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quinta-feira, 28 de abril de 2016

O Social no contemporâneo



Medicação não substitui Amor, Carinho, Compreensão, Companhia, Entendimento, Aceitação.



28.abril.2016
http://compromissoconsciente.blogspot.com.br/2016/04/o-social-no-contemporaneo.html
http://marisejalowitzki.blogspot.com.br/2016/04/o-social-no-contemporaneo.html

Hoje à tarde fui visitar um CAPS e assisti a uma reunião. Já sabia o que ía encontrar, pois não é a primeira vez que sou convidada a participar. Sorry aos que pensam diferente, mas meu coração se aperta! Não havia um rostinho que não demonstrasse estar sob efeito de psicotrópicos. Quando esta situação social vai mudar? Saí da reunião carregando a sensação de impotência e passei na farmácia para comprar pasta de dentes Condor (que não testa em animais). No balcão, um rapaz comprava Concerta, de cabeça baixa. Fui para a fila, onde dois caixas se revezavam no atendimento. Em uma delas, uma cena insólita: uma senhora chorava porque não poderia levar os psicotrópicos pra casa, pois só poderia adquirir novas caixas após fechar 30 dias.
- O que vou fazer? - lamentava-se ela - desde ontem já estou tremendo! Olha aqui! Não era assim antes! Não posso mais ficar sem este "remédio"! Me dá só um pedacinho, só um comprimido, aí no sábado venho buscar as caixas!
Gente! Que triste! Os tremores vieram em decorrencia do remedio, é a chamadsa discinesia, efeito colateral de tantos psicofármacos... e a senhora achando que ela é que havia "piorado" por si só, não em decorrencia do tarja preta. Quando esta situação social vai mudar?
Sério, não consigo entender como o Brasil chegou a este ponto! Como pudemos aceitar que a situação chegasse a este nível? Esta subjugação medicamentosa é atroz! Tantas pessoas parecem não se conceber sem psicofármacos!!!
Sim, são raros [mas existem] os especialistas em nosso país que possuem esta consciencia de temporalidade. Medicação tem de ter um tempo certo, em quase todas as situações, pra que os eventuais benefícios não sejam amplamente ultrapassados pelos prejuízos à saúde! Sendo que os riscos são imensamente maiores quando administrados em um corpinho novo, em pleno desenvolvimento, com todas as partes - incluindo as cerebrais - tão permeáveis e sujeitas a absorver componentes impróprios!
Uma amiga comenta: "Triste realidade que infelizmente se depender da indústria farmacêutica e de alguns profissionais médicos, não mudará. Estes medicamentos viciam e matam!!!"
Vdd! Indústria que, como toda corporação, visa lucros sempre crescentes! Quando procuro entender um pouco mais de como se formatou este processo de dependencia medicamentosa, vejo que os fatores são vários: muita propaganda enfatizando a necessidade de "ser vencedor", e "vencedor" como sinonimo de muitas posses, fala fluente, sempre o primeiro lugar.... ninguém fala em felicidade! ... Aí, as pessoas correm atrás de financiamentos, empréstimos, compras a prazo, consórcios, pra ostentar aos outros algo que nem sempre conseguem abarcar. Instala-se a ansiedade e a "certeza" de serem incapazes... entram os médicos e, tantos deles, apenas com a canetinha pronta pra rabiscar a "solução"...rápida, instantânea, sem esforço!! ...como "tudo" na vida moderna. Ineficaz, como quase tudo, na vida moderna! E não consigo entender, também, como as pessoas [e tantas delas cultas, com acesso à informação], acreditam mais na força dos psicotrópicos e TEMEM aceitar a indicação de um Floral, que não apresenta NENHUM dos efeitos colaterais daqueles exigidos sob receita! Muito, muito triste o ponto em que, enquanto população, e população ativa, chegamos!
Quando boas conversas, muita conversa, terapias, atendimentos psicológicos e de inserção, deveriam estar em primeiro plano de intervenção! Quando esta situação social vai mudar?
Uma mãe coloca: "Ainda bem que estamos conseguindo fazer com que meu filho tenha uma vida saudável e feliz sem o uso de medicação, a cada relato que ouço ou leio me sinto mais na direção certa." Bençãos e Bençãos! Pois é nos pais que reside todo o poder de nortear o futuro de seus filhotinhos!!! Pais, vocês acreditam em seus filhos?
Um amigo compartilha: "Coisa mais triste ter que tomar remédio para anular outro. Jamais deveria acontecer isto tudo." Pois esta é a roda viva que se instala, não é mesmo? e, aí, este segundo - que pretende anular alguns dos efeitos nefastos que o primeiro causou, provoca interação de um terceiro componente... vários médicos "explicam" que é "da própria doença"...e acaba o que se vê, corriqueiramente, na tv: pessoas apresentando seu grande caixote transparente, cheinho de psicofármacos, como se tudo aquilo fizesse parte do quadro!!! Recentemente apareceu uma senhora idosa ostentando seu baú de drogas e orgulhando-se que os conhecidos a chamavam de "médica", disse, em voz pastosa: "Todos vem me procurar e seu sempre tenho um remedinho pra dar!..." antigamente ouvia-se das chazeiras-benzedeiras, que davam uma folhinhas pra fazer um chá, rezavam, davam um abraço cheio de sorrisos!! Hoje, automedicação tarja-preta! Isto pode se chamar de progresso e desenvolvimento? Só posso acreditar em mudança para melhor de indivíduo para indivíduo!!
Marise Jalowitzki
 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável. marisejalowitzki@gmail.com 

