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quinta-feira, 12 de março de 2020

Coronavírus - Não acreditem nos que dizem que é só uma gripe. Não é! Não paguem o preço pra ver! - alerta jornalista brasileira que mora na Itália

"Essa semana o governo 'fechou' a Itália. Agora somos autorizados a sair apenas para trabalhar (os que ainda saem para trabalhar), fazer compras ou ir para o hospital. Nada mais. A natação e a capoeira das crianças estão fechadas, o dentista desmarcou a consulta do meu filho e sábado não vai ter o jogo do campeonato de futebol dele, a companhia aérea cancelou minha passagem para Madri, também não vai ter o show da Gal, a faculdade avisou que tampouco tem data para a próxima prova. As escolas já trabalham com a possibilidade de seguirem fechadas até maio.
O país inteiro fechou." - Juliana Monteiro, jornalista, morando há 6 anos em Roma -
(Foto: Pexels)




"Ninguém pode dar-se ao luxo de ser negligente. Acho que ficaremos com um aprendizado importante depois que tudo isso passar.

Também pela primeira vez testamos uma nova organização do trabalho. Ao mesmo tempo pessoas do mundo todo estão trabalhando de casa, empresas e repartições com carga horária e staff reduzidos. Talvez esteja sendo estabelecido um novo paradigma. Ainda não sabemos qual será o saldo, a história nos ensina que evolução nem sempre é progresso. Mas eu, que não posso evitar a esperança, acredito que tiraremos proveito desses dias de isolamento, quando não podemos sequer nos abraçar, tocar e beijar. E, apesar disso, acredito que esse vírus também possa desencubar a humanidade em nós.

Mas faremos esse balanço depois.

Por hora, lavem as mãos, ensinem as crianças, cuidem dos idosos e, se puderem, amigos, fiquem em casa. E mandem seus funcionários para casa. Não viajem. É preciso identificar e curar os que contraíram a doença antes que ela se espalhe. O vírus já está aí, no nosso Brasil, não o subestimem. Cobrem das autoridades, não acreditem em quem diz que é só uma gripe, - eu já fui essa pessoa - não é! Não paguem para ver: o preço é a vida dos mais frágeis entre nós. As teorias conspiratórias só distraem até que os médicos comecem a escolher quem, entre os necessitados, irão entubar. Até que morra a avó de um amiguinho dos nossos filhos. Até que o colega de trabalho safenado fique entre a vida e a morte numa UTI.

O momento não é de pânico, mas de cuidado e responsabilidade. E união e solidariedade. Estamos todos diante o mesmo desafio, meus caros, é preciso assumir esse compromisso.
Há um mês a China era longe; há três semanas, a Lombardia também era. Quando começou a quarentena eu também me revezava, junto com outras mães e pais, nos grupos de WhatsApp, entre o desespero de ter que encaixar as crianças, de repente, nos compromissos dos dias úteis e os memes - como nós, os italianos também reagem com bom humor às adversidades. Hoje, em Roma, já não podemos ignorar que o mundo diminuiu e que hoje somos todos vizinhos.

Desejo que meus conterrâneos não deem chance para a doença no calor de nossa terra.
Cuidem-se. Uns dos outros. Fiquem firmes. Sairemos melhores dessa.”

Juliana Monteiro, jornalista brasileira, mora no bairro de San Giovanni, de Roma, há seis anos e compartilhou o relato acima em suas redes sociais.


Aqui em Porto Alegre-RS, nas farmácias próximas, não se encontra mais álcool gel, máscaras e luvas descartáveis. População preocupada, já que nosso inverno é rigoroso.
Penso nos desvalidos e sobre quais as possíveis providências que a governança irá ter, especialmente aos moradores de rua.

Enquanto Itália e outros países destinam em média 180 bilhões para conter o colapso, nosso Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pleiteia a liberação de 5 bilhões e nosso governo chama pandemia de "fantasia"... 

Se estiver gripado, não vá a eventos, evite a aglomeração, diz o ministro.

"O Ministério da Saúde não manda em ninguém. O Brasil segue funcionando, as pessoas seguem andando em ônibus, por exemplo. Mas, o meu conselho é: se você está resfriado, não vá. Se for, busque não ficar em aglomerações, lave as mãos e use álcool em gel. Ontem o Maracanã recebeu 63 mil pessoas. Não deve ter sido uma entrada distanciada, seguindo os protocolos. Nós precisamos seguir as orientações", afirmou. 

