domingo, 13 de fevereiro de 2011

Porque não somos o Egito? - Egypt Cairo.2011



Povo Egípcio sobre a ponte no Rio Nilo, afasta os caminhões do Exército



PORQUE NÃO SOMOS O EGITO?


Por Marise Jalowitzki
13.fevereiro.2011

De arrepiar, não é mesmo?

Porque, com todas essas falcatruas, desmandos, abominações, fraudes, decisões erradas e irresponsáveis que crassam em nosso país, não nos organizamos como no Egito? Como na Praça Tahrir? Como na Tunísia? E agora, nos demais países árabes que fazem a onda se alastrar?


Com certeza, este tema tem martelado a mente de muitos e muitos. Como consensar os objetivos e se reunir para resultados comuns?


Brasil é grande, com cultos e culturas tão diversos.


Desigualdades brasileiras podem ser causa de desunião.

Desigualdades brasileiras podem ser causa de desunião. O que pode um "pobretão" que não tem dinheiro nem para comer, que dirá pagar um advogado? Irá pagar com a prisão ou a vida pelas suas ações.

Podem ter a certeza: quando a fome atinge a todos (ou a grande maioria); quando a falta de oportunidades atinge a muitos; quando a falta de recursos é GERAL, não como no Brasil, aí, sim, a União acontece. Enquanto formos ingredientes do omelete (ovo e bacon) sempre haverá quem entra com o ovo e quem entra com a vida! Qual a graça?


O que podem uns poucos contra um grande grupo, organizado e com o poder (financeiro e de decisão) nas mãos? Não podem nada. Quiçá servir de modelo para algum outro entusiasta (provavelmente um jovem), que ainda ache bonito se imolar.

Agora, o que pode todo um povo reunido, junto, focado em um mesmo objetivo? Pode tudo!


União de propósitos leva à mudança!




Falta-nos, sim, uma liderança. Tenho insistido nisso. Sem uma liderança forte, carismática, as pessoas não se organizam! Não se motivam! Por mais que a situação aperte.

No caso da Tunísia, o menino Khaled Said deu sua vida, mas ele foi, diretamente, este líder.

Sem o martírio também se chega a resultados inimagináveis. Embora mais de 300 deram suas vidas no Egito.

No Brasil, acredito, sim, que Marina era/foi essa liderança, o nome que apareceu como uma alternativa válida e esperançosa para acontecer esta união. 20 milhões é gente! E esta gente escreve para ela, pede, reivindida para que apareça mais. Nada. Nenhuma declaração.

O silêncio dela, a cada dia que passa, deixa tudo mais à deriva. Temos de respeitar que queira se dedicar a politizar o mundo evangèlico (palavras suas).

Quem será o líder?
Terá de aparecer!
As pessoas que Marina Silva mencionou como aquelas que continuariam as suas idéias no Senado, foram: Viana, Cristovam e Suplicy. As frágeis manifestações de Viana, Cristovam e Suplicy não chegam a empolgar, não vão às tribunas e mídia, nem conclamam o povo para manifestações. Sequer votaram contra o seu abusivo reajuste!!! Suplicy canta a letra  da música do Geraldo Vandré (Vem, vamos embora, que esperar não é fazer!...), quando o homenageia na tribuna... e dança um sambinha no senado quando as passistas o envolvem. De samba ele é bom. Precisamos bem mais que isso! http://www.youtube.com/watch?v=92NZ-3BObIw

A vida é feita de bons momentos, sim. De alegria e entretenimento. Mas é com seriedade e comprometimento que se resolvem os problemas. E tudo que falta para ser consertado, arrumado, implementado? Parece que ninguém quer se incomodar!

Falta-nos um Gandhi, no caso da Índia, que esteve ali, perto, junto, enfrentando!
Falta-nos um Mandela, no caso da África, que não poupou declarações e ações.


El Baradei - líder egípcio e Nobel da Paz

Falta-nos um EL BARADEI, no caso do Egito, Nobel que sempre esteve presente, até quando os participantes dos grupos no facebook articularam o movimento de reação pacífica ao regime. E quando os movimentos populares presenciais eclodiram, lá estava ele, sempre que podia (teve prisão domiciliar quando aterrissou no Cairo).

O épico movimento dos jovens chineses (em 1989) deu em nada, pois, apesar de um grupo significativo, não tinha alguém a frente e eram só os jovens, nem o mundo quis se comprometer. Nem os aliados. Ainda hoje o povo é explorado em condições mínimas de salário e qualidade de vida no trabalho.

Diferente de agora, no caso do Egito, em que já havia o fortíssimo e impactante movimento da Tunísia, em resposta ao desesperado ato de   . Havia a articulação via internet, mais a força da palavra dada pelos egípcios - coisa que duvido que iria ser respaldada aqui no Brasil. Os cidadãos brasileiros prometem e, na hora "h" ninguém aparece. Tenho experi~encias pessoais disso na época de 80.

Mesmo o encomendado passeio dos Caras Pintadas, na era Collor. Havia todo o Senado e Deputados respaldando, além da Globo, a quem interessava o impeachment, dando ampla cobertura a vários e vários eventos.

Atualmente, só com a questão da Belo