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terça-feira, 5 de maio de 2020

Suicídio de famosos na terceira idade

Não, suicídio de famosos não difere em nada do suicídio de qualquer mortal. Somos pessoas, e somente dois atos nos igualam: o nascer e o morrer.






Marise Jalowitzki

Interrupção voluntária do ato de viver.

O impacto que uma morte causa é sempre sentido pelos sensíveis. Geralmente, quanto mais próximos, ou o quanto de referência a(s) pessoa(s) foi, maior o impacto. Mas, de que serve a notícia da morte de alguém? Especialmente quando por suicídio, que é a antecipação auto induzida do ato de morrer?

Quando, há anos (2014), veio a notícia da morte de Robin Williams, por enforcamento, pensei várias coisas:




- Como pôde? Um homem com a cabeça dele, tendo feito os papéis maravilhosos que desempenhou ao longo de toda a sua carreira?



- Como pôde? Tendo auxiliado tantas pessoas na reflexão séria sobre a vida e seus reais e importantes valores, como a Compreensão, a Solidariedade, o Entendimento.

- Como pôde? Com aquela cara e sorriso bonito? Com a sua identificação com o que o ser humano tem de melhor...


- Como pôde?


E aí veio o conhecimento de há quanto tempo tomava antidepressivos, lutando com uma doença cujas crises aparecem sem dizer porque, prostrando e entristecendo, retirando a esperança. Com supostos lapsos de memória. E com o agravante de que antidepressivos, quando tomados por um longo período, podem exacerbar os sintomas da doença, potencializando as crises de sofrimento psíquico e desesperança, levando até mesmo ao suicídio. Tá na bula, não é especulação. E vários estudos demonstram isto. Teria Williams sido monitorado, teve acompanhamento médico para analisar seu verdadeiro estado? Não sei. Talvez ninguém tenha esta resposta. E, de que adianta, agora, para ele? Já não está mais conosco. Ponto.


Uma morte por suicídio deixa um oco, pode deixar um sentimento de culpa em alguns que possam se sentir mais ou menos responsáveis, mas, salvo raríssimos casos, tudo é temporário. Até os sentimentos de culpa. Eles passam. Tudo passa. A vida passa.


Os acontecimentos do dia a dia empurram tanto a seguir para a frente, que o tempo de pensar nos mortos é cada vez mais exíguo, mais curtinho, pela própria absorção dos atos e fatos. Viver é um desafio para todos. 


E quase todos querem seguir esta jornada até o dia em que serão retirados pela Força que alguns chamam Deus, outros, Destino, outros, Ciclos. Quase todos. Enfim.


O que faz com que alguns desistam, assim definitivamente? Não sei. Também não quero julgar, pois cada um sabe de si. 



Agora, Flávio Migliaccio se foi





Encontrado em seu sítio, 85 anos, sozinho, pôs fim à sua vida num dia de maio, com uma carta ao lado, cuidadosamente escrita, lamentando o atual estágio que assola o momento atual. 


Lembro de Flávio, especialmente como Xerife, quanto nos divertiu com suas algazarras e intervenções junto ao Shazan. Espalhou muita alegria, passou endorfina pra muita gente através dos risos que provocou. E, ao longo de tantos anos, em papéis altamente notórios, significativos, como Chalita. 


O que teria motivado sua morte auto induzida, de verdade, nunca saberemos. Também não sei se ele tomava antidepressivos ou se o que o desmotivou para continuar vivendo foi um cansaço absurdo de tantas coisas que compõem este mundo dos 'homens e mulheres de boa(?) vontade'... 


A constatação das sandices humanas pode ter sido o gatilho. A solidão pode ter sido o gatilho. Solidão é um sentimento forte, pesado, que acomete a qualquer um, em alguma etapa de sua vida. As consequências são diferentes de ser humano a ser humano.


