quinta-feira, 24 de abril de 2014

AUTO MUTILAÇÃO - Chocante, triste e em ascensão - Auto estima e auto aceitação


Por que tantos adolescentes estão indo para tais caminhos de impacto e dor? 



AUTO MUTILAÇÃO - Chocante, triste e em ascensão - Auto estima e auto aceitação

Por Marise Jalowitzki
24.abril.2014
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2014/04/auto-mutilacao-chocante-triste-e-em.html

Sim, é uma foto chocante! Triste! Até repulsiva! Desejaria nem estar publicando! Mas temos de falar sobre isso!!! Recebi-a no facebook, junto a centenas e centenas de comentários, como todos gostam de fazer quando se trata de algo chamativo, bizarro ou escandaloso. As pessoas parecem que se sentem "motivadas" quando dá para xingar, reprovar, criticar, culpar, amaldiçoar, desejar a morte...excluir!!

A primeira vez em que vi uma cena triste de auto mutilação foi há vários anos, quando estávamos na praia. Um casal próximo, um menino de seus 4 - 5 anos. O pai lhe proibia alguma coisa (e ele proibia um monte de coisas!!) o menino não dizia nada! Só começava a se morder violentamente, ora braços, ora pernas. Os pais pareciam até achar normal!!! E, quando viram o espanto dos demais, optaram por ir embora (provavelmente o garoto levou umas belas palmadas e o casal, brigando entre si!!)

Quando vi as imagens desse rapaz, não pude deixar de me preocupar com os outros jovens que vão se deixar influenciar pelo impacto da imagem divulgada e...segui-lo, imitá-lo! Jovens tão perdidos quanto ele, sobre o verdadeiro sentido da Vida que é SER FELIZ! Sempre em número mais crescente, no mundo todo! Quantos mais, levados pelo modismo, pela vontade de chamar a atenção, de mostrar que podem fazer algo sem precisar da permissão dos responsáveis, escolhem se auto mutilar??? Gente, é preciso estar atento a este novo "fenômeno"! Alguém já constatou quantos grupos, comunidades e páginas de automutilação existem apenas no facebook, uma das redes de maior acesso, mas não a única?





Por que tantos adolescentes estão indo para tais caminhos de impacto e dor? 


Os estudos mais recentes apontam para:
- fugir do que considera aversivo, coisas, fatos, situações e pessoas que não lhe são gratas (40%)
- modo que encontra para chamar a atenção sobre si (26%)
- sensações (de dor ou de alívio) provocadas pelo próprio ato (26%)

Um de meus queridos está entrando direto nestes sítios, tentando ajudar a outros adolescentes a sair desta! A primeira pessoas que ele conheceu foi uma colega no ensino médio. Sim, a família dele se preocupa com esta sua disponibilidade, pois é um universo nebuloso, mas ele se sente útil, necessário mesmo, para muitos jovens, em idade compatível com a dele, que não sabem o que fazer com suas relações familiares e optam por se cortar, magoar fisicamente, quando já estão magoados emocionalmente. O querido a que me refiro, também está fazendo terapia e pensa seriamente em cursar psicologia.

Das centenas de atendimentos online que o nosso querido adolescente já fez, já conseguiu aplacar a angústia de dezenas de adolescentes (meninas são em maior número, nesses sítios, mas também há rapazes). Ele age intuitivamente e, pesquisando, constatei que está no caminho certo, na sua abordagem! Não criticar, nem proibir a auto mutilação. E, sim, tentar encontrar novos caminhos de comunicação para quem se fere fisicamente, voluntariamente. (Alguns estudos mostraram que era possível produzir mudanças sem impor qualquer modificação no comportamento das pessoas que estavam ao redor do paciente com este sintoma. Outros estudos indicaram que a mudança das pessoas ao redor - núcleo familiar ou social - também poderia ser indicada.*Em certa ocasião ficou superfeliz, comentando haver conseguido com que uma filha voltasse a conversar com seu pai! Pai e filha moravam na mesma casa, mas, ou não se dirigiam a palavra, ou ele a "descascava"! Ela se fechava no quarto e se cortava com gillette nos braços! Ele ficava ainda mais furioso e batia nela. O desespero da garota, só aumentando! Creio que agora estão encaminhados, pois o pai resolveu procurar um terapeuta. (Torço para que não seja apenas uma terapia individual e, sim, para os dois e quem mais constituir a família!)






