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sexta-feira, 31 de março de 2017

Conhecendo efeitos nocivos do aripiprazol

Cada vez mais usado em crianças, tanto em quadros depressivos quanto hiperativos...


Conhecendo efeitos nocivos do aripiprazol


Por Marise Jalowitzki
31.março.2017
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2017/03/conhecendo-efeitos-nocivos-do.html


Creio que uma das cenas mais terríveis que assisti foi ver uma pessoa amada sob efeito do Abilify (aripiprazol). Nada podia ser feito, disse o médico, a não ser esperar que a "crise" pasasse!! Eu já havia manifestado minha vontade CONTRA este uso, mas, o que fazer quando um ser humano doente "cai" nas mãos de um médico que parece querer "convencer" todos os demais que "sabe tudo" e que "parentes só atrapalham? Eu já havia lido, já havia visto videos, mas..."essas coisas de internet, nada a ver..." E ali estava a cena triste que presenciara nos videos. Neste caso, uma mordedura exagerada, incontrolável, os dentes machucando os lábios a ponto de sangrar. Olhos desesperados, sem nenhuma condição de articular palavras...

Hoje, quando sei de tantas mães que administram em seus pequenos filhotes também este psicotrópico, com uma naturalidade espantosa, muitas vezes apenas consequencia da "naturalidade" com que o médico passa a receita... vem a certeza de que é preciso continuar difundindo e divulgando...

PELO MENOS, pais e mães precisam estar cientes do que estão decidindo para seus pequenos!



"O Abilify (princípio ativo aripiprazol) é um medicamento originalmente prescrito para esquizofrenia que é agora um dos mais populares tratamentos para transtorno bipolar e outros quadros
depressivos. Desde que foi aprovado para o uso expandido pela Administração de Drogas e Alimentos (FDA) dos Estados Unidos, em 2005, as vendas do Abilify dobraram e a droga tornou-se a primeira linha de tratamento para um grupo inteiro de psiquiatras."


"Um dos maiores problemas é que o Abilify pode causar acatisia, uma condição nervosa que essencialmente faz com que seja impossível ficar parado.

Veja como ela é descrita por um pessoa que fez uso deste psicotrópico: “Eu comecei a andar e era incapaz de ficar parado. Eu literalmente caminhei pelos corredores por três dias seguidos. Eu estava desesperado por socorro e senti que para me manter seguro eu precisava permanecer hospitalizado”.
Basicamente, é uma versão medicamente induzida da Epidemia de Dança de 1518.

"Felizmente, para colocar um fim neste mal basta parar de usar o Abilify… exceto, é claro, nos casos em que os sintomas continuam, mesmo depois do remédio não estar mais no seu organismo."

É a chamada discinesia tardia, onde os tiques se repetem e a pessoa não consegue mais controlar os movimentos.

"Comerciais do Abilify tocam ligeiramente no assunto pedindo que o usuário “fale com o seu médico sobre movimentos musculares incontroláveis, pois estes podem se tornar permanentes”. É isso mesmo: não somente você pode ser incapaz de ficar parado, como isso pode continuar para sempre."

E outra pessoa comenta: "O que é pior, o Abilify não é nem mesmo muito bom no tratamento do transtorno bipolar. Durante o estudo que levou à aprovação da droga pela FDA, menos de um quinto dos participantes realmente fizeram o tratamento até o fim. Além disso, o estudo foi financiado pelo fabricante da droga e sua agência de marketing.



O psiquiatra e pesquisador de Harvard, Alexander C. Tsai se refere ao uso expandido da droga como “uma vergonha para a profissão”...."


Departamento de Psiquiatria
Boston, MA, Estados Unidos




 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:
www.compromissoconsciente.blogspot.com.br


LIVRO TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM

Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Avalanche medicamentosa devido a transtornos neurológicos e mentais e uso de substâncias arrasa dados econômicos mundiais e alerta ONU


Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas 2015-30

Meditação, Yoga, Reiki, caminhadas ao ar livre, boa qualidade de sono, alimentação saudável, fazer o que gosta. Tudo são ajudas de melhoria. Cuidado com promessas de curas. Importante é manter o menos de stress possível, viver o mais tranquilamente possível, aprender a gerenciar conflitos, aprender a valorizar o que se tem, se importar menos com o que dizem os outros. Acreditar mais em si. Apostar em seu taco!