Não, suicídio de famosos não difere em nada do suicídio de qualquer mortal. Somos pessoas, e somente dois atos nos igualam: o nascer e o morrer. O medo também acompanha estes dois momentos. Medo é uma estratégia de defesa que fabricamos frente ao desconhecido. Desconhecido que, em ambas situações, enfrentamos sozinhos, ainda que rodeados. É um ato só nosso. É, portanto, um ato solitário. Solidão, de novo. Só que, nestes dois momentos, não depende de nós mudar este sentimento. O nascer, vem. O morrer, ainda quando auto induzido, vem. 

Ponto.

Flávio Migliaccio deixou uma carta de despedida, onde mostra, em poucas palavras, tantas verdades de nossos tempos atuais. O lado denso, no qual estamos sendo compelidos a adentrar, sem escolha. Tudo verdade. Não importa quais os verdadeiros destinatários de sua carta. Políticos, conhecidos, sociedade em geral. O que ele traz ali são traços que caracterizam nossa sociedade, traços que nos envergonham, e para os quais ele se sentiu frágil para continuar enfrentando. E que precisam ser transmutados!!!


Assim como com Robin Williams, também com Flávio Migliaccio, escolho, novamente, ficar com o melhor legado.


Em Williams, aquele sorriso tão terno, tão compreendedor e suas lições em tantos momentos. 

Em Flávio, o sorrisão, o jeito engraçado, a inquietude que impulsionava, o legado que fez refletir.

Gratidão aos que nos fazem pensar. 

Aos que nos fazem rir. 
Aos que deixaram nossa alma leve. 
Aos que, com sua presença, nos proporcionaram Saúde e Alegria.

Continuemos, nós, em qualquer idade, VIVOS, nossa luta por dias melhores, sempre!

Oro pelos que não conseguem.
Sou a favor da Vida!



Link deste post: https://compromissoconsciente.blogspot.com/2020/05/suicidio-de-famosos-na-terceira-idade.html


Querendo, leia também:
































http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2015/02/sertralina-zoloft-e-todos-os.html







Marise Jalowitzki é mãe, avó, sogra, irmã, tia, filha, neta, amiga, cidadã.
Também é educadora, escritora e blogueira. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas.Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano. Querendo, veja aqui




Pandemia e o uso de máscaras
FICA EM CASA!!!
SE TIVER DE SAIR, USE MÁSCARAS!
EVITE AGLOMERAMENTO SOCIAL!
SEJA RESPONSÁVEL!!!





sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

A última noite de um amigo

Lidando com a impotência (Foto: Marise Jalowitzki - Arquivo Pessoal)




Marise Jalowitzki

Mundo hipócrita que não quer falar dos fatos do jeito que são, sendo que cada cidadão enche sua cabeça com o que quiser, com este monte de filmes horríveis que estão sempre disponibilizados em qualquer canal. E geralmente tudo tão assustador e exacerbado - "Ah! Mas daí é ficção!". 

Hipocrisia! Como se não soubessem o quanto os filmes, as séries, as reportagens, as novelas influenciam as massas e são responsáveis por tantos fatos de igual teor que acontecem sempre, em todas as áreas. Pro Bem, como pro sofrimento. 

Mas, falar de fatos reais, de situações que realmente envolvem o sentimento e a problemática das relações humanas, o não saber fazer, e... Sabe-se lá o que é o certo, né? - isto considero libertador, esclarecedor, e, de quebra, pode ajudar a muitos.

Então, quero abordar isso hoje, nesta época sazonal de final do primeiro mês do ano.




Lembranças que chegam sem aviso

Quero dizer que, em pleno movimento de me aprontar para sair, agora de tarde, me vieram lembranças que a gente não sabe porque chegam assim sem aviso. Eu tenho anos de psicodrama, então, podem, sim, ser coisas do processamento cerebral, da gente mesmo; pode ser também ondas advindas da pessoa que já se foi, a energia prânica, dela, que veio se manifestar... sei lá, acho que nunca, nós, que estamos aqui, saberemos direito, nem poderemos afirmar cem por cem, o que é que acontece."

