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segunda-feira, 16 de junho de 2014

ESTE ROSTINHO TE ASSUSTA - A menina foi expulsa do restaurante por incomodar as pessoas com sua aparência


Uma menina de três anos com rosto operado após ataque de três pitbull foi expulsa de um restaurante nos Estados Unidos por “assustar os clientes” com sua aparência.

ESTE ROSTINHO TE ASSUSTA? A menina foi expulsa do restaurante por incomodar as pessoas com sua aparência!

Por Marise Jalowitzki
16.junho.2014
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2014/06/este-rostinho-te-assusta-menina-foi.html


Mais um caso de exclusão! Hipocrisia social! Mundão de aparências, sempre tentando esconder por debaixo do tapete aquilo que devia lhe doer na alma e fazer trabalhar em prol de um planeta melhor!

Victoria Wilcher foi brutalmente atacada por 3 cães pitbull, perto da casa de seu avô. Socorrida às pressas, felizmente conseguiu sobreviver. A mãe da pequena Victoria, logo que pôde, tentou reinserir a criança à sua vida normal. Levou a linda menina para um restaurante da KFC, tão logo a pequena conseguiu se recuperar do ataque que poderia ter lhe custado a vida! Com os curativos e uma linda máscara frente ao olho que perdeu, a menina estava se alimentando com um canudo (tubo) quando o garçom se aproximou e pediu que as duas se retirassem, pois estavam "incomodando os demais clientes"!!!

Ninguém quis saber o que aconteceu, ninguém se solidarizou com a pequena e sua brava mãe, ninguém clamou por melhor segurança e uma campanha em prol dos donos de cães que foram fabricados para atacar! Tudo o que aconteceu foi: "Vamos tirar da nossa frente, pois assim podemos fazer de conta que não existe!"

Imediatamente após o episódio, a mãe de Victoria, Kelly Mullins, postou em uma página de apoio a sua filha no Facebook uma nota de protesto contra a KFC. A publicação traz uma foto da criança sorrindo com os dizeres: “Esse rosto te assusta?”.

Esta loucura dos adultos em querer um mundo-cor-de-rosa, perfeito, sem dramas ou problemas é uma das doenças mais tenebrosas que já acometeu os seres humanos! E se alastra de forma inquietante e avassaladora!

Assim também agem muitos pais e mães que querem, a todo custo, que seus filhos sejam "iguais aos outros", aos educadores que querem um pelotão homogêneo sentado à sua frente, assim quer a nossa sociedade que não hesita em modificar, tentar aprimorar tudo (física, emocional e mentalmente). Sim, trabalhar pelo melhor é louvável! Mas impor e, não dando certo, excluir, NÃO!

Os meninos em Recife

Lembro das ocasiões em que estive em Recife - PE, em congressos de RH. Por alguns anos, meninos de aparência muito pobre entravam nos restaurantes e pediam comida aos clientes. Mesmo quando me decidi a repartir um tanto do que havia em nossa mesa, o garçom se aproximou e ME disse:
"- Aqui é proibido dar esmolas, senhora!" e, empurrando os meninos pelo braço, colocou-os para fora! Simples assim! Naquelas ocasiões saíamos também nós do restaurante, levando os alimentos e dando aos guris lá fora. Depois, nunca mais vi meninos entrando nos restaurantes. Acaso a fome passou? Claro que não! Reforçou-se a "segurança"!

Tudo no mesmo rol: A FALTA DE COMPAIXÃO!

O que todos estes relatos tem em comum? A falta de compaixão! As pessoas não querem ver, pois ver as obriga a tomar uma atitude, a fazer diferente e é isso que elas não querem! Enquanto o egoísmo for a tônica das relações humanas, fazendo com que cada um queira ver tão somente quanto consegue segurar para si, esconder para si, fingir para si, as coisas continuarão assim, plenas de sofrimento e dor!

Renegar a presença de uma linda criança como a Victoria, um sorriso querido e maravilhoso, um exemplo de aceitação e superação é uma maldade que, como tantas outras, só fazem denegrir a espécie humana!

Se não sentem compaixão e empatia pelo AMOR, que seja pela dor! E que dor maior pode sentir um empresário sem caráter do que perder dinheiro?
Que este belo gesto (pleno de sofrimento e decepção, sim!) da mãe da pequena Victoria, "botando a boca no trombone" e repercutindo ao mundo todo sua indignação, possa servir de alerta a muitos outros egoístas, para que abram seu coração!