Fechar as escolas e deixar as crianças com os avós não é solução, diz Ministro da Saúde. Com pais trabalhando fora, as crianças ficam com os avós, que são grupo de risco.

A taxa de letalidade do novo coronavírus na Itália se aproxima de 8%, acima da média global que tem sido em torno de 3,5%.
Isso se explica devido ao grande número de idosos que a Itália tem. Pessoas acima de 60 anos e com doenças crônicas são as principais vítimas do coronavírus.
Em todo o mundo, o total de casos de coronavírus chega a 127,8 mil, sendo 80,9 mil na China. A Itália é o segundo país mais afetado nesta pandemia. Mais de 68,3 mil pessoas se curaram da doença até agora. (https://noticias.r7.com/saude/italia-registra-mais-de-1000-mortes-pelo-coronavirus-12032020?utm_source=pushnews&utm_medium=pushnotification)

Leia o texto da jornalista brasileira na íntegra, vale a pena.
“Essa é nossa segunda semana de quarentena coletiva em Roma. Primeiro foram as escolas e muita gente passou a trabalhar em casa, deixar as crianças com os avós não é uma opção. Fomos orientados a não sair e evitar lugares fechados e aglomerados.

Até que essa semana o governo “fechou” a Itália.
Agora somos autorizados a sair apenas para trabalhar (os que ainda saem para trabalhar), fazer compras ou ir para o hospital. Nada mais. A natação e a capoeira das crianças estão fechadas, o dentista desmarcou a consulta do meu filho e sábado não vai ter o jogo do campeonato de futebol dele, a companhia aérea cancelou minha passagem para Madri, também não vai ter o show da Gal, a faculdade avisou que tampouco tem data para a próxima prova. As escolas já trabalham com a possibilidade de seguirem fechadas até maio.

O país inteiro fechou.

Nós também nos fechamos nesse novo arranjo doméstico porque eu ainda tenho que estudar, Gui (companheiro da jornalista) ainda tem que trabalhar e Gael, com oito anos, tem o cronograma da escola para cumprir. A professora tem nos orientado remotamente sobre o conteúdo de cada dia e nos vemos professores dos nossos filhos, às voltas com o neolítico e os verbos auxiliares. Não sei o que seria de nós sem o Google.

Anita, aos cinco anos, se encarrega de dar o toque de fim de mundo colocando a casa abaixo enquanto eu a mando deixar Gael terminar o compiti de italiano.

Passamos o dia de pijama. Vi uma vizinha receber o correio de luvas. Moro no quinto andar. Ninguém mais pega o mesmo elevador. Sobe um vizinho de cada vez, é o protocolo.

Fui ao mercado na quarta-feira. Na rua, as poucas pessoas usavam luvas cirúrgicas e, na falta de máscara, lenço ou cachecol cobrindo o nariz. Fila na porta, todos respeitando a orientação de manter distância uns dos outros, a entrada contingenciada, mais gente fora do que dentro do mercado. Cinco de cada vez.

Ninguém reclama.
Pela primeira vez em seis anos não sou a única com carrinho lá dentro. Os italianos, em geral, só compram o que podem carregar, mas agora estão fazendo dispensa e já faltam alguns produtos nas prateleiras. Um corredor para cada pessoa. Ninguém se esbarra, o alto-falante fica repetindo para respeitarmos a distância mínima. Na volta para casa, reparo o comércio fechado, os poucos cafés abertos espaçaram as mesas. Mas estão desertos.

Estamos todos isolados em casa.

Depois do anúncio da OMS decretando a pandemia, outros países começaram a adotar as mesmas medidas para deter o avanço do vírus que, por menos letal que seja, contamina tanto que mata muito. Na maioria dos casos, idosos e pessoas com imunidade baixa e doenças pregressas. Mas não só elas.