blogs:
www.tdahcriancasquedesafiam.blogspot.com.br


LIVRO TDAH CRIANÇAS QUE DESAFIAM
Informações, esclarecimentos, denúncias, relatos e dicas práticas de como lidar 
Déficit de Atenção e Hiperatividade


Para os que tem dúvidas em relação à medicalização de psicotrópicos em crianças





"Movimentos populares acontecem nos EUA e no mundo, - especialmente os liderados pelos pais que perderam seus filhos, vítimas fatais pelo uso prolongado do metilfenidato (Ritalina e Concerta, no Brasil) - expondo seus manifestos contra o medicamento, divulgando casos de pessoas que, apesar dos sintomas do TDAH são bem sucedidas, na tentativa de convencer a outros pais de que é possível criar seus filhos-problema sem o metilfenidato. Simultaneamente, também acontecem movimentos de pessoas vítimas dos sintomas e do preconceito, que sentem na pele o sofrimento advindo da dificuldade na apropriação da aprendizagem, da exclusão social e do sentimento de perda da identidade e se reúnem em grupos que reconhecem como sua família; estes últimos querem que o mundo reconheça que são doentes e que os sintomas realmente existem e causam sofrimento. Os dois grupos tem razão. 


O metilfenidato é uma anfetamina que pode causar danos graves sim, e pior ainda quando administrada em pequenos, que ainda não tem capacidade de decisão sobre suas vidas. Hoje, pais se sentem lesados e traídos, exigem que sejam amplamente repassadas todas as informações, apresentados todos os riscos,antes de iniciar o tratamento farmacológico e que sejam acenados também os outros tipos de tratamento, onde o acompanhamento psicológico é o principal. E, com relação aos manifestos do segundo grupo, dos portadores dos sintomas que identificam o TDAH, e que querem ser reconhecidos como doentes (e não como ‘vagabundos’ ou  ‘retardados’) é um direito cidadão que lhes assiste, sem dúvida nenhuma. Os sintomas são notórios, os problemas e embaraços, também." Livro TDAH Crianças que Desafiam

(págs. 10 e 11)
  




Por Marise Jalowitzki 




Pessoas sempre foram e sempre serão diferentes entre si. Diferentes
métodos e abordagens para conhecer e classificar esta diversidade
continuam sendo praticados e oferecidos.
(...)

Tudo são filosofias e visões inclusivas,que buscam identificar as habilidades, qualidades e características de cada indivíduo e aproveitá-las da melhor maneira possível. Não uniformizar sob mesmos comportamentos e reações. Manter a diversidade, aprimorando as relações e o desempenho.





TDAH - A Escola reclama. Os pais estão preparados?



A desobediencia, a impulsividade, a contestação tambem são características dos destemidos, dos empreendedores, dos líderes!
Por Marise Jalowitzki





terça-feira, 7 de dezembro de 2010

RS lidera índice nacional de suicídios - AJUDE A PROMOVER A VIDA!





Rio Grande do Sul lidera índice nacional de suicídios -
AJUDE A PROMOVER A VIDA!