Mas, agora de tarde, nesta sexta-feira bem quente, recebi esta...esta solução, digamos assim: “Não, não tava na tua mão nada que pudesse frear o que estava por vir, tu foi sim, pró-ativa, tu te disponibilizou... e tu não conseguiu! Ponto. Como ele também não conseguiu".
Então, quero só dizer que... que é isso...! Né? Cada um faz aquilo que pode.
Este não é uma ponderação sobre ações e, sim, uma reflexão de aceitação.


Uma época de sombras

Estávamos nos meses finais do pós ditadura, o país se preparando para as Diretas, Já! - todos embalados por um sentimento de libertação, os brados ardorosos do Ulisses Guimarães. 

Eu chefiava uma seção de informação para faturamento, em uma empresa de economia mixta onde trabalhava. Havia muitos erros no preenchimento dos formulários, o que demandava mais tempo para processar (manualmente, com o auxílio de uma máquina contabilizadora). Também sabia que o clima organizacional daqueles trabalhadores era bem ruim, com punições e suspensões seguidas. Com humilhações públicas que eu mesma presenciara, sem que ninguém tomasse uma providência junto à gerência que, mais tarde, tive a certeza que era conivente com os maus tratos.

Resolvi que, pelo bem de meus funcinários e também por aqueles que trabalhavam na operacional, algo tinha de ser feito. Peguei a pasta com os documentos de normatização e instruções de preenchimento, levei o assunto para meu gestor direto e pedi autorização para, após o meu expediente, comparecer na área deles, no horário de intervalo deles, e lermos juntos os documentos básicos, tirando todas as dúvidas possíveis. Ele concordou e eu fui.

Foi assim que começou a minha trajetória, digamos, 'popular' entre a área operacional daquele grande centro de coleta e distribuição. Claro que a notícia logo se espalhou. E quando irrompeu um movimento nos centros de distribuição do centro e nos setores de telecomunicações (também no centro da capital), logo me instigaram a participar do movimento, representando-os. Primeiramente não quis ir, mas, depois, senti que este momento tinha de ser enfrentado e vivido.

Em outro post talvez me decida a abrir um tanto deste episódio tão significativo em minha vida, onde entrei 'meio no susto' e que foi uma experiência muito forte. 

Bem, só posso dizer que vivemos momentos muito densos, muito tensos naqueles meses. Todo o ambiente estava coagido, mil olhos, muita censura, muitas ameaças e insinuações. De todos os tipos.

Naquela noite, sem nenhum aviso, eu sozinha em casa (por sorte havia levado minha filha para dormir na casa da avó), apertou o interfone um amigo nem tão próximo, que eu conhecera só pelas reuniões e encontros. Vou chamá-lo aqui de Vinicius. Queria falar comigo. Disse que era importante.

Eu me preocupei um tanto em deixá-lo entrar. Uma, por eu estar sozinha, ser noite. Outra, pelo que os vizinhos iriam dizer... Sim, eu recebi umas duas vezes um grupo de colegas do movimento paredista para estudarmos ações, mas era um grupo. Todos entraram e saíram ao mesmo tempo.


As pressões no trabalho


Decidi que o deixaria entrar. Vinícius estava calmo, uma 'calmeza' quase apática, pensei que estivesse meio drogado. Sentou no sofá, eu em frente a ele, começou a falar das pressões que estava recebendo de seu chefe imediato, que todos sabíamos ser um ditador, um humilhador, um arrogante feroz (que vontade de escrever seu nome completo aqui!).

Eu escutava e intervinha, também, pedindo, o tempo todo, que ele mantivesse a calma e persistisse. Apontou para a sandália que estava usando, mostrando as várias e grandes bolhas que tinha nos pés. E que queria ter ido ao médico e o chefe não deixou, obrigando-o a usar o vulcabrás pesado que fazia parte do uniforme. Ele não conseguia andar tão rápido, pela dor das bolhas que estouravam e esfregavam, aumentando ainda mais as feridas. Havia recebido ameaça de demissão caso não conseguisse "deixar o serviço em dia". 