A flor no asfalto é a solidariedade. Não vejo, entre as pessoas de meu convívio, pânico de ficar doente ou medo pelas nossas crianças que, ao que parece, não são páreo para o coronavírus. Mas estamos todos cuidando de quem não tem defesas suficientes para ele. Eu cuido do morador de rua que dorme no frio, embaixo da marquise do meu prédio, das senhorinhas que cumprimento no mercado, do senhor da loja de molduras. E, aqui em Roma, essas pessoas viraram a prioridade de todos. Pensamos coletivamente numa onda de cuidado com o outro, esse desconhecido, que eu nunca tinha vivido antes. As crianças aprenderam a “tossir nos cotovelos” e o fazem até em casa. Foram ensinadas que são estratégicas para conter a ameaça.

É triste, mas também é bonito, sabem?

Como escreveu um amigo italiano, não há saída que não passe pela reconstrução paciente de uma resposta coletiva aos desafios. Talvez seja didático estarmos vivendo, todos, ao mesmo tempo, essa crise. Fica evidente que o engajamento de cada um de nós, pessoa a pessoa, é a melhor, se não a única, defesa diante a pandemia. Ninguém pode dar-se ao luxo de ser negligente. Acho que ficaremos com um aprendizado importante depois que tudo isso passar.

Também pela primeira vez testamos uma nova organização do trabalho. Ao mesmo tempo pessoas do mundo todo estão trabalhando de casa, empresas e repartições com carga horária e staff reduzidos. Talvez esteja sendo estabelecido um novo paradigma. Ainda não sabemos qual será o saldo, a história nos ensina que evolução nem sempre é progresso. Mas eu, que não posso evitar a esperança, acredito que tiraremos proveito desses dias de isolamento, quando não podemos sequer nos abraçar, tocar e beijar. E, apesar disso, acredito que esse vírus também possa desencubar a humanidade em nós.

Mas faremos esse balanço depois.

Por hora, lavem as mãos, ensinem as crianças, cuidem dos idosos e, se puderem, amigos, fiquem em casa. E mandem seus funcionários para casa. Não viajem. É preciso identificar e curar os que contraíram a doença antes que ela se espalhe. O vírus já está aí, no nosso Brasil, não o subestimem. Cobrem das autoridades, não acreditem em quem diz que é só uma gripe, - eu já fui essa pessoa - não é! Não paguem para ver: o preço é a vida dos mais frágeis entre nós. As teorias conspiratórias só distraem até que os médicos comecem a escolher quem, entre os necessitados, irão entubar. Até que morra a avó de um amiguinho dos nossos filhos. Até que o colega de trabalho safenado fique entre a vida e a morte numa UTI.
O momento não é de pânico, mas de cuidado e responsabilidade. E união e solidariedade. Estamos todos diante o mesmo desafio, meus caros, é preciso assumir esse compromisso.

Há um mês a China era longe; há três semanas, a Lombardia também era. Quando começou a quarentena eu também me revezava, junto com outras mães e pais, nos grupos de WhatsApp, entre o desespero de ter que encaixar as crianças, de repente, nos compromissos dos dias úteis e os memes - como nós, os italianos também reagem com bom humor às adversidades. Hoje, em Roma, já não podemos ignorar que o mundo diminuiu e que hoje somos todos vizinhos.

Desejo que meus conterrâneos não deem chance para a doença no calor de nossa terra.
Cuidem-se. Uns dos outros. Fiquem firmes. Sairemos melhores dessa.”
  


Fotos Pexels: 








Marise Jalowitzki é mãe, avó, sogra, irmã, tia, filha, neta, amiga, cidadã.Também é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas.Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano. Querendo, veja aqui







terça-feira, 7 de dezembro de 2010

RS lidera índice nacional de suicídios - AJUDE A PROMOVER A VIDA!





Rio Grande do Sul lidera índice nacional de suicídios -
AJUDE A PROMOVER A VIDA!

Por Marise Jalowitzki

VALORIZE A VIDA!
CURTA O QUE VOCÊ É!
VOCÊ É EXATAMENTE DO JEITO QUE DEVERIA SER!
ACEITE-SE!
ABRACE MUITO E VIVA FELIZ!