Eis o que coloquei lá no link no facebook:
Parabéns, mamãe Kelly Mullins, pelo apoio e amor incondicional à tua pequena e linda Victoria! (depois que houve a divulgação, puderam pedir desculpas? Consciência humanitária só quando sentem no bolso?) Estamos solidários com sua querida e linda filhotinha! Divulgando!
Marise Jalowitzki
Porto Alegre - RS - Brasil

PARTICIPE E DIVULGUE VOCÊ TAMBÉM!!

Link para curtir a página no Facebook:
https://www.facebook.com/victoriasvictories?fref=ts

(O Salmo diz: Deixe tudo e louve a Deus!")

O que foi publicado no O Globo:

"Uma menina de três anos com rosto operado após ataque de um pitbull foi expulsa de um restaurante nos Estados Unidos por “assustar os clientes” com sua aparência. O caso aconteceu na cidade de Jackson, no Mississippi.

Semanas atrás, Victoria Wilcher tinha sido atacada por três cães da raça pitbull perto da casa de seu avô. Ela perdeu totalmente a visão do olho direito, quebrou a mandíbula, o queixo e o nariz, além de ter cortes profundos nas bochechas.

Dias depois, após se recuperar de procedimentos cirúrgicos para recuperar parte da face, Victoria saiu com a sua mãe para jantar em um restaurante da rede de “fast food” KFC. Após ter de tomar chá gelado e ingerir purê de batata por um tubo, a menina foi interpelada por um funcionário do estabelecimento, que pediu para que as duas se retirassem do local. O motivo, segundo ele, era que a cena estava “incomodando” outros clientes.

Imediatamente após o episódio, a mãe de Victoria, Kelly Mullins, postou em uma página de apoio a sua filha no Facebook uma nota de protesto contra a KFC. A publicação trazia uma foto da criança sorrindo com os dizeres: “Esse rosto te assusta?”. Kelly desabafou ainda jurando nunca mais pisaria em um restaurante do grupo e ainda enviaria uma reclamação diretamente ao dono da rede. O post já foi compartilhado por mais de quatro mil pessoas e recebeu cerca de cinco mil “curtidas”.

Diante da repercussão do caso, a rede de restaurantes emitiu um comunicado também em seu perfil na rede social, pedindo desculpas à família de Victoria e informando que doaria U$ 30 mil para a recuperação da menina. Uma investigação também foi aberta para apurar o episódio.

Victoria Wilcher ainda deve passar por outros procedimentos cirúrgicos para recuperar parte da face.
(oglobo.globo.com/sociedade/menina-com-rosto-operado-apos-ataque-de-pitbull-expulsa-de-restaurante-por-assustar-clientes-12876831#ixzz34pHt2VJj)


E QUE ESTE TRISTE EPISÓDIO SIRVA DE ALENTO A MUITAS MÃES QUE AINDA NÃO TEM CORAGEM DE EXIGIR O DIREITO DE SEU FILHO EXISTIR, SER ACEITO E SER FELIZ!

Artigo replicada em vários outros sites, entre eles:
- JMA - Jornal Meio Ambiente (Curitiba)
Por Marise Jalowitzki -- Compromisso Consciente 
Eu fiqueiiiiiiiiiii chocada com tanta violência!!! (do ser HUMANO!!!!!!)
Amiga da natureza,
Parabéns pela campanha educativa!
Luciana Ribeiro
http://www.jornalmeioambiente.com/materia/7702/-este-rostinho-te-assusta-a-menina-foi-expulsa-do-restaurante-por-incomodar-as-pessoas-com-sua-aparencia


Também na Revista EcoLógica (Goiania)
http://www.revistaecologica.com/este-rostinho-te-assusta-menina-foi-expulsa-restaurante-por-incomodar-pessoas-com-sua-aparencia/   

Marise Jalowitzki
Compromisso Consciente

Escritora, Educadora, Blogueira e Colunista
Idealizadora e Coordenadora do Curso Formação para Coordenadores em Jogos e Vivências para Dinâmica de Grupos,
Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela FGV,
Facilitadora de Grupos em Desenvolvimento Humano,
Ambientalista de coração, Vegana.
Certificada como International Speaker pelo IFTDO-VA-USA
marisejalowitzki@gmail.com 
compromissoconsciente@gmail.com 



