguns países da África, também o Equador, que reivindicaram recursos para amenizar atrasos históricos em função da exploração estrangeira de seus recursos naturais.

Vamos ver como será administrado, pois é, justamente, aqui, no setor das finanças, que sempre acontecem os maiores desvios!

Assim como em tantas outras situações (veja-se a tragédia no Haiti, por exemplo), dinheiro há, grandes somas são destinadas, mas, como costuma acontecer, a vigilância, o controle,  a supervisão é mínima e a má utilização, inevitavelmente, passa a ser uma triste etiqueta.


PRÓXIMOS PASSOS

Um momento tenso (mas, dadas as circunstâncias, pelo menos, não extinto): Não fechar as portas para o Protocolo de Kyoto. Ao invés de avanços e cumprimento do anteriormente estipulado, o que foi obtido é uma não-total rejeição. "Momento de negociação ruim", disseram as autoridades.

O Protocolo de Kyoto, em sua primeira fase, expira ao final de 2012. Até lá, espera-se que os países desenvolvidos se disponham a discutir uma nova fase de compromissos de redução de emissões. Por enquanto, intenções.

QUAL A AÇÃO EFETIVA? Novas [possíveis] negociações.

Japão liderou a oposição à prolongação do Protocolo, alegando que este é injusto,  já que os dois maiores emissores, Estados Unidos e China, não estão incluídos.

Estados Unidos não assinou o Protocolo e China continua poluindo em larga escala. China, hoje, é o país que mais polui no mundo. Em contrapartida, também é o país que mais investe em desenvolvimento e implementação de energias limpas e sustentáveis. Um processo em paralelo.

Está Japão errado em se opor ao Protocolo de Kyoto?

Alguns empresários de porte, no Japão, já declararam que vão executar voluntariamente a redução de emissões tóxicas, apesar de seu governo não fechar acordo na Conferência.

Agora, é uma forma de pressão, sim, o Japão dizer "não". O que os japoneses alegam: Como firmar compromissos quando os dois maiores emissores se negam a reduzir já?

Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora
Porto Alegre - RS - Brasil

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

COP-16 - Redd+ - Bolívia ameaça denunciar em Haia para cancelar acordo de Cancun


COP-16 - Redd+ - Bolívia ameaça denunciar em Haia para cancelar Acordo de Cancun


Por Marise Jalowitzki
13.dezembro.2010


Uma coisa fica flagrante: A COP-16 falhou! Falhou na base. O pilar das negociações, determina a ONU, são decisões e acordos obtidos por consenso. Quando se fala em obter acordos em consenso, não é acordo por maioria de adesões! Consenso é consenso! É negociar até obter um acordo em que todos concordem. Se alguém disser "Eu não concordo!", nada feito! Deve-se adequar um tratado até que todos, sem exceção, aceitem e assinem. Isto é consenso!


Quando foi apresentada a proposta para adesão ao REDD+ (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação), Bolívia disse: "Eu não concordo!" Muita gente (inclusive no Brasil) despreza as nações "pequenas". Oficialmente declaram a "pouca ou nenhuma expressividade" que as delegações "latinas" tem, especialmente em eventos da envergadura como esse da Cop-16. Agora, como pode alguém "crescer" se não se experimenta? Vítimas de processos avassaladores dos reinados econômicos vigentes, precisam ser levados em conta, apesar das divergências.

A delegação boliviana declarou que o mercado global de carbono estimula o capitalismo.

A presidente da COP-16, a chanceler mexicana Patrícia Espinosa, simplesmente encerrou a posição boliviana com o argumento de que “a regra de consenso não significa unanimidade, nem que uma delegação possa se impor sobre a vontade das outras”. O que não confere com a realidade de consenso.

Tentar aprimorar os termos e idéias, para convencer à adesão, fazia parte das habilidades esperadas o que, infelizmente, não aconteceu.


Apesar do clima tenso, também por outras posições divergentes, especialmente do Japão, todos foram em frente, para obter algum tratado, deixando a Bolívia para trás.

Isso foi um desrespeito para a nação. Um verdadeiro "fica quieto".

Para o chefe da delegação boliviana, Pablo Sólon, “o rompimento de uma regra da ONU gera um precedente funesto”, já que o pilar das Nações Unidas para as negociações, determina que todas as decisões sejam tomadas por consenso.

