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sábado, 16 de março de 2019

É possível atrair os filhos para atividades offline? Convites para programas 'mornos' não cativam os adolescentes - Jovens costumam desafiar o perigo, querem a adrenalina. O que precisa acontecer?

Besta é uma arma de caça medieval, aparece em vários jogos virtuais de luta, arma que pode ser letal, usada tanto pelo estudante de 17 anos no massacre na escola em Suzano-SP, como a encontrada na mochila do professor de violino, no DF, dois dias após o massacre.



Por Marise Jalowitzki
16.março.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/03/convites-para-programas-mornos-nao.html

Adultos conseguem mostrar o caminho mais prazeroso pra que não incorram em erros graves?

Mais que coibir, se alarmar, escandalizar, tentar proibir, o necessário é  tentar monitorar atitudes estranhas, acompanhar o fluxo financeiro caso trabalhem, ver o que recebem através de transportadoras, tentar conversar, conversar, conversar e 'arrastar' junto, mesmo com 'cara de emburrado', para alguns programas offline. Difícil? Sim. Mas é o que está ao alcance dos pais de adolescentes e jovens adultos.

O jovem de 17 anos, pricipal atirador no caso do Massacre em Suzano-SP, apesar de todos os agravos de sua criação: pais com problemas de drogadição; crescer longe dos pais - ele e as irmãs mais novas - ; avós como tutores; a morte recente da avó; receber bullying pelas espinhas exageradas - que mexem diretamente na vaidade e, por consequência, na autoestima -; o fato de ser um 'problema' na escola, que culminou em sua expulsão; recebeu de outros membros da família, dentro de suas limitações, o suporte que aqueles puderam dar: o tio o empregou em seu lava jato (o mesmo tio que foi morto pouco antes do ataque à Escola) e, segundo dizem, foi morto porque havia descoberto o esquema do ataque e, por isto, foi silenciado. Será? Matá-lo hora antes do ataque, onde todos teriam amplo conhecimento dos fatos? E onde fazia parte do plano os tristes protagonistas quitar-se a vida? Que diferença faria? Teria sido esta a razão? Ou terá sido o ódio da rejeição sofrida com a demissão que o tio lhe passou e, quiçá, desavenças, discussões? Nunca saberemos, pois estão todos mortos...

O rapaz foi então trabalhar em uma carrocinha de cachorro quente. Alguém deve tê-la financiado. Provavelmente os avós. Ninguém monitorou seus ganhos e gastos, provavelmente por ele já ser "um homem". Por mais de ano foi guardando o dinheiro recebido, arquitetando o plano e adquirindo pela web as armas "brancas" (besta, machado, machadinha, facas) e, sabe-se lá onde, as demais armas e munições (o revólver 38, os explosivos, etc.). 

Besta é uma arma de caça medieval, aparece em vários jogos virtuais de luta, arma que pode ser letal, usada tanto pelo estudante de 17 anos no ataque na escola em Suzano-SP, como a encontrada na mochila do professor de violino, no DF, dois dias após o massacre, é livremente comercializada pelos mercados internacionais e nacionais (como a Mercado Livre), variando entre  75,00 e 1.900 reais. Para adquirir, basta ter maioridade (18 anos). As páginas na internet também ensinam o passo a passo de como m ontar, usar e constituir as armas. Pessoalmente, conheço muitos jovens que se seduzem por esta arma e pedem para seus pais para tê-la, para expor na parede de seus quartos. Os pais não cedem.


Caso se tratasse de uma situação gerenciada por adultos responsáveis, estas compras nunca teriam acontecido. Máscaras, botas, ninguém acompanhou toda esta movimentação e gerenciamento... 