Não quis acreditar logo que li a entrevista, mas, é verdade: o Rio Grande do Sul lidera índice nacional de suicídios. Há cidades no interior do estado, como Candelária e Venâncio Aires, que apresentam os maiores e mais alarmantes números, aproximando-se dos índices ocorridos no Japão, país que historicamente está entre as maiores ocorrências de suicídio do mundo.
Por isso, apesar do tema ser constrangedor, estendo o convite para a leitura na íntegra da entrevista com o Dr. Ricardo Nogueira (2009). Também neste ano, em setembro (10 - Dia Nacional de Prevenção ao Suicídio), minha filha Dizy Star assistiu a entrevista em canal televisivo e me avisou.
Foi aquela entrevista que motivou o artigo "Natal e Suicídios", publicado neste blog no link:  http://t.co/Ez33QwY 
A proposta dos participantes do Programa é levar conhecimento, prevenção e tratamento às vítimas que sobreviveram, também aos familiares; além de solicitar o engajamento sério da população para a PROMOÇÃO DA VIDA!

O perfil dos suicidas
Já tentaram antes
Já procuraram atendimento e apoio, pelo menos 6 meses antes
Já fazem uso de algum medicamento ou drogadição
O que assusta é que a maioria dos suicidas são idosos e pessoas mais velhas, 90% são agricultores, pouco estudo e a maneira utilizada é morte por enforcamento.
No RS, uma média de três pessoas por dia tira a própria vida, número extremamente preocupante, principalmente se comparado ao resto do Brasil.
Segundo dados da Secretaria da Saúde, em 2009, 1108 pessoas cometeram suicídio no estado. Os profissionais enfatizam a necessidade de se falar mais sobre o tema, considerado tabu, como alguns outros (drogas, alcoolismo, homossexualismo, etc.), já que os números crescem, apesar do silêncio.Marise Jalowitzki


Entretanto, é preciso quebrar este silêncio de uma maneira que promova a vida, que é a maneira correta, educativa, salvadora.

Os meses de maior incidência são dezembro e janeiro, onde o número de suicídios entre os gaúchos supera o de homicídios. É uma época de festividades e balanço emocional, o que mexe sobremaneira com as emoções.

Há uma conclamação para que todos os que sentirem um quadro depressivo, uma imensa saudade, uma grande frustração, procurem apoio emocional, procurem ajuda, seja nos serviços de saúde, o Caps, a Unidade Básica de Saúde, com psiquiatras ou psicólogos, o que, na maioria dos casos, torna possível reverter a situação.

AJUDE A PROMOVER A VIDA!!!





Escritora e consultora organizacional
http://www.compromissoconsciente.blogspot.com/
Porto Alegre - RS - Brasil

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Link do órgão oficial de saúde:

Link contendo a transcrição da entrevista com o psiquiatra e pesquisador Ricardo Nogueira:
http://cuidandocuidadores.blogspot.com/2009/12/suicidios-no-rs-publicado-no-ihu.html

Suicidios no RS -publicado no IHU - Unisinos - Importante saber!
18/12/2009
''Os números de suicídios no Rio Grande do Sul assustam''. Entrevista especial com Ricardo Nogueira
Ricardo Nogueira é mestrando em saúde da família pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisa em Saúde Coletiva (CEPES) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e atua como médico psiquiatra.

IHU On-Line – Quais as peculiaridades do RS, em comparação aos outros estados brasileiros, no que diz respeito aos dados que o senhor apresenta sobre os casos de suicídios?

Ricardo Nogueira – O que mais chama a atenção é o número de casos. O Rio Grande do Sul, em relação ao Brasil, tem um número muito maior de suicídios que os outros estados.
Existem três cidades com os maiores níveis do mundo, e existem pequenas cidades que têm números muito maiores. O que assusta é que, até hoje, o número de suicídios é maior entre os idosos e as pessoas mais velhas, mesmo havendo uma diminuição de suicídios nesta faixa etária e um aumento entre os mais jovens. Em Porto Alegre, os números têm nos assustado muito porque a maior incidência é entre os jovens na faixa dos 15 aos 29 anos.
Na avaliação que fizemos, há uma progressão epidemiológica e uma tendência crescente nos números. Isso nos deixa muito preocupados. Analisamos esses números com epidemiologistas, técnicos e com profissionais da nossa área que dizem exatamente o que nossa pesquisa aponta: que há uma urgência de se ter um programa de prevenção ao suicídio.

