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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Imóveis desocupados e Programa Minha Casa, Minha Vida - Resultado de Censo - 2011: Cortes no PAC


Imóveis desocupados e Programa Minha Casa, Minha Vida - Resultado de Censo - 2011: Cortes no PAC

Por Marise Jalowitzki
13.dezembro 2010
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2010/12/casas-vazias-e-programa-minha-casa.html

Sempre tive o freio de mão puxado em relação ao Programa Minha Casa, Minha Vida.
- As habitações construídas em áreas distantes de onde os trabalhadores tem suas atividades
- Por deixar a desejar em questões de infraestrutura, inclusive do entorno
- Por não haver uma supervisão condizente para quem, efetivamente, são destinadas as moradias
- Por serem construídas em cimento e concreto, sem levar em conta a questão da poluição, sem utilizar materiais ecologicamente corretos
- Por continuar com contratos eternos, com as empreiteiras "conhecidas", sem dar espaço para as novas tecnologias limpas.


E, principalmente, pela questão do abandono de tantos imóveis vagos que estão pipocando em todo o país, sem uma política de incentivo para ocupação.


Esse tema chegou a ser aventado pelo então candidato Plinio Arruda, sendo rechaçado pela então candidata e agora eleita presidenta Dilma.


Com a confirmação, também pelos órgãos governamentais, da contenção de todos os investimentos previstos para 2011, "desacelerando" o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento - não será o caso de retomar a pauta e reconsiderar a questão?


Sim, pois com todos os imóveis vazios que há no país, atrasos possíveis em pagamento de IPTU, abandono e falta de conservação, seria unir o útil ao necessário, resolvendo mais de um problema ao mesmo tempo.



Tem-se agora o resultado do Censo 2010 sobre o número de Casas Vazias: são pouco mais de 6,07 milhões de domicílios vagos, incluindo os que estão em construção.


Essa quantidade supera em cerca de 200 mil o número de habitações que precisariam ser construídas para que todas as famílias brasileiras vivessem em locais considerados adequados, que hoje representam 5,8 milhões.




A resposta do Ministério das Cidades, porém, não foi nada alentadora. Repetiu, apenas, o que já foi propagado anteriormente:
- que o governo federal criou no ano passado o programa Minha Casa, Minha Vida visando a reduzir o déficit habitacional brasileiro em 1 milhão de unidades.
- não comentou a diferença entre o número de imóveis vazios e a demanda por moradia no País.
- que a construção de 816 mil casas já foi contratada.
- que 40% serão destinadas a famílias com renda mensal até R$ 1.395.


Ponto.






Seja para equilibrar situações, seja para resolver situações extremas como esta da foto é preciso fazer acontecer.


Quem vê um ser humano morando em um bueiro, por exemplo, pode considerar uma exceção, uma "coisa de louco", um "morador de rua", um "vagabundo", mas não é sempre assim, assim apenas, não.


Principalmente nas grandes capitais é cada vez maior o número de pessoas que, para ficar próximo à sua ocupação (geralmente catadores de lixo reciclável), se sujeitam a viver em qualquer ambiente.



São pessoas que se submetem a essa situação degradante durante cinco, seis dias por semana e, ao final de semana, vão juntar-se à sua família, que mora um pouco mais decentemente, em um bairro distante.O bueiro é mais seguro do que o viaduto.

Nos viadutos é preciso estar em grupos, grupos que se protegem: enquanto uns dormem, outros vigiam, para fugir de assaltos, ataques e, muitas vezes, assassinatos, como os que ouvimos recentemente em Alagoas e que, agora, de um dia para o outro, tudo silenciou novamente. Com certeza, o problema não foi resolvido. Apenas saiu da mídia.

Qual o parlamentar que há de querer desfraldar esta bandeira?

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora organizacional
http://www.compromissoconsiente.blogspot.com/
Porto Alegre - RS - Brasil

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Links relacionados, neste blog:
Programa Minha Casa, Minha Vida
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/porque-nao-sou-adepta-ao-programa-minha.html

http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/construtoras-campanha-eleitoral-e-minha.html

http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/minha-casa-minha-vida-luz-solar.html

http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/planejamento-urbano-e-construcao-civil.html

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Leia a notícia:

http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4838950-EI306,00-Censo+numero+de+casas+vazias+supera+deficit+brasileiro.html

 Censo: número de casas vazias supera déficit brasileiro
11 de dezembro de 2010 • 11h37


Existem hoje no Brasil, segundo o Censo 2010, pouco mais de 6,07 milhões de domicílios vagos, incluindo os que estão em construção.