Pedi novamente que tivesse calma. Que, quando a turbulência era por demais, talvez fosse um sinal para ele sair deste emprego, ele, que era um rapaz muito bonito, boa compleição física, sorriso aberto, bom, poderia candidatar-se a modelo. Tantas outras coisas.


A traição da noiva


Ele ouvia, sorriso meio bobo, desesperançado. Quando resolveu falar de novo, apareceu a dor mais atroz: sua noiva havia desfeito o noivado, assim, sem mais nem menos, dizendo-se apaixonada por um conhecido de ambos, morador da janela em frente, no prédio vizinho ao que ele morava. E, pior: na noite anterior, ao chegar em casa, a janela do vizinho-ex-amigo estava escancarada e ele (vizinho) e a ex-noiva estavam fazendo sexo "às ganha!" (expressão nossa, da época, e que significa "furiosamente"). Ele disse que não queria mais voltar pra casa. Que não sabia o que estava sentindo ao certo. Que não tinha mais rumo.

Falei tanto, aconselhei o melhor que pude, oferece chazinho, coloquei minha mão em seu ombro. Tentei reforçar sua auto estima, comentei de meus momentos cruciais já vividos e do quanto, depois de um tempo, aquilo tudo se dissolve, ou, pelo menos, diminui de intensidade. Sugeri que não fosse ao trabalho no outro dia, que fosse ao médico, que avaliasse a possibilidade de sair do emprego. Dar um tempo. Talvez ir morar com a mãe por uns meses, ou na casa de alguém conhecido. Até melhorar.

Foi quando me disse que havia uma arma em sua mochila.
Eu tentei dissimular o mais que pude, pois aquilo mostrava o descontrole emocional em que ele estava. Temi por ele, temi por mim, pensei em minha filha, no quanto estava exposta. Sozinha. Em segundos chamei meu Anjo-da-Guarda (ou o nome que se quiser dar quando se invoca uma Força Extra) e procurei manter a calma.

Comentei o quanto ele deveria repensar sobre isto. Que agora ele estava sofrendo muito, e com toda a razão, pois o mundo estava ruindo e ele dentro, mas que era nestes momentos que a gente tem de manter a cabeça fria. Que ela não merecia, pelo que fez a ele, que agora ele tentasse revidar com violência pois, sim, poderia dar cabo da moça e do novo companheiro, mas - ponderei - "e a tua vida? Também vai estar destroçada, pois, ao invés de um futuro promissor, cadeia!" 


A última noite de um amigo


"Um novo amor sempre se encontra", ponderei. Um novo emprego, nas tuas condições, também! É uma idade de muitas possibilidades, usa a cabeça, meu amigo!" 

Ele estava titubeante. Continuava desorientado. Já estava ficando tarde. Pensei em convidá-lo para dormir em minha casa. Receei que ele tentasse sexo comigo, ou me apontasse a arma no meio da madrugada (que já estava adiantada). 

Não convidei para ficar. 

Ficamos em silêncio por um tempo.

Ele se levantou, devagarinho, silencioso. Pegou sua mochila, colocou em um dos ombros e foi se dirigindo à porta. Tenho de confessar que, internamente, eu estava meio aliviada. Pensei que havia conseguido dissuadi-lo a não matar a ex, nem o novo companheiro dela. 

Ele foi indo pelo longo corredor, devagar. Apertei sua mão, dei uma abraço. Pedi que mantivesse a calma. Que iria vê-lo no seu local de trabalho no outro dia pela manhã, apesar da proibição que eu havia recebido de 'não pisar mais lá'. Que ele era meu amigo. E que era importante tê-lo como amigo. 

Ele foi descendo as escadas, eu fiquei em cima, olhando. Ele parou, me olhou longamente, eu disse ainda: "Por mais que um amor, hoje, seja importante, há um outro esperando pra te conhecer. Por amor não se morre."