Marise Jalowitzki

Bem sabemos que a escalada de doenças mentais é enorme. Em todo o mundo, os investimentos em saúde mental são muito escassos, segundo dados de WHO's Mental Health Atlas 2014 (Guia de Saúde Mental 2014), levantamento da OMS. E geralmente apenas no campo da medicação (psicotrópicos alopáticos) e, quando necessário, afastamentos do trabalho e internações hospitalares. 

Estamos às vésperas de 2017 e o consumo de medicação psicotrópica alopática parece ser a única intervenção a aumentar!

O relatório publicado pela ONU em abril de 2016 analisou o impacto econômico dos transtornos mentais e incide especificamente sobre depressão e transtornos de ansiedade, como sendo essas as doenças mentais mais comuns. A taxa de prevalência global de transtornos de ansiedade é de 7,3%. Para a depressão é de 3,2% para os homens e 5,5% para as mulheres. Os resultados são interessantes - o relatório conclui que, em geral, para cada dólar gasto em tratamento de doença mental em pessoas com mais de quinze anos de idade, $ 2.30 a $ 3,00 são criados na produtividade.

"A OMS sugere que a maioria dos países de baixa renda e de renda média gasta menos de US $ 2 por ano por pessoa no tratamento e prevenção de transtornos mentais em comparação com uma média de mais de US $ 50 em países de alta renda . Como resultado deste investimento limitado em saúde mental pública, existe uma diferença substancial entre a necessidade de tratamento e sua disponibilidade. Esta grande diferença de tratamento afeta não apenas a saúde e bem-estar das pessoas com transtornos mentais e suas famílias, mas também tem consequências inevitáveis para empregadores e governos, como resultado da diminuição da produtividade no trabalho, taxas reduzidas de participação laboral, as receitas fiscais perdidas, e aumento de despesas em saúde e outras despesas de bem-estar. Achados de diversos estudos nacionais e internacionais têm mostrado o enorme desafio económico que esses transtornos representam para as comunidades e sociedade em geral como resultado de oportunidades de produção e consumo não recebidas, bem como as despesas de saúde e assistência social. 


"Em 2010, em todo o mundo, estima-se que houve uma perda de produção entre US $ 2,5 a 8,5 trilhões, atribuída a desordens mentais e neurológicas e ao uso de substâncias (legais e ilegais), dependendo do método de avaliação utilizado." 

"Esta soma é esperada para quase dobrar até 2030, se uma resposta acertada não for montada.  Diante dessa preocupação, a promoção da saúde mental e bem-estar foram explicitamente incluídas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas 2015-30." 

Direitos Humanos


Paul Summergrad, MD, da Faculdade de Medicina da Universidade de Tufts, em Boston, Massachusetts, observou que a reunião conjunta da OMS / Banco Mundial representa "um passo inicial muito importante, mas apenas um predicado para a ação ousada e muito necessária . "O estudo Chisholm traz o rigor ao caso econômico, mas há muitas outras razões importantes para considerar o aumento do investimento na saúde mental global, entre as quais a justiça, a equidade, os direitos humanos e a redução do sofrimento."

Os benefícios econômicos e sociais de uma boa saúde mental incluem tanto seu valor intrínseco (melhoria da saúde mental e bem-estar) e também o seu valor instrumental, em termos de ser capaz de formar e manter relacionamentos, trabalhar ou prosseguir interesses de lazer, e para tomar decisões em seu dia a dia. Para avaliar o valor desses benefícios, primeiro o estudo estimou a população em necessidade em cada país, em seguida, estabeleceu os efeitos sobre a saúde da cobertura ampliada da intervenção eficaz e, finalmente, calculou o efeito económico da melhoria dos resultados de saúde mental em termos de participação de trabalho reforçada e produtividade

Foram excluídos os estudos em adolescentes, crianças e pacientes internados, e os ensaios de manutenção.  (The Lancet Psycriatryc 16,abril.2016)

Tudo isto justifica maior investimento em prevenção e tratamento e é o que pretende a ONU.