O número não leva em conta as moradias de ocupação ocasional (de veraneio, por exemplo) nem casas cujos moradores estavam temporariamente ausentes durante a pesquisa. Mesmo assim, essa quantidade supera em cerca de 200 mil o número de habitações que precisariam ser construídas para que todas as famílias brasileiras vivessem em locais considerados adequados: 5,8 milhões.

Esse déficit habitacional foi calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) com base em outro levantamento do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O déficit soma a quantidade de famílias que declaram não ter um teto, que habitam locais inadequados ou que compartilham uma mesma moradia e pretendem se mudar. Não leva em conta as famílias que vivem em casas adequadas de aluguel.

O Censo mostrou que São Paulo é o Estado com o maior número de domicílios vagos. O número de moradias vazias chega a 1,112 milhão. Já de acordo com o Sinduscon-SP, são 1,127 milhão de famílias sem teto ou sem uma casa adequada. Portanto, na hipótese de que essas casas vagas fossem ocupadas por uma família, só 15 mil moradias precisariam ser construídas para solucionar o déficit habitacional do Estado.

Minas Gerais é o segundo Estado com o maior número de habitações vazias. São cerca de 689 mil. Se todas as 444 mil famílias que compõem o déficit habitacional de Minas estimado pelo Sinduscon-SP mudassem para uma das moradias vagas, ainda sobrariam 245 mil domicílios desocupados.

Para o arquiteto e urbanista Jorge Wilheim, ex-secretário de Planejamento da cidade e do Estado de São Paulo, não se pode afirmar que todas essas casas poderiam ser habitadas já. Muitas casas, por exemplo, são propriedades cujo valor não é compatível para atender à demanda das famílias que compõem o déficit habitacional.

De acordo com o Sinduscon-SP, 77% das famílias sem teto ou que vivem em locais inadequados têm renda mensal de até três salários mínimos (R$ 1.530 atualmente). Já 62% das famílias que dividem uma mesma moradia e desejam mudar estão na mesma faixa de renda.

Devido a isso, Wilheim entende que para resolver o problema de habitação do País são necessárias políticas públicas. Para ele, essas políticas poderiam estimular a reocupação de moradias vazias e, principalmente, as que estão abandonadas há anos.

"Precisamos de uma intervenção do poder público para desatar este nó (o déficit habitacional)", disse. ¿Tem que haver uma intervenção para desapropriar os imóveis que estão abandonados há muito tempo para sua reposição no mercado¿, completou.

Taxação

O coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi Pereira, defende que medidas como a taxação progressiva de imóveis desocupados poderia minimizar a situação.

Ele ainda citou que a cidade de São Paulo passa a cobrar o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) de imóveis considerados ociosos progressivamente a partir do ano que vem pode contribuir para a resolução do problema.

O imposto desses imóveis, que hoje varia entre 0,8% e 1,8% do seu valor, pode chegar a 15% com o passar dos anos. "Isso vai inibir a manutenção do imóvel vazio", disse.

O Ministério da Cidades, responsável pelas políticas de habitação do país, informou em nota que o governo federal criou no ano passado o programa Minha Casa, Minha Vida visando a reduzir o déficit habitacional brasileiro em 1 milhão de unidades. O órgão não comentou a diferença entre o número de imóveis vazios e a demanda por moradia no País.

Afirmou, porém, que a construção de 816 mil casas já foi contratada. Dessas, 40% serão destinadas a famílias com renda mensal até R$ 1.395.


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SOLUÇÕES EXISTEM. Que venha a vontade política!
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Minha Casa, Minha Vida Ganha Luz Solar




Minha Casa, Minha Vida Ganha Luz Solar
Marise Jalowitzki

11.novembro.2010
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/minha-casa-minha-vida-luz-solar.html

Não posso deixar de expressar minha decepção e, ao mesmo tempo, minha satisfação em saber que foi aprovada a instalação de luz solar em 1/5 das casas populares que serão construídas na fase 2 do Programa Minha Casa, Minha Vida.