Desejei Felicidades e disse: "Até amanhã!" Ele só continuou com aquele sorrisinho bobo, desolado, triste. Entrei em minha casa. Agradeci à Força Divina por eu estar a salvo, por minha filha continuar a ter mãe, rezei muito, muito, por ele, para que tivesse Luz, para que sossegasse seu coração tão ferido.

No outro dia, mal cheguei à minha sala, veio um colega dele e avisou: "O Vinicius se matou! Um tiro na orelha!"

Chorei muito.

Sensação de impotência geral.


Seguindo em frente


Ainda hoje me machuca bastante todo este episódio. E tantos outros, vividos nesta minha longa vida. Queria que as coisas fossem diferentes. Mais amenas. Mais saudáveis. Mais alegres.

Este querido amigo não conseguiu ultrapassar os momentos difíceis daqueles tempos. Sim, poderia haver outros mais lá na frente (pois assim é a vida!), mas haveria tantos momentos felizes, também!!

Se estivesse ainda aqui, seria um homem já maduro (ele tinha creio que uns 5 anos a menos que eu, era seu primeiro emprego). 

E talvez, se ainda mantivéssemos contato, poderíamos sorrir, lembrando, e erguer um brinde à persistência dele, à resiliência, tão necessária, para enfrentar desafios e lutas, mesmo quando parece tudo terminar na próxima esquina. 

Não termina. E pode mudar pra melhor.

Fica a lembrança doída, pois sempre tem alguém que se importa.

Fica a tentativa de que mais pessoas façam o seu possível para ajudar o outro. Ainda que não consigam. Algumas vezes dá certo. E é assim, de tentativa em tentativa, que se vai conseguindo.

Fica a certeza de que viver vale a pena, que não se deve desistir, que o peso de hoje fica mais leve amanhã, que a auto estima p-r-e-c-i-s-a  ser aumentada e validada todos os dias.

Fica a certeza que sempre há quem nos ama! Sempre!








 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano.






sábado, 14 de setembro de 2019

Prevenção ao suicídio - Intenções de quem se automutila, de quem fere a si mesmo, de quem se tira a vida










Marise Jalowitzki


Sempre que alguém volta-se a si mesmo, com o intuito de se machucar, de se ferir, está a evidenciar sua incapacidade de lidar com o meio, de enfrentar as situações conflitantes, de se sentir impotente para reagir. O sofrimento da impotência precisa se expandir e ele opta por se machucar como forma de obter alívio para aquilo que profundamente o desgosta.

Na primeira infância, crianças costumam gritar, ou chorar [ou ambos] quando se sentem impotentes, impedidas de fazer algo. Na querida pessoinha que se sente aprisionada, mas, desde cedo, mostra que não temo ímpeto de se rebelar contra quem a está submetendo, ela se volta contra si mesma, se automachuca, se automutila, seja batendo a cabeça contra a parede, se mordendo, batendo em si mesma, enquanto chora. Mais tarde o processo pode agravar-se e enveredar para cortes, que vão desde "riscos" até cortes profundos e de consequências bem graves, até o suicídio. 

Usualmente, a pessoa que se automutila não está querendo terminar sua própria vida; ela usa esse comportamento como uma maneira de aliviar a dor emocional, o desconforto de uma situação aflitiva (crises, brigas, incompatibilidades, acusações, negligências, exclusões, abusos). Aí, para aguentar o sofrimento, tipo uma válvula de escape, começa a se cortar nos braços, pernas, abdômen, coxas, etc. - por iniciativa própria ou até mesmo aconselhada por algum amigo (presencial ou virtual) que assegura o grande alívio que irá gerar depois dos cortes. 


As mutilações geralmente acontecem em áreas onde possam ficar ocultas dos pais ou mesmo de outros amigos e colegas na escola; áreas cobertas pelas roupas, o que faz com que o processo seja desconhecido pelos pais durante um longo tempo.