E absolutamente não dá para responsabilizar o pobre avô por isso, ele que gostava muito do neto, ele que foi xingado pela mãe (com problemas visíveis de drogadição) frente ao repórter quando este entrevistava os dois. O homem chegou a afirmar que o menino era "um menino bom, sempre quieto, faltou foi criação adequada, foi família"...e a mãe o acusou "culpa sua, que não soube educar..." Pais, mães, por favor, dêem-se conta de que este papel é seu! Que todos os demais podem vir em auxílio, mas o poder pátrio e mátrio é seu! Este senhor fez o que pode, viúvo recente, sentindo a perda da esposa de muitos anos, com duas meninas, irmãs do rapaz atirador (assassino e suicida), de 7 e 9 anos, para continuar criando. Senhor!


Primeira imagem: o atirador, suicida aos 17 anos, quando criança. O quarto amplo dado pelo avô. No chão, a caixa onde estavam as botas adquiridas para serem usadas no massacre arquitetado há um ano e meio.


Rejeição
1 - O nível de rejeição era alto: primeiro (o mais determinante, foi o afastamento do convívio materno-paterno. Mesmo que a providência tenha sido necessária, uma criança não entende o real motivo. Sente-se rejeitada e pronto. E pior: puxa pra si a responsablidade desta rejeição e consequente afastamento. Ela, no seu entendimento, acredita ser a causa do desajuste, da separação. "Sou mau!" Por vezes, uma boa terapia ajuda a aprender a lidar com a realidade. Nem sempre.

2 - Na escola, sofreu (como muitas crianças) a rejeição e a humilhação devido às espinhas e seu comportamento, ora destacado por alguns como sendo perfil quieto, arredio e "bom menino" (no caso do garoto em questão, o avô, vários colegas da escola e a encarregada da biblioteca declararam isto) , ora destacado como agressivo (como a declaração da professora que foi à delegacia em depoimento espontâneo).

3 - Embora se desconheçam os motivos de ele ter sido despedido pelo tio com quem trabalhou no lava-jato, com certeza a demissão não foi algo bem digerido. Alguns especulam que o tio teria descoberto o plano macabro dos dois (sobrinho e amigo) e esta teria sido o motivo de haver sido morto.


Como adultos, quais os exemplos que damos às nossas crianças e jovens? Qual o nível de interação presencial que desfrutamos?

Convites para programas 'mornos' não cativam os adolescentes

Um adolescente ou jovem adulto, ainda mais que humanos de outras faixas etárias, costumam querer adrenalina, emoções fortes, esportes radicais, aventuras. É inerente aos 800% a mais de testosterona que naturalmente recebem em seu organismo logo que adentram a puberdade. Isto é inerente e será ingenuidade pensar que, se forem chamados a programas 'mornos' vão aceder em detrimento dos mais empolgantes e, quiçá, mais perigosos. O jovem "fuça" na web, descobrindo informações, grupos e caminhos que sequer imaginamos. Seja para poder driblar a vigilância dos pais cuidadores, seja para 'conhecer' este mundo ilimitado. 

Retomando o Massacre em Suzano, quando, dia seguinte à tragédia, o terceiro participante do grupo lamenta não ter sido 'convidado' a participar - já que havia planejado junto -, ele demonstra claramente que pensa igual, que a Vida - sua e de outros - não vale nada e que seu desapontamento é não ter participado, mesmo com os dois amigos mortos. Suas próprias mortes, que eles mesmos haviam planejado como epílogo após a consecução da trama bem urdida. 

Com o que nos deparamos no mundo dos adolescentes? Com outros valores, diferentes daqueles que professamos, diferentes dos que professam as escolas e seus professores e dificilmente algum adulto vai poder mudar este cenário, provavelmente enraizado há tempos. Sim, perdemos o momento em que o caminho traçado se desviou. Mundo web, irreversível em suas ofertas, quebrando paradigmas e oferecendo facilmente perigosas opções. Sim, há muita, muita coisa boa, e, lado a lado, muito perigo. 

Como lidar com isto? Os adultos cuidadores costumam se escabelar, se horrorizar, vão levar a um psiquiatra que vai lhes aconselhar algumas coisas que eles (jovens) vão considerar baboseiras e receitar alguns psicotrópicos (os famosos tarja-preta), que, logo adiante, vão começar a dar novos e danosos efeitos colaterais. 