Assim, Bolívia vai recorrer à Corte Internacional de Justiça em Haia para anular os acordos obtidos na conferência de Cancún.

Se serão ouvidos, ou, se mais uma vez, os acertos primordiais serão ultrapassados, os próximos dias darão a resposta.

Grave.

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora organizacional
www.compromissoconsciente.blogspot.com
Porto Alegre - RS - Brasil


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

COP-16 terá sucesso para obter redução de GEE - gases de efeito estufa? Veja o que pensam os que votaram



A COP-16 terá sucesso para obter redução de GEE - gases de efeito estufa? Veja o que pensam os que votaram 

Por Marise Jalowitzki
10.dezembro.2010

A enquete promovida pelo site do Terra, colhendo a opinião popular sobre a eficácia da COP-16 - a Conferência do Clima - que está terminando hoje em Cancun, no Mexico, mostra o descrédito da população acerca das tentativas, sempre de novo frustradas, para diminuição do efeito estufa e o consequente aquecimento global.

Enquete

Você acha que a COP-16 terá sucesso em fixar metas para redução de emissões de gases causadores do efeito estufa?

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Votar








Dos quase 144 mil votantes, até o momento em que escrevo este texto, 72% não acreditam nos resultados da COP-16.


A pergunta que fica é: Até quando o único ganho de todas essas conferências será não fechar as portas para a continuidade das negociações em um próximo encontro?

Sim, pois mesmo quando há a assinatura de algum acordo, este acordo não é cumprido.


De onde partirão as decisões que farão a diferença?

  Parece claro que a solução para o planeta [se é que ainda há solução] não sairá através de ações governamentais.

As melhorias terão de acontecer através da iniciativa privada.

Serão os próprios cidadãos que farão a diferença.

Para isso, é preciso mudar o pensamento, os sentimentos e as crenças de cada um. Trabalho lento, mas o único realmente efetivo.

Desde 1992, quando o Brasil sediou a ECO-92, o que se conseguiu? Quais as melhorias efetivas, oriundas de compromissos das autoridades? Não aconteceu.

Assim, vale a declaração dos empresários do Japão. A despeito do governo japonês ter ficado na contramão o tempo todo, também em Cancun, vários empresários declararam que as mudanças vão acontecer em suas fábricas, em suas indústrias, independente da decisão governamental.

Que aconteça de verdade! Que aconteça já! E que divulguem bastante, para que sirvam de exemplo de verdade para os demais.

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora organizacional
www.compromissoconsciente.blogspot.com
Porto Alegre - RS - Brasil
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Link relacionado, neste blog:
COP-16 - China mostra uma saída inédita para prosperidade com sustentabilidade
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/cop-16-china-mostra-uma-saida-inedita.html

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

COP-16 - Marasmo e indefinição - Qual exemplo?




COP-16 - Marasmo e indefinição - Qual exemplo?


Por Marise Jalowitzki
09.dezembro.2010


Está chegando ao fim, nesta 6a. feira, a COP-16, Conferência do Clima, que intentava apresentar ao mundo mudanças efetivas para conter a emissão de gases tóxicos na atmosfera, assinar estratégias reais para conter o desmatamento e assegurar uma melhoria de vida às populações desprovidas.


Mais uma reunião, mais um encontro, mais um tour. Os resultados? Bem, talvez na próxima reunião....


Nas reuniões anteriores já se falou do quanto se dispende nestas viagens, para os parcos resultados. Parcos? Talvez, nenhum. Pois, além dos gastos, há sempre os renovados acenos de novas sugestões e planejamentos. Muita conversa, nenhuma decisão. As comitivas, ah! Essas, sim, são enormes! Para Copenhague, só Mato Grosso enviou mais de 250 participantes!


Lembro da empresa a qual estive vinculada por duas décadas e de como eu era chamada de cdf por querer aproveitar todos os instantes para colher mais conhecimentos e dados, ao invés de "conhecer o lugar". Pelo que consigo saber pelos bastidores, a coisa não é nada diferente, só a representatividade é que aumenta. São pessoas que levam o emblema nacional. A responsabilidade, porém, não é proporcional.