A adolescência e juventude caracterizam-se, historicamente, pela insurreição, pelo aborrecimento, pelo tédio, depressão, intenções de suicidalidade e até mesmo suicídio de fato. 

Usualmente, os pais, observando um comportamento mais arredio, no pior dos casos, se irritam, xingam, mandam fazer algo. Só agrava a situação, pois a sensação de ser mal querido(a), não aceito(a) só aumenta. E a revolta também. Consequentemente, a automutilação e as tentativas de suicídio. 

Também há os pais zelosos, que se sentem impotentes, que não sabem o que fazer, e levam, imediatamente, a um psiquiatra. Desculpem, mas se não acontecer uma terapia familiar, onde os diferentes componentes sejam ouvidos (ora isoladamente, ora todos reunidos), também, dificilmente, vai acontecer uma melhora em todo o ambiente. É preciso ir ao cerne da questão, ao que leva de fato ao comportamento que precisa de amparo e intervenção certeira.

Some-se a isso os grupos (presenciais ou virtuais) de incentivo a essas práticas e a aflitiva situação está criada, muitas vezes com resultados bastante tristes. E irreversíveis. O adolescente, os jovens e os jovens adultos são altamente influenciáveis e a opinião, ainda que devastadora, de pessoas que parecem entender o que eles sentem, possuem um poder capaz de conduzir a atos anteriormente impensáveis!

Medicação como única intervenção


uso de medicação costuma ser a primeira intervenção,
mas tem de ir ao cerne, senão, o quadro só tende a piorar
Caso a família opte pelo uso de psicotrópicos, que tenha conhecimento que muita coisa pode advir deste uso: nos primeiros tempos, pode ocorrer uma  melhora significativa, depois, com o uso prolongado, pode voltar ao que era e mesmo piorar bastante. 

Você tem ideia de quantas notícias ouviu, só neste ano, de pessoas com depressão, que faziam uso das drogas psiquiátricas (anfetaminas e antidepressivos) que acabaram se suicidando? Geralmente por enforcamento. Tristíssimo! E ainda tão pouco falado. E este alerta (do uso de medicamentos poder induzir ao suicídio) consta até mesmo na bula!!!

Muitas vezes, como saliento sempre, a questão também necessita de um ajuste alimentar, com a ingestão de nutrientes que aumentem o nível de serotonina (hormonio da satisfação, da alegria, da sensação de otimismo e mesmo felicidade). Tomar sol (ou suplementar a Vit D) e passeios ao ar livre costumam causar efeitos bem satisfatórios.

Informe-se!
Esteja atento!


Procure alternativas não invasivas!
Esteja presente!
Seja um presente!


Link deste texto: https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/09/suicidio-intencoes-de-quem-se.html






terça-feira, 10 de setembro de 2019

Prevenção ao suicídio - Crianças e adolescentes vítimas de bullying apresentam mais risco de ter comportamento suicida


A baixa autoestima da vítima, o medo dos dias seguintes, tudo são fatores que podem levar à depressão e, em muitos casos, a ideias de suicídio ou ao próprio ato em si.
Todos estamos envolvidos e é preciso agir para impedir o bullying uma das grandes causas de sofrimento de tantas crianças e jovens!

Nesta foto, episódio ocorrido em uma escola brasileira, T
ODOS SÃO RESPONSÁVEIS, desde os diretamente envolvidos como os funcionários da escola que assistiram e, igualmente, se "divertiram" com o sofrimento da vítima!





Marise Jalowitzki
10.set.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/09/criancas-e-adolescentes-vitimas-de.html




Não subestime os efeitos do bullying. O que pode passar por "coisa de garotos", tido por familiares e educadores como "passageiro", só é moleza pra quem ouve ou, pior, pra quem faz. Pra quem recebe é cruel e deixa rastros que podem durar a vida inteira ou, mais devastador, interromper a vida de quem sofre.