Por tudo isso é que estou me dedicando a intervir como posso os pais de crianças pequenas, para que orientem ao máximo seus filhos, acompanhem, defendam, indiquem caminhos saudáveis, para que se sintam amados e queridos pelo que são!!!  Forneçam liberdade, mas uma liberdade vigiada. Permitam a experimentação, mas não descuidem!

Sim, a auto mutilação é um ato de rebeldia, só que bem mais extremado do que os experimentos naturais de independência da adolescência! Será que se esse rapaz da imagem se sentisse bem querido e aceito entre os seus estaria procurando formas tão terríveis de chamar a atenção? Alguém está vendo uma foto do rapaz com sorrisos? 

Sim, antes de criticar, temos de refletir se estamos fazendo a NOSSA PARTE neste mundo perdidão, sem valores ou ética!

 Você sabia que, a cada dois segundos, uma pessoa se suicida no planeta? Sabia, também, que a maioria delas são jovens?

Qual o mundo que estamos deixando, como adultos, e responsáveis, para nossos filhos e netos???



www.tirasarmandinho.com.br 



Sempre tem alguém que se importa!

“Sempre, sempre tem alguém que se importa! Os jovens que vem até aqui para tirar-se a vida, não acreditam nisso, mas é verdade! Estamos aqui para coexistir e cuidar uns dos outros. Eu gostaria que os jovens acreditassem que tem pessoas que se importam com eles, pelo menos uma pessoa que acredita neles." ” A afirmação é do guarda florestal da Floresta Aokigahara., a chamada Floresta do Suicídio, no Japão. “

(pág. 157 - Cap 10 - Questionando Conceitos - Livro TDAH Crianças que Desafiam) 



Marise Jalowitzki
Compromisso Consciente

Escritora, Educadora, 
Idealizadora e Coordenadora do Curso Formação para Coordenadores em Jogos e Vivências para Dinâmica de Grupos,
Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela FGV,
Facilitadora de Grupos em Desenvolvimento Humano,
Ambientalista de coração, Vegana.
Certificada como International Speaker pelo IFTDO-VA-USA
marisejalowitzki@gmail.com 
compromissoconsciente@gmail.com 


TDAH Crianças que Desafiam - Como Lidar com o Déficit de Atenção e a Hiperatividade na Escola e na Família

TDAH Crianças que Desafiam




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ou entre em contato direto:
marisejalowitzki@gmail.com 



(*) leia também este texto:

