segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

KURT COBAIN - RITALIN'S SON - Filho da Ritalina - 1967-1994


A incompreensão familiar, a intolerância social e a fragilidade da juventude abortando mais uma vida, ainda que de um gênio.
Pais, não tentem "resolver" os problemas com seus filhos através de psicotrópicos!


(1967-1994)


Por Marise Jalowitzki
23.fevereiro.2015
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2015/02/kurt-cobain-ritalins-son-filho-da.html



"Estima-se que nos Estados Unidos entre 4 milhões e 8 milhões de crianças estão em Ritalin (no Brasil, Ritalina), a droga utilizada para alterar o comportamento de crianças que sofrem com uma doença ou condição chamada de Transtorno de Déficit de Atenção (DDA) ou Déficit de Atenção e Hiperatividade TDAH. (Brasil é o 2º maior consumidor!)
Nós já sabemos que o uso a longo prazo de Ritalina pode ser fatal. Em março de 2000, um garoto de 14 anos, nona série, Matthew Smith, caiu morto de um ataque cardíaco enquanto andava de skate. Ele tinha sido colocado em Ritalin desde a primeira série. E em 1994, o cantor muito popular e compositor Kurt Cobain cometeu suicídio aos 27 anos. Ele era conhecido como um 'filho Ritalin'." (Texto extraído de Ritalina e Roleta Russa, de Sam Blumenfeld)

Muitas páginas no mundo inteiro publicam sobre o artista Kurt Cobain, do Nirvana, que se suicidou em 1994. Carismático, Kurt continua vivo como sempre na memória dos fãs e de todos os que ouvem falar dele. Esta não é uma página para contar de sua vida após ficar famoso. Quero dedicar breves comentários à sua primeira infância e adolescência. Quero proporcionar uma reflexão sobre a responsabilidade dos adultos cuidadores e a importância da prevenção. Sobre a necessidade de informar-se mais sobre psicotrópicos e os riscos em corpos infantis, cérebros em desenvolvimento.







Kurt Donald Cobain nasceu em 20 de fevereiro de 1967, em Hoquaim, Seattle, filho de Donald e Wendy Cobain. Logo aos 6 meses de idade, a família muda para Aberdeen, uma comunidade pequena, com atividade madeireira. Aos 3 anos de idade, teve uma irmã, Kimberly, em abril de 1970.  Sua tendência para a música aconteceu precocemente. 



Gosto pela música

Segundo palavras do próprio Kurt, sua primeira infância foi normal. Ele sentia que era amado por seus pais, que  tinha uma família, incluindo tias e tios que gostavam dele, atraídos por seu talento artístico. Aos dois anos seus pais já identificaram que ele estava cantando Beatles e the Monkees. Um dos discos favoritos de Kurt era Alice's Restaurant, de Arlo Guthri. Aos 3 anos ganha um tambor de Mickey Mouse de sua mãe e aos 7, sua tia Mary lhe dá um bumbo, com o qual sai orgulhosamente para a rua tocando, recebendo a irritação de vizinhos, ocasionando dores de cabeça em casa.  

Ritalina e sedativos, a porta de entrada foi aberta pela ação dos próprios pais

Em 1974, os pais apresentavam desentendimentos sérios entre si, desentendimentos que foram em um crescendo e envolvendo também Kurt. Na escola, o garoto se interessava bem mais por artes, e música em especial. O garoto inquieto foi apontado como hiperativo e, aos 7 anos (1974), foi diagnosticado (hoje TDAH) e passou a ingerir Ritalina para moldar-se durante o dia e sedativos para que pudesse dormir à noite. Também apresentava bronquite crônica e foi desenvolvendo uma escoliose (curvatura irregular na coluna), que só piorou quando começou a tocar guitarra.


Kurt e sua irmã Kimberly



Familiares afirmam que, naquele Natal de 1974, com apenas 7 anos, Kurt recebeu um pedaço de carvão como presente, o que foi devastador para o garoto, que chorou convulsivamente. 

A partir dessa época, as brigas em casa ficaram cada vez mais intensas, a ponto de, alguns meses antes do divórcio, Kurt escrever na parede de seu quarto:  "Eu odeio mamãe, eu odeio papai. Papai odeia mãe, mãe odeia o pai ..." 

A mãe refere-se a esta frase como "um poema infame". Wendy, reconhece que o filho a tirava do sério, e que ela mal  tolerava.






De casa em casa


Após a separação, o garoto, então com 8 anos, fica com a mãe.  Ela admite ter sido intolerante: "Naquela época, eu o queria totalmente fora." Os membros da família também dizem que sua mãe gritava incessantemente com ele por coisas triviais, o que deixava Kurt chorando como um bebê.

