quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Baleias Jubarte - EU VOU MORRER NA PRAIA!



Baleias Jubarte - EU VOU MORRER NA PRAIA!

Marise Jalowitzki
26.agosto.2010


- Sou Jubá. Todos os anos, eu e meu grupo nos organizamos em entusiasmada expectativa, para a nossa jornada mais longa: a ida ao sul. Nosso destino é nadar e, desde pequena, aprendi o valor das habilidades natas. 


Nadar é o nosso dom, nadar faz um bem danado! Adoramos isso! Nossos mergulhos, alegres, sincronizados, harmoniosos, nos levam a cantar sempre mais belamente. Nosso som, nosso canto, já foi tema de muitos romances e poemas. Ele é lindo, mesmo! Serve para unir o grupo, funciona como um radar, mostrando a posição em que cada uma de nós está e serve, também, para que se detecte nosso pior inimigo, um gigante feroz, chamado Navio. Conhecemos vários: Navio petroleiro (o pior de todos!), Navio mercante, Navio de passageiros, Navio pesqueiro, Navio cargueiro. Tem também os submarinos. 


Todos eles, sem exceção, são nossos inimigos, pois obstruem a passagem do nosso canto, fazendo com que o som bata nos seus cascos e volte. Com isso, sabemos que há uma barreira que não podemos transpor, barreiras que são eles, os navios, e temos que mudar de rota. Perdemos a sincronia, perdemos nosso rumo, não sabemos mais qual é o caminho certo que, antigamente, nossos antepassados faziam com tanta segurança e alegria.

Saímos de Abrolhos pela costa, mas, no RJ, vamos para o alto mar. Todos sabem porque. A movimentação, as plataformas em Campos e em Santos, nos obrigam a nadar bem mais ao meio do oceano. Ficamos confusas, por vezes nos perdemos umas das outras. Temos de alterar nosso jeito de ser, que é nadar mais perto da costa, em função do progresso do país.

Em Santa Catarina, passamos pelo final de outono e somos atração para muitos que lá, do alto do morro, nos observam e admiram. Em final de agosto, como agora, passamos pelo Rio Grande do Sul.

Eu, Jubá, sou uma baleia jovem e poderia viver muito, ainda. Mas, neste ano, fui eu a me perder do grupo. Todos os anos acontece isso. Mas, quem cuida da prevenção para que isso não aconteça? 


As outras Jubarte estão seguindo. Eu fiquei. Não entendi o quanto deveria inclinar meu nado quando detectamos o barco e acabei encalhando na areia rasa de uma praia. Muitos humanos ficaram curiosos por me ver ali, agonizando. Algumas centenas deles se agruparam, pareciam preocupados, outros filmavam. 


Todos queriam me ver. Pareciam que queriam salvar-me. Como? São eles mesmos, os humanos, os que fabricam navios e barcos, que estão a nos destruir! Do outro lado do mundo, os Navios-barcos pesqueiros nos matam abertamente, saem pelas águas para nos caçar. Aqui, não nos atingem diretamente, não nos fazem sangrar e manchar de vermelho as águas verdes do oceano, mas, nos matam de igual maneira! Só mais lentamente!

Aquelas centenas de pessoas que soltavam uns sons baixos, pareciam apressadas. Tentaram por dois dias passar um cinturão a meu redor (imaginem!), um deles até sentou em cima de meu dorso, queriam puxar-me de volta para o alto-mar, tentavam salvar-me. Mal sabiam eles que era tudo inútil. Meu grupo, o grupo das Jubarte, já ía longe, eu não sou nada sem os meus, nossos vínculos são fortíssimos, vivemos juntas. Para onde eu iria?

Eles continuavam tentando. Eu me debati muito. Queria que se alertassem e diminuissem aquele tráfego intenso de navios, pelo menos nessa época em que, todos sabem, nós, as Jubarte, fazemos nossa percorrida, vital para nossa sobrevivência, sempre fazendo esse mesmo caminho. Mas, quem presta atenção em nós? Mataram todos os índios, os primeiros habitantes de suas terras brasileiras, por acaso iriam prestar atenção em nós, as primeiras e mais antigas habitantes dos mares?

Mas eles insistiam. Bem, talvez eu fosse a primeira baleia Jubarte errante e, talvez, em eles me "salvando", talvez eu pudesse reencontrar meu grupo! 


Deixei que tentassem. Depois que conseguiram passar aquela espécie de "cinturão" a meu redor, com um barco me puxaram até as águas mais profundas e me soltaram. Ainda pude perceber a alegria deles, soltando seus gritinhos miúdos e acenando. Outros continuavam a filmar. 


Eu tinha forças, sim, eu tinha. Mas, e o eco de meu som? Até onde chegou meu canto? Quando cheguei às profundezas, cantei muito, cantei mais alto; ninguém da família me respondeu. Já estavam muito distantes para me ouvir. Segui um pouco mais. Cantei de novo. Sozinha. Veio aquele som de volta, horrível, alterado, pois batera no gigante de metal! Voltei imediatamente. Entre bater naquele Navio-barco-monstro e ir morrer na praia, encalhada de novo, preferi esta última. Pelo menos posso servir de comida, se quiserem aproveitar.

Talvez minha família acabe se tornando presa de alguns pescadores assassinos, como os do outro lado do mundo. Talvez acabem tendo de engolir algumas toneladas de óleo, ou aquele gosto ainda pior, o petróleo, que eu mesma já experimentei e que é horrível, mas que nos forçam a ingerir quando passamos por alguma zona de vazamento.

Que fazer? Nós somos Jubarte, somos gigantes, sim, mas não somos animais maus como os animais humanos, desenfreados em sua busca por riquezas, vindas de uma fonte fácil. Seres que não pensam nos outros habitantes, que pensam, mais que tudo, no seu lucro imediato. E só. Eu estou morrendo. Assim como eu, tantas espécies estão sumindo. Todos sabem, mas ninguém consegue deter esta marcha. Eu não entendo!


*.*

No outro dia, habitantes do sul do país encontraram a Jubarte jovem novamente encalhada. Ninguém entendeu porque ela, tão forte e tão viva, "mudou de rumo" novamente e "escolheu" morrer na praia. Alguns discutem sobre eutanásia para ver se aceleram a morte ou se vão tentar novamente o resgate.

"- Coisas de bicho!" - disseram outros.
"-É!" - exclamaram outros mais - "-Bicho é mesmo assim bobo, bicho não pensa, não sabe o que faz!"
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ZH – Quais são as hipóteses para o encalhe de uma baleia?

Marcondes –
 Uma doença que deixe o animal desorientado, atropelamento por um barco ou ser presa por uma rede. Às vezes, entram na arrebentação e não conseguem sair.

Zero Hora– Calcula-se que a baleia tenha cerca de 11 metros e pese 25 toneladas e, por isso, tenha no máximo cinco anos. Quanto tempo vive uma baleia?

Milton Marcondes –
 Estima-se que possa chegar a 60 anos, ter até 16 metros e pesar 35 toneladas.
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- imagem de um encalhe na Austrália. 

No RS, essa seria a primeira tentativa bem sucedida de resgate de uma Jubarte, em 10 anos.





Leia também:

Ativistas do Greenpeace ficam presos por nove horas dentro do edifício da OGX de Eike Batista



Eike Batista prende ativistas do Greenpeace por nove horas! Baleais nadam em petróleo!


Por Marise Jalowitzki
03.setembro.2011
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2011/09/eike-batista-prende-ativistas-do.html?spref=tw

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Leia mais sobre Direito dos Animais à VIDA! link: http://t.co/7Z4PBPu 

Animais são nossos irmãos e tem Direito à VIDA!

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19.abril.2011

DIGA NÃO AO RETROCESSO!!
DIGA NÃO À UTILIZAÇÃO DE PELES DE ANIMAIS!
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DIGA SIM AO DIREITO À VIDA!
DIGA NÃO À MALDADE HUMANA!
Manifeste-se! Participe

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Marise Jalowitzki
Compromisso Consciente



Escritora, especialista em Desenvolvimento Humano,
Ambientalista, pós-graduação em RH pela FGV,
international speaker pelo IFTDO-EUA
Porto Alegre - RS - Brasil

3 comentários:

  1. Cruel e desumano, ou melhor, humano. Muitas vezes penso que se para fazer o que fazemos somos racionais, melhor seria que fôssemos irracionais e apenas fizéssemos coisas de bicho, não é?

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  2. Com toda certeza!
    Bom. Jubá morreu, mesmo.
    A coisa mais triste é constatar o [quase] insignificante número de pessoas que se importa. Triste, mas compromissado. E é nisso, no compromisso, que se fundamenta a constância de propósito. Um dia TEM de mudar para melhor e todos os animais, racionais ou não, terão seu espaço para percorrer seus caminhos.
    Acredito nisso e vou fazer a minha parte.
    Muito grata, Amigo, pela sintonia, novamente!

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  3. Hoje, 30 de agosto, foi encontrada mais uma baleia, filhote, morta, em uma praia próxima da anterior, também no RS. Uma nota curtinha do noticiário local. E passamos adiante.
    "Não se fala mais nisso!"
    Cadê as providências?

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