segunda-feira, 31 de maio de 2010

CRIATIVIDADE - ESCOLHENDO AS ESTRATÉGIAS DE BEM VIVER



CRIATIVIDADE - Parte 1/2
ESCOLHENDO AS ESTRATÉGIAS DE BEM VIVER
Marise Jalowitzki




Somos todos naturalmente Criativos!

A Criatividade é inerente ao Ser Humano. As saídas inéditas são uma habilidade inata, seja para sobrevivência, seja para aceitação e inclusão.

As pessoas precisam criar, inovar, fazer diferente, talvez até mesmo chocar, mostrar o fruto de suas ações, de seu trabalho, festejar por ele, mostrar-se e ser reconhecido.

Na Natureza, a Criatividade acontece Naturalmente.
A Natureza é a própria Fonte de Criação em Atividade! As obras de arte se sucedem ininterruptamente. Basta parar e olhar para perceber.

Nas crianças, essa natural criatividade também está plenamente aflorada. Utilizam a imaginação e são felizes. Com simplicidade, o importante é brincar, estar livre! Superam obstáculos e criam estratégias para enfrentar desafios.

Crianças empurram, saem correndo sem olhar para o lado, divertem-se em túneis construídos com caixas de papelão, incorporam papéis novos simplesmente com um “bigodinho de coelho ou gatinho”, um pedaço de papel colado ao peito e lá estão eles, desempenhando seus estilos.
Tudo as empolga, tudo as motiva.
O “Eu Quero!” está sempre em alta!

Então, por que tantas pessoas ainda se economizam na criatividade quando entram para a idade adulta? Quantas pessoas acreditam ser criativas e tudo o que fazem é arrecadar danos a si próprios??
Por que tantas pessoas perdem seu precioso tempo criticando, brigando, reclamando, ao invés de agir e inovar no ambiente em que estão? Quantos vivem a vida insatisfeitos, sem questionar, por vezes sem nem mesmo enxergar, o amplo espaço à sua volta, esperando para ser devidamente ocupado?

A causa está na força dos condicionantes!
Os condicionantes são aquelas “fôrmas” (vou acentuar para que se possa ler “direito”) em que entramos desde cedo e nos “enformamos”, isto é, criamos o formato que, na nossa percepção, irá nos levar por melhores caminhos.



ESCOLHENDO AS ESTRATÉGIAS DE “BEM VIVER”

Assim, ainda bebês, temos a noção do que significa um tom de voz carinhoso ou de recriminação; a diferença entre um aconchego e um apertão; o desconforto gerado pela postergação de quem nos cuida em trocar nossa fralda-com-cocô ou a satisfação de um corpo limpo e higiênico.

Aos dois anos de idade já utilizamos estratégias que garantem ganhar o pirulito que a carinhosa vovó estende :

“- Só ganha o pirulito se der um beijo na Vovó!”

E também entende o que significa um:

“- Eu já te falei prá sair daí!”

De acordo com a internalização que CADA UM FAZ em relação aos diferentes fatos do dia a dia, vamos formatando nosso código de crenças e valores.

Reflexão:
“Eu gosto de doces. Para recebê-los da Vovó, basta dar um beijo (e um abraço) nela. Assim, toda a vez que eu quiser receber doces é só dar um beijo na Vovó.”

Conclusão:
“Se eu der beijos nas outras pessoas, continuarei a ganhar doces, também de outras pessoas.”
Logo:
Beijo = Doces

Ou seja:
Emoção externada = Retribuição concreta

Isso está certo?
Claro que não!
Trata-se de uma inversão significativa, pois retira a espontaneidade de um sentimento para torná-lo um ato mecânico com um objetivo específico: a troca de “favores”!...

Esse é um dos pequenos exemplos que, já na idade adulta, torna-se um enraizado modo de agir. Tão enraizado que parece ser um “modo de ser”.
“Eu sou assim!”
“Eu sempre fui assim!”



Da mesma forma, com as experiências negativas.
1° Aviso
“Menino, não põe o dedo na tomada!”

Proibir por proibir aguça a curiosidade: “ O que será que acontece? O que será que tem ali?”

2° Aviso
“Quantas vezes eu tenho que te dizer isso?”

A importância que se percebe na proibição, desperta sempre mais o interesse, ampliando a insistência em ver o que representa aquilo.

3° Aviso
“Se tu continuar insistindo, vai apanhar!”

Agora, sim! Eu estou correndo um risco. Então, deve ser Muuuuiiitooo importante! Vou lá ver!