Por Marise Jalowitzki

VALORIZE A VIDA!
CURTA O QUE VOCÊ É!
VOCÊ É EXATAMENTE DO JEITO QUE DEVERIA SER!
ACEITE-SE!
ABRACE MUITO E VIVA FELIZ!

Não quis acreditar logo que li a entrevista, mas, é verdade: o Rio Grande do Sul lidera índice nacional de suicídios. Há cidades no interior do estado, como Candelária e Venâncio Aires, que apresentam os maiores e mais alarmantes números, aproximando-se dos índices ocorridos no Japão, país que historicamente está entre as maiores ocorrências de suicídio do mundo.
Por isso, apesar do tema ser constrangedor, estendo o convite para a leitura na íntegra da entrevista com o Dr. Ricardo Nogueira (2009). Também neste ano, em setembro (10 - Dia Nacional de Prevenção ao Suicídio), minha filha Dizy Star assistiu a entrevista em canal televisivo e me avisou.
Foi aquela entrevista que motivou o artigo "Natal e Suicídios", publicado neste blog no link:  http://t.co/Ez33QwY 
A proposta dos participantes do Programa é levar conhecimento, prevenção e tratamento às vítimas que sobreviveram, também aos familiares; além de solicitar o engajamento sério da população para a PROMOÇÃO DA VIDA!

O perfil dos suicidas
Já tentaram antes
Já procuraram atendimento e apoio, pelo menos 6 meses antes
Já fazem uso de algum medicamento ou drogadição
O que assusta é que a maioria dos suicidas são idosos e pessoas mais velhas, 90% são agricultores, pouco estudo e a maneira utilizada é morte por enforcamento.
No RS, uma média de três pessoas por dia tira a própria vida, número extremamente preocupante, principalmente se comparado ao resto do Brasil.
Segundo dados da Secretaria da Saúde, em 2009, 1108 pessoas cometeram suicídio no estado. Os profissionais enfatizam a necessidade de se falar mais sobre o tema, considerado tabu, como alguns outros (drogas, alcoolismo, homossexualismo, etc.), já que os números crescem, apesar do silêncio.Marise Jalowitzki


Entretanto, é preciso quebrar este silêncio de uma maneira que promova a vida, que é a maneira correta, educativa, salvadora.

Os meses de maior incidência são dezembro e janeiro, onde o número de suicídios entre os gaúchos supera o de homicídios. É uma época de festividades e balanço emocional, o que mexe sobremaneira com as emoções.

Há uma conclamação para que todos os que sentirem um quadro depressivo, uma imensa saudade, uma grande frustração, procurem apoio emocional, procurem ajuda, seja nos serviços de saúde, o Caps, a Unidade Básica de Saúde, com psiquiatras ou psicólogos, o que, na maioria dos casos, torna possível reverter a situação.

AJUDE A PROMOVER A VIDA!!!





Escritora e consultora organizacional
http://www.compromissoconsciente.blogspot.com/
Porto Alegre - RS - Brasil

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Link do órgão oficial de saúde:

Link contendo a transcrição da entrevista com o psiquiatra e pesquisador Ricardo Nogueira:
http://cuidandocuidadores.blogspot.com/2009/12/suicidios-no-rs-publicado-no-ihu.html

Suicidios no RS -publicado no IHU - Unisinos - Importante saber!
18/12/2009
''Os números de suicídios no Rio Grande do Sul assustam''. Entrevista especial com Ricardo Nogueira
Ricardo Nogueira é mestrando em saúde da família pela Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro, pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisa em Saúde Coletiva (CEPES) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e atua como médico psiquiatra.

IHU On-Line – Quais as peculiaridades do RS, em comparação aos outros estados brasileiros, no que diz respeito aos dados que o senhor apresenta sobre os casos de suicídios?

Ricardo Nogueira – O que mais chama a atenção é o número de casos. O Rio Grande do Sul, em relação ao Brasil, tem um número muito maior de suicídios que os outros estados.
Existem três cidades com os maiores níveis do mundo, e existem pequenas cidades que têm números muito maiores. O que assusta é que, até hoje, o número de suicídios é maior entre os idosos e as pessoas mais velhas, mesmo havendo uma diminuição de suicídios nesta faixa etária e um aumento entre os mais jovens. Em Porto Alegre, os números têm nos assustado muito porque a maior incidência é entre os jovens na faixa dos 15 aos 29 anos.
Na avaliação que fizemos, há uma progressão epidemiológica e uma tendência crescente nos números. Isso nos deixa muito preocupados. Analisamos esses números com epidemiologistas, técnicos e com profissionais da nossa área que dizem exatamente o que nossa pesquisa aponta: que há uma urgência de se ter um programa de prevenção ao suicídio.