Já sabemos que apenas usar psicotrópicos bem pouco vai ajudar (quando não deixar as coisas ainda piores, em médio e longo prazo )... O que VOCÊ está fazendo para melhorar a SUA qualidade de Vida, proporcionar mais Tranquilidade e Bem Estar a si e aos seus, ao entorno?? Esta é, também, uma Ação e Decisão de todos nós!!! Não adianta só esperar que se promulguem leis!!!
Dicas de Harvard:

boosters (impulsionadores) de memória instantâneas

Você não tem que ir a uma clínica especial para começar a trabalhar no sentido de impulsionar seu cérebro e aumentar a sua memória. Experimente estes truques para lembrar:
  • Nomes. Quando você conhece alguém, associar o nome com uma imagem. Em seguida, use o nome da pessoa na conversa.
  • Onde você coloca as coisas. Sempre coloque itens do cotidiano, como chaves e óculos, nos mesmos lugares. Para outros, dizer em voz alta onde colocá-los.
  • Coisas que as pessoas lhe dizem. Peça que a pessoa fale devagar, para que possa concentrar-se melhor; repita para si mesmo o que a pessoa disse, e pense sobre o seu significado.
Para obter mais dicas, confira o Relatório sobre a Saúde Especial Harvard melhorar a memória ( www.health.harvard.edu/IM ).

As práticas Integrativas 

A OMS - Organização Mundial de Saúde recomenda também o uso das outras medicinas, que os governos dos paises-membros formulem políticas públicas "visando a integração de sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos". (http://dab.saude.gov.br/portaldab/pnpic.php)


"O campo das práticas integrativas e complementares contempla sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos, os quais são também denominados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de medicina tradicional e complementar/alternativa (MT/MCA). 

Tais sistemas e recursos envolvem abordagens que buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade. Outros pontos compartilhados pelas diversas abordagens abrangidas nesse campo são a visão ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado.

Com a publicação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), a homeopatia, as plantas medicinais e fitoterápicas, a medicina tradicional chinesa/acupuntura, a medicina antroposófica e o termalismo social-crenoterapia foram institucionalizados no Sistema Único de Saúde (SUS).
(...)
Assim, a Política Nacional de Atenção Básica preconiza que esse nível de atenção considera o sujeito em sua singularidade e inserção sociocultural, buscando produzir a atenção integral." (http://dab.saude.gov.br/portaldab/ape_pic.php)

Meditar ou tai chi pode aumentar a capacidade do cérebro para alternar entre diferentes tarefas. 
Image: Michael Carroll Fotografia / Thinkstock

Exercícios para o cérebro

PODE UMA ROTINA DE EXERCÍCIOS REALMENTE AJUDAR A MANTER SEUS "MÚSCULOS" MENTAIS EM BOA FORMA?

