terça-feira, 21 de dezembro de 2010

MONETARIZAÇÃO DO IDOSO - Natal Presença


Idoso - Monetarização do Idoso - Pixar
Para ver o short film da Pixar, clique o link no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=1m7dcbIKvlw

MONETARIZAÇÃO DO IDOSO - Natal Presença

Por Marise Jalowitzki
21.dezembro.2010
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/monetarizacao-do-idoso-natal-presenca.html

Com a aproximação do Natal, invariavelmente, algum momento da vida de cada um é balançado por lembranças de encontros, desencontros e reencontros. É certo que, a cada dia que passa, perde-se mais e mais o primordial sentimento que embalou, por séculos, a aproximação familiar: o afeto.


idosos e o afeto familiar

Hoje, vive-se uma outra realidade no dia do Natal: ceia farta, troca de presentes, um ritual a ser cumprido. Para muitos, um episódio enfadonho e enfadante, que querem ver logo concluído. Para aqueles que jogam com as aparências, frivolidades, gracinhas de todas as espécies marcam esses encontros.

Tal situação foi duramente exposta por um comercial da Claro (que parece já ter saído do ar), onde o rapaz mostrava a chateação de haver recebido como "amiga secreta" uma tia idosa, com problemas de surdez. "Troca o chip" era o slogan. Em outro comercial, da mesma empresa de telefonia, o rapaz interrompia a tentativa de fala do tio idoso, que queria relembrar um pouco da história de seu avô; era galhofeiramente interrompido, causando mal estar em todos. "Troca o chip". Como em muitos casos acontece: chateou, troca. Chateou, joga fora!

O comercial foi retirado. A realidade, fica.

Quantos jovens e adultos, atualmente, despertaram a sensibilidade para o convívio respeitoso para com os mais velhos? Sem tirar a razão dos que consideram uma chatice os maneirismos dos idosos, há, porém, que se desenvolver o trato da boa convivência. E não, pura e simplesmente, o menosprezo e o descarte.

Isto para os casos de envelhecimento puro, sem doenças mais severas.

E para os idosos doentes? Pior ainda, os acamados? Pior ainda, os internados em hospitais ou que participam de instituições de abrigo permanente (casas de repouso, asilos, clínicas geriátricas)?  

Em uma sociedade que preconiza a eterna juventude, que incentiva todo o tipo de procedimentos para que o corpo dê o mínimo possível de mostras de envelhecimento, fica difícil, mesmo, pedir que a cabeça aprenda a ver o velho, as fragilidades e doenças dele, com naturalidade.

Vi pessoas que visitavam parentes em clínicas geriátricas, sem nem conseguir chegar perto do(a) velhinho(a), não tocavam nele(a), falavam alto, de longe. O interno, sentado em uma cadeira de rodas. Os parentes, em pé. Quadro difícil de ver! E, esses, fazem parte do reduzido número de pessoas que ainda se dispõem a visitar seus parentes em idade mais avançada.


idosos em instituições


O quadro usual é o abandono mesmo. Deixar para alguém, ou para ninguém, o cuidado, a presença. Como, então, falar em afeto?

O Estatuto do Idoso prevê a garantia do cuidado do parente, pela família. Não estabelece quem, nem quantos. O estatuto visa assegurar que "alguém" seja responsável pelos cuidados básicos: asseio, alimentação, abrigo. Mas não trata das questões afetivas, nem de que todos os filhos, por exemplo, assumam o papel de, pelo menos, visitar e auxiliar aquele cuidador. Geralmente, a questão descamba para um filho só, que passa a ter a vida onerada, transtornada.

Outro dia assisti a um programa televisivo onde havia uma corrente que defendia uma lei que "obrigasse" a família, mais especificamente, todos os filhos, a marcar presença, a demonstrar afetividade para com o parente idoso, seja em casa, seja em instituição hospitalar ou abrigo (provisório ou permanente). Essas pessoas, ligadas à Saúde, pretendiam fosse instituída uma lei que previsse multas financeiras para todos os familiares que deixassem de cumprir seu papel afetivo para com o idoso. Complicado!

Uma das correntes  contrárias, classificou de "monetarização do idoso" a idéia.

Particularmente, já assisti a algumas situações onde o idoso estava tão saudoso, tão choroso, tão frágil emocionalmente, clamando, cheio de saudade, pela presença de algum filho ausente que, sinceramente, fiquei a favor da criação desta lei. Premido pelo bolso, amedrontado pela possibilidade de uma multa significativa, aquele filho compareceria, mesmo que para fingir um tanto de afeto. Ao idoso, bastaria isto, sim. Ele veria, mais uma vez, aquele filho amado, poderia tocá-lo uma vez mais, senti-lo. E, mesmo que para o outro lado fosse uma tarefa a ser cumprida, ao idoso seria um presente.

Complicado mesmo, não é? Monetarização do idoso. Mas, só para quem já assistiu a certas situações bem frágeis no terreno dos velhinhos terminais, para entender o que estou escrevendo.

Sentimentos são sempre conturbados, confusos, as mais das vezes, pouco explicáveis.

Cabe a reflexão, com a proximidade deste Natal, de como andam as suas relações e do que você está disposto a doar em afetividade para aqueles que, mesmo em um tempo remoto, significaram muito para você. Afinal, como humanos, a prospecção é de que todos passemos por situações idênticas.

Respeito à ancestralidade, ainda que ande em desuso, é um valor importante e promovedor de integridade.



ABRACE MUITO NESTE NATAL!
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Mais sobre o tema na página de links, neste blog:
 http://compromissoconsciente.blogspot.com/2012/01/suicidio-o-que-leva-uma-pessoa-desistir.html

Direito à Vida



Suicídio - O que leva uma pessoa a desistir

Por Marise Jalowitzki
10.janeiro.2012



Querendo, leia também:
Natal é momento de avaliação e 
redirecionamentos, de abraços e gratidão


Natal - Festas e Reencontros

07.dezembro.2011





Marise Jalowitzki
Compromisso Consciente


Escritora, Educadora, Ambientalista,
Coordenadora de Dinâmica de Grupo,
Especialista em Desenvolvimento Humano,
Pós-graduação em RH pela FGV,
International Speaker pelo IFTDO-EUA
Porto Alegre - RS - Brasil 

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