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sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O falido modelo carcerário brasileiro e o que está por trás da violência extrema das facções

Violência extrema continua e se intensifica em todo o país. (Crédito da Imagem: Reuters)



Marise Jalowitzki
16.agosto.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/08/o-falido-modelo-carcerario-brasileiro-e.html


A coisa mais evidente do crescimento das facções criminosas no Brasil reside no fato de se misturar presos de altíssima periculosidade com garotos que estão iniciando a vida no crime. Muitos destes, sequer foram processados e-ou julgados. Estão lá, aguardando pelo processo (ou julgamento) e recebendo diariamente 'lições' de como se aprimorar no crime, como aumentar seu poder junto aos opositores, de facções rivais.

Isto foi amplamente divulgado por Drauzio Varella, após o massacre em Carandiru, quando 111 detentos foram cruelmente mortos (Há relatos de detentos comentando que este número seria a metade do que realmente aconteceu).Lembro até hoje da capa da Veja ostentando uma parte de cena que mal e mal dava a noção da violência impetrada. Ali houve intervenção dos agentes penitenciários, de tropas de choque, o sangue corria aos borbotões escada abaixo. Tudo documentado em um livro do autor e médico, que atendia os encarcerados e pôde, com toda propriedade, trazer nuances diversas daqueles indivíduos. Depois, o livro se tornou filme, ganhou premiações internacionais.

Agora, após o massacre em Altamira, no Pará (29.julho.2019), onde, em uma investida sobre os encarcerados de uma facção sobre a outra rival (no mesmo presídio), 58 foram cruelmente mortos, as cabeças dos 16 decapitados expostas em uma superfície de saco de lixo, uma das cabeças serviu de bola de futebol para os autores ostentar em video nas redes sociais. Mais 4 foram  estrangulados durante o trajeto, dentro do caminhão que os transportava para outro sistema prisional.

A questão da superpopulação carcerária já tem décadas. Ao comentar com uma pessoa sobre, ela respondeu: "O sistema deixa acontecer estes massacres, que é uma forma de 'esvaziar' as cadeias". Outro comentou: "Há relatos dos familiares de que a diretora da casa penal juntou as facções pra esse fim." O próprio (primeiro) vídeo 'oficial' mostra dois detentos rivais correndo em direção às celas onde se encontravam os que seriam atacados e mortos. Hediondo. Cruel.

O número de presos cresceu 700% em 25 anos, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional - Depen .

Em muitos presídios os detentos são aglomerados por região, isto é, são tomadas como referências os endereços! Misturam-se todos, independente do grau de periculosidade!



Não são centros de recuperação, são centros de recrutamento criminal.

Se o modelo prisional em nosso país não modificar, continuaremos a conviver com estas notícias de barbárie, onde jovens continuam morrendo, enquanto nossas leis continuam chamando de "ressocialização" o que, na verdade, é só encontro para arregimentar novos integrantes, numa verdadeira escola do crime. 

"O Brasil não consegue esclarecer nem 15% dos seus homicídios, mas segue superlotando cadeias com moleques favelados de 19 anos, e quer prender os de 15 também. É uma política caríssima e não apenas ineficiente: ela favorece a expansão das facções, todas nascidas e crescidas no sistema prisional. É uma política suicida, que nos joga num ciclo de mais e mais violência há 30 anos."

Com esta máxima Gabriel Feltran, diretor científico de Estudos da Metrópole e autor de diversos livros - entre eles 'Irmãos - Uma História do PCC', apresenta as razões do que há por detrás dos massacres em presídios brasileiros.


Violência extrema como forma de mostrar poder e força sobre a facção rival

"A crueldade fora do comum é difícil de compreender, mas tem um objetivo tático e não é exclusividade dos grupos criminosos brasileiros. Ao longo da história, a decapitação tem sido usada como forma de "desumanização" do oponente e estratégia de demonstração de poder.

A 'inspiração' das facções brasileiras para a predileção pela decapitação e o esquartejamento não viria, portanto, de uma gangue estrangeira específica, mas sim de uma simbologia consolidada pela história.