“Devolver na porrada” como declarou há algum tempo alto mandatário do país, não resolve não, só piora. Além do que, felizmente, muitas crianças nem tem este perfil agressivo e violento [uma das razões, exatamente, para as perseguições sofridas]. É preciso erradicar esta prática abusiva que tanto sofrimento traz a quem recebe. 

No jovem que é vítima de bullying, há duas vezes mais probabilidade de desenvolver depressão, três vezes mais propensos a relatar ansiedade e 3,5 vezes mais propensos a ter pensamentos suicidas sérios ou tentar o ato em si. Não subestime o sofrimento do outro. 


Não sabe o que fazer? 

Dedique atenção, seja presença, esteja perto, denuncie!

Contate com o CVV (Centro de Valorização da Vida), através do telefone 188, onde milhares de voluntários são treinados para acolher quem está com ideação suicida, como também os familiares.

O CVV é uma entidade sem fins lucrativos, fundada há 57 anos e tem representação em 19 estados e no Distrito Federal. O telefone 188 (gratuito para todo o país) é o principal canal de atendimento.

Foto: Dois garotos de 14 anos atacam um menor, de 9, em um corredor da escola. Eles dão chineladas e provocam, enquanto um outro jovem filma a agressão com um celular. Nas imagens, é possível ver adultos, funcionários da escola, observando o ataque como se nada estivesse acontecendo. O caso, ocorrido na Escola Municipal José Alves de Azevedo, em Brejo da Cruz (PB), em 13 de setembro-2017, se espalhou nas redes sociais e causou grande revolta em educadores e pais. Não apenas pelo ato em si, mas também pela passividade de quem deveria proteger a vítima. TODOS SÃO RESPONSÁVEIS!

Serviram de fonte para a imagem:
https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1884/os-funcionarios-presenciaram-uma-agressao-e-nao-fizeram-nada-e-agora

Site do CVV: https://www.cvv.org.br/o-cvv/


quarta-feira, 5 de junho de 2019

Brasil sofre uma epidemia de ansiedade. Somos o país com mais pessoas ansiosas do mundo, diz a OMS



Por Marise Jalowitzki
05.junho.2019
https://compromissoconsciente.blogspot.com/2019/06/brasil-sofre-uma-epidemia-de-ansiedade.html

Não tem uma semana que não leio sobre jovens que se suicidaram e que sofriam de ansiedade e-ou depressão. Suicidalidade é um dos efeitos colaterais dos psicotrópicos (tá na bula!).

Uma tristeza ver a exacerbação da medicalização!!

São 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) que convivem com o transtorno. Objetivos além do seu possível, cobrança excessiva a si próprio, aceitação excessiva das cobranças e julgamentos dos outros, "receitas prontas" de como ter sucesso, realização, ser o "must", alimentação indevida, má qualidade do sono e metas desajustadas são fatores que, aliados ao desmesurado incentivo ao consumo, fazem com que a maior parte da população viva ou triste e arrependida em relação ao passado (remorso, desilusão) ou preocupada com o futuro (medo e stress por algo que ainda não viveu). Ou seja, nada do hoje, nada do agora, nada do que realmente faz a diferença! 

Aprender a ver a Vida com seus diversos fatores, o que inclui stress, frustração, estilos de ver e sentir diferenciados, e em tempo diverso, tudo isto auxilia na diminuição da ansiedade e tantas outras "tarjas".


Como diz Raul Seixas: 
"Se você correu, correu tanto
Não chegou a lugar nenhum
Baby, oh! Baby!
Bem vindo ao século 21!!!"


É isso aí!!


Psicotrópicos são muletas que viciam. Tem de pesar MUITO a relação custo-benefício (uma criança consegue avaliar??? claro que não!!). E, mesmo que os pais optem por medicar, ou o adulto encontre certo conforto ao tomar as drogas psiquiátricas, saiba que deve ser por um tempo determinado! Depois, o efeito rebote toma conta!


