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| Região serrana do Rio, onde mais de mil corpos foram enterrados em covas rasas e 500 permanecem soterrados |
Como acontece a decomposição do corpo humano - Necrochorume
– Saúde Pública - Contaminação das Águas – Tragédias: Soterramentos por deslizamentos de terra -
Parte 5/10
Por Marise Jalowitzki
16.fevereiro.2011
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2011/02/como-acontece-decomposicao-do-corpo.html
Cada corpo, dependendo da idade, das doenças que teve, do tipo de morte e do tipo de solo em que é enterrado, apresenta tempo variado de decomposição.
Por isso, publico o fruto desta pesquisa, para compreendermos um pouco melhor sobre o perigo a que estamos sujeitos quando a água que bebemos e o solo que nos dá o alimento estão contaminados.
O tema deste 5º artigo traz informações sobre:
Apenas algumas horas após a morte, o corpo começa a exalar odores fétidos. No primeiro mês o corpo em decomposição produz aproximadamente 24 litros de gases.
Segundo os tanatólogos (estudiosos da morte), os gases resultantes da putrefação dos cadáveres são:
- o gás sulfídrico,
- os mercaptanos,
- o dióxido de carbono,
- o metano,
- o amoníaco
- e a fosfina (luz amarelada, fosforescente que alguns atribuem a agentes "divinos").
Os dois primeiros são os responsáveis pelos maus odores. O vazamento destes gases para a atmosfera de forma intensa deve-se à má confecção e manutenção das sepulturas (covas simples) e dos jazigos (construções de alvenaria ou concreto, enterradas ou semi-enterradas).
A decomposição ou putrefação (apodrecimento) de um corpo compreende várias fases. Vamos nos deter, neste estudo, na decomposição que produz o necrochorume.
A chamada fase humorosa (ou coliquativa) - que é a dissolução pútrida das partes moles do corpo - é a mais preocupante em termos ambientais.
Se você já passou pela perda de algum ente querido, sabe que há a condição de adquirir um jazigo perpétuo ou alugar um espaço por, no mínimo, três anos. Três anos é o tempo estabelecido por lei para que um corpo tenha as chamadas partes moles apodrecidas, restando apenas os ossos, dentes, cabelos e unhas. Este tempo pode variar, dependendo da idade do morto, as doenças que teve (incluindo a causa-mortis), o tipo de remédios que tomou, as drogas que ingeriu, o tipo de sepultamento que teve (com pastilhas, manta absorvente, tipo de urna e jazigo) e, também, o tipo de solo em que aconteceu o sepultamento.
Durante os primeiros 06 meses, cada cadáver produz em média 30 a 40 litros de necrochorume, sendo que o processo completo pode chegar a 5 anos em condições normais.
- 0-1 dia: Pallor Mortis, Algor Mortis, Rigor Mortis e Livor Mortis são os primeiros passos no processo da decomposição, antes da putrefação.
- 2-3 dias: Descoloração aparece na pele do abdômen. O abdômen começa a inchar, devido à formação de gás.
- 3-5 dias: Veias descoloridas se tornam visíveis e a descoloração avança.
- 5-6 dias: Os gases incham e formam bolhas na pele do abdômen.
- 2 semanas: O Abdômen fica completamente inchado acumulando gases.
- 3 semanas: Os tecidos se tornam moles, os órgãos vazam os gases e as unhas caem.
- 4 semanas: Os tecidos moles começam a liquefazer e o rosto se torna irreconhecível. Essa decomposição leva ao processo de esqueletização (https://pt.wikipedia.org/wiki/Putrefa%C3%A7%C3%A3o)
Composição do Necrochorume
Vamos tomar como exemplo um corpo humano de um adulto de 70 kg.
Ele contém aproximadamente:
16000 g de carbono,
1800 g de nitrogênio,
110 g de cálcio,
500 g de fósforo,
140 g de enxofre,
140 g de potássio,
100 g de sódio,
95 g de cloreto,
19 g de magnésio,
4,2 g de ferro
e média de 60% do peso de água.
Resumindo:
São 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas degradáveis.
Nestes 10% está a carga patogênica (doenças) de substâncias biodegradáveis. As que mais se destacam são: a cadaverina e putrescina. São consideradas venenos potentes, que não dispõem de antídotos eficientes.
A cadaverina e a putrescina são extremamente solúveis em água (pH entre 5 e 9, à temperatura de 23 a 28ºC) e se entram em contato com o lençol freático formam uma pluma de poluição, contaminando-o.