Situação difícil, quase desesperançador quadro, pois agora eles, estes jovens, já se sentem (finalmente, para eles!) PERTENCENDO a um grupo insurgente, revolucionário, que aponta o dedo médio para todos os que se lhes opõem. Como fez o estudante apenas algumas horas antes de matar e se matar.









Tentar ajudar a uma criança-adolescente-jovem adulto- a construir uma escala de valores começa bem, mas bem cedinho. 




E exige Constância de Propósito!



Plante uma árvore e faça a analogia com seu filhote

Então, pais, o que pode ser feito quando a cabeça de seu filho está noutra? Quando os valores assimilados já se sedimentaram em outro decálogo de convívio? Sei que alguns não querem aceitar, mas insisto sempre de novo e de novo: toda árvore gigantesca nasce de uma pequena e frágil plantinha. Precisa receber água em dosagem compatível, tem de ficar um tanto livre de ventanias, borrascas, granizo. Tem de ter espaço para se desenvolver. Tem de receber adubo.

O que se traduz, em analogia ao ser humano, em: Cuidados constantes, o mais amorosos e afetuosos possíveis. Sempre que um pai ou uma mãe se exceder, é preciso fazer um reconhecimento, um mea culpa e, sim, pedir desculpas ao pequeno pelo excesso. Mostrar que todo erro é uma nova oportunidade para um novo acerto. E que, nesta prática, eles, os erros, vão ficando sempre menores e espaçados no tempo. Não repetir tal excesso é primordial, pra que a força do exemplo possa se tornar modelo.

E, por fim, estar junto, monitorando, para ver se a 'árvore' está crescendo forte, ou, se precisar, conceder um novo arrimo. 

Como se traduz este 1º Cuidado - Precisa receber água em dosagem compatível, tem de ficar um tanto livre de ventanias, borrascas, granizo - quanto mais tenra a idade da criança, mais ela puxa pra si a responsabilidade de tudo que acontece no seu entorno. Um dos relatos mais emocionantes que li é do Gabor Maté, quando fala de sua origem. Nascido em meio à guerra, tendo perdido o pai quando tinha meses, cresceu vendo a mãe bastante triste e chorosa, sempre cabisbaixa. Ele pegou pra si a culpa desta tristeza! "Sou uma decepção pra minha mãe! Ela está triste por eu ser como sou!"... e, no caso dele, não era nada disto. A tristeza era para com as perdas que a mãe havia tido, incluindo o marido (pai de Gabor), era a tristeza e a desesperança que ela ela estava sentindo para com os problemas sérios que estava enfrentando. Imagina se é assim em situações onde a criança é amada, como será quando uma criança é verdadeiramente rejeitada, não aceita, não querida?

Proporcionar, dentro das possibilidades de cada cuidador, o melhor ambiente para a pequena vida em desenvolvimento é aumentar-lhe as chances de sobreviver a esta selva chamada sociedade e, muitas vezes, significa conceder-lhe capacidades para driblar os problemas e desafios e enfrentar a vida com alternativas justas e válidas.

Este, bem sabemos, é o sonho de cada mãe amorosa e de cada pai amoroso. Os primeiros anos (o que inclui o período gestacional) são os que marcam mais profundamente. Marcam pra sempre, ainda que o consciente sequer lembre dos fatos. As reações surgem e se costuma ouvir ou dizer: "Foi mais forte que eu!" Está lá, lá na memória remota. Quanto menos lixo armazenado, mais habilidades para lidar assertivamente.

Como se traduz este 2º Cuidado - Espaço para se desenvolver. Receber adubo - a criança e o adolescente precisam de espaço para se manifestar, convívio afetivo de qualidade para perceber que está em um ambiente acolhedor, onde é aceito do jeito que é. Que, sim, os pais são sujeitos a falhas (como todos), mas que, profundamente, ele é amado. 




Conversar conversas triviais e também bastante sérias. Estar junto. 

Os pais, bem mais que se escandalizar com o que o jovem pode expressar, precisam acolher e REDIRECIONAR, sutilmente, mostrando todos os prós e contras de determinadas decisões. 

