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quinta-feira, 31 de março de 2011

Mercado de Carbono e o Roubo de Certificados!


Roubo de Certificados põe em xeque credibilidade do Mercado de Carbono, que possibilita comprar créditos de países que poluem menos

Mercado de carbono


Por Marise Jalowitzki
31.março.2011
http://t.co/aNjmDOT


O mercado de carbono foi criado a partir da convenção no Japão, onde, em 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto. Mas, foi só em 16.fevereiro.2005 que ele entrou em vigor.

Foram ali estabelecidas as primeiras metas de redução de gases poluentes no planeta, a fim de evitar o aumento do aquecimento global. Metas singelas de 5%, já criticadas pelos especialistas, que defendiam a necessidade de reduzir em 60% a emissão dos gases tóxicos, os chamados GEE - gás efeito estufa.


Para haver uma mudança significativa, seriam necessários 60% de redução dos gases de efeito estufa

Na época, o encontro e o tratado receberam o ceticismo e o desdém de muitos, pois "era coisa de ambientalistas" dizer que gases emitidos pelas grandes indústrias, como o dióxido de carbono, "seguravam" o calor na atmosfera, causando o chamado efeito estufa.

O documento foi assinado por 141 nações, mas apenas 30 países industrializados estão sujeitos a essas metas. EUA não assinou alegando que isso estava contra suas metas econômicas, defendendo a livre iniciativa. Russia o fez em 2004. O documento toma por base os princípios do Tratado da ONU sobre Mudanças Climáticas, de 1992.

O Brasil ratificou o tratado, mas não teve de se comprometer com metas específicas porque está entre os considerados "países em desenvolvimento".  


O que é o Mercado de Carbono

Como as nações argumentaram que não poderiam simplesmente parar de produzir, que isso geraria um verdadeiro colapso, foi encontrada a seguinte saída: o comércio de emissões tóxicas.

Os países e empresas poluidoras continuam com suas atividades normais e, para "compensar" suas emissões, compram cotas de emissões de gás carbônico dos países pobres ou em desenvolvimento. Ou seja, como num jogo de cartas, o país "poluidor" "compra" a "não poluição" do outro país - que polui pouco -, que "ganha" dinheiro com isso para o seu desenvolvimento. Quem polui mais compra os créditos de quem polui menos.


Mercado de Carbono consta do Tratado de Kyoto

Dessa forma, países que poluem muito podem comprar "créditos" não usados daqueles que (acredite) "têm direito a poluir", mas suas emissões são menores do que o "condenado".

Gerenciamento do caos. Mas que movimenta muito dinheiro.

Inicialmente, era destinar dinheiro a esses países que poluem menos. Depois de muitas negociações, acordaram que os países também podem ganhar créditos por atividades que aumentam a sua capacidade de absorver carbono, como o plantio de árvores, a conservação do solo, a utilização das energias sustentáveis (eólica e solar).

Os países poluidores em potencial podem financiar projetos, em qualquer parte do planeta, projetos esses que apresentem soluções para reduzir o lançamento de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, e outros gases danosos à camada de ozônio.

Assim, sempre que um país comprovar que houve redução do efeito estufa no planeta e que ele, país, foi o responsável por essa diminuição, ele recebe um Certificado de Redução de Emissão, também chamados de Créditos de Carbono.

Com o tempo, em se confirmando as novas práticas, os países iriam adotando as soluções sugeridas pelos projetos inovadores - sustentáveis - e o modus operandi das indústrias e fábricas iriam se adaptando aos novos tempos. Idéia boa, se todos fossem comprometidos e admitissem a urgência.

O Tratado de Kyoto entrou em vigor em 2005, com uma meta de redução de GEE (gás de efeito estufa) de 5%, quando os especialistas declaravam que era preciso, no mínimo, 60%.

De 2005 para cá, os diferentes encontros e conferências pelo mundo vem tentando diminuir o índice de emissões de gases tóxicos - GEE - por parte das indústrias, sem grandes avanços. Connie Hedegaard, comissária européia para o clima, alega que o atual preço do carbono não estimula as tecnologias limpas.



Países que mais aplicam em energia renovável

EUA e vários outros países estão desenvolvendo projetos sustentáveis, em ritmo não condizente com o necessário.
China, que é o 1º lugar em poluição do mundo (o 2º é USA), também é o maior investidor em energias renováveis (USA é o 2º).