Quem me acompanha neste blog, sabe o quanto torço para que a conscientização para o uso de energias limpas aconteça "ante-ontem". Mas, há que se reconhecer que 1/5 é um passo, diminuto, mas um passo.

Realmente, a paciência é um dom que precisa ser exercitado sempre e sempre.

Mudar crenças, idéias, visões e interesses foi e ainda continuará sendo, por um longo tempo, uma árdua tarefa.

Agora, o mais difícil, nisso tudo, sem dúvida nenhuma, é convencer alguém que está acostumado, há muito tempo, a ganhar muito dinheiro, a abrir uma brecha para que entre a Inovação.

Um caminho para o empreendedor, neste sentido, é a diversificação de ganhos, onde o empresário, fabricante, investidor, atue em vários segmentos, para que, de forma plural, receba em forma crescente o que considera (seu) lucro.


Mesmo assim, parece que deixar alguma máquina inoperante, em função de outra, ainda causa desconforto e angústia.

É assim que carros movidos a energia fóssil continuam sendo fabricados em larga escala, apesar do esforço dos que defendem o uso de energias limpas.

É assim com quem investiu em usinas termelétricas e hoje se vê ameaçado pela expansão da energia solar e eólica.

É assim com quem afere seus dividendo na concretagem, não querendo ceder espaço para materiais ecologicamente corretos.


Mas, mudar é preciso!

Quando se acompanha a tentativa de mudar o rumo da destruição e poluição para a sustentabilidade, fica notória a íngreme escalada.

Com relação ao Minha Casa, Minha Vida, Inês Magalhães, secretária Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, em 10 de abril de 2010, enfatizava a importância da energia solar nas novas unidades habitacionais do programa, mencionando que  a fase 2 contemplaria 2 milhões de moradias no Brasil com aquecimento por energia solar para famílias de baixa renda.

"- Você sabia que em menos de uma hora há energia suficiente para suprir toda a demanda que a população mundial utiliza em um ano? Que a energia solar é uma forma gratuita, não poluente e limpa? Em sintonia com essas boas práticas, o governo federal vai construir mais 2 milhões de moradias no Brasil com aquecimento por energia solar para famílias de baixa renda, segundo o previsto na segunda fase do programa Minha Casa, Minha Vida." - declarava ela, em abril.



Neste mês de novembro (4 e 5), durante a realização do seminário "Planejamento Urbano e Construção Civil Sustentáveis com Eficiência Energética para Áreas de Baixa Renda das Américas", realizado no Rio, Inês Magalhães anuncia que, dos dois milhões de moradias em todo o Brasil, fica acertado que serão de 300 a 400 mil moradias (apenas 1/5) a receber energia solar, somente na região Sudeste e Sul, e para aquecimento da água dos chuveiros.



Em um primeiro momento, fiquei desapontada. Meio triste mesmo, pois as condições climáticas estão a exigir ações bem mais decisivas.


E, logo nas regiões norte e nordeste, onde há mais sol, por mais tempo ao ano e onde, também, há o maior número de pessoas desprovidas, porque lá a energia será a "normal" - a hídrica? Triste! Se a diminuição da conta/mês é de 30 a 40%, porque não baratear para um número maior da população, que tanto precisa?..


Depois, processei:

É um começo. Lamentável que assim miúdo. Mas, um começo. Mais uma vez, fazer do limão... Assim... vamos comemorar!

Os equipamentos serão compatíveis com a medição individual de cada casa, que é uma providência para que o morador tenha consciência do quanto está gastando.




As placas de aquecimento solar que serão instaladas no telhados das casas têm entre 2 e 3 metros quadrados.

O sistema como um todo prevê um coletor solar e um reservatório térmico – onde a água fica aquecida.

A manutenção dos equipamentos será feita pelo próprio condomínio.


O aquecimento por energia solar significa uma economia entre 30% e 40% na conta de luz.

Temos muitos brasileiros já trabalhando neste setor, o que consolida mais um nicho de mercado.