Livro: TDAH Crianças que desafiam 
Como Lidar com o Déficit de Atenção e a Hiperatividade na Escola e na Família
Contra o uso indiscriminado de metilfenidato - Ritalina, Ritalina LA, Concerta

Para conhecer mais e adquirir, acesse: 
TDAH Crianças que Desafiam - Como Lidar com o Déficit de Atenção e a Hiperatividade na Escola e na Família









quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Halloween




HALLOWEEN

Marise Jalowitzki

Crianças sobem as escadas com seus rostos mascarados
Desfigurados
Crianças se assustam vendo a projeção de sua máscara
No outro
Máscaras horríveis
Facas atravessadas
Sangue-batom-pasta-de-tomate escorrendo
Importaram o Halloween!
Adultos fantasiam os pequenos
E não mais se assustam
Nas projeções de si
No outro.

A noite é fria e anuncia chuva.

Chegamos ao lar
E na entrada do edifício
Um rapaz-sem-cara-de-droga
Está em pé
Comendo com as mãos um pedaço de carne.
Não nos olha
Compenetrado em saciar sua fome
Cumpliciado pela noite
Escuridão que mais lhe pertence do que a nós.

Linguagem forte.

Abaixa-se e, com a mão,
Pega um punhado de arroz cozido que traz em lata que fora de tinta.
Come bastante
Forra-se
Para, depois, levar o resto à casa
Onde, por certo, outros tantos estão à espera.

Vamos embora enquanto ele continua comendo
Levando nossa impotência
Teria sido melhor ter lhe oferecido algum dinheiro?
Estava tão solenemente compenetrado em seu jantar
Pareceu mais respeitoso permitir nosso silêncio
Nossa não-intromissão.
Terá sido melhor assim?
Creio que sim!
Ele parecia tão absorto!

O céu riscando raios, coriscos
A noite foi, a noite toda,
Chuvas e trovoadas
Talvez para lembrar aos que dormem
Que é preciso afastar do mundo
A verdadeira bruxa
Cujo nome é Fome.



Marise Jalowitzki
Compromisso Consciente


compromissoconsciente@gmail.com
Escritora, Educadora, Ambientalista de coração, 
Coordenadora de Dinâmica de Grupos,
Especialista em Desenvolvimento Humano,
Pós-graduação em RH pela FGV-RJ,
International Speaker pelo IFTDO-EUA

Porto Alegre - RS - Brasil

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Violência no Rio: Chacinar não é solução!


Violência no Rio: Chacinar não é solução!
Marise Jalowitzki

Já são 33 os mortos desde  o início da onda de violências no Rio de Janeiro, onde o BOPE tenta reprimir a ação dos traficantes que dominam as favelas há décadas.

Resolveu-se, agora, tomar uma medida radical e emergencial: "varrer" os traficantes das áreas dominadas.


O tráfico se arrasta há décadas, tráfico de drogas e de armas. Qual o maior? Qual o pior? Qual o mais impactante? Um reforça o outro. A arma intimida e confere poder. Poder é o que os traficantes precisam para se manter como donos, para obter o silêncio da população.

Repreensão é o caminho? Talvez neste momento. Talvez neste estágio. O nível de repreensão,o grau de violência que irá marcar a intervenção, é que, esperamos, continue sendo com o menor número de "abates" possível. Trinta e três mortes já é um número triste e apavorante. Pois as ações acontecem em meio ao "cotidiano" de cidadãos que trabalham, tem seus filhos no colégio e tudo o mais.

Mas, certamente, repreender, matar, chacinar, expulsar, nunca resolveu nada. Lembram como há poucos anos o Bush anunciava a todos que havia "exterminado" os talibãs? Estão aí, mais fortes que sempre. Em 2007, no mesmo complexo do Alemão, assistimos à chacina. Só serviu para fortalecer o tráfico.

O problema social existe. Quando observamos as tristes fotos, vemos rostos e corpos jovens, rapazes que nasceram em meio ao tráfico, conviveram com a droga, com as armas e com o estado de marginalização desde que vieram ao mundo. Suas crenças foram moldadas na dura realidade da exclusão.