Marina dá entrevista e pede que Brasil lidere pelo exemplo


Marina Silva pede que "o Brasil lidere pelo exemplo", em Cancún, participando de um acordo onde todas as nações assinem, comprometendo-se com ações efetivas para enfrentamento das mudanças climáticas e que todos os grandes emissores assumam metas obrigatórias de redução de gases de efeito estufa.


Discursos semelhantes já foram recitados antes. Parece voz no deserto. Parece um velho disco de vinil, rachado, que trancou no velho "toca-discos" e repete sempre a mesma frase.


Marina fala ainda em, através da [desejada] posição brasileira, criar um “constrangimento ético” dos grandes emissores de gases de efeito estufa - GEE, onde EUA, Japão, Rússia, China e Canadá aparecem como principais.


Pela primeira vez, vem-me à mente a expressão de Plinio de Arruda Sampaio, que a chamou de "Poliana". EU QUERO QUE MARINA CONTINUE PENSANDO, QUERENDO E SONHANDO O SEU SONHO, QUE TAMBÉM SÃO OS SONHOS, DESEJOS E PLANOS DE QUASE 20 MILHÕES DE BRASILEIROS, só que não dá para esperar das pessoas que aí estão, uma conscientização que elas não tem, uma visão de mundo com a qual elas não comungam! Provavelmente nem percebam.




Continuar explorando petróleo, quando o mundo todo sabe que o caminho do futuro (ainda que longo) é o da utilização de energias limpas, o Brasil com todos os seus recursos naturais, continua extraindo petróleo em escala crescente! Não combina!


O interesse que, até agora, o Brasil declarou, é sobre o compartilhamento das cotas-lucro sobre matéria prima extraída das nações [ditas] em desenvolvimento e industrializadas e comercializadas pelos países desenvolvidos. Uma divisão de patentes. De resto, nada mais ouvimos de compromisso real.


O desmatamento como um todo, diminuiu, sim (pelo menos é o que dizem as estatísticas) mas, NA AMAZÔNIA, não diminuiu nada. Aumentou.


Pedir que o Brasil, que o atual presidente, lidere pelo exemplo? O tempo do Brasil - leia-se Lula - passou nas Conferências (COPs) anteriores. A arrogância de Lula botou tudo a perder em Copenhague. Correr atrás desse prejuízo é perda de tempo. Marina, desculpe, mas, nesse momento, há que olhar as coisas de frente. VOCÊ tem uma visão diferente, clara, do que precisa ser feito. A reverência a Lula, um ícone que nem é mais respeitado, tanto pelo bloco europeu, como pelo asiático (sem falar nos EUA)gerou constrangimentos bastante fortes.

Brasil não está fazendo, como até agora não fez, nada de diferente dos outros países, a não ser blá-blá-blá, enquanto incentiva o aumento da indústria automobilística e seu comércio, além das parcerias internacionais na extração petrolífera. O que o Brasil quer falar em termos de contenção de emissão tóxica e desmatamento? Exemplo? Modelo? Desse jeito, não!

Em termos de não ao desmatamento, o que foi assinado pelo governo, é um percentual pequeno e não está atrelado ao PIB, como pretendia Marina Silva.


Para Marina continuar sendo vista como personalidade idônea que é, precisa ver (e falar) as coisas como são. Ou silenciar, se, neste momento, isto se torna mais estratégico.

Abraços!
Marise Jalowitzki
Escritora e consultora organizacional
http://www.compromissoconsciente.blogspot.com/


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Links relacionados:

COP-16 - China mostra uma saída inédita para prosperidade com sustentabilidadehttp://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/cop-16-china-mostra-uma-saida-inedita.html


Mudanças climáticas - COP-16, AVAAZ e Wikileaks - Em 24 horas, mais de 345 mil assinaturas pedem o fim à perseguição ao Site - http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/mudancas-climaticas-cop-16-avaaz-e.html

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Link do Blog da Marina:
Marina defende que Brasil lidere pelo exemplo para quebrar marasmo da COP-16 -  http://www.minhamarina.org.br/blog/2010/12/marina-defende-que-brasil-lidere-pelo-exemplo-para-quebrar-marasmo-da-cop-16/

COP-16 - Mudanças Climáticas - AVAAZ e Wikileaks - Mais de 345 mil assinaturas pedem o fim à perseguição ao Site

COP-16 - Mudanças Climáticas - AVAAZ e Wikileaks - Mais de 345 mil assinaturas pedem o fim à perseguição ao Site

Por Marise Jalowitzki
Em 09.12.2010

Em 24 horas, AVAAZ obteve mais de 345 mil assinaturas pró-cessação de ameagas e perseguições à Wikileaks

Em menos de um dia, a AVAAZ obteve mais de 320 mil adesões à petição que pede o fim à "caça" à Assange e sua equipe. Já houve represálias, prisões, demissões, expulsões e ameaças de morte por aqueles que se sentem lesados.