SEGUINDO EM FRENTE!
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Links de artigos relacionados ao tema - Casas Populares, neste blog:
Referências:

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Seminário das Américas - Casas Populares


Seminário das Américas - Casas Populares


Planejamento Urbano
Construção Civil Sustentáveis
Eficiência Energética
Áreas de Baixa Renda das Américas

Neste mês de novembro (dias 04 e 05)  aconteceu o seminário “Planejamento Urbano e Construção Civil Sustentáveis com Eficiência Energética para Áreas de Baixa Renda das Américas”, no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. O Governo dos Estados Unidos da América e o Governo do Brasil apresentaram a especialistas em planejamento urbano e habitação, Projetos de Eficiência e Sustentabilidade do governo brasileiro para casas populares.


O seminário, que reuniu especialistas da América Latina, discutiu a sustentabilidade de moradias em áreas carentes.


Durante o evento, o governo norte-americano também lançou, em parceria com a organização não governamental Ashoka, o Prêmio Habitação Sustentável e Inclusiva, que dará até US$ 10 mil (cerca de R$ 17 mil) para pessoas que criem projetos de habitação sustentável (Aguarde detalhes neste blog).

Inspirado na “Parceria das Américas sobre Energia e Clima”, proposta pelo presidente Barack Obama na Cúpula das Américas, em abril de 2009, o governo brasileiro propôs uma iniciativa voltada para o desenvolvimento urbano em áreas de baixa renda na América Latina, com foco na eficiência energética.


O encontro que aconteceu no Rio de Janeiro teve como objetivo desenvolver uma rede de urbanistas voltada para o planejamento sustentável e construção civil com eficiência energética, além de dar continuidade às discussões realizadas no V Fórum Urbano Mundial, realizado no Rio, em abril deste ano. O seminário também lançou uma iniciativa colaborativa global para promover a eficiência energética nas Américas.


Em nome do Governo dos EUA estiveram presentes ao evento representantes dos Departamentos de Estado e de Habitação e Desenvolvimento Urbano. A delegação norte-americana foi liderada por Ana Marie Argilagos, Subsecretária do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano; Shalini Vajjhala, Subadministradora para Assuntos Internacionais e Tribais; Kevin Sullivan, Diretor de Política Econômica e Coordenação de Conferências para o Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado; Jeff DeLaurentis, Subsecretário para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado; e W. Paul Farmer, Presidente da American Planning Association.


Durante o encontro, a APA lançou o projeto de construção de uma rede educacional de urbanistas que conectará acadêmicos dos EUA aos participantes com objetivo de compartilhar experiências bem sucedidas. Para mais informações sobre esta iniciativa, confira o site http://www.ecpaplanning.org/


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Links de artigos relacionados ao tema - Casas Populares:
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/construtoras-campanha-eleitoral-e-minha.html
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/porque-nao-sou-adepta-ao-programa-minha.html
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Referências:
Governos dos EUA e do Brasil promovem encontro sobre planejamento urbano e construção civil -

Planejamento Urbano e Construção Civil Sustentáveis com Eficiência Energética para Áreas de Baixa Renda das Américas - http://www.ecpaplanning.org/

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domingo, 7 de novembro de 2010

Empréstimos e Doações - Quem Ganha? - Minha Casa, Minha Vida


Empréstimos e Doações - Quem Ganha? - Minha Casa, Minha Vida - Porque não sou adepta ao Programa
Marise Jalowitzki


Já houve um tempo em que o governo investiu muito em habitações para a população de baixa renda.

Pela década de 80, aqui em Porto Alegre, há trinta anos, portanto, aconteceram mega inaugurações de casas e apartamentos financiados (via CEF, FGTS e grupos, entre eles, Silvio Santos - Incorporadora Guerino); também as chamadas "casas populares" e prédios bem standart (via CEF, FGTS e COHAB).

Bairros e bairros pipocaram nas periferias, com casas populares e edifícios de apartamentos miúdos. As pessoas diziam "são feitos de papel", tão fininhas as paredes. O financiamento, até 25 anos.

Os moradores contemplados entravam lá. Ok, agora tinham um teto para se abrigar. Mas, não tinham móveis, não tinham com que pagar água, luz, primeiro a ligação de água e luz, nem alimento. E emprego, "de verdade"? Sim, pois inúmeros casos foram acertados em declarações de contadores (em um país sem fiscalização, sempre há o "jeitinho").