Expor a cabeça do inimigo funciona como símbolo de 'triunfo', o esquartejamento seria uma forma de manifestar a submissão total do oponente, os estupros são usados para humilhar e subjugar os rivais. Ou seja, são estratégias de demonstração de força."

Estas declarações fazem parte de uma interessante reportagem contida aqui: https://noticias.r7.com/cidades/cabecas-decapitadas-corpos-carbonizados-o-que-esta-por-tras-da-violencia-extrema-na-guerra-de-faccoes-04082019



Querendo, leia mais sobre o tema

Pobre de nosso país! “Eu vi a cabeça do meu filho dentro de um saco plástico!” Por que a violência cresceu tanto?

Altamira, de cidade pacata a uma das mais violentas do país, em menos de 10 anos. Falta de planejamento estrutural, foco só no capital a ser gerado para os mega grupos, dá nisso.



Querendo, leia também:
Ninguém está sendo pego de surpresa. Sim, os bandidos de alta periculosidade, e de facções rivais, não deveriam estar em mesmo complexo. Que dirá misturados aos delinquentes com histórico recente de furtos e-ou tráfico. Por que chamar de CENTRO DE RECUPERAÇÃO um lugar que não oferece nada que possa reintegrar?

Em 2010, o simples anúncio da obra de Belo Monte já atraiu cerca de 8 mil pessoas em busca de emprego para a cidade de Altamira, a maior da região. "Como ficarão os que não conseguirem emprego na hidrelétrica?" perguntava o Ministério Público.


E mais:

A história do ódio no Brasil - Só o Amor pode trazer a PAZ


Os que se propuseram promover a PAZ são seres como nós, não são santos, nem seres perfeitos, mas DECIDIRAM agir pelo BEM, ao invés de ficar criticando ou maldizendo.

Se tivesse nascido no Brasil, Gandhi não seria um homem sábio, mas um “bundão” ou um “otário” (Fred Di Giacomo, do Glück Project)

Leia na íntegra: http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2014/04/a-historia-do-odio-no-brasil-so-o-amor.html



Carandiru, Cruzes e o Tempo



Parque da Juventude, em São Paulo, onde antes ficava o complexo carcerário do Carandiru
Filme - Documentário com depoimentos, feito um ano antes da implosão dos prédios



Esta é uma publicação de 2010, de como se arrasta este modelo falido:

Superlotação faz juiz libertar 19 presos perigosos na Bahia
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4820074-EI5030,00-Superlotacao+faz+juiz+libertar+presos+perigosos+na+Bahia.html



 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista.  Mãe, avó. Cidadã. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:




terça-feira, 30 de julho de 2019

Pobre de nosso país! “Eu vi a cabeça do meu filho dentro de um saco plástico!” Por que a violência cresceu tanto?

Altamira, de cidade pacata a uma das mais violentas do país, em menos de 10 anos. Falta de planejamento estrutural, foco só no capital a ser gerado para os mega grupos, dá nisso.





Por Marise Jalowitzki
30.julho.2019
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/07/pobre-de-nosso-pais-eu-vi-cabeca-do-meu.html


“Isto não poderia ter chegado a este ponto, diz o bispo emérito do Xingu, Dom Erwin Krautler, amplo defensor dos Direitos Humanos. “Eu estou arrasado, as famílias estão destruídas. Até quando?”

Com um sistema prisional falido há muito tempo, perpetuam-se as superlotações, perpetuam-se as cenas de violência e o descaso e falhas absolutas em todo sistema prisional do país. De tragédia em tragédia, nada é feito para uma ação efetiva. Nem o presídio que deveria estar funcionando desde 2016, no Pará,  foi inaugurado. E a estes lugares inumanos, dá-se o nome de “Centro de Ressocialização”. Sempre de novo e de novo notificam-se as superlotações, o erro crasso, primário, em misturar delinqüentes juvenis com bandidos ‘escolados’, de alta periculosidade.