Brasil fala em contenção e diminuição do desmatamento, mas não compila em seus dados a destruição da floresta para criação das hidrelétricas, o que totalizou, só em 2010, um aumento em quase 1.000% (isso mesmo, mil por cento!) de devastação florestal.


O Brasil vê na venda de seus créditos de carbono, um grande negócio!


Faz-se necessário maior controle, para que distorções não continuem a acontecer.


Roubo de Certificados de Carbono

Como tudo que é criado sem pensar em todas as etapas, criaram-se as leis, MAS NÃO SE DESTACOU UM GRUPO FORTE, DETERMINADO, PONTUAL, PARA FISCALIZAR!

Agora, a venda de créditos de carbono passa por uma constrangedora (mas tão previsível) situação de descrédito. Aconteceram roubos de certificados no valor total de € 40 milhões de euros. Gente que ganhou e não fez!

Aconteceu em janeiro - 475.000 créditos foram roubados do Registro de Créditos da República Tcheca, órgão público presente em todos os países que participam do mercado de carbono. Houve uma ameaça de bomba no prédio da entidade e todos os funcionários evacuaram o local. Os certificados sumiram. Soube-se depois que foram vendidos a uma conta no Registro de Créditos da Estônia.

O escândalo envolveu o inventário mantido pela Áustria, Grécia e República Tcheca.

Houve suspensão das negociações na bolsa ICE Futures Europe por conta disso, por duas semanas. O valor é considerado pequeno no mundo dos grandes investimentos, mas coloca em xeque a credibilidade do sistema.


Mercado de carbono - negócio que afunda se não tiver controle e fiscalização

Os volumes no mercado à vista devem permanecer baixos até que se revele em detalhes quais permissões de emissão foram roubadas em janeiro.2011.
Em 24.fevereiro.2011, a primeira-ministra australiana Julia Gillard anunciou a proposição de um preço fixo por tonelada de dióxido de carbono liberado já a partir de 1 de julho de 2012, com vistas a estimular o mercado de carbono.

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Leia mais sobre GEE e Mercado de Carbono, neste blog:
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/cop-16-medidas-para-frear-o-aquecimento.html
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Tema fonte: Isto é Dinheiro
Para saber os valores: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/analise_financeira/noticia=727015
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  • Leia mais sobre Preservação, Desmatamento e Condições do Planeta:


    Preservação ambiental e dos animais selvagens



    DECRESCIMENTO FELIZ! Modelo propõe Menos Consumo, Mais Felicidade!
    


    Decrescimento Feliz - FGV País poderá alcançar nível de países desenvolvidos em 20 anos - Com esse modelo sócio-econômico, chegaremos ONDE - VOCÊ também decide!!



    Pra ter opinião, tem de conhecer!


    Marise Jalowitzki
    Compromisso Consciente




    compromissoconsciente@gmail.com
    Escritora, especialista em Desenvolvimento Humano,
    pós-graduação em RH pela FGV,
    international speaker pelo IFTDO-EUA

    Porto Alegre - RS - Brasil

    terça-feira, 14 de dezembro de 2010

    COP-16 - Medidas para frear o Aquecimento, Redução do desmatamento e o Mercado de Carbono

    
    Medidas para frear o aquecimento global são efetivas?
    
    COP-16 - Medidas para frear o aquecimento, Redução do desmatamento e o Mercado de Carbono

    Por Marise Jalowitzki
    14.dezembro.2010

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    Nota de 31.março.2011
    Roubo de Certificados põe em xeque a credibilidade do Mercado de Carbono
    Leia em: http://t.co/aNjmDOT
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    Terminada a COP-16, em Cancun, no Mexico, as nações avaliam os resultados de um encontro tenso, que exigiu bastante de todos os que lá estiveram como negociadores por um planeta mais limpo e preservado.

    É certo que nenhum deles saiu de lá satisfeito, pois os resultados foram pequenos em relação à gravidade do momento pelo qual passa a Mãe Terra.