O que faziam nos tempos de frio? Rebentavam as portas e janelas, faziam "um foguinho" para se aquecer e, no outro dia, saíam a procurar compradores para suas aquisições.

Contratos de gaveta, ou "um dinheirinho por fora" e pronto. Íam procurar novos rumos. Há outros vários exemplos. Pouco mudou de 10 anos para cá. Desapropriam-se espaços, desativam-se moradias. Dali um tempo, volta tudo.


Programa Minha Casa, Minha Vida

Agora, o must é o programa Minha Casa Minha Vida. A figura da "Mãe" e novos macro investimentos em concreto, cimento e argamassa.

Porque não sou adepta do programa Minha Casa Minha Vida, do jeito como vem sendo implantado. Principalmente pelas questões ambientais. Com tantos projetos sustentáveis, a baixo custo, porque continuar estimulando a indústria do concreto, da argamassa, do cimento? Poluidores em potencial? E os milhões de imóveis usados que esperam por melhores políticas de incentivo para serem adquiridos pela população trabalhadora?

Além da própria questão 'geográfica", digamos assim, de programas desta natureza. Os filmes bastante semelhantes, anteriormente implantados, não erradicaram a miséria e, também, se propunham a isto.  Distantes das atividades e locais de trabalho, transporte escasso, infra estrutura frágil.



Minha Casa, Minha Vida (3 a 6 salários mínimos, 20% da renda como prestação, 30 anos para pagar), estimula empréstimos bancários (CEF) para compra de construções novas, especialmente construídas para este fim, sempre nos arredores, nos bairros mais distantes.


Quem ganha

Principalmente, os empreiteiros, as construtoras, os políticos. Cimento, argamassa, concreto, tudo novo. E poluidor. Para que as empreiteiras perpetuem sua liquidez protegida e garantida. Os políticos continuem com o aval de seus cargos e o planeta receba mais e mais poluição.

Além do que, pela distância com os pontos de emprego do mutuário, caso não haja incentivos conjuntos em relação ao transporte, as despesas permanecem em alta. Isto já se acompanhou em tantos outros programas.


O que um catador de lixo, por exemplo, vai fazer, morando em um bairro distante? Vai acontecer como sempre, a médio e curto prazo as pessoas dão um jeito de vender as suas casas e voltam para o centro ou bairros mais populosos, ocupando praças e viadutos, sendo alvo para os profissionais de tiro. A reciclagem, em um mundo cada vez mais sujo e descartável, é a "grande profissão emergente"... (Ainda faltam programas para muni-los de luvas, botas e avental para proteção.)

Agora temos Bolsa Família. Torço mesmo para que as coisas deem certo, que, ao mesmo tempo em que se construam as casas em locais distantes, também se acerte na questão de transporte, de infra estrutura, de empregabilidade, de profissionalização, sem falar em saúde e educação.

Taco a taco o endividamento aumentando a passos largos. O mais novo empréstimo do Bird (Banco Mundial) para o programa Bolsa Família, de R$ 343,8 milhões, começará a ser pago pelo Brasil só em 2015, tendo 30 anos para pagar...

Desde minha juventude sei que o terreno mais fértil para se plantar novas idéias são as crianças e os jovens. Novas idéias, em mentes"maduras, são muito mais difíceis de brotar e crescer.

A prova, estamos convivendo com ela. As cabeças que decidem os rumos de nosso país estão simplesmente direcionadas para ações conhecidas, parece pouco adiantar a tentativa de acenos com o novo. E os jovens de minha geração, assim como eu, já estão velhos (ou quase velhos, por mais que não aceitem). E viciados em velhos conceitos. E acomodados. Preguiçosos, mesmo, para mudar. E, às crianças de hoje, aos jovens de hoje, será que a eles restará tempo para efetuar a Mudança Necessária?



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Referências:

Construtoras doaram dinheiro a 54% dos congressistas eleitos -
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4778113-EI7896,00-Construtoras+doaram+dinheiro+a+dos+congressistas+eleitos.html

Governo consegue empréstimo de R$ 343,8 milhões para o Bolsa Família -
http://noticias.r7.com/economia/noticias/brasil-consegue-emprestimo-internacional-de-r-343-8-milhoes-para-o-bolsa-familia-20100917.html

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Cimento e Concreto financiaram campanhas de 54% dos políticos




Cimento e Concreto financiaram campanhas de 54% dos políticos 
Marise Jalowitzki



As ações convergem para onde vão os interesses.  