Para muitos médicos, em especial os da área da psiquiatria, receber um paciente significa prescrever medicamentos controlados, os famosos "tarja-preta", já na primeira consulta... Infelizmente, são passados como se fossem docinhos, sem anunciar o risco de efeitos colaterais... ou o indivíduo chega tão desesperado que nem se preocupa mais se tiver o famoso efeito rebote, que é quando o medicamento começa a não fazer mais efeito, ou piora a situação inicial ou, ainda, faz surgir novos sintomas e doenças (as famosas comorbidades). 

Ontem mesmo, vi um senhor sentado em uma das cadeiras do Banco, máximo 45 - 50 anos, batendo ritmadamente uma das pernas, as mãos, "roendo" os maxilares sem poder frear.

Triste.


Embora, na maioria das vezes, nas primeira doses, o indivíduo se sinta muito bem, no uso prolongado a situação costuma frequentemente se modificar substancialmente e o que era alívio passa a ser pesadelo.

O Medo 
O medo é um componente voraz. Depois que a pessoa "se convence" que tem um problema, torna-se ainda mais insegura, passa a depender da medicação. Mesmo quando o paciente argumenta que está realizando atividades físicas, ou meditação, terapia, que está cuidando da alimentação e  ele ouve de seu médico: "Não adianta, esta doença vai te acompanhar sempre, não há cura pra ansiedade, ela vai estar sempre ali te ameaçando" o que acontece? Este tremendo "balde de água fria" tem um efeito devastador! A insegurança aumenta, a autoestima vai pro saco, a dependência medicamentosa aumenta e os lucros da indústria farmacêutica também...


Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS


Medicalização *
Leandro Karnal, historiador e colunista do jornal O Estado de S. Paulo, aponta outro lado da questão e vê uma "medicalização" do comportamento humano. "Se o aluno não consegue acompanhar as aulas, dão remédio para ele. Nem todo mundo que não presta atenção tem déficit de atenção. A aula pode ser chata mesmo", argumenta.
Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, chama a atenção para o que ela intitula de "epidemia de diagnósticos", que envolve leigos e profissionais de saúde. Para ela, cada um de nós hoje usa a lógica médica para olhar para o outro e dizer: "Essa pessoa é chata; essa pessoa tem TOC; fulano surtou". "Nós vivemos à base de diagnósticos e, quando fazemos isso, apagamos a pessoa que está por trás dele".
( * Os dois últimos parágrafos deste post foram retirados do LifeStyle Ao Minuto )

É sabido que um dos maiores indutores à ansiedade é o consumo de açúcar. Querendo, leia sobre o que fazer para diminuir o consumo, clicando AQUI:


Um dos grandes desafios dos profissionais da área médica  é conscientizar as pessoas contra o uso excessivo de açúcares adicionado a bebidas e produtos industrializados. Claro, depois que eles próprios tiverem esta conscientização.


 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

Querendo, leia também:

Sobre os interesses da indústria farmacêutica e a ética médica

É alarmante como eles conseguiram
psicopatologizar a infância. 



http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2015/10/sobre-os-interesses-da-industria.html













"A psiquiatria está em crise."





Por 
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2016/08/doencas-mentais-nao-se-devem-alteracoes.html







Poderá gostar também de:






http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2017/08/anatomia-de-uma-epidemia-pilulas.html












SÍNDROME DE STEVENS-JOHNSON


Síndrome de Stevens-Johnson (SJS) e um novo fármaco anti-epiléptico, oxcarbazepina, está estruturalmente relacionado com a carbamazepina, também tem sido demonstrado como indutor de SJS." ( NCBI -Gov.EUA) - Trileptal - carbamazepina - oxcarbazepina - Tegretol -





Modafinil,  Stavigile no Brasil, comercializado
também como Provigil, Vigil, Modioda,
Modavigil, Vigicer. Nos EUA, os riscos foram
considerados altos de mais
e o medicamento foi proibido para crianças.




http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2017/04/sobre-o-uso-de-modafinil-e-ritalina-em.htm























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