Em dois meses, mais de 100 mortos em prisões 

"Há cerca de dois meses, outro estado do Norte do país foi palco de um massacre de internos. Em 26 de maio, 15 detentos foram mortos em Manaus, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim. Um dia depois, as autoridades amazonenses encontraram outros 40 corpos, totalizando 55 internos assassinados. Em 2017, esta mesma unidade registrou o assassinato de outras 56 pessoas." (UOL)

Hoje, mais uma vez, os jovens mortos, que são os 'produtos' do sistema social recebem as lágrimas dos que ficam. Os familiares sem recursos para enterrar seus mortos estão sendo cadastrados pelo Ministério Público pra que possam receber o velório e o enterro coletivos. Quanto aos 20 carbonizados,  só daqui um mês a perícia vai conseguir os resultados para identificar por arcada dentária... Igreja e Ongs ajudam com suprimentos e atendimento médico aos que passam mal, pois, além da dor, as longas horas de espera frente ao IML, sob forte calor, sem alimento, sem dormir, faz muitos fraquejar.

“Eu vi a cabeça do meu filho dentro de um saco plástico!”, disse uma mãe, chorando. (UOL)

Ao ver as cabeças amontoadas no saco plástico preto, todas jovens, chorei também e rezei novamente um Pai Nosso em voz alta, como forma de enviar Luz em meio a tantas trevas. (Que pode fazer uma mulher como eu, além de divulgar o que sei, penso e sinto, além de orar? Muito me empenhei, com boas dicas de melhor viver, ao longo de meu trabalho profissional, por mais de 40 anos, em empresas, em escolas, em hospitais, em casa de abrigo para mulheres que sofrem violência, em centros de assistência social. Mais de uma vez perdi meus contratos (sabia que isto ia acontecer) quando denunciei ações cheias de maldades em algumas organizações, advindas de ‘superiores hierárquicos’. Fiz minha pequena parte. Tenho minha consciência tranquila.

Enquanto o nosso representante-mor, o ‘presidente’, declara; “vai perguntar pras vítimas dos que morreram o que eles acham. Depois eu falo.” – em mais uma declaração de amplo deboche e desprezo por tudo que deveria ser o foco de sua atenção, eu deixo aqui meu repúdio ao descaso, meu repúdio à maldade, meu repúdio ao desprezo, ao pouco interesse em sequer se debruçar sobre as causas fundamentais, que são: a falta de uma boa educação em tempo integral, alimentação, saneamento básico, mais chances de emprego.

Todos temas debatidos sempre, bandeiras deflagradas especialmente em tempos de eleição e, década após década, empurrados com a barriga para qualquer tempo indefinido.

Meu conforto a todas as mães que choram por seus filhos mortos, no Pará e em todos os lugares do mundo. 

Como coloquei em outro post: TODA CRIANÇA NASCE INOCENTE, CARENTE DE AMOR E ATENÇÃO, com as mesmas necessidades, seja nascido em lar abastado ou na mais absoluta miséria. O que esta criança vai aprendendo é o que capta do mundo que a rodeia, do entorno ao qual veio e ao qual passa a pertencer.



Mudar este cenário tão triste e desalentador está nas mãos dos que detém o poder formal. Nós fazemos ‘uma parte da nossa parte’ todos os dias, pagando nossos impostos. Mas, também, está na ação cotidiana de cada indivíduo, ao encontrar os desvalidos, diretamente atingidos pelo sistema falido e que são cada vez mais numerosos nas ruas e praças. 

Ser solidário com os que menos possuem, seja dando um sorriso ou alguma ajuda, estendendo sua mão para cada criança que está com as ‘gominhas’, perguntando: “quer comprar, tia?”. Que diferença faz ao bolso de quem dá uma pequena ajuda? E o quanto valoriza quem está vendendo, ao invés de roubar!



Hora do Rush em Altamira, há 10 anos. Hoje, nem estes prédios existem mais. 


Mas por que essa violência cresceu tanto?
"O boom econômico vivido pela região não foi acompanhado por investimentos no treinamento e fortalecimento das polícias e melhorias no sistema prisional. Cidades até então pequenas e pacatas cresceram muito, mas a infraestrutura policial e social não acompanhou", disse Thadeu Brandão, professor de sociologia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, em entrevista recente à BBC News Brasil.