Que fizeram as autoridades, década após década? Panos quentes, empurrar com a barriga, colocar a sujeira por debaixo do tapete. Minimizar o problema.

Agora, Brasil e Rio de Janeiro mais uma vez manchete para o mundo todo, creio que as autoridades querem, efetivamente, dar um "Basta!" na situação, e "acabar" com o cenário de guerra que acompanha a beleza natural do Rio de Janeiro. Será que a "limpeza" vai resolver? Caso as políticas públicas não forem implementadas com rapidez e precisão, provando efetiva inclusão social, com certeza, a resposta é: "Não!"

O que se estará dando é "um tempo" para que pobres crianças de hoje se tornem os novos líderes do tráfico daqui há poucos anos.

Marise Jalowitzki
Escritora e Consultora organizacional
Porto Alegre - RS - Brasil
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Link relacionado: O que fazer com os bandidos? Super população carcerária -   http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/o-que-fazer-com-os-bandidos-trafico.html


sábado, 12 de junho de 2010

O MALUCO


O MALUCO

Marise Jalowitzki


- Ontem eu vi uma cena bizarra! Fiquei até meio assim, sem saber o que pensar!
- Que amarra! Enfim, que foi?
- Tá vendo aquela casa, aquela? Em uma outra janela passou mais um rapazote pedindo comida.
- Verdade?! Que novidade! E ganhou?
- Ganhou! Pegou o saquinho de papel,
dentro havia um pastel
Se afastou sem dizer nada
cabeça baixa
sorrindo um riso matreiro
foi indo, indo
e ali, ó, naquele coqueiro,
Se abraçou no tronco inteiro
E riu, riu, um riso largo, grande,
alto
deslizou até o asfalto
abrindo os braços
segurando o saco de papel.
Ficou ecoando o riso, um riso que era só dele,
nós nem sabemos criar um tal riso
- Claro, 'tamos cheios da “normal-idade”.
- O rapaz era negro [claro]
Devia ser maluco [raro?]... pra rir daquele jeito... perfeito
A boca quase sem dente [evidente]... o perfil que já sabemos...
Acenou co'o rosto a alegria agradecida
a esmola recebida!
Gritou em seu gesto mudo
a falta
a escassez
o direito
tudo
tudo resumido em um pastel!

Sentou-se logo ali
continuei olhando e vi
quando abriu o saco de papel
comeu tudo - era só um pastel -
Quando acabou
Largou o saco
E saiu andando
caminhando seu destino já traçado.
- Ensina bem mais do que podemos aprender! Desapego, agradecimento, reverência!
- Bem mais que isso! Chama o compromisso que teimamos em não ver.
- É, eu fiquei pensando! Nem sabia o que pensar!
- Tente!
- Parecia que ele falou bem mais do que muita gente!
- E, tudo, de novo, apenas na reflexão?
- Como assim?
- É, bem assim. Tem um outro ali, ó, no chão, embaixo do plástico. Deitado, dormindo.
- Vamos lá ver???
-
-
-
-
-

Escrevi este poema para instigar a reflexão de cada um sobre o seu fazer efetivo frente a todos os processos de exclusão social que vivenciamos todos os dias.

Tomei por base a visão de um rapaz, aparentemente "maluco", mendigo, "morador de rua" como se diz agora, que, após receber uma esmola, um pastel, mostrou-se extremamente sorridente e grato. Seus gestos espontâneos, até mesmo alienados da realidade circundante, tendenciam para a gratidão que todos devemos ter para com o que recebemos, com aquilo que já temos.

E, também, remetem para a necessidade de uma ação mais efetiva de cada cidadão. O risco maior é quando as pessoas insistem em "se acostumar" e inserem estes quadros dentro da paisagem "normal", acreditando que nada mais pode ser feito.

Há muitas pequenas ações que cada um pode realizar. Quais as suas?

Abraços a todos!


Link deste post: http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/06/o-maluco.html


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MARISE JALOWITZKI é escritora, consultora organizacional e
palestrante internacional, certificada pela IFTDO-USA, pós-graduação
em RH pela FGV-RJ, autora de vários livros organizacionais.
marisejalowitzki@gmail.com
Porto Alegre - RS - Brasil
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terça-feira, 1 de junho de 2010

PESSOAS FAZEDORAS E NÃO-FAZEDORAS


PESSOAS FAZEDORAS E NÃO-FAZEDORAS
Marise Jalowitzki


Vamos comentar sobre o fazer e o não-fazer?