    Com relação às medidas para frear o aquecimento global, o Acordo assinado em Cancun se assemelha mais a um apelo do que uma providência: uma necessidade urgente de realizar "fortes reduções" nas emissões de carbono,  evitando que a temperatura média do planeta aumente mais de 2º C em comparação com os níveis da era pré-industrial.

    Isso já vem sendo divulgado em larga escala em, praticamente, todos os meios noticiosos.


    O Acordo ratifica os índices de redução necessários para a emissão tóxica jogada na atmosfera, pelos países industrializados: entre 25% e 40% até 2020 em relação ao nível de 1990.

    Estes já eram os índices acordados em Kyoto. Como Estados Unidos não assinou, para aquele país, "não vale".


    Quais as providências a serem aplicadas quando o acordo não é cumprido? Isto não foi divulgado.

    Aliás, espera-se que não se fale em "multas" pois essa forma, parece-me, é a que mais estimula a irresponsabilidade. Pagar [com dinheiro] uma ação irresponsável não confere conscientização, apenas penalização inócua. Por vezes, dependendo do valor das multas, até estimula a contravenção.

    O estudo de novos mecanismos de mercado, para ajudar os países em desenvolvimento a limitar suas emissões, constituiu-se em um aceno de continuidade. Serão discutidos na próxima conferência, no final de 2011, em Durban (África do Sul).


    Sustentabilidade - sonho ou realidade


    Verificação das ações dos países em desenvolvimento para reduzir as emissões


    Os países, especialmente os grandes emergentes, como China, Brasil e Índia, a cada dois anos vão divulgar relatórios que mostrem seus inventários de gases de efeito estufa, bem como informações sobre as ações de cada país para reduzí-los.


    Saliente-se que tais relatórios serão submetidos a Consultas e Análises Internacionais, "não intrusivas", "não punitivas" e "respeitando a soberania nacional".

    Esta ressalva é pertinente, pois objetiva vetar novas e excessivas intromissões de órgãos e governos estrangeiros, como já se tornou comum em outras tantas situações.


    Redução do desmatamento


    
    Redução do desmatamento - quais critérios?
     Objetiva "reduzir, parar e reverter a perda de extensão florestal" nas florestas tropicais.

    Atualmente, o desmatamento é responsável por 20% das emissões de GEE - gases de efeito estufa de todo o planeta.

    O acordo de Cancun pede aos países em desenvolvimento que tracem seus planos para combater o desmatamento, mas não inclui o uso de mercados de carbono para seu financiamento.


    Mercados de Carbono - O que significa

    O Tratado de Kyoto determina que, a fim de não comprometer as economias dos países desenvolvidos, e sendo "impossível" para esses países desenvolvidos atingir as metas estabelecidas de redução de CO2, poderão comprar créditos de carbono de outras nações que possuam projetos de desenvolvimento de tecnologias limpas. Isso significa fixar um valor financeiro para cada tonelada de carbono que deixe de ser lançada na atmosfera, configurando o Mercado de Carbono.

    Assim, não inserir o "Mercado de Carbono" para os planos traçados pelos países em desenvolvimento, muda a ótica das nações sobre desmatamento e emissão tóxica. Considero um avanço positivo. Evita a monetarização pura e simples.

    A proposta apresentada pela senadora Marina Silva, de linkar o PIB ao índice de redução de emissão tóxica, não foi aprovada. Mas essa é uma boa idéia que merece ser retomada.



    Emissões de GEE - Gases de Efeito Estufa

    Quem polui mais compra os créditos de quem polui menos


    Como era previsto, não ficou estabelecida uma meta obrigatória para que os países ricos reduzam suas emissões de CO2.

    No que diz respeito ao prosseguimento do Protocolo de Kyoto, cuja primeira fase termina em 2012, nada ficou acordado.

    A próxima Conferência do Clima, a COP-17, está marcada para 2011 na cidade de Durban, na África do Sul.

    Step by step. Passinho por passinho.
    Temos tempo?

    Fica clara a dificuldade em negociar interesses globais. Mas, é preciso persistir.
    Como em toda boa causa, não há nenhuma certeza de Vitória.
    Mas, as intenções, tem de continuar as melhores possíveis.
    Para que se tornem ações.
    Persistência.
    Firmeza de Propósito.


    Marise Jalowitzki
    Escritora e Consultora
    Porto Alegre - RS - Brasil