O que temos até agora são constatações e diagnósticos, então nós temos que partir imediatamente para o combate. E fazer isso como foi feito na Suécia, Dinamarca, Noruega, Hungria e em Israel, aplicando-se inquéritos, pesquisas e entrevistas com sobreviventes, aqueles que tentaram suicídio e não conseguiram, e entre seus familiares, porque se constatou que o
suicídio é um problema familiar, existem famílias que têm essa tradição do suicídio.
Quase 100% dos pacientes que foram ao óbito através do suicídio procuraram ajuda uns seis meses antes na rede, nas Unidades Básicas de Saúde, nos Capes, em consultórios particulares, em serviços de emergência ou pronto-socorros.
O problema é que falta um treinamento, e, por isso, estamos propondo e criando um manual de prevenção ao suicídio para ser aplicado a nível dos agentes comunitários de saúde, dos profissionais das Unidades Básicas, dos Capes e dos hospitais, ou seja, em toda a rede, não só na de saúde, mas na rede de segurança.

Muitas vezes, os bombeiros, a Brigada Militar e a Polícia Federal é que são chamados para dar esse atendimento. É preciso também um treinamento na área social, nas secretarias de assistência social e na área de educação, pois, os sintomas aparecem na escola, nas atitudes dos pacientes.
A maioria dos pacientes que vão ao óbito através da tentativa de suicídio já está em algum tipo de tratamento médico, já teve alguma doença psiquiátrica ou é viciada em álcool e drogas, como o crack.
Inclusive, Porto Alegre, e Curitiba, são as duas capitais do Brasil onde aumenta cada vez mais o número de suicídios entre jovens, na faixa etária dos 15 aos 29, uma faixa que chama a atenção por causa do uso dessas drogas. Estamos sofrendo no Rio Grande do Sul uma epidemia do uso do crack, então ainda não temos uma comprovação científica fidedigna. Nossa pesquisa vai partir para esse viés também, para analisar a associação da droga com o suicídio. Queremos aprofundar isso.

Temos outro problema por sermos vizinhos do Uruguai, um dos países que tem mais suicídio no mundo. Inclusive foi lá o Congresso Mundial de Prevenção ao Suicídio onde apresentamos nosso trabalho. Há um chamado contágio nas cidades fronteiriças e é preciso se pensar nisso. Dizemos que o trabalho de prevenção ao suicídio é de uma vida toda.

IHU On-Line – E que tipo de ajuda o suicida quer?

Ricardo Nogueira – As pessoas têm algumas dificuldades. Por exemplo, na nossa pesquisa, existem dois dados que não aparecem em nenhum outro tipo de investigação, são os dados que conseguimos através da Secretaria de Segurança, que tem um banco de dados excelente. O que chama a atenção é que essas pessoas que se suicidaram, um grande número delas, eram vítimas ou tinham feito boletins de ocorrência contra outras pessoas.


Não é normal, por exemplo, uma pessoa ter vinte ocorrências de delitos ou transtornos no trânsito. Ter um transtorno, uma multa ou um boletim de ocorrência, é normal, mas vinte, trinta ou quarenta, não é.

Estas pessoas estão com dificuldades na sua vida pessoal, afetiva ou econômica, e procuram uma solução. Muitas vezes, na cabeça da pessoa, o suicídio seria uma saída para acabar com seu sofrimento. A pessoa não suporta mais a situação que está passando e acha que a única saída realmente seria morrer.

O que estamos apontando é um treinamento para as equipes médicas de saúde e da área social, terapeutas e enfermeiros, e todas as equipes multiprofissionais, para que possam propor e ofertar o atendimento, o acolhimento e o tratamento desse paciente.

Nossa ideia é trazer esses instrumentos, aplicados na Suécia, Noruega, Hungria e Israel, que foram traduzidos para o português e estão validados no Brasil.

Temos alguns desses instrumentos que foram validados em Campinas, em São Paulo, e o trabalho de pesquisa lá mostrou que diminuiu em cinco vezes o número das tentativas de suicídio.