(...)
Um programa típico para potencializar aptidão do cérebro incorpora o seguinte.
O exercício físico. "O exercício aumenta a atividade em regiões do cérebro que têm a ver com a função executiva e de memória e promove o crescimento de novas células cerebrais. Mas a maioria de nós não trabalha duro o suficiente para perceber o benefício. Você tem que empurrar-se e exige dedicação, monitorando sua freqüência cardíaca para uma determinada zona. é um ritmo cardíaco diferente para todos, e nós o supervisionamos ",  diz o neurologista Dr. Alvaro Pascual-Leone, diretor do Programa de cérebro Fit em Harvard-filiados Beth Israel Deaconess Medical Center..
Treinamento cognitivo. Este é o exercício de suas habilidades de pensamento que usa computador ou jogos de vídeo e empurra-o para afiar seus tempos de resposta e atenção. Funciona? "Estudos têm sido mistos. É difícil demonstrar que as áreas cerebrais melhoram apenas em um jogo, traduzindo para as atividades diárias", diz o Dr. Kirk Daffner, neurologista e editor médico da melhoria da memória Harvard Health Report especial.  "Sair-se bem em um jogo de computador não significa que você está melhorando. Se você fizer uma coisa, muitas vezes, você vai ficar melhor nesta uma coisa. Mas você quer ficar melhor na atividade diária, não apenas na clínica. Então ´é preciso conjugar as práticas", adverte Dr. Pascual-Leone.
Nutrição. Trata-se de uma consulta com um nutricionista para levar as pessoas em uma dieta mediterrânia, que parece promover a saúde do cérebro e diminuir o risco de desenvolver problemas de memória. A dieta apresenta grãos integrais, frutas e vegetais e gorduras saudáveis a partir de peixe (não contaminado), nozes e óleos. Adaptando a ingestão de calorias. "Há uma boa quantidade de pesquisas que sugerem que não comer o suficiente é ruim para o corpo e cérebro, mas comer em excesso também é uma coisa ruim. Assim, parece que comer tão pouco quanto possível para manter um peso saudável pode ajudar com a cognição", diz Dr. Pascual-Leone.
Sono melhor. "Pouco sono, ou sono de pouca qualidade pode prejudicar a cognição. A restauração do sono pode ajudar", diz Dr. Daffner. Programas de fitness do cérebro normalmente verificam se há causas subjacentes da perda de sono, como um efeito colateral de medicamentos, apneia do sono (quando uma das vias respiratórias bloqueadas durante o sono faz com que você pare de respirar periodicamente), ou uma bexiga hiperativa que interrompe o sono para várias idas ao banheiro.
Meditação. "A meditação ou exercícios como tai chi parece aumentar uma coisa chamada reserva cognitiva", diz Dr. Pascual-Leone. Essa é a capacidade do cérebro para alternar entre diferentes tarefas, alocar recursos e lidar com estressores inesperados de uma forma que nos torna mais capazes de lidar com a vida do dia a dia. "O aumento da reserva cognitiva pode permitir que o cérebro lide melhor com outros problemas neurológicos", diz Dr. Daffner.

ENCONTRAR UM PROGRAMA

Hospitais e centros de pesquisa oferecem programas de aptidão do cérebro, e assim também ocorre em consultórios particulares. 


Meditação, Yoga, Reiki, caminhadas ao ar livre, boa qualidade de sono, alimentação saudável, fazer o que gosta. Tudo são ajudas de melhoria. Cuidado com promessas de curas. Importante é manter o menos de stress possível, viver o mais tranquilamente possível, aprender a gerenciar conflitos, aprender a valorizar o que se tem, se importar menos com o que dizem os outros. Acreditar mais em si, Apostar em seu taco!

Link deste artigo: http://tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br/2016/11/avalanche-medicamentosa-devido.html

Querendo, veja também o artigo completo sobre o estudo publicado em: The Lancet Psycriatryc 16,abril.2016
http://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(16)30024-4/fulltext
Declaração de interesses Declaramos interesses conflitantes (Título do Artigo: O aumento do tratamento da depressão e ansiedade: um retorno global sobre análise de investimentos)
Bloom, DE, Cafiero, E, Jané-Llopis, E et al. The global economic burden of noncommunicable diseases. World Economic Forum, Geneva; 2011
·         View in Article

United Nations. Transforming our world: the 2030 agenda for sustainable development. United Nations, New York; 2015

·         View in Article 


(Tradução livre: Marise Jalowitzki)

 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Doenças mentais não se devem a alterações químicas do cérebro, diz Whitaker


"A psiquiatria está em crise."





Por 
Publicação original - 06.fevereiro.2016
Neste blog: 03.agosto.2016
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2016/08/doencas-mentais-nao-se-devem-alteracoes.html


Tudo começou com duas perguntas. Como é possível que os pacientes de esquizofrenia evoluam melhor em países onde são menos medicados, como a Índia e a Nigéria, do que em nações como os Estados Unidos? E como se explica, tal como proclamou em 1994 a Escola de Medicina de Harvard, que a evolução dos pacientes de esquizofrenia tenha piorado com a implantação de medicamentos, em relação aos anos setenta? Essas duas perguntas inspiraram Robert Whitaker a escrever uma série de reportagens para o jornal Boston Globe – finalista do prêmio Pulitzer de Serviço Público – e dois polêmicos livros. O segundo, Anatomy of an Epidemic (“Anatomia de uma epidemia”, em tradução literal), foi premiado como o melhor livro investigativo de 2010 por editores e jornalistas norte-americanos.