COP-16 e Wikileaks

 Agora, qual a novidade que o Wikileaks trouxe ao publicar que EUA teria feito acordos em Copenhague, com ilhas e pequenos países para que votassem contra a emissão de gases tóxicos, em troca de financiamentos para seus países?
Quem não sabe disso?
Causou alguma surpresa em alguém?

Cop-16 - Conferência do Clima, do jeito que vai, vai terminar novamente sem um acordo efetivo. E não será culpa do "site de fofocas", como é chamado por alguns, não.

Do jeito como as negociações costumam acontecer nos meios chamados diplomáticos, a coisa toda gira numa parceria e troca de favores. Assim, vamos avaliar, mesmo, qual a razão de TANTO espanto?

Tirando sua própria conclusão

É muito fácil ficar com alguma ou nenhuma informação a respeito do que anda acontecendo por aí, já que a velocidade das notícias é muito grande e o desencontro de informações, também.

Nem sempre é possível manter o foco e, por isso, precisamos saber mais e mais, ouvir, ler, comentar, dialogar, para que cada um possa tirar suas próprias conclusões e decidir por si.

Manter o foco

No caso do Wikileaks, há muitas fontes que apóiam e subsidiam as informações que Julian Assange, criador do site, divulga. São documentos ditos secretos mas que, até agora, para quem acompanha a divulgação das notícias, não trouxe nenhuma novidade.

Quem pode deixar de imaginar que, nos bastidores, longe dos microfones e filmadoras, as pessoas teçam comentários pouco elogiosos contra seus desafetos? Quanto maior a arrogância, mais ácida a expressão.

E, nesses meios, quem não é amigo solidário, acaba sendo encarado como inimigo.

Embora se pregue a aceitação das diferenças e a livre convivência com a diversidade, sabemos muito bem que é justamente o contrário que acontece.

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora organizacional
http://www.compromissoconsciente.blogspor.com/
Porto Alegre - RS - Brasil

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Links relacionados, neste blog:

COP-16 - China mostra uma saíde inédita para prosperidade com sustentabilidade
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/cop-16-china-mostra-uma-saida-inedita.html

WIKILEAKS, Eu apoio! Assine a petição - http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/wikileaks-eu-apoio.html 

Wikileaks - Como seria viver em um mundo sem véus? -  http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/wikileaks-como-seria-viver-em-um-mundo.html

Wikileaks - Conhecimento é poder
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/wikileaks-conhecimento-e-poder.html


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terça-feira, 30 de novembro de 2010

COP-16 - CHINA MOSTRA UMA SAÍDA INÉDITA PARA PROSPERIDADE COM SUSTENTABILIDADE!

PRODUZIR PARA OS DESPROVIDOS 

 

COP-16

China mostra uma saída inédita para prosperidade com sustentabilidade!

Marise Jalowitzki

 

30.novembro.2010 - 13h07min

 

"Para isso, será fundamental distinguir o consumo dos bens e serviços necessários para uma vida social digna daquele que marca a suntuosidade e o desperdício. Reduzir a desigualdade entre os indivíduos é uma condição básica para o sucesso da luta contra o aquecimento global".

 

Novamente os países estão reunidos em Cancun, no Mexico, para mais uma reunião que visa encontrar uma equação entre progresso e diminuição do aquecimento global e emissão de gases tóxicos na atmosfera. É a COP-16 - Conferência das Nações Unidas para o Clima.

 

Depois do fracasso retumbante em Copenhague (onde o Brasil deixou uma péssima impressão, pois Lula, que era esperado como top não apareceu), vamos ver o que irá acontecer de efetivo. Se, em Copenhague, o convite era expresso, com cartão nominal endereçado aos governantes, Cancun, além de conviver com a derrota do encontro anterior, soma o "convite aberto", isto é, os países aderiram por vontade própria.