As pessoas que têm uma ideação suicida fazem várias tentativas, na maioria das vezes, elas não morrem na primeira. O intuito desse instrumento é fazer com que a pessoa prorrogue o tempo o máximo possível entre uma tentativa e outra. O mais comum é uma pessoa tentar o suicídio hoje, e, se não for bem sucedida, tentar novamente em trinta dias, se não for bem sucedida, novamente, provavelmente irá tentar dentro de 180 dias, seis meses. Então, nesse interregno, é óbvio que ela precisa ter tratamento, tem que ter cuidado e a prevenção a novas tentativas.
Aí eu digo e afirmo que há tratamento às tentativas e prevenção.
Outra constatação: o risco maior é entre pessoas que já tentaram anteriormente e em pessoas que têm familiares que já cometeram suicídio. Nosso foco fica menor, e então se pode trabalhar focado naquelas pessoas que têm um maior risco.

IHU On-Line – Quais foram os quatro municípios estudados e porque esses municípios foram escolhidos para essa pesquisa?

Ricardo Nogueira – Foram Santa Cruz do Sul, Candelária, Venâncio Aires e São Lourenço do Sul. Foram escolhidos porque são municípios com uma população média, pela questão logística e pela incidência e prevalência. Entre os quatro, temos Candelária e Venâncio Aires, que têm índices de suicídio entre os maiores do mundo, e eles ficam próximos um do outro. Para nós, isso dá uma facilidade logística para se deslocar, reunir as equipes e capacitá-las. Fizemos um projeto piloto e, a partir dele, vamos, para mais quatorze municípios, totalizando em dezoito municípios.

IHU On-Line – Que localidades têm registrado maior índice de suicídio?

Ricardo Nogueira – Conforme as pesquisas, são as cidades de Venâncio Aires, Canguçu, São Lourenço do Sul, Candelária e Santa Cruz do Sul onde têm ocorrido variações, há uma diminuição e, em seguida, um repique. Isso pode ocorrer em distorções. Por exemplo, essas são as quatro cidades em que fizemos a nossa pesquisa e o projeto piloto, são as que apresentam
maiores níveis, no entanto, quando se analisa na série histórica, uma análise de dez anos, constatamos que a cidade com maior índice de suicídios no Rio Grande do Sul é Santa Rosa.
Santa Rosa é a cidade que aparece na análise dos dez anos, mas, se formos analisar, no ano passado e no retrasado ela não aparece. Por exemplo, na lista das cinquenta cidades que têm mais suicídios no Brasil, dez são do RS, mas aí não aparece São Lourenço.Só para se ter uma ideia, em São Lourenço do Sul, uma cidade que possui entre 15 e 20 mil habitantes, tem mais suicídios ou um número semelhante a todos os suicídios de Belém do Pará, que é uma cidade do tamanho de Porto Alegre. Então, temos de ter muito cuidado com esses números por causa das distorções, mas essa situação no RS realmente chama atenção.
Conversei com o Secretário Estadual de Saúde, Dr. Osmar Terra, colocando para ele, dentro desses números, a emergência. Estamos com a proposta de continuar a pesquisa em mais quatorze municípios do RS que também apresentam números altos de suicídio, para que possamos, assim como em países europeus e Israel, que reverteram e, hoje, têm números negativos, trazer esses instrumentos que foram usados lá e aplicar aqui.

IHU On-Line – Na pesquisa que o senhor participou, qual o perfil dos suicidas?

Ricardo Nogueira – Em nossa pesquisa, a maioria são pessoas casadas. Antigamente, apareciam mais pessoas solteiras, separadas ou viúvas. 90% dos casos de
suicídios são entre brancos, 90% são agricultores, e, em São Lourenço do Sul, também aparecem pescadores.
A grande novidade da nossa pesquisa são os dados que recebemos da Secretaria de Segurança, de que as pessoas que se suicidam têm um número muito grande de ocorrências policiais como autoras ou vítimas. Um número muito grande, mais de 60% já estava tratando de doenças mentais ou usavam medicamentos psicotrópicos continuados, já tinham tentando suicídio anteriormente e tinham membros diretos de sua família que já haviam cometido suicídio.
O perfil que concluímos é que são trabalhadores rurais, brancos, católicos, casados e com nível baixo de ensino. A grande maioria, entre 60 e 70% se matam por enforcamento e dentro de casa, principalmente. A pesquisa, que foi feita junto com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão RuralEMATER, tem outro viés que levanta a questão do fumo e dos organofosforados [1]. Estão querendo que seja aprofundada a pesquisa nesta área para comprovar, ou não, que esses elementos são responsáveis pelo suicídio. Porém, mesmo que isso seja comprovado, nossa visão é para que haja uma prevenção ao uso do tabaco e dos organofosforados.