"Por outro lado, a Justiça não se preocupou em combater as grandes redes criminosas. Ficou concentrada em prender pequenos traficantes, que vão para presídios em péssimas condições. Esses 'aviõezinhos', pequenos delinquentes, acabam sendo cooptados pelas facções e se tornam grande delinquentes", afirmou.


Além do crescimento econômico, as regiões também viveram uma mudança demográfica, que, em parte, pode explicar o aumento dos homicídios. As populações de adolescentes e jovens do Norte e do Nordeste são proporcionalmente maiores que as do Sul e do Sudeste - e, no geral, grande parte das vítimas de homicídio é composta justamente por pessoas dessa faixa etária.

"Muitos desses jovens, moradores de bairros pobres, são excluídos do mercado formal do trabalho e da educação superior", diz Roberto Magno Reis Netto, da UFPA. "Quando eles são presos, são colocados em locais mais precários ainda, as prisões. Suas opções ficam ainda mais reduzidas. O crime oferece condições melhores. Acho que o crime é uma escolha, mas esse contexto contribui muito para a entrada dessas pessoas." (R7)

Querendo, leia também:
Ninguém está sendo pego de surpresa. Sim, os bandidos de alta periculosidade, e de facções rivais, não deveriam estar em mesmo complexo. Que dirá misturados aos delinquentes com histórico recente de furtos e-ou tráfico. Por que chamar de CENTRO DE RECUPERAÇÃO um lugar que não oferece nada que possa reintegrar?

Em 2010, o simples anúncio da obra de Belo Monte já atraiu cerca de 8 mil pessoas em busca de emprego para a cidade de Altamira, a maior da região. "Como ficarão os que não conseguirem emprego na hidrelétrica?" perguntava o Ministério Público.



Serviram de Fontes:



Video Hora do Rush em Altamira - https://www.youtube.com/watch?v=JQV72TlrsNI

Em 01.agosto.2019 (dois dias após esta publicação, Estadão Conteúdo e Notícias ao Minuto abordam o mesmo tema abordado aqui: a explosão urbana sem a estruturação devida: https://www.noticiasaominuto.com.br/justica/996682/altamira-vive-explosao-de-assassinatos?utm_source=notification&utm_medium=push&utm_campaign=996682 - claro que o governo descarta esta tese.

Em 02.agosto.2019, Dom Irwin diz: "Altamira não cresceu. Inchou!... As mães estão chorando!"https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/07/nao-e-resposta-que-um-presidente-de-a-essas-familias-diz-bispo-de-altamira-sobre-bolsonaro.shtml

Querendo, veja também:

Belo Monte, Não!!! Hidrelétrica do Xingu é um atraso!

Amazônia Coração - Exuberante paisagem natural

 
Usina de Belo Monte


Interessantes matérias (reais e tristes) sobre o tema (editados pela BBC):
Em 10.agosto.2019
A Ascensão da Okaida, facção criminosa da Paraíba https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47942626?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D


Porque o RN é o pior estado para os jovens
https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2019/08/10/por-que-o-rio-grande-do-norte-e-o-pior-lugar-para-ser-jovem-no-brasil.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=noticias




Os mortos em Altamira - Todos nascem inocentes! Altamira, uma cidade pacata que foi invadida por Belo Monte

Ninguém está sendo pego de surpresa. Sim, os bandidos de alta periculosidade, e de facções rivais, não deveriam estar em mesmo complexo. Que dirá misturados aos delinquentes com histórico recente de furtos e-ou tráfico. Por que chamar de CENTRO DE RECUPERAÇÃO um lugar que não oferece nada que possa reintegrar?


Em 2010, o simples anúncio da obra de Belo Monte já atraiu cerca de 8 mil pessoas em busca de emprego para a cidade de Altamira, a maior da região. "Como ficarão os que não conseguirem emprego na hidrelétrica?" perguntava o Ministério Público.