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| necrochorume - líquido viscoso e poluente |
Como já explicado nas matérias anteriores, o necrochorume é um líquido viscoso, de cor acinzentada a acastanhada, cheiro acre e fétido, polimerizável (tendência a endurecer), rico em sais minerais e substâncias orgânicas degradáveis, incluindo a cadaverina e a putrescina, duas aminas tóxicas.
Os especialistas são unânimes em afirmar que o perigo de contaminação do necrochorume deve-se aos microorganismos patogênicos e aos seus riscos infecciosos.
Pela ação das águas superficiais e das chuvas infiltradas nas sepulturas ou pelo contato dos corpos com as águas subterrâneas (aquífero freático).
Se as mesmas fluírem para a área externa do cemitério e forem captadas através de poços escavados por populações que vivem no entorno, estas poderão correr sérios riscos de saúde.
A saponificação
A saponificação (fenômeno conservador), também conhecida por adipocera (gordura de aspecto céreo), ocorre quando o corpo é sepultado em ambiente úmido, pantanoso.
O solo argiloso, poroso, impermeável ou pouco permeável, quando saturado de água, facilita a saponificação. Logo, este solo não é recomendável para sepultamentos.
Em geral, a formação da adipocera leva cinco a seis meses após a morte. O fenômeno é comum nos cemitérios brasileiros, tendo como causa a invasão das sepulturas por águas superficiais e subterrâneas. Enquanto persistir a causa, o corpo ficará saponificado.
A saponificação ou adipocera caracteriza-se pela hidrólise da gordura, com a liberação de ácidos graxos (triglicerídios), presentes no tecido adiposo, que têm acidez e se unem a minerais do organismo, tais como, cálcio e magnésio, formam sabão e inibem a ação de bactérias putrefativas, com o consequente retardamento da decomposição do cadáver.
O cadáver fica intacto e adquire consistência untuosa e mole, tonalidade amarelo-escura, odor de queijo rançoso e aspecto de cera ou sabão. Isso, em casos de homicídios ou onde há dúvida sobre a causa-mortis, auxilia em muito as investigações.
A igreja católica tem vários relatos que podem ser atribuídos ao fenômeno denominado "Corpos Incorruptos", processo de saponificação e interferências de terceiros, como o embalsamento, etc.
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| Católicos não descartam a possibilidade de que alguns casos podem ser atribuídos ao processo de saponificação. |
Pode ocorrer em ambientes quentes, úmidos e anaeróbios, com a presença de bactérias endógenas, e em solos argilosos por sua impermeabilidade e retenção de água, aumentando a vida e a proliferanção das bactérias.
Solos quentes e úmidos
Como na Região Serrana do Rio.
Como no Haiti.
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Em uma série de 10 tópicos, agrupei os temas mais relevantes, assim distribuídos:
Marise Jalowitzki
Escritora
Porto Alegre - RS - Brasil
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Água limpa vem por solo limpo.
Água limpa é saúde! |
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Muitas vezes, até por desconhecimento, cemitérios são edificados em regiões altas,
longe da comunidade, como forma de afastar os odores fétidos.
O perigo maior jaz no subsolo, pela possibilidade de contaminação das águas. |
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Leia também: http://t.co/uYsGSWt
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| Só sirenes? falta tudo! Necrochorume à mostra após a tragédia na região serrana do Rio |
As fotos divulgadas nesta página foram enviadas por Cecília Valéria Oliveira da Silva, voluntária em Teresópolis, na tragédia do Rio - 2011
Por Marise Jalowitzki e Cecília Valéria Oliveira da Silva
14.julho.2011
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| Será que, mesmo com os resultados da CPI, turistas vão vir para a Copa para conhecer a Cidade Maravilhosa? |
CPI na Região Serrana do Rio aponta o óbvio: Omissão, ineficiência e interesse eleitoreiro
23.agosto.2011
LINK: http://ning.it/oITt8s
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tem Treinamento contra desastres -
Foto: Santa Maria - RS - Barragem do DNOS |
Defesa Civil e o 1º Simulado de Preparação para Desastres -
QUAL O CRITÉRIO PARA ESCOLHA DAS LOCALIDADES?
Por Marise Jalowitzki
04.novembro.2011
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E também:
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"Ou o agente público não fez a obra ou a obra foi feita e o dinheiro mal empregado. Agora esse agente precisa responder por isso na Justiça", afirma o promotor Mauricio Antonio Ribeiro Lopes
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