Mostrar outros caminhos, outras alternativas. E não dar contra tudo o que o jovem demonstra querer fazer. Ainda que um pai conservador ou uma mãe conservadora possa considerar 'esquisito'. Se não acarretar desastre para ninguém, ajude-o! Incentive!

Como se traduz este 3º Cuidado - Ver se a 'árvores' está crescendo forte. Fortalecer pela práticaHá sempre formas mais amenas de 'botar pra fora' a agressividade, a inconformidade, a ansiedade. Esportes em conjunto, deixando espaço para ELE se mostrar e não como vejo muitas vezes, situações onde os pais é que querem ser os astros e não raro até filmam os filhos em situações dificultosas e mesmo de fracasso, para depois expor na web e troçar do pequeno com os amigos e todos os demais que se aproximarem... Isto é humilhação e não divertimento, e uma das maiores causas de revolta dos garotos e garotas. Em um estágio em que precisam se afirmar frente aos demais, especialmente junto aos pares, o que precisam é de acolhimento, validação, validação, validação. 

A autoestima se forma e se fortalece através da percepção de que se é agradável aos do entorno. Onde não há esta percepção (de ser bem querido e validado), a tendência será sempre procurar outros fóruns, na tentativa de se inserir em um grupo, por mais perigoso e perverso que este possa ser!

Muitas mais que DAR LIMITES é preciso MOSTRAR OS LIMITES que separam as ações de destruição, de desvalia, de medo, criminosas e, muitas vezes, mortais - como a incitação ao ódio nas suas variadas interfaces - e o que assegura um convívio pautado na respeito às diferenças. 

Quando um jovem COMPREENDER a distância que separa estes dois aspectos fundamentais da Vida - o que começa, sim, lá dentro da barriguinha da mãe - vai ficar mais fácil pra ele ESCOLHER qual caminho quer seguir. Porque, sim, NADA garante a um pai, a uma mãe que todos os seus sinceros e desvelados esforços possam redundar nos resultados almejados. Pois cada um, à medida que cresce e assume seu papel na vida, vai DECIDIR o que efetivamente considerar melhor pra si. Mas, com certeza, os genitores terão auxiliado com suas sementes, com suas palavras e, principalmente, com suas ações cotidianas. E a maioria dos seres humanos, tendo este alicerce emocional fortificado, reagem assertivamente, sem violência, sem agressão.



Exemplo é registro indelével.
Diálogo, sempre mais. 
Para isso, tem de estar junto!!!
Quanto menor a criança, maior a admiração pela figura dos pais!
Reinvente-se! 
Arrisque! 
No mínimo, monitore!

COM TODA CERTEZA, com uma autoestima bem constituída, com a autoconfiança bem reforçada, com um sorriso nos lábios e no coração por se saber bem aceito e bem querido, simplesmente NÃO HÁ ESPAÇO para a inconformidade, para sentimentos de menos valia, nem para sofrimentos solitários que tem de buscar escape em espaços dúbios! AMOR É A MELHOR ARMA QUE PODEMOS COLOCAR NAS MÃOS DE NOSSOS FILHOS! Arma que melhora e otimiza todo este estado de coisas! Amor reverbera em todos os corações, ampliando uma energia inerente a todos nós. 




Ver mais sobre ataques:

Massacre em Suzano - O que uma sociedade doente pode fazer por seus filhos?