IHU On-Line – É possível prevenir o suicídio?

Ricardo Nogueira – Claro, sem dúvida. Nossa proposta concreta é a criação dos grupos de sobrevivência. São grupos com pessoas que tentaram suicídio e familiares. Através do grupo, pode-se fazer com que haja uma sensibilização da pessoa e também a questão da avaliação do próprio tratamento. Avaliar se o tratamento que está sendo feito é correto, pois, cada caso é um, e existem vários diagnósticos. Tem como fazer um tratamento para as tentativas de suicídios.
Vimos a questão dos jovens, e aí entram as cidades maiores. Os maiores números de suicídios de jovens estão em Porto Alegre, Passo Fundo, Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Carazinho e Santo Ângelo, não nesta ordem.
Inclusive, tem uma pesquisa constatando em quais os meses ocorrem mais suicídios e quantos suicídios ocorrem a cada mês.
Os meses com maior incidência são dezembro e janeiro.
Queremos chamar atenção para que as pessoas procurem ajuda, seus serviços de saúde, o Caps, a Unidade Básica de Saúde, seu psiquiatra ou psicólogo, porque, tendo-se uma equipe capacitada e treinada, é possível reverter a situação.
IHU On-Line – E qual o papel da mídia em relação aos suicídios?

Ricardo Nogueira – Esse é um problema. Existe um manual de prevenção do suicídio para a mídia, foi feito pela Organização Mundial de Saúde. Neste manual, há um cuidado muito grande, principalmente para os jovens, que é colocado como contágio.
 Há uma visão que diz que, quando se fala em suicídio está se estimulando, só que precisamos rever esta questão. É o mesmo que achar que, ao se falar em droga, estaria estimulando o consumo. Entendemos que o suicídio é uma realidade que está aí e, para ser combatida, tem que ser revelada.
Temos que divulgar isso. Claro que precisamos ter um cuidado de como colocar a questão. Uma orientação seria, ao invés de suicídio, falar da promoção da vida. Mas há uma contradição, pois, sempre, em qualquer situação, há um outro lado, que, neste caso, é o estímulo de algumas mídias, como a Internet, uma área muito perigosa. Nesta área, existe uma capacidade apavoradora, pois, enquanto estamos querendo implantar um programa de prevenção ao suicídio, estamos com o Grupo de Valorização da Vida, que é um único, do outro lado nossos “inimigos” são imensos e não se tem noção de quantos sites existem que nos combateriam. Estamos sozinhos. Um contra uma gama imensa, e não se divulgam esses números porque daí sim estaria se estimulando. Já houve um caso famoso em Porto Alegre de um jovem que teve seu suicídio acompanhado passo a passo através desse tipo de mídia. Esta é outra questão delicada que requer um cuidado muito grande, pois a situação é muito maior e perigosa do que se tem noção.

Notas:
[1] Substâncias químicas extremamente tóxicas que contém carbono e fósforo, sendo geralmente obtidas através do uso de sais orgânicos do ácido fosfórico.

VALORIZE A VIDA! CURTA O QUE VOCÊ É! VOCÊ É EXATAMENTE DO JEITO QUE DEVERIA SER! ACEITE-SE! ABRACE MUITO E VIVA FELIZ!



Alto índice no Estado pede atenção de profissionais de saúde e da imprensa


Mais sobre o tema na página de links, neste blog:

Direito à Vida


Suicídio - O que leva uma pessoa a desistir


Por Marise Jalowitzki
10.janeiro.2012
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2012/01/suicidio-o-que-leva-uma-pessoa-desistir.html






Querendo, leia também:

Natal é momento de avaliação e 
redirecionamentos, de abraços e gratidão


Natal - Festas e Reencontros

07.dezembro.2011




Marise Jalowitzki
Compromisso Consciente


Escritora, especialista em Desenvolvimento Humano,
Ecologista, pós-graduação em RH pela FGV,
international speaker pelo IFTDO-EUA
Porto Alegre - RS - Brasil