No decorrer dessa pesquisa, surgiu uma corrente de dados avassaladores: em 1955, havia 355.000 pessoas em hospitais com um diagnóstico psiquiátrico nos Estados Unidos; em 1987, 1,25 milhão de pessoas no país recebia aposentadoria por invalidez por causa de alguma doença mental; em 2007, eram 4 milhões. No ano passado, 5 milhões. O que estamos fazendo de errado?
Whitaker (Denver, Colorado, 1952) se apresenta, humildemente, com as mãos nos bolsos, em um hotel de Alcalá de Henares, na periferia de Madri. Sua cruzada contra os comprimidos como solução contra os distúrbios mentais não vai mal. Prestigiadas escolas de medicina o convidam a explicar seus trabalhos. “O debate está aberto nos Estados Unidos. A psiquiatria está entrando em um novo período de crise no país, porque a história que nos contaram desde os anos oitenta caiu por terra”.
Pergunta. No que consiste essa história falsa que, segundo o senhor, nos foi contada?
Resposta. A história falsa nos Estados Unidos e em parte do mundo desenvolvido é que a causa da esquizofrenia e da depressão seria biológica. Foi dito que esses distúrbios se deviam a desequilíbrios químicos no cérebro: na esquizofrenia, por excesso de dopamina; na depressão, por falta de serotonina. E nos disseram que havia medicamentos que resolviam o problema, assim como a insulina faz pelos diabéticos.
P. Em Anatomy of an Epidemic, o senhor afirma que os psiquiatras aceitaram a teoria do desequilíbrio químico porque prescrever comprimidos os fazia parecer mais médicos, os igualava aos colegas de profissão.
R. Nos Estados Unidos e em muitos outros lugares, os psiquiatras sempre tiveram um complexo de inferioridade. O restante dos médicos costumava enxergá-los como se não fossem médicos autênticos. Nos anos setenta, quando faziam seus diagnósticos baseando-se em ideias freudianas, eram muito criticados. E como poderiam reconstruir sua imagem diante do público? Vestiram suas roupas brancas, o que lhes dava autoridade. E começaram a se chamar a si mesmos de psicofarmacólogos quando passaram a prescrever medicamentos. A imagem deles melhorou. O poder deles aumentou. Nos anos oitenta, começaram a fazer propaganda desse modelo, e nos noventa, a profissão já não prestava atenção a seus próprios estudos científicos. Eles acreditavam em sua própria propaganda.
P. Mas isso parece um exagero, não? É afirmar que os profissionais não levaram em conta o efeito que esses remédios poderiam ter na população.
R. É uma traição. Foi uma história que melhorou a imagem pública da psiquiatria e ajudou a vender medicamentos. No final dos anos oitenta, o comércio desses fármacos movimentava 800 milhões de dólares por ano. Vinte anos mais tarde, já eram 40 bilhões de dólares.
P. E agora o senhor afirma que há uma epidemia de doenças mentais criadas pelos próprios medicamentos.
R. Se estudarmos a literatura científica, observamos que já estamos utilizando esses remédios há 50 anos. Em geral, o que eles fazem é aumentar a cronicidade desses transtornos.
P. O que o senhor diz para as pessoas que tomam remédios? Alguns talvez não precisem, mas outros talvez sim. Essa mensagem, se for mal interpretada, pode ser perigosa.
R. Sim, é verdade. Pode ser perigosa. Bom, se a medicação funciona, fantástico. Há pessoas para quem isso funciona. Além disso, o cérebro se adapta aos comprimidos, o que significa que retirá-los pode ter efeitos graves. O que falamos no livro é sobre o resultado de maneira geral. Não sou médico. Sou jornalista. O livro não traz conselhos médicos, não é para uso individual. É para que a sociedade se pergunte: nós organizamos o atendimento psiquiátrico em torno de uma história cientificamente correta ou não?