Por Marise Jalowitzki
13.março.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/03/massacre-em-suzano-o-que-uma-sociedade.html



Massacre em Suzano - Analista de sistemas é o mentor do ataque na Escola
Brasil precisa URGENTEMENTE aumentar a vigilância na internet! (No centro da imagem Marcelo Valle Silveira Mello - criador do site Dogolachan)


14.março.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/03/massacre-em-suzano-analista-de-sistemas.html



Professor de violino da Escola de Música do DF é contido e levado a atendimento psiquiátrico após ser detectado em sua mochila uma besta, duas facas e cinco setas


"Era pra eu me matar!", disse ele ao ser contido. "Nossa sociedade está doente!", disse o Secretário da Educação, alvo do professor, que não teve seu nome divulgado (está afastado e em tratamento psiquiátrico)



Por Marise Jalowitzki 15.março.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/03/sociedade-doente-professor-de-violino.html 



Sobre Gabor Maté



Por Marise Jalowitzki
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2016/06/o-mito-da-normalidade-gabor-mate-fala.html



Mais sobre entendimento infantil

AS CINCO ETAPAS EMOCIONAIS DE CRIANÇAS FERIDAS E ABUSADAS






Por Marise Jalowitzki
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2015/05/as-cinco-etapas-emocionais-de-criancas.html


Mais sobre besta: https://www.metropoles.com/distrito-federal/seguranca-df/besta-usada-por-professor-que-invadiu-predio-e-vendida-sem-controle?utm_source=push&utm_medium=push&utm_campaign=push 


 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 



quarta-feira, 5 de outubro de 2016

TDAH, Adolescência e o Não Quero - Pais, vocês estão preparados para ouvir e viver isso




"Lembre-se que ninguém escolhe ter sintomas de inadequação ao meio onde vive." (Livro TDAH Crianças que Desafiam - pág. 94)
Por Marise Jalowitzki
05.outubro.2016
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2016/10/tdah-adolescencia-e-o-nao-quero-pais.html
O caso de hoje traz a situação de um garoto tímido, apontado com o diagnósticos de tdah e fobia social... retraído e triste, a mãe está preocupada por ele estar perdendo o interesse nos estudos. Claro! Algo precisa acontecer de bom, e já, e, com certeza, não se trata de receitas de psicotrópicos, embora a mãe já tenha recebido, na primeira consulta ao especialista, a prescrição dos tarjados!!
Na composição de nossa individualidade sadia, cada um de nós precisa primeiro identificar o "não", isto é, destacar primeiramente o que não se quer, o que causa mal, o que causa desconforto. Estabelecer o "não quero isso pra mim!". E ir estabelecendo limites, o que inclui mostrar aos demais o que o desagrada (pais, vocês estão preparados para ouvir e viver isto?). Afastar-se de um meio hostil pode ser uma solução, sim. Como a transferencia de escola. Tantos pais resistem a isso, dizendo que a criança "precisa se acostumar, pois assim é a vida!"... quem disse? vida tem lado ruim, sim, mas tem MUITA COISA BOA, também!!! Porque ter de viver o lado mais amargo já na infância-adolescencia? E de uma forma assim intensa? Sofrimento faz parte da vida, sim, mas não é o único ingrediente. Luta/fuga faz parte, também. É estratégico. Um novo ambiente, com acolhimento, possibilita reescrever uma historia, que passa a ser de apostas no Bem e em acertos.
Daí, gradativamente, acontece a identificação do que se quer, dos gostos, da eclosão das habilidades.
"Construir a autovalorização, passa por criar as chamadas "cerquinhas de proteção" , primeiro passo para vivenciar a autoestima. Uma criança-jovem retraído, que não se socializa, que não interage na escola e em casa é bondoso e querido, tem tudo para continuar sendo quem é,ser valorizado pelos seus, ser elogiado, receber reforços positivos sempre que realizar ações, mesmo simples.
A autoestima não pode estar alicerçada na opinião dos outros, senão, é uma ilusão! Agora, as pessoas importantes na vida de uma criança, como a figura da mãe e pai, não há dúvida que exercem um poder de influência básico. Por isso é tão importante não olhar com peninha o filho, não olhar com comiseração e tristeza a figura daquele adolescente arredio... Ele precisa de reforço positivo, não da "constatação" da mãe que há algo mesmo de "errado" COM ELE! Ele já recebe e percebe críticas no entorno o tempo todo, reclamações verbais dos professores por não interagir em sala, gozações veladas ou escrachadas dos colegas por ser um "esquisito", ou um "burro"... risinhos abafados de algumas meninas...tudo se agiganta na mente e coração de um adolescente, fazendo-o, lógico, desinteressar-se em estudar e continuar frequentando a escola. Nada mais "lógico" que querer fugir do ambiente que o hostiliza!