O que temos até agora são constatações e diagnósticos, então nós temos que partir imediatamente para o combate. E fazer isso como foi feito na Suécia, Dinamarca, Noruega, Hungria e em Israel, aplicando-se inquéritos, pesquisas e entrevistas com sobreviventes, aqueles que tentaram suicídio e não conseguiram, e entre seus familiares, porque se constatou que o
suicídio é um problema familiar, existem famílias que têm essa tradição do suicídio.
Quase 100% dos pacientes que foram ao óbito através do suicídio procuraram ajuda uns seis meses antes na rede, nas Unidades Básicas de Saúde, nos Capes, em consultórios particulares, em serviços de emergência ou pronto-socorros.
O problema é que falta um treinamento, e, por isso, estamos propondo e criando um manual de prevenção ao suicídio para ser aplicado a nível dos agentes comunitários de saúde, dos profissionais das Unidades Básicas, dos Capes e dos hospitais, ou seja, em toda a rede, não só na de saúde, mas na rede de segurança.

Muitas vezes, os bombeiros, a Brigada Militar e a Polícia Federal é que são chamados para dar esse atendimento. É preciso também um treinamento na área social, nas secretarias de assistência social e na área de educação, pois, os sintomas aparecem na escola, nas atitudes dos pacientes.
A maioria dos pacientes que vão ao óbito através da tentativa de suicídio já está em algum tipo de tratamento médico, já teve alguma doença psiquiátrica ou é viciada em álcool e drogas, como o crack.
Inclusive, Porto Alegre, e Curitiba, são as duas capitais do Brasil onde aumenta cada vez mais o número de suicídios entre jovens, na faixa etária dos 15 aos 29, uma faixa que chama a atenção por causa do uso dessas drogas. Estamos sofrendo no Rio Grande do Sul uma epidemia do uso do crack, então ainda não temos uma comprovação científica fidedigna. Nossa pesquisa vai partir para esse viés também, para analisar a associação da droga com o suicídio. Queremos aprofundar isso.

Temos outro problema por sermos vizinhos do Uruguai, um dos países que tem mais suicídio no mundo. Inclusive foi lá o Congresso Mundial de Prevenção ao Suicídio onde apresentamos nosso trabalho. Há um chamado contágio nas cidades fronteiriças e é preciso se pensar nisso. Dizemos que o trabalho de prevenção ao suicídio é de uma vida toda.

IHU On-Line – E que tipo de ajuda o suicida quer?

Ricardo Nogueira – As pessoas têm algumas dificuldades. Por exemplo, na nossa pesquisa, existem dois dados que não aparecem em nenhum outro tipo de investigação, são os dados que conseguimos através da Secretaria de Segurança, que tem um banco de dados excelente. O que chama a atenção é que essas pessoas que se suicidaram, um grande número delas, eram vítimas ou tinham feito boletins de ocorrência contra outras pessoas.


Não é normal, por exemplo, uma pessoa ter vinte ocorrências de delitos ou transtornos no trânsito. Ter um transtorno, uma multa ou um boletim de ocorrência, é normal, mas vinte, trinta ou quarenta, não é.

Estas pessoas estão com dificuldades na sua vida pessoal, afetiva ou econômica, e procuram uma solução. Muitas vezes, na cabeça da pessoa, o suicídio seria uma saída para acabar com seu sofrimento. A pessoa não suporta mais a situação que está passando e acha que a única saída realmente seria morrer.

O que estamos apontando é um treinamento para as equipes médicas de saúde e da área social, terapeutas e enfermeiros, e todas as equipes multiprofissionais, para que possam propor e ofertar o atendimento, o acolhimento e o tratamento desse paciente.

Nossa ideia é trazer esses instrumentos, aplicados na Suécia, Noruega, Hungria e Israel, que foram traduzidos para o português e estão validados no Brasil.

Temos alguns desses instrumentos que foram validados em Campinas, em São Paulo, e o trabalho de pesquisa lá mostrou que diminuiu em cinco vezes o número das tentativas de suicídio.