A trajetória de Whitaker não foi fácil. Apesar de seu livro contar com muitas evidências e ter recebido muitos prêmios, a obra desafiou os critérios da Associação Norte-Americana de Psiquiatria (APA) e os interesses da indústria farmacêutica.
Mas, a essa altura, ele se sente recompensado. Em 2010, seus postulados eram vistos como uma “heresia”, segundo ele mesmo define. Desde então, novos estudos foram na direção para a qual ele apontava. Entre eles, os trabalhos do psiquiatras Martin Harrow e Lex Wunderink e o fato de a prestigiada revista científica British Journal of Psychiatry já assumir que é preciso repensar o uso de medicamentos. “Os comprimidos podem servir para esconder o mal-estar, para esconder a angústia. Mas não são curativos, não produzem um estado de felicidade”.
P. Vivemos em uma sociedade na qual precisamos pensar que os remédios podem resolver tudo?
R. Foi o que nos incentivaram a acreditar. Nos anos cinquenta, foram produzidos avanços médicos incríveis, como os antibióticos. Nos anos sessenta, a sociedade norte-americana começou a achar que havia uma fórmula mágica para curar muitos problemas. Na década de oitenta, foi promovida a ideia de que se uma pessoa estava deprimida, não era pelo contexto de sua vida, mas sim porque ela tinha um distúrbio mental – era uma questão química e havia um remédio que a faria se sentir melhor. O que se promoveu nos Estados Unidos, na realidade, foi uma nova forma de viver, que foi exportada para o resto do mundo. A nova filosofia era: você precisa ser feliz o tempo todo e, se não for, temos uma pílula.Mas o que sabemos é que crescer é difícil, surge todo tipo de emoções e é preciso aprender a organizar o comportamento.
P. Buscamos o conforto e o mundo vai se parecendo com aquele descrito por Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo...
R. Desde agora. Perdemos a noção de que o sofrimento faz parte da vida, de que às vezes é muito difícil controlar a própria mente. As emoções que sentimos hoje podem ser muito diferentes daquelas da semana ou do ano seguintes. E nos fizeram ficar alertas o tempo todo em relação a nossas emoções.
P. Centrados demais em nós mesmos...
R. Exatamente. Se nos sentimos infelizes, pensamos que há algo errado conosco. Antes, as pessoas sabiam que era preciso lutar na vida; e não se incentivava tanto que pensassem em seu estado emocional. Com as crianças, se elas não comportam bem na escola ou não vão bem, logo alguém as diagnostica com déficit de atenção e diz que é preciso tratá-las.
P. A indústria ou a APA estão criando novas doenças que, na realidade, não existem?
R. Estão criando mercado para seus remédios e estão criando pacientes. Ou seja, se olharmos do ponto de vista comercial, o êxito desse setor é extraordinário. Temos pílulas para a felicidade, para a ansiedade, para que seu filho vá melhor na escola. O transtorno por déficit de atenção e hiperatividade é uma fantasia. É algo que não existia antes dos anos noventa.
P. A ansiedade pode se transformar em distúrbio?
R. A ansiedade e a depressão não estão muito longe uma da outra. Há pessoas que experimentam estados avançados de ansiedade, mas estar vivo é, muitas vezes, estar ansioso. Isso começou a mudar com a introdução dos benzodiazepínicos, com o Valium. A ansiedade deixou de ser um estado normal da vida para ser apresentada como um problema biológico. Nos anos oitenta, a APA pega esse amplo conceito de ansiedade e neurose, que é um conceito freudiano, e começa a associar a ele doenças como o transtorno do estresse pós-traumático. Mas não há ciência por trás dessas mudanças.
Robert Whitaker é jornalista investigativo, reconhecido internacionalmente, autor. Site MadAmerica

Fonte deste artigo: El País
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/02/05/ciencia/1454701470_718224.html?id_externo_rsoc=Fb_CM




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