Poderíamos dizer que as pessoas são classificadas em FAZEDORAS e NÃO-FAZEDORAS. Classificação é sempre uma coisa ruim, pois ressalta as diferenças, conferindo o risco da marginalização e da exclusão. Ao mesmo tempo, possibilita o entendimento, o aprendizado e, consequentemente, o lidar melhor com as diferentes personalidades.

Muitas pessoas preocupam-se com o FAZER MUITO. Vamos refletir um pouco sobre essas funcionalidades.
O que significa FAZER MUITO?
- Horas ocupadas?
- Numerosos compromissos?
- Cansaço excessivo ao final do dia?
- "Não ter tempo pra nada"?

Sim, as pessoas que podem se inserir neste grupo, FAZEM MUITO. O importante, porém, é conseguir avaliar QUAIS OS RESULTADOS CONSTRUTIVOS de todo esse movimento. Pois desgaste demasiado, excessivo, é inútil, acaba acarretando loucura, stress. Se não antes, pelo menos ao alcançar a velhice. Infelizmente, muitos acabam morrendo antes, seja por doença ou ataques fulminantes.

FAZER CONSTRUTIVAMENTE engloba estar bem, física, emocional e mentalmente. Tudo isso. E ainda mais. Pois tem a ver com os reflexos que tais atos produzem nos outros, naqueles que são atingidos por essas ações, incluindo o meio ambiente.

Assim, FAZER é um ato conjugado que pode não estar ligado necessariamente com QUANTIDADE e, sim, com QUALIDADE.

Já a existência do time dos NÃO-FAZEDORES ocorre, quase sempre, pelo dedo em riste de um terceiro, apontando para o outro. É, sim. Podemos encontrar indivíduos que trabalham dois turnos, que enfrentam coletivos todos os dias, que se empenham em manter seu crédito "limpo", pagam suas contas, cuidam de seus filhos e, ainda assim, são cobrados por parentes ou pela associação comunitária de que participam; sentem-se culpados por não "estar ajudando" entidades, pessoas, o planeta... Gente! O que fazem é MUITO.


Nesse nosso mundo pleno de calamidades e desajustes, alguém que, simplesmente, não onera o mundo com suas lamúrias, já é um VENCEDOR!


Também, neste time, encontramos pessoas doentes, sejam doenças psíquicas ou físicas, que estão desmotivadas, sentindo-se vítimas do destino, considerando apenas a deficiência ou o impedimento a que estão sujeitos, desperdiçando uma oportunidade grandiosa de aprender sobre a adaptabilidade a uma realidade não desejada; uma oportunidade ímpar de tentar novos caminhos criativos, que podem ser bastante simples e que começam por uma visão mais serena dos dias a passar. Aqui é FUNDAMENTAL a participação, a cooperação e o apoio das pessoas que estão próximas, que participam do convívio diário. "Empurrar para a frente" jamais pode ser sinônimo de cobrar, culpar, apontar, fazer o outro se sentir culpado ou inútil. As ferramentas são sempre do apreço, da validação, o elogio, o reforço, o incentivo. Ao invés de cobranças, estar ao lado, estar presente, contribuir para que ele se sinta tranquilo, aceito.


Exemplos disso encontramos no alcoolista, ou no usuário de outras drogas, que, na tentativa de ficar em casa à noite, liga a tv para assistir a todos os programas que aparecem. A mãe, impaciente, chega na porta e sentencia: "Vai dormir, noite é feita pra dormir!" Esta é uma premissa que funciona para pessoas que, rotineiramente, possuem um bioritmo adaptado. Um usuário de drogas está em seu limite. Nada nele é previsível. É um esforço inglório querer "arrancar" dele um funcionamento comum. MUITO melhor deixá-lo passar a noite em claro, pedindo para que mantenha um volume de som tolerável, do que arcar, depois, com o ônus de uma recaída e suas desastrosas e tiranas consequências.