As pessoas que têm uma ideação suicida fazem várias tentativas, na maioria das vezes, elas não morrem na primeira. O intuito desse instrumento é fazer com que a pessoa prorrogue o tempo o máximo possível entre uma tentativa e outra. O mais comum é uma pessoa tentar o suicídio hoje, e, se não for bem sucedida, tentar novamente em trinta dias, se não for bem sucedida, novamente, provavelmente irá tentar dentro de 180 dias, seis meses. Então, nesse interregno, é óbvio que ela precisa ter tratamento, tem que ter cuidado e a prevenção a novas tentativas.
Aí eu digo e afirmo que há tratamento às tentativas e prevenção.
Outra constatação: o risco maior é entre pessoas que já tentaram anteriormente e em pessoas que têm familiares que já cometeram suicídio. Nosso foco fica menor, e então se pode trabalhar focado naquelas pessoas que têm um maior risco.

IHU On-Line – Quais foram os quatro municípios estudados e porque esses municípios foram escolhidos para essa pesquisa?

Ricardo Nogueira – Foram Santa Cruz do Sul, Candelária, Venâncio Aires e São Lourenço do Sul. Foram escolhidos porque são municípios com uma população média, pela questão logística e pela incidência e prevalência. Entre os quatro, temos Candelária e Venâncio Aires, que têm índices de suicídio entre os maiores do mundo, e eles ficam próximos um do outro. Para nós, isso dá uma facilidade logística para se deslocar, reunir as equipes e capacitá-las. Fizemos um projeto piloto e, a partir dele, vamos, para mais quatorze municípios, totalizando em dezoito municípios.

IHU On-Line – Que localidades têm registrado maior índice de suicídio?

Ricardo Nogueira – Conforme as pesquisas, são as cidades de Venâncio Aires, Canguçu, São Lourenço do Sul, Candelária e Santa Cruz do Sul onde têm ocorrido variações, há uma diminuição e, em seguida, um repique. Isso pode ocorrer em distorções. Por exemplo, essas são as quatro cidades em que fizemos a nossa pesquisa e o projeto piloto, são as que apresentam
maiores níveis, no entanto, quando se analisa na série histórica, uma análise de dez anos, constatamos que a cidade com maior índice de suicídios no Rio Grande do Sul é Santa Rosa.
Santa Rosa é a cidade que aparece na análise dos dez anos, mas, se formos analisar, no ano passado e no retrasado ela não aparece. Por exemplo, na lista das cinquenta cidades que têm mais suicídios no Brasil, dez são do RS, mas aí não aparece São Lourenço.Só para se ter uma ideia, em São Lourenço do Sul, uma cidade que possui entre 15 e 20 mil habitantes, tem mais suicídios ou um número semelhante a todos os suicídios de Belém do Pará, que é uma cidade do tamanho de Porto Alegre. Então, temos de ter muito cuidado com esses números por causa das distorções, mas essa situação no RS realmente chama atenção.
Conversei com o Secretário Estadual de Saúde, Dr. Osmar Terra, colocando para ele, dentro desses números, a emergência. Estamos com a proposta de continuar a pesquisa em mais quatorze municípios do RS que também apresentam números altos de suicídio, para que possamos, assim como em países europeus e Israel, que reverteram e, hoje, têm números negativos, trazer esses instrumentos que foram usados lá e aplicar aqui.

IHU On-Line – Na pesquisa que o senhor participou, qual o perfil dos suicidas?

Ricardo Nogueira – Em nossa pesquisa, a maioria são pessoas casadas. Antigamente, apareciam mais pessoas solteiras, separadas ou viúvas. 90% dos casos de
suicídios são entre brancos, 90% são agricultores, e, em São Lourenço do Sul, também aparecem pescadores.
A grande novidade da nossa pesquisa são os dados que recebemos da Secretaria de Segurança, de que as pessoas que se suicidam têm um número muito grande de ocorrências policiais como autoras ou vítimas. Um número muito grande, mais de 60% já estava tratando de doenças mentais ou usavam medicamentos psicotrópicos continuados, já tinham tentando suicídio anteriormente e tinham membros diretos de sua família que já haviam cometido suicídio.
O perfil que concluímos é que são trabalhadores rurais, brancos, católicos, casados e com nível baixo de ensino. A grande maioria, entre 60 e 70% se matam por enforcamento e dentro de casa, principalmente. A pesquisa, que foi feita junto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural – EMATER, tem outro viés que levanta a questão do fumo e dos organofosforados [1]. Estão querendo que seja aprofundada a pesquisa nesta área para comprovar, ou não, que esses elementos são responsáveis pelo suicídio. Porém, mesmo que isso seja comprovado, nossa visão é para que haja uma prevenção ao uso do tabaco e dos organofosforados.