Felizmente, EUA e China enviaram suas delegações. As duas super potências são as responsáveis pelo maior percentual de emissão tóxica do planeta. Ambas relutam em diminuir suas emissões. agravando os efeitos. Já deixaram bem claro sua pouca vontade em retroceder com a produção forjada na tecnologia atual (energias sujas).

Entretanto, China, através de um grupo de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Sociais, possui uma proposta interessante, que será uma verdadeira revolução no mundo:

- Analisar qual a suportação de aumento da temperatura - por exemplo, 2 graus até 2050.

- Continuar diminuindo gradativamente a emissão tóxica. Em 2020 já ter uma redução significativa e até 2100, zero (isso é meio assustador, pois parece tempo demais).

- Ir aumentando, paralelamente, o desenvolvimento e a utilização das energias limpas. (Hoje, China é quem mais polui - está em 1º lugar - mas, também, é quem mais investe em energias renováveis.)

- A partir desse levantamento, país superavitário será aquele que produzir com menor emissão de carbono. (aqui, fecha com a proposta de Marina Silva, de linkar PIB com índice de emissão de CO2) 

Para que isso não fique apenas no ideário e contemple, efetivamente, a população mais desprovida, vem o boom da proposta:

- Mudar a Natureza da Produção Planetária 
Aqui está o boom!!! Aqui está a chave da proposta: produzir apenas bens e serviços voltados para erradicar a miséria, para atender ao conforto e consumo básico! Parar de fabricar produtos sofisticados, destinados à classe A!!!

Assim, propõem eles, as pessoas que hoje vivem na linha da miséria e aquelas que lutam por seu sustento, terão acesso a condições dignas de vida.

A realidade dos 1,99

 O que, aliás, já começou pelos próprios chineses!

A entrada, há uma década, dos produtos baratos, gerou a proliferação dos [iniciais] 1,99 - Hoje, todas as lojinhas se denominam "bazar".

Uma coisa é inconteste (e já tenho comentado isso várias vezes): Nunca a população carente, ou as chamadas classe C, D, E e as demais "inomináveis", nunca tal população conseguiu enfeitar tanto suas casas, organizar em potes dignos seu alimento, ter uma toalha para colocar na mesa e trocar; nunca enfeitou tanto sua casa nos natais. Os doces, os enfeites para os cabelos das meninas, as xícaras.

Creio que, quem convive nessa realidade (e tem coragem de admitir) sabe a diferença entre o antes e o depois da presença dos produtos chineses no Brasil (falando só da nossa realidade nacional).  No início da enxurrada de produtos chineses no mercado, a contestação era geral: "é tudo porcaria", "quebra fácil", "não vale nada!" - diziam muitos.

Hoje o mercado está consolidado.

Agora, levar esta idéia para a construção de casas populares, utilizando, efetivamente, as idéias que aí já estão. Instalá-las já com energia renovável. Colocar à disposição da população os carros (realmente) populares, tais como o modelo que já está à venda na Índia (cerca de 5 mil reais, na nossa moeda), isto sim, pode dar uma reviravolta no mercado e na vida de toda a população.

Utopia?
Mais uma vez, está das mãos daqueles que estão lá para decidir e, efetivamente, agir. Aqueles que, com a força de nosso voto, lá colocamos!

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora
www.compromissoconsciente.blogspot.com
Porto Alegre - RS - Brasil 

 

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Conheça o texto publicado no Terra:

Terça, 30 de novembro de 2010, 08h07

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4818075-EI6780,00-Chineses+propoem+saida+ao+dilema+prosperidade+versus+clima.html

Chineses propõem saída ao dilema "prosperidade versus clima"

Reuters
A secretária para mudanças climáticas da ONU, Christiana Figueres, ao lado da ministra das Relações Exteriores, Patricia Espinosa, e do presidente do ...
A secretária para mudanças climáticas da ONU, Christiana Figueres, ao lado da ministra das Relações Exteriores, Patricia Espinosa, e do presidente do México, Felipe Calderón, no início da COP 16

Amália Safatle
De São Paulo


Se existe um país que melhor representa o dilema entre a busca prosperidade pelas economias pobres ou emergentes e o combate à mudança climática, este país é a China. Que, por sinal, desbancou recentemente os Estados Unidos do posto de maior emissor de gases de efeito estufa do mundo.
Juntos, China e EUA são responsáveis por quase metade dos lançamentos dos gases na atmosfera. O segundo não contou com a aprovação do seu Senado para assumir reduzir emissões. E o primeiro já deixou claro que, embora persiga a redução na intensidade de carbono na economia, não adotará medidas que possam prejudicar as suas robustas taxas de crescimento.