A partir dessas mudanças e desentendimentos, ele começou uma vida transitória, sendo empurrado ora para a casa do pai, ora voltando para a casa da mãe, mudando de cidade, mudando de escola duas vezes por ano, pelo menos, ingerindo psicotrópicos e recebendo rechaço social. Ele reagia. Chamava o padrasto de "o surrador oficial de esposas"... Depois de muitos desentendimentos com a mãe e o padrasto, Don, o pai do jovem Cobain consegue a guarda do filho que, esperançoso, acredita ter assegurado um lugar. Mas o pai acaba se casando novamente no mesmo ano, pouco antes do adolescente mudar-se definitivamente, gerando ciúme, frustração e um sentimento de ter sido traído pelo pai, ressentimento que iria persistir por toda a vida, até pouco antes de sua morte, apenas dezoito anos mais tarde.

O que Kurt achava do pai? “Eu gostaria de poder lembrar de mais coisas. Eu nunca realmente senti que tinha um pai. Nunca tive uma figura paterna com quem eu pudesse dividir meus problemas.”

Tendo apenas uma mala, o rapazote passava em casa de parentes, debaixo da ponte, em casa de amigos, sem destino certo. Ele tinha também um amigo imaginário, a quem ele chamou de "Boddah" (sim, sua carta de suicídio é dirigida a ele). 

Relações na Escola

Com todo este quadro, ele tinha grande dificuldade em integrar-se com crianças de sua idade, em toda a escola fundamental; os atletas fizeram dele alvo de bullying (mais tarde ele se refere a eles como f*..cking atletas), os nerds não gostavam de música, e os drogados "eram idiotas".   

Durante o ensino médio a situação só fez piorar. Ele tinha uma compleição frágil, era sensível e solitário, intimidado pelos atletas, considerado homossexual, sofrendo bullying frequentemente.


Nessa época, Kurt conheceu na escola um tipo engraçado, muito alto para sua idade e que era motivo de riso de todos. "Mas eu ria com ele". O nome do garoto: Chris Novoselic.



Kurt aos dois anos

A música

Em seu décimo quarto aniversário, seu tio Chuck comprou-lhe a prazo uma guitarra Lindell usada, de seis cordas e um amplificador. O som bastante alto incomodava a toda a vizinhança que reclamava muito. 

Na escola, Kurt se dedicava à música e a desenhos, incluindo fetos e o corpo humano. A criação da banda Nirvana deu-se após a expulsão da escola, seis semanas antes da formatura. A mãe lhe disse: "Ou arruma emprego ou sai de casa." Não conseguiu emprego e foi ganhar o mundo com dois sacos de lixo, onde colocou suas roupas dentro.



"Kurt não se encaixava no molde geral da sociedade em uma cidade madeireira, e por isso ele foi espancado por pessoas que não o entendiam." - tio de Kurt, Larry (WKKC ?, p 22).




Drogadição full time

Tinha problemas crônicos de dor de estômago, provavelmente oriundos do metilfenidato e sedativos diversos, aliados à pressão emocional. Nenhum médico encontrou cura. (Já adulto, Kurt declarou que a única coisa que diminuía as dores no estômago era a heroína.) 


No 9º ano, experimentou maconha, achegando-se ao grupo atraído pelo gosto musical. "Depois deles me ajudarem a começar a gostar desse estilo de música, eu comecei a me transformar num dopadinho" .


Depois, já fumava mais intensamente maconha, além de ácido lisérgico (LSD). Ele também se tornou viciado em várias pílulas, incluindo Percodan. No entanto, de acordo com seus diários, ele usou heroína pela primeira vez em 1987, quando já tinha 20 anos.

Muitos acreditam agora que Cobain era bipolar, e que a prescrição de Ritalina realmente exacerbou essa condição e pode ter sido um fator para o uso excessivo de drogas. "Quando você de muito criança recebe Ritalin de seus pais, você ainda vai acreditar que funciona sem a ajuda de drogas?"


Na verdade, foi todo um conjunto, onde todos os segmentos sociais falharam.

Mais uma vez, o uso de psicotrópicos "legais" foi a saída encontrada pelo mundo adulto para silenciar a criança que se manifestava. Primeiro, foi seu entusiasmo que incomodou. Depois, sua agressividade. Por fim, ficam os "normais" vivos até hoje (os que promovem bullying, os que criticam e condenam), vai-se o artista sensível, corpo franzino, que sucumbe aos danos das drogas.







"Eu sinto que as pessoas querem que eu morra, porque seria o classic rock n 'história roll."
- Kurt Cobain , 8/92 (. Cobain Dossier, p 41)

Fontes:
KurtCobainInShrine
MTV
Fotos
Fotos antigas
MusicFans



Leia mais em:

Para os que tem dúvidas em relação à medicalização de psicotrópicos em crianças



Por Marise Jalowitzki
22.novembro de 2014












TDAH - Riscos, Efeitos Colaterais, Outros Tratamentos, Estudos em Animais - Dr. Bruce Perry 






 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:
www.tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br


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Déficit de Atenção e Hiperatividade



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