Mais uma infeliz declaração de quem deveria dar uma resposta que englobasse alternativas e soluções: "Pergunte o que vítimas deles acham!" (Bolsonaro) Em franca declaração de que TODOS estão no mesmo estágio na criminalidade. O que não é verdade!


Por Marise Jalowitzki
30.julho.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/07/os-mortos-em-altamira-todos-nascem.html

Ontem, iniciei o dia rezando um Pai-Nosso contrito por todos os mortos, em especial estes 57 recentes que se foram na rebelião em Altamira. Sim, sei que a maioria vai criticar, pois traficantes e bandidos merecem morrer... e, se possível, de forma bárbara.... pois, afinal, eles são bandidos. Não é? Não, não é!

E antes que venham as críticas de “quero ver quando você for assaltada”... sim, eu também tenho medo deles, também já fui assaltada várias vezes, seja sozinha, seja em família. E a experiência foi terrível. Trauma que durou bastante tempo até suavizar um tanto.

Sim, também já perdi um ente querido assassinado, ação ocorrida em sua própria casa, e as doloridas lembranças não se esvaem, apesar do transcorrer dos anos.

Adianta, porém, alimentar o ódio? Adianta, porém, alimentar a sede de vingança?

Ao ver, mais uma vez, as mães em frente ao presídio, chorando, secando as lágrimas com panos simples, esperando para saber notícias de seus filhos, fiquei pensando nelas, que também levaram seus filhos no ventre por 9 meses, depois os amamentaram, criaram, depositaram esperança, amaram.

Toda a região do Xingu não era área de tantos conflitos, antes da chegada de Belo Monte. Como sempre, como acontece com toda esta política falida, de políticos falidos, nada foi pensado em termos de melhorar a infraestrutura das cidades atingidas. De uma hora pra outra vieram milhares de pessoas para trabalhar ou com as intenções as mais diversas. Aliciar os jovens, adolescentes cheios de ambição e vontades, acaba sendo a coisa mais fácil do mundo.

Nascer pobre, nascer rodeado de problemas sociais, viver em um mundo que exacerba o poder das aquisições materiais, ser convencido pelos adultos mal intencionados e desvirtuados, das restritas chances de sair da m... em que nasceram... milhares de garotos ambiciosos, “que querem ter as coisas” não resistem e se deixam influenciar, e partem para o crime. Outros, são encaminhados pelos próprios parentes adultos que os induzem ou forçam... mas, sem exceção, todos nascem inocentes, simples, sem entender nada do que são as leis do mundo, querendo aconchego, carinho e entendimento como todos.



Muito divulguei, à época, sobre a falta de estudos dos impactos sócio-ambientais. 

Nada, Nada é novidade.


"Impacto sem estudos aprofundados


"O Ibama está colocando a região em alto risco social e ambiental. Não houve nenhuma preparação estrutural para receber operários e máquinas e, muito menos, para a população que será atraída pelo empreendimento, sem chance de ser aproveitada na obra, direta ou indiretamente. Estamos muito preocupados com o que pode acontecer.” - declarou o procurador da República no Pará, Ubiratan Cazetta, ao saber da concessão da licença.

Segundo o periódico Diário do Pará, existem "estimativas extraoficiais de que o simples anúncio da obra em 2010 já atraiu cerca de 8 mil pessoas em busca de emprego para a cidade de Altamira, a maior da região. A atração populacional pode causar um colapso nos já precários sistemas de abastecimento, saneamento, saúde e educação"." 

Em 01.agosto.2019 (dois dias após esta publicação, Estadão Conteúdo e Notícias ao Minuto abordam o mesmo tema abordado aqui: a explosão urbana sem a estruturação devida: https://www.noticiasaominuto.com.br/justica/996682/altamira-vive-explosao-de-assassinatos?utm_source=notification&utm_medium=push&utm_campaign=996682 - claro que o governo descarta esta tese.

Em 02.agosto.2019, Dom Irwin diz: "Altamira não cresceu. Inchou!... As mães estão chorando!" - https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/07/nao-e-resposta-que-um-presidente-de-a-essas-familias-diz-bispo-de-altamira-sobre-bolsonaro.shtml


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