Claro que uma mãe sofre ao ver o filhote triste, solitário, ensimesmado. Só que, mesmo doendo internamente, tem ela de acreditar no potencial de seu filho! ELA tem de VIVENCIAR nas ações cotidianas este Amor e Admiração pelo que o filho é na essência. Não no que dizem os rótulos e jargões sociais, tão viciados e estereotipados.
Ensine a seu filho a defender seu espaço!! Gente, tenho acompanhado alguns casos de pertinho e é MUITO emocionante como alguns adolescentes conseguem, pelo menos, "segurar com o braço", tipo taekwondo, a agressão física de algum colega, coisa que antes não faziam!
Assim, ao invés de se debater entre a receita da dobradinha ritalina-risperidona e a pressão da escola, ame, ame, ame!! Reconquiste seu filho! Faça-o sentir-se bem em sua presença! Parafraseando o psicopedagogo do RJ Edson Damiao: "Pergunte-se, mamãe: Quais são os talentos de meu filho???"
Olhar "além da casca" é ver seu Filho na Essencia! Como a mãe mesma diz: Em casa ele é carinhoso, bondoso, educado.Não é ele que é o problema! O problema reside no entorno, com métodos defasados, com exigencias unilaterais, com excesso de críticas e julgamentos! Hora de mudar o rumo desta história!
Marise Jalowitzki
Algumas estratégias práticas sugeridas aos pais e pessoas do convívio por Jeffrey Bernstein :
     Reforce positivamente a pessoa a pedir informações sempre que julgar necessário, que serão repetidas e esclarecidas.
     Tente ser paciente e calmo para ajudar a ultrapassar as suas próprias frustrações e reatividade emocional em relação ao outro. Entender que se trata de uma fragilidade ajuda.
     Seja internamente e externamente compreensivo sobre as realidades da “derrapagem cognitiva” única para a mente inadequada ao meio em que vive.
     Lembre-se das competências esquecidas da pessoa considerada inadequada. Fale de seu coração bondoso e do quanto você admira certas atitudes sensíveis dele. Cite-as para que ele possa identificar." (Livro TDAH Crianças que Desafiam - pág.94)
ame, ame, ame!
Sobre a autora

 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Especialista em Desenvolvimento Humano. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Póa-graduada em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 
blogs:
www.marisejalowitzki.blogspot.com.br

LIVRO TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM

Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Pacto de Suicídio - Como jovens aderem nas redes sociais



Baixa estima, autoexclusão e autocobrança - A sensação se pertencer a um grupo "especial", diferente, faz com que os adolescentes se sintam fortes, pertencentes, com um papel importante a desempenhar, que lhes será transmitido no "devido tempo".



Por Marise Jalowitzki
06.outubro.2014
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2014/10/pacto-de-suicidio-como-jovens-aderem.html

Amigos! A repercussão com as mortes em Pactos de Suicídio, que publiquei aqui, tem sido grande, embora a midia não esteja publicando quase nada. E até entendo, mas espero que a eficácia aconteça!
A Polícia Federal + a Polícia Civil está investigando e diz já saber quem é o "idealizador" do Pacto de Suicídio ou Pacto de Morte, nas redes sociais. E só não está divulgando, pois quer rastrear quem são os outros integrantes, integrantes que estimulam a entrar no pacto (incentivando o 'poder de decisão' e a autonomia sobre a sua vida), ou integrantes que se deixam seduzir pelo pacto e se decidem a cometer o suicídio. Diz a policia que já tem o nome. E que já conseguiu evitar mais outras duas mortes
Para quem leu o artigo, ou se deteve a olhar a foto do topo, pode ver que se trata de duas fotos sobrepostas a outra figura anterior. E diz que é bem assim mesmo: os jovens recebem o "anúncio" de "agora é a tua vez" e tem a sua foto colada sobre as outras. Na noite em que aconteceu a morte da 2ª jovem (dia 26), a figura-montagem, com as duas fotos das meninas mortas, já estava circulando!!!
A coisa está BEM pesada! E tenho alguns esclarecimentos a dar: muitos pedidos para entrar no grupo, como sabem, olho um por um, entro na página, quase sempre consigo me organizar e enviar uma mensagem pessoal de boas vindas. Claro que não garante 100 por cem, mas, porque faço isso? P ver quem entra, saber de seus gostos, do que compartilha. E, confesso, por vezes é bem assustador! Aparecem aliciadores de grupos terroristas (claro que disfarçam seus rostos, mas as bandeiras ou sinais, insígnias dentro de olhos, ou corpos de lutadores, estão presentes), vendedores de drogas... ocupam perfis desativados, fazem-se passar por aquelas pessoas.