A postura das superpotências dá logo o tom da COP 16, a Conferência das Nações Unidas para o Clima, que começou ontem em Cancún, no México. Ou seja, são baixas ou nulas as expectativas de se chegar a acordos vinculantes -, ao contrário do que se vivenciou na COP 15, em Copenhague, em que a enorme esperança gerou uma proporcional frustração diante do fracasso do acordo.

Independente do que avançar ou não em Cancún, o bode ainda está na sala: países que hoje desfrutam de um nível de desenvolvimento e prosperidade historicamente alcançados sem limite às emissões têm o direito de defender limites para aqueles que hoje precisam de crescimento para alcançar alguma prosperidade (supondo, claro, políticas de distribuição de renda)?

A prosperidade sem crescimento é algo possível em países pobres e emergentes ou por enquanto factível apenas nos países ricos? Os atuais instrumentos da economia "verde" e suas condições de financiamento e desenvolvimento tecnológico conseguiriam atender a essa urgência social dos mais pobres com baixas emissões? Ao mesmo tempo, a biosfera não dará conta de atender à demanda de consumo se o mundo seguir o padrão dos ricos. Então, qual seria a alternativa?

Partiu justamente da China uma proposta nesse sentido, elaborada pelo grupo de pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Sociais - como relata, em artigo no Boletim da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, Ricardo Abramovay, professor titular do Departamento de Economia da FEA, pesquisador do CNPq e coordenador do Projeto Temático Fapesp sobre Impactos Socioeconômicos das Mudanças Climáticas no Brasil. O artigo intitula-se "Reduzir a desigualdade entre os indivíduos para combater o aquecimento global".

A proposta dos pesquisadores chineses é para a adoção de um "orçamento carbono", que busque atender as necessidades básicas de todos os indivíduos do planeta (inclusive as futuras gerações, claro), considerando os limites da biosfera. Uma vez acordado o aumento aceitável da temperatura média no planeta - por exemplo, uma elevação de 2 graus até 2050 - é possível aplicar a proposta dos pesquisadores chineses, pela qual se define quem é superavitário e quem é deficitário em termos de carbono, considerando as emissões históricas.

Países cujos padrões de consumo basearam-se em altas emissões são hoje deficitários. Já países como a Índia são altamente superavitários, ou seja, suas emissões per capita estão muito aquém do que seria a média mundial. "O caso da China é interessante, pois, superavitária hoje, deve tornar-se deficitária no máximo em 2020," observa Abramovay.

"Mesmo que este julgamento de valor possa apoiar-se em considerações científicas, ele envolve, antes de tudo, um tema de natureza ética", escreve o professor, ao citar dois parâmetros fundamentais em que o raciocínio se apoia. O primeiro corresponde àquilo que já foi emitido no passado. Os pesquisadores chineses mostram que é realista tomar como ponto de partida o ano de 1900, pois não há grande diferença entre o nível de emissões registrado nessa época, por exemplo, o de 50 anos antes. O segundo parâmetro é o que se pode emitir daqui em diante, levando em conta quanto (e quem) já emitiu e qual o limite de emissões que não compromete de maneira catastrófica a própria reprodução das sociedades humanas.

"O mais importante nessa proposta é que ela sinaliza claramente para o fato de que o sucesso na luta contra as mudanças climáticas globais exige uma abordagem de natureza socioambiental", conclui o professor.

Para ele, a proposta indica que é possível atender às necessidades básicas dos povos dos países desenvolvidos, aumentar a produção de bens e serviços para que o preenchimento destas necessidades chegue aos mais pobres, ao mesmo tempo em que se contém a elevação da temperatura.

"Para isso, será fundamental distinguir o consumo dos bens e serviços necessários para uma vida social digna daquele que marca a suntuosidade e o desperdício. Reduzir a desigualdade entre os indivíduos é uma condição básica para o sucesso da luta contra o aquecimento global", escreve.

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