4°...ato! Levamos o choque, há o susto, ouve-se o primeiro grito da Mãe: “Eu não te avisei!??”, seguido quase que instantaneamente do gesto físico, que causa uma outra dor e que pode ser um tapa ou um beliscão, ou simplesmente um aperto ou um empurrão.

Balanço:
Toda a vez que eu desobedeço
Toda a vez que eu teimo
Toda a vez que eu insisto – EU VOU ME DAR MAL!!!

(Vou passar ridículo, vou ser um fracassado, vou ser um perdedor, vou ser uma vítima!)

O que significa:
“Toda a vez que eu desobedeço”? – Sair fora dos padrões, inovar, criar! (Censurado) – Lembremos de Einstein e suas descobertas.

“Toda a vez que eu teimo”? – Opor-se ao que está vigente, questionar o instituído (Censurado) – Lembremos das Leis ISO e todo o avanço organizacional, ambiental e de qualidade (instrumentos, processos e pessoas) que essa revisão nas leis concedeu.

“Toda a vez que eu insisto”? – Perseverar, manter a constância de propósito, aval para as conquistas. (Censurado) – Thomas Edison experimentou mais de 1000 vezes suas teorias até conseguir descobrir a Lâmpada Elétrica.

E uma Censura que vem acompanhada de Dor (do choque), Susto (do próprio choque e da voz alterada da Mãe) e, novamente Dor (do apertão ou beliscão). Pior: por vezes ainda há o castigo – “Vai ficar sem olhar desenho!”
Repita essa experiência umas 200 vezes até os seus 6 – 7 anos e teremos uma crença bem enraizada. Uma... Verdade!!! Incontestável quando em idade adulta!


Quero com isso dizer que a Mãe deve deixar o filho arriscar-se? Claro que não! O que deve ser revisto, neste papel de responsável pela educação e condução do pequeno ser, é a maneira como se abordam tais episódios. Mamãe, o melhor é:
- Explicar, sempre acompanhado de tato, de abraço, voz amena.
- Isolar a área (No caso, colar algo ou colocar um suporte isolante sobre a tomada).
- Atrair a atenção da criança para outra atividade
- Incentivá-la a tentar ações inovadoras com objetos e situações menos arriscados e/ou perigosos.

Voltando ao bebê, agora já menino.
À medida em que crescemos, vamos recebendo informações de outras pessoas, geralmente semelhantes às que recebemos em casa. São os mandatos sociais.

Ao chegar à escola, o livre exercício dos mandatos sociais é a tônica.
“Menino educado é quem senta direitinho – de preferência nem se mexe...”
“Menino bonito é o que beija a professora ao chegar e ao sair da aula.”
“Menino aplicado é o que não conversa (com isso, também, não pergunta), copia tudo que precisa ser copiado, faz os temas direitinho (sem nem reclamar que aquilo é quase tudo uma grande chatura!)”
“Menino “bom” – olha o termo – é aquele que não corre atrás das meninas, nem faz travessura.”

E, por favor, não digam que já está mudado, porque não está! Sei de algumas instituições que inovam, sim, mas Piaget e seus adeptos e descendentes, com certeza, estão decepcionados com o alto grau de “história velha” que ainda permeia tantas instituições educacionais.

Sobra o que?

Em nome da pseudo-disciplina perpetuam-se silêncios constrangidos e anulação do caráter interrogativo dos juvenis.
E assim continua. Exército, Igreja, Emprego. Todas as instituições “sérias” com sua cultura própria, seus preceitos e diretrizes arraigados. Por vezes, engessados.

Lógico que é preciso, para ser aceito, concordar e agir de acordo com essas diretrizes e legislações.

O que estamos verificando aqui é o grau de sofrimento que o indivíduo pode trazer para si, caso desconhecer a possibilidade de ter de enfrentar uma mecânica de ações rígidas e engessadas.

Conhecer e entender possibilita conseguir lidar por um tempo determinado, sabendo escolher os melhores momentos para expressar-se, para manifestar vontades, idéias e ideais, para crescer enquanto indivíduo inserido em um determinado contexto.
Abraços a todos!
(Arquivo e slides contidos no CD Criatividade e Competência Emocional)
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MARISE JALOWITZKI é escritora, consultora organizacional e
palestrante internacional, certificada pela IFTDO-USA, pós-graduação
em RH pela FGV-RJ, autora de vários livros organizacionais.
marisej@terra.com.br
F (51) 97056424
Porto Alegre - RS - Brasil
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