IHU On-Line – É possível prevenir o suicídio?

Ricardo Nogueira – Claro, sem dúvida. Nossa proposta concreta é a criação dos grupos de sobrevivência. São grupos com pessoas que tentaram suicídio e familiares. Através do grupo, pode-se fazer com que haja uma sensibilização da pessoa e também a questão da avaliação do próprio tratamento. Avaliar se o tratamento que está sendo feito é correto, pois, cada caso é um, e existem vários diagnósticos. Tem como fazer um tratamento para as tentativas de suicídios.
Vimos a questão dos jovens, e aí entram as cidades maiores. Os maiores números de suicídios de jovens estão em Porto Alegre, Passo Fundo, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Carazinho e Santo Ângelo, não nesta ordem.
Inclusive, tem uma pesquisa constatando em quais os meses ocorrem mais suicídios e quantos suicídios ocorrem a cada mês.
Os meses com maior incidência são dezembro e janeiro.
Queremos chamar atenção para que as pessoas procurem ajuda, seus serviços de saúde, o Caps, a Unidade Básica de Saúde, seu psiquiatra ou psicólogo, porque, tendo-se uma equipe capacitada e treinada, é possível reverter a situação.
IHU On-Line – E qual o papel da mídia em relação aos suicídios?

Ricardo Nogueira – Esse é um problema. Existe um manual de prevenção do suicídio para a mídia, foi feito pela Organização Mundial de Saúde. Neste manual, há um cuidado muito grande, principalmente para os jovens, que é colocado como contágio.
 Há uma visão que diz que, quando se fala em suicídio está se estimulando, só que precisamos rever esta questão. É o mesmo que achar que, ao se falar em droga, estaria estimulando o consumo. Entendemos que o suicídio é uma realidade que está aí e, para ser combatida, tem que ser revelada.
Temos que divulgar isso. Claro que precisamos ter um cuidado de como colocar a questão. Uma orientação seria, ao invés de suicídio, falar da promoção da vida. Mas há uma contradição, pois, sempre, em qualquer situação, há um outro lado, que, neste caso, é o estímulo de algumas mídias, como a Internet, uma área muito perigosa. Nesta área, existe uma capacidade apavoradora, pois, enquanto estamos querendo implantar um programa de prevenção ao suicídio, estamos com o Grupo de Valorização da Vida, que é um único, do outro lado nossos “inimigos” são imensos e não se tem noção de quantos sites existem que nos combateriam. Estamos sozinhos. Um contra uma gama imensa, e não se divulgam esses números porque daí sim estaria se estimulando. Já houve um caso famoso em Porto Alegre de um jovem que teve seu suicídio acompanhado passo a passo através desse tipo de mídia. Esta é outra questão delicada que requer um cuidado muito grande, pois a situação é muito maior e perigosa do que se tem noção.

Notas:
[1] Substâncias químicas extremamente tóxicas que contém carbono e fósforo, sendo geralmente obtidas através do uso de sais orgânicos do ácido fosfórico.

VALORIZE A VIDA! CURTA O QUE VOCÊ É! VOCÊ É EXATAMENTE DO JEITO QUE DEVERIA SER! ACEITE-SE! ABRACE MUITO E VIVA FELIZ!



Alto índice no Estado pede atenção de profissionais de saúde e da imprensa


Mais sobre o tema na página de links, neste blog:

Direito à Vida


Suicídio - O que leva uma pessoa a desistir


Por Marise Jalowitzki
10.janeiro.2012
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2012/01/suicidio-o-que-leva-uma-pessoa-desistir.html






Querendo, leia também:

Natal é momento de avaliação e 
redirecionamentos, de abraços e gratidão


Natal - Festas e Reencontros

07.dezembro.2011




Marise Jalowitzki
Compromisso Consciente


Escritora, especialista em Desenvolvimento Humano,
Ecologista, pós-graduação em RH pela FGV,
international speaker pelo IFTDO-EUA
Porto Alegre - RS - Brasil