Não podemos mais ficar de braços cruzados!!! Durante esta semana está acontecendo em Paris um encontro internacional para tratar dessas violências aos jovens!

Quando soube perdi o sono à noite, pensando qual a melhor maneira de intermediar junto a algumas famílias que conheço, pois a 'modinha' corre solta!! Com o adolescente, começa com algmas intervenções tipo: "eu sei, ninguém te entende", "ninguém entende os jovens", "pais nao escutam".. daí, começa o compartilhamento de imagens de automutilação. 

E eles se cortam em lugares onde os pais não enxergam, para ir postando nos grupos, embora a adesão à "irmandade" seja marcas nos braços!! 


Causas

— É muito comum que adolescentes tenham sua sexualidade castrada em um ambiente e sejam pressionados a se liberar em outro. Um conflito que pode resultar em baixa estima, autoexclusão e autocobrança — afirma Rosângela Werlang, Doutora em Psicologia Social e uma das maiores especialistas gaúchas em suicídios.


O sociólogo francês Emile Durkheim classificou os suicídios em três categorias: egoísta (no qual a falta de laços sociais leva ao desejo de morte), altruísta (quando o sujeito se sacrifica por uma causa) e anômico (quando a vida do suicida é atingida por bruscas e negativas mudanças sociais).

"— Ninguém dá conta de si, ninguém é uma ilha. Pode acontecer uma contradição entre o que o grupo social ou família prezam e entre o que o eu mais profundo deseja. E, aí, pode ocorrer um rompimento violento." - afirma Rosângela. * Zero Hora 

Que possamos, como adultos, fazer a nossa parte, urgentemente!! 

Tudo começa com aquela sensação de baixa auto estima, com a falta de senso de pertencimento, aquele sentimento que todos nós, quando adolescentes, também sentimos (uns mais, outros menos), só que, agora, o perigo ronda não mais ao lado, mas dentro de nossas casas, nas pequenas telas!!!

A menina de 14 anos que se enforcou dentro do armário, estava super feliz porque, ao invés de festa de aniversário de 15 anos, havia recebido uma viagem à TerraSanta, pois queria "repetir os passos de Jesus"... há os que questionam se seria este mesmo o intento.

Tristíssimo para uma mãe que recebe um quadro desses para conviver.
E UM SUPER ALERTA PARA TODOS OS PAIS, para que aumentem onível de diálogo e companheirismo com os seus filhotes que, por vezes, por serem naturalmente agressivos e arrogantes, são deixados pelos pais com uma liberdade excessiva, para a qual ainda não estão amadurecidos!


Todos os partcipantes do grupo se identificam por lesões
(automutilação) nos braços. Pacto de Suicídio é acertado
pelo WathsApp.



04.outubro.2014
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2014/10/pacto-de-suicidio-e-acertado-em-redes.html



Mais sobre o tema, neste blog:



 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

Livro: TDAH Crianças que desafiam 

Como Lidar com o Déficit de Atenção e a Hiperatividade na Escola e na Família
Contra o uso indiscriminado de metilfenidato - Ritalina, Ritalina LA, Concerta

Para conhecer mais e adquirir, acesse: