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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Porque o nosso povo não se rebela? Por Plinio de Arruda Sampaio


Porque o nosso povo não se rebela?



Porque o nosso povo não se rebela? Por Plinio de Arruda Sampaio

 

O artigo de Plinio Arruda Sampaio, intitulado "Por que o povo não se rebela?" foi publicado no Terra e o transcrevo a seguir. É um texto magistral, esclarecedor, contundentemente claro.

 

Receba PARABÉNS, Sr. Plinio, pela objetividade certeira.


 

Triste é constatar que é tudo isto mesmo e que vai se perpetuar por muito tempo, ainda. Há algum tempo escrevi neste blog um artigo "Povo Anestesiado?" link: http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/10/povo-anestesiado.html que, agora, através desse texto, recebe um epílogo marcador como ferro em brasa em lombo de boi.

Verdadeiro!

Em 1964 eu tinha 11 anos.
Quando começou a "caçada", nossa família foi acordada, pela madrugada, com os gritos desesperados de uma vizinha, que chorava e pedia por piedade que não levassem seu marido, o vereador Telismar Lemos. Foi em Santo Ângelo - RS. Os filhos pequenos também choravam. Foi um susto e um medo só.

Ninguém soube dele depois. A família se mudou e perdemos o contato. Hoje o 1º RRecMec não tem mais nenhuma bibliografia, nem em Wikipedia. O registro está apagado. Na nossa memória, só o susto e o medo ficaram. Eu também pertenço ao grupo dos "sem padrinho".

O medo e a "gratidão eterna", submissa, são ingredientes que inibem iniciativas e embotam a visão da realidade.

Também no MMS (Movimento Marina Silva) acompanhei o cuidado, o medo, as ressalvas trocadas entre os que se decidiram a publicar um manifesto de repúdio ao aumento dos parlamentares.
Marina, migra para o PSOL! Gabeira preferiu o palanque do Serra. Teus ideais de sustentabilidade, que são também os nossos, com certeza, continuarão sendo conquistados, passo a passo.

Marina se manifesta no ato, sem hesitação, contra o abusivo aumento que os parlamentares se deram. Gabeira, mesmo votando contra, nada declarou. Um líder PRECISA se manifestar. Pensem nisso, marineiros!

Abraços e votos de contínua clareza, como sempre.

Marise Jalowitzki
Porto Alegre - RS - Brasil





Plinio de Arruda Sampaio é presidente da Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA
Foi um dos fundadores do PT - Hoje, no PSol
 

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Terça, 21 de dezembro de 2010, 08h17

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4853582-EI17081,00-Porque+o+nosso+povo+nao+se+rebela.html

Porque o nosso povo não se rebela?

Plínio de Arruda Sampaio
De São Paulo (SP)


Os telejornais estão cheios de noticias das rebeliões que estão acontecendo na França, Inglaterra, Itália e Grécia. Multidões de funcionários públicos, trabalhadores, agricultores, caminhoneiros, ocupam as ruas, bloqueiam estradas, ocupam edifícios públicos em protesto contra cortes em seus direitos.

Por que aqui não acontece o mesmo, sendo que os cortes são muito maiores?

Dois fatores explicam a passividade da nossa gente.

O primeiro deles é a terrível repressão policial sobre os insurgentes. Desde a Inconfidência Mineira, o povo sabe que a repressão dos revoltosos é seletiva: os figurões da conspiração foram deportados; o sargento de milícias foi enforcado, sua cabeça exposta ao público e o terreno da sua casa salgado para que nada jamais voltasse a nascer ali.

Em 1964, os deputados, senadores, governadores, políticos importantes e pessoas poderosas foram cassados e tiveram seus direitos políticos suspensos. Mas, o patrimônio deles não foi tocado, sua família sempre pôde vir ao Brasil, passada a cassação todos tiveram seus direitos restabelecidos e, muitos receberam polpuda indenização. Os líderes camponeses que se rebelaram foram todos assassinados.

O povo observa essas coisas.

O segundo fator da conformidade chama-se "cultura do favor". Roberto Scharwz tratou desse assunto com maestria. Segundo ele, durante os trezentos anos de escravidão, só havia dois grupos sociais organicamente ligados à produção e, portanto, à obtenção de renda (monetária ou sustentada pelo trabalho). Os demais grupos (negros alforriados, mulatos, cafusos, profissionais sem patrimônio, brancos pobres) só tinham duas maneiras de sobreviver: ou por meio de atos ilícitos ou pela proteção de um poderoso.

Surgiram daí o capanga; o mumbava; o cabo eleitoral.

A cultura do favor é uma ética da gratidão. O marginalizado, no sentido daquele que vive à margem dos direitos sociais, que recebe um favor do poderoso está moralmente obrigado a devolver esse favor, a fim de se sentir uma pessoa digna.

Esta cultura atingiu não somente o pobre, mas também o poderoso. Porque sempre há alguém mais poderoso de quem se necessita uma providência - um favor.

Num livro admirável, Ligia Osório de Souza demonstrou que a elite dominante brasileira desenvolveu uma técnica legislativa destinada a evitar que a lei seja aplicada imparcial e universalmente. Toda lei brasileira tem preceitos vagos e confusos para possibilitar o casuísmo. O casuísmo é o favor.

Conta-se até mesmo a anedota do cidadão que pediu um favor a um senador e quando este respondeu-lhe que não podia atender por ser ilegal respondeu: "Mas é por isso mesmo que estou recorrendo ao senhor; se fosse legal, eu protocolaria no balcão da repartição". No Brasil, no balcão só os pobres sem padrinho.

Pois bem, uma população totalmente sem esperança de conseguir que seus problemas sejam resolvidos contentou-se com migalhas e identificou na figura do Lula o poderoso que lhe faz um favor. Seu dever moral é retribuir esse favor e o meio de que dispõe para isto é o voto.

Não adianta nada demonstrar que o governo Lula está metido em falcatruas e que as migalhas distribuídas não resolvem o seu problema. Se dever moral é retribuir o favor.



Plínio Soares de Arruda Sampaio, 80 anos, é advogado e promotor público aposentado. Foi deputado federal por três vezes, uma delas na Constituinte de 1988, é diretor do "Correio da Cidadania" e preside a Associação Brasileira de Reforma Agrária - ABRA


Fale com Plínio Arruda Sampaio: plinio.asampaio@terra.com.br


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sábado, 18 de dezembro de 2010

REAJUSTE DOS SALÁRIOS DEPUTADOS E SENADORES - Você acredita em Manifestos Populares?



reajuste dos parlamentares - insanidade

REAJUSTE DOS SALÁRIOS DEPUTADOS E SENADORES - Você acredita em Manifestos Populares? -

Por Marise Jalowitzki
18.dezembro.2010
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/voce-acredita-em-manifestos-populares.html

Publiquei neste blog, o Manifesto do Marineiro Afonso (http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/12/reajuste-dos-salarios-deputados-e.html) contra o indecente reajuste dos salários dos deputados e senadores (10 vezes acima da inflação).

Amigos, o Brasil diz não, com certeza! Exceto as famílias e amigos daqueles que foram beneficiados.

Agora, no que, realmente, movimentos como esse resolvem?

Para o povo, os eleitores, é sempre uma possibilidade de conscientização do que continua acontecendo e quais as possibilidades de mudança neste deprimente quadro de impunidade e insensatez.

Por parte dos parlamentares e demais envolvidos, sorrisos irônicos e complacentes dos que usufruem da imunidade de uma política rasa.

Quem faz diferente, até agora, neste país, é o PSOL e seus integrantes. Eles votam contra e toda a bancada pertencente a este partido repudia publicamente o ato. Outros, além de não se manifestar, também se abstém de votar, Mas, uma vez aprovado, silenciam. Acabam recebendo igual. Faz diferença? Claro que não!
 É só um "deixar passar e usufruir igual"!


Plinio de Arruda Sampaio, do PSOL
  Plinio de Arruda Sampaio vai à midia e declara que é "OBSCENO" o aumento concedido.

Por favor, se alguém souber de manifestos do PV, de repúdio público, de recusa em aceitar o aumento, me informem. Desejo muuuito estar desatualizada e poder corrigir.


Ziraldo
 Lembro dos chilenos, em plena década de 70 e seus panelaços no escuro, contrários ao regime e repudiando o governo que "fazia sumir" todos os que contrários fossem.

Agora, aqui? 

Sinceramente, não vejo outra solução a não ser cobrar dos que foram eleitos, cada eleitor cobrando daquele em quem depositou seu voto.

Cobrando e, sempre que possível, auxiliando com textos como este do Amigo Afonso, para que o parlamentar defenda os interesses de seus eleitores em plenária. Se é ouvido, não sei. Aqui no RS, no 1º mandato do Lula, passei meses enviando e-mails para a Maria do Rosário. NUNCA recebi uma resposta.

Lembram da sugestão do Amigo Marineiro Márcio Fialho, propondo a criação de uma Lei que ele chamou de Código de Defesa do Eleitor? (publicado neste blog em http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/10/codigo-de-defesa-do-eleitor.html ).

Ainda não sei de nenhum parlamentar, nem do PV nem de nenhum outro partido, que tenha acolhido e levado adiante a idéia.

Compromisso

Ações populares, tipo "Justiça, Justiça!" só recebem o sorriso irônico daqueles que, ao final do mês, irão abocanhar as vultuosas quantias amealhadas às nossas custas.

Ao longo do tempo tenho sugerido à Marina Silva, em minhas humildes contribuições, a adoção de uma postura mais firme frente a certos desmandos. Creio não ser de seu perfil e, aí, entendo.


Marina Silva
 Particularmente, não aceito como pode participar da ceia de despedida ao presidente, mesmo que entenda seus argumentos. Empaticamente, tentando fazer um rapport com o perfil de Marina, creio mesmo que ela seja assim, sempre querendo evitar o conflito. Embora já tenha visto posições suas bastante firmes, fortes e incisivas.

Só que, em meio a toda esta podridão e descalabro que somos obrigados a assistir, ao longo do tempo, não creio que atitudes paleativas, que permitam tramitar em todos os segmentos, vá trazer algum efeito concreto, pelo menos a curto prazo.

Logo após a anunciação do aumento, o presidente da república lamentou:
"Só para o Lulinha não vem nada de aumento!" - Li na web, pelo provedor Terra, depois não consegui mais localizar. Por alguns instantes, ainda a manchete anunciava a mesma frase, mas, ao clicar, aparecia outra reportagem! Você duvida que ele tenha dito isto? Claro que não! O mundo em que eles vivem é outro, é o mundo de "28 milhões de brasileiros que passaram para a classe média"! (Alguém sabe qual o número de filiados ao partido governista?)

Os manifestos são de suma importância, como todas as formas de conversas e divulgação. É isso que proporciona a conscientização popular.
Parabéns Afonso.

Quais serão nossos próximos passos?

Marise Jalowitzki
Escritora e cronista
http://www.compromissoconsciente.blogspot.com/
Porto Alegre-RS - Brasil