Psicologia da Automutilação ou Cutting – Causas e Tratamento

A automutilação ou cutting, para a maior parte das pessoas, é algo difícil de entender. Porque alguém iria machucar a si mesmo? Em uma das primeiras vezes que encontrei uma criança que se machucava, eu observei um garoto batendo a cabeça contra o chão de concreto. Seus cuidadores imediatamente intervieram e o fizeram parar mas com apenas uma batida ele havia aberto um grande corte e estava sangrando muito.
O instinto das pessoas ao redor é o de proteger a criança e prevenir o pior mas será isto o melhor a longo prazo? Lovaas e Simmons (1969) discutiram um caso em que uma criança com autismo se machucava e notaram que a criança tinha este comportamento mais frequentemente quando ela recebia atenção logo após se machucar. Eles defenderam então a tese de que o comportamento de se machucar (ou automutilar) era mantido pelas coisas que as pessoas faziam para ele após ele emitir este comportamento. A solução, ao menos no início do tratamento, foi dar a ele acesso à atenção de um adulto e o resultado foi que o comportamento de se automutilar diminuiu.
Outro pioneiro no desenvolvimento de um tratamento foi Ted Carr (Carr, 1977). Foi ao redor desta data que os analistas do comportamento começaram a dizer que o problema comportamental na auto-mutilação era um problema de comunicação.
Em alguns casos parecia que o problema estava relacionado com a necessidade de mais atenção ou a fuga de alguma atividade desagradável. Também foi sugerido que algumas vezes a auto-mutilação poderia estar relacionada com as consequências sensórias produzidas pelo comportamento. Isto é, a pessoa poderia gostar da sensação ou talvez atenuar a dor que a pessoa estava experenciando. Apesar do fato de que uma série de hipóteses sobre os casos começaram a aparecer, uma coisa estava começando a ficar clara: a automutilação de pessoas diferentes possuíam causas diferentes. Ou seja, cada pessoa tinha um motivo diferente dos demais para se auto-mutilar.
Brian Iwata e seus colegas (1982/1994), no Instituto Kennedy Krieger Institute em Johns Hopkins, revolucionaram o tratamento da automutilação ao desenvolver um procedimento de avaliação, chamado de análise funcional, que ajudaram os psicólogos clínicos a identificar a causa da auto-mutilação. Eles confirmaram, de forma sistemática, era diferente para diferentes indivíduos. 95% das vezes uma causa específica pode ser encontrada. 
Os resultados da análise funcional com 150 pessoas demonstraram:
40% dos casos analisados – a causa tinha relação com a fuga de estímulos aversivos
26% dos casos analisados – a causa tinha relação com a atenção obtida
26% dos casos analisados – a causa tinha relação com as sensações provocadas pelo próprio ato
Mais de uma causa foi identificada em 5 % dos casos. Os outros casos não puderam ser interpretados. Com os anos, foram feitos cerca de 200 estudos das causas funcionais da auto-mutilação.
Existem duas implicações da pesquisa de Brian Iwata. Primeiro e mais importante, identificar a causa funcional da auto-mutilação indica que uma outra resposta, um outro comportamento que produza a mesma consequência pode ser um tratamento eficaz. Na metade da década de 1980 e após, o foco do tratamento foi em desenvolver técnicas de treinamento para a comunicação. Muitos estudos indicaram que ao aprender outras formas de expressar, de comunicar os seus sentimentos, fez com que as pessoas que se automutilavam parassem com este comportamento. Alguns estudos mostraram que era possível produzir mudanças sem impor qualquer modificação no comportamento das pessoas que estavam ao redor do paciente com este sintoma. Mas outros estudos indicaram que a mudança das pessoas ao redor também poderia ser indicada.
O mais importante a ser observado é necessidade de uma análise atenta das causas funcionais do comportamento de se automutilar, ou seja, por qual motivo, porque a pessoa tem este comportamento? Como foi relatado acima, existem várias causas possíveis. Pesquisas posteriores mostraram que, comportamentos como birras e agressividade também possuíam causas variadas.
Com os anos foram desenvolvidas formas e técnicas menos intrusivas que mostraram ser muito mais eficazes para a o tratamento da auto-mutilação. Isto se deve à capacidade dos psicólogos clínicos de entenderam as causas reais do problema, bem como o entendimento por parte do paciente de que ele poderia obter o que desejava com o comportamento de se auto-mutilar sem ter que se auto-mutilar. Em outras palavras, é possível conseguir atenção, sensações corporais de alívio, fugir de coisas aversivas ou desagradáveis sem ter que partir para a auto-mutilação.
Texto Original - Self-Harm or a Request For Help? Behavior analysts consider problem behavior to be communicative
Published on January 27, 2010 by Bill Ahearn, Ph.D., BCBA-D in A Radical Behaviorist - Tradução – Felipe de Souza - http://www.psicologiamsn.com/2012/09/psicologia-automutilacao-cutting-causas-tratamento.html 



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