Ainda neste time podemos, facilmente, encontrar muitos idosos que acreditam que sua vida não serve mais para nada. Mudam os papéis sociais, a família passa a lidar com eles de um modo diferente, muda o tratamento na conhecida hierarquia familiar e social e vem a sensação de "passado", de inutilidade. Nem todos possuem energia, vitalidade e ânimo para encetar novos rumos e enfrentar novos desafios, conquistar patamares referidos por outros. É TÃO importante que cada um consiga identificar DENTRO DE SI o quanto fez, reconhecer a beleza de haver chegado até esta idade, mesmo com inúmeras quedas. Quem não as tem?

Vivemos em um mundo que adora esconder suas mazelas, ao mesmo tempo em que, se forem as mazelas dos outros, esse mesmo mundo adora execrá-las, expondo ao máximo cada detalhe. Assim se instala o medo de errar, de "fazer feio", o que, aliás, já vem desde a infância.

Certo dia estava em um grupo de convivência quando um senhor, recém aposentado, dizia estar feliz com a nova etapa, de poder "mandar em seu tempo" e fazer as coisas simples que nunca tivera tempo, antes, de fazer. Paralelamente, trazia um grande sentimento de culpa por estar "fazendo tão pouco" e confessava estar se sentindo inútil. A moderadora simplificou com uma frase: "Se até o Estado reconhece o seu trabalho e lhe remunera todo mês por isso, como sentir-se inútil? Uma grande etapa já foi vencida e o senhor precisa se parabenizar por isso!"

Aceitar-se é o primeiro passo para obter mais serenidade interna.

Em meu livro "Vivências para Dinâmica de Grupo - A Metamorfose do Ser em 360 Graus" (pág 125 a 128), incluo um capítulo que denominei de O Ato de Voar e o Controle do Vôo, onde, além de outras considerações, transcrevo os diferentes estágios pelos quais passa o inseto que, em sua idade adulta, chamamos de borboleta. A Vida é feita de estágios. Em muitos casos acontece assim:

PRIMEIRO ESTÁGIO - o ser está mudo, deixa-se levar pelas circunstâncias, parece adormecido, apenas reage. Obedece a padrões e não questiona sua qualidade de vida. Acredita que "tudo é assim mesmo" e que não lhe resta nenhum outro caminho a não ser cumprir. Imóvel. Ovo.

SEGUNDO ESTÁGIO - começa a perceber o mundo a seu redor e as diferenças falam mais alto do que as semelhanças. Estágio de insatisfação.
- "O que tem de diferente nos outros?", "POR QUE ele tem e eu não tenho?" - pode se instalar a inveja;

- "O QUE ele(a) tem que eu não tenho"? "EU mereço mais do que ele(a)" - vem o ciúme;

- "Quero pra mim!", "é tudo pra mim!" - se instalou a cobiça. Este estágio é desgastante, matriz de muitos sofrimentos, onde o indivíduo sente desvalia e olha mais para o lado do que para dentro de si, revoltado. Arrasta-se. Lagarta.

TERCEIRO ESTÁGIO - Levado pelas circunstâncias, nem sempre favoráveis e após um determinado nível de sofrimento, começa a perceber e entender o quanto recebeu de bom, o quanto pode ser feliz com aquilo que [já] possui e inicia o sagrado (e, a mais das vezes, bastante difícil) movimento de agradecer. Ensaia sentimentos de perdão, a si e aos outros, reconhecendo os tropeços, a ignorância e o valor de tudo isso em seu aprendizado. É uma fase de reflexão e aceitação. Casulo.

QUARTO ESTÁGIO - sente que pode realizar ações produtivas em prol de sua própria felicidade e do bem comum. Sente NECESSIDADE de realizar algo além daquilo que já vem fazendo.

Assim como no caso da borboleta (ovo, lagarta, casulo e, finalmente, borboleta - animal alado), cada um de nós transita em um estágio diferente. Na maioria das vezes, alguns estágios se mesclam. Todos são válidos. Todos levam à evolução.


Conselho: Se o seu dedo está em riste para o outro, por favor, recolha-o! Há tantos outros dedos, de sua própria mão, apontando para você!

Feliz dia a todos!

Abraços a todos!

Link deste post: http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/06/pessoas-fazedoras-e-nao-fazedoras.html
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MARISE JALOWITZKI é escritora, consultora organizacional e
palestrante internacional, certificada pela IFTDO-USA, pós-graduação
em RH pela FGV-RJ, autora de vários livros organizacionais.
marisejalowitzki@gmail.com
Porto Alegre - RS - Brasil
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