As construtoras ajudaram a financiar a campanha de 54% dos políticos que se elegeram para a Câmara e o Senado neste ano, segundo dados de levantamento feito pelo jornal Folha de S.Paulo, com base nas prestações de contas disponíveis no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


"O levantamento aponta que as construtoras mais que triplicaram o volume de doações na campanha de 2010, em relação a 2006". Só a dupla Aécio Neves (PSDB-MG) e Itamar Franco (PPS-MG), eleitos em chapa conjunta, receberam R$ 9 milhões de empreiteiras.


Cimento, argamassa, concreto. Os caminhos da insustentabilidade ou, como queiram, da sustentabilidade passageira, onde alguns ganham pra caramba, muitos e muitos ganham por um tempo e todos perdem em médio tempo.


- Os "alguns" são as construtoras, que enriquecem a passos largos neste país. E os políticos que, em reconhecimento ao apoio financeiro recebido, aprovam projetos de interesse com rapidez. Tudo para erradicar a miséria.


- Os "muitos e muitos" são a quase totalidade dos brasileiros que, alienados ao longo de séculos, continuam acreditando (convenientemente, necessariamente) que precisam de um "Pai" (agora, uma "Mãe") no governo para ajudá-los. 



E, extremamente gratos por poderem adquirir e financiar uma casa simples, em série, na periferia, com transporte escasso e frágil infra estrutura, num financiamento de 30 anos.


- E "todos", claro, nem precisa explicar. "Todos" somos nós, os carrapatos grudados na crosta terrestre que, insanamente, continuamos acreditando que somos donos deste planeta e que, "nada se cria, tudo se transforma". E que, portanto, não importa poluir, poluir e poluir, nada acontecerá de nefasto.


Ainda nesta semana escutei uma justificativa tão conveniente e descomprometida de um cidadão: "Não se preocupe, eles dão um jeito! Na hora "h" vai aparecer uma outra saída! Não viu como fizeram com o leite (em pó, longa vida)? Com os grãos, que, conservados, viraram farinha e duram até um ano? E com o plástico, que agora tão reciclando?" ... E continuou discorrendo, tentando [me] convencer de que estava tudo certo e de que eu é quem deveria sacudir e ser mais otimista.

Com certeza, as pessoas acreditam naquilo em que querem acreditar. E o descompromisso, para grande parte da população é a postura mais conveniente e acomodada.


Em um dos sites em que transcrevo meus artigos, quando foi para mostrar que, efetivamente, o governo vendeu ações da Petrobras em setembro, um dos leitores escreveu o seguinte comentário: "Não importa. O povo não acredita. E isso é o que importa!" ...!


E é assim!
Quando os interesses individuais estão acima dos interesses coletivos, aí, os argumentos de sustentabilidade, de preservação ambiental, de conexão entre todas as partes (e interferências destas entre si) parece discurso vazio. É o quadro que estamos vivendo.


Tantos e tantos projetos disponíveis para a construção de casas ecologicamente sustentáveis. E não falo apenas dos mega projetos sustentáveis, com casas lindíssimas, inacessíveis para a nossa realidade popular. Falo de projetos sustentáveis de baixo custo.

Casa feita com garrafas pet

Basta uma ação inovadora. Uma decisão.

E, os milhares e milhares e milhares de imóveis usados que, estrategicamente, estão em melhores posições geográficas, um plano responsável para incentivar a aquisição desses imóveis, pela população que necessita de um empréstimo a longo prazo.


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Referências:
Construtoras doaram dinheiro a 54% dos congressistas eleitos -
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4778113-EI7896,00-Construtoras+doaram+dinheiro+a+dos+congressistas+eleitos.html

Governo consegue empréstimo de R$ 343,8 milhões para o Bolsa Família -

http://noticias.r7.com/economia/noticias/brasil-consegue-emprestimo-internacional-de-r-343-8-milhoes-para-o-bolsa-familia-20100917.html
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