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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

COP-16 - Medidas para frear o Aquecimento, Redução do desmatamento e o Mercado de Carbono


Medidas para frear o aquecimento global são efetivas?

COP-16 - Medidas para frear o aquecimento, Redução do desmatamento e o Mercado de Carbono

Por Marise Jalowitzki
14.dezembro.2010

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Nota de 31.março.2011
Roubo de Certificados põe em xeque a credibilidade do Mercado de Carbono
Leia em: http://t.co/aNjmDOT
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Terminada a COP-16, em Cancun, no Mexico, as nações avaliam os resultados de um encontro tenso, que exigiu bastante de todos os que lá estiveram como negociadores por um planeta mais limpo e preservado.

É certo que nenhum deles saiu de lá satisfeito, pois os resultados foram pequenos em relação à gravidade do momento pelo qual passa a Mãe Terra.

Com relação às medidas para frear o aquecimento global, o Acordo assinado em Cancun se assemelha mais a um apelo do que uma providência: uma necessidade urgente de realizar "fortes reduções" nas emissões de carbono,  evitando que a temperatura média do planeta aumente mais de 2º C em comparação com os níveis da era pré-industrial.

Isso já vem sendo divulgado em larga escala em, praticamente, todos os meios noticiosos.


O Acordo ratifica os índices de redução necessários para a emissão tóxica jogada na atmosfera, pelos países industrializados: entre 25% e 40% até 2020 em relação ao nível de 1990.

Estes já eram os índices acordados em Kyoto. Como Estados Unidos não assinou, para aquele país, "não vale".


Quais as providências a serem aplicadas quando o acordo não é cumprido? Isto não foi divulgado.

Aliás, espera-se que não se fale em "multas" pois essa forma, parece-me, é a que mais estimula a irresponsabilidade. Pagar [com dinheiro] uma ação irresponsável não confere conscientização, apenas penalização inócua. Por vezes, dependendo do valor das multas, até estimula a contravenção.

O estudo de novos mecanismos de mercado, para ajudar os países em desenvolvimento a limitar suas emissões, constituiu-se em um aceno de continuidade. Serão discutidos na próxima conferência, no final de 2011, em Durban (África do Sul).


Sustentabilidade - sonho ou realidade


Verificação das ações dos países em desenvolvimento para reduzir as emissões


Os países, especialmente os grandes emergentes, como China, Brasil e Índia, a cada dois anos vão divulgar relatórios que mostrem seus inventários de gases de efeito estufa, bem como informações sobre as ações de cada país para reduzí-los.


Saliente-se que tais relatórios serão submetidos a Consultas e Análises Internacionais, "não intrusivas", "não punitivas" e "respeitando a soberania nacional".

Esta ressalva é pertinente, pois objetiva vetar novas e excessivas intromissões de órgãos e governos estrangeiros, como já se tornou comum em outras tantas situações.


Redução do desmatamento



Redução do desmatamento - quais critérios?
 Objetiva "reduzir, parar e reverter a perda de extensão florestal" nas florestas tropicais.

Atualmente, o desmatamento é responsável por 20% das emissões de GEE - gases de efeito estufa de todo o planeta.

O acordo de Cancun pede aos países em desenvolvimento que tracem seus planos para combater o desmatamento, mas não inclui o uso de mercados de carbono para seu financiamento.


Mercados de Carbono - O que significa

O Tratado de Kyoto determina que, a fim de não comprometer as economias dos países desenvolvidos, e sendo "impossível" para esses países desenvolvidos atingir as metas estabelecidas de redução de CO2, poderão comprar créditos de carbono de outras nações que possuam projetos de desenvolvimento de tecnologias limpas. Isso significa fixar um valor financeiro para cada tonelada de carbono que deixe de ser lançada na atmosfera, configurando o Mercado de Carbono.

Assim, não inserir o "Mercado de Carbono" para os planos traçados pelos países em desenvolvimento, muda a ótica das nações sobre desmatamento e emissão tóxica. Considero um avanço positivo. Evita a monetarização pura e simples.

A proposta apresentada pela senadora Marina Silva, de linkar o PIB ao índice de redução de emissão tóxica, não foi aprovada. Mas essa é uma boa idéia que merece ser retomada.



Emissões de GEE - Gases de Efeito Estufa

Quem polui mais compra os créditos de quem polui menos


Como era previsto, não ficou estabelecida uma meta obrigatória para que os países ricos reduzam suas emissões de CO2.

No que diz respeito ao prosseguimento do Protocolo de Kyoto, cuja primeira fase termina em 2012, nada ficou acordado.

A próxima Conferência do Clima, a COP-17, está marcada para 2011 na cidade de Durban, na África do Sul.

Step by step. Passinho por passinho.
Temos tempo?

Fica clara a dificuldade em negociar interesses globais. Mas, é preciso persistir.
Como em toda boa causa, não há nenhuma certeza de Vitória.
Mas, as intenções, tem de continuar as melhores possíveis.
Para que se tornem ações.
Persistência.
Firmeza de Propósito.


Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora
Porto Alegre - RS - Brasil


Cancun - Step by step - COP-16 - Passinho por passinho. Avalie você mesmo!



Cancun - Step by step - COP-16 - Passinho por passinho. Avalie você mesmo!


Por Marise Jalowitzki
14.dezembro.2010

OS GANHOS

Os avanços foram miúdos! Terminou a COP-16 e, como já era esperado, os acordos efetivos, pequenos.

Criou-se um Fundo Verde e o REDD+ (Redução de Emissão por Desmatamento e Degradação).

O Fundo Verde - Objetiva uma ajuda monetária para os países em desenvolvimento. Administra o envio de dinheiro pelos países ricos aos mais desprovidos. 
Até o momento, 100 bilhões de dólares devem ser enviados até 2020, além de uma ajuda imediata de 30 bilhões de dólares. Quem já se comprometeu foi a União Européia, o Japão e os Estados Unidos.


O Banco Mundial foi convidado a servir como tesoureiro interino do Fundo Verde Climático por três anos e criou-se um conselho de 24 membros para dirigir o Fundo. Este conselho concede igualdade representativa aos países desenvolvidos e em desenvolvimento, juntamente com representantes dos pequenos Estados insulares, mais ameaçados pelo aquecimento. Isso é legal! Uma atitude de ouvir também os "mais pequenos".


Também, criou-se o Centro de Tecnologia Climática e uma Rede para repassar o conhecimento tecnológico aos países em desenvolvimento, ajudando a estes a  limitar as emissões e se adaptar aos impactos das alterações climáticas.


 De todo, razoável. O maior ganho: O financeiro.

Foi uma forma de contemplar as expectativas de alguns países da África, também o Equador, que reivindicaram recursos para amenizar atrasos históricos em função da exploração estrangeira de seus recursos naturais.

Vamos ver como será administrado, pois é, justamente, aqui, no setor das finanças, que sempre acontecem os maiores desvios!

Assim como em tantas outras situações (veja-se a tragédia no Haiti, por exemplo), dinheiro há, grandes somas são destinadas, mas, como costuma acontecer, a vigilância, o controle,  a supervisão é mínima e a má utilização, inevitavelmente, passa a ser uma triste etiqueta.


PRÓXIMOS PASSOS

Um momento tenso (mas, dadas as circunstâncias, pelo menos, não extinto): Não fechar as portas para o Protocolo de Kyoto. Ao invés de avanços e cumprimento do anteriormente estipulado, o que foi obtido é uma não-total rejeição. "Momento de negociação ruim", disseram as autoridades.

O Protocolo de Kyoto, em sua primeira fase, expira ao final de 2012. Até lá, espera-se que os países desenvolvidos se disponham a discutir uma nova fase de compromissos de redução de emissões. Por enquanto, intenções.

QUAL A AÇÃO EFETIVA? Novas [possíveis] negociações.

Japão liderou a oposição à prolongação do Protocolo, alegando que este é injusto,  já que os dois maiores emissores, Estados Unidos e China, não estão incluídos.

Estados Unidos não assinou o Protocolo e China continua poluindo em larga escala. China, hoje, é o país que mais polui no mundo. Em contrapartida, também é o país que mais investe em desenvolvimento e implementação de energias limpas e sustentáveis. Um processo em paralelo.

Está Japão errado em se opor ao Protocolo de Kyoto?

Alguns empresários de porte, no Japão, já declararam que vão executar voluntariamente a redução de emissões tóxicas, apesar de seu governo não fechar acordo na Conferência.

Agora, é uma forma de pressão, sim, o Japão dizer "não". O que os japoneses alegam: Como firmar compromissos quando os dois maiores emissores se negam a reduzir já?

Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora
Porto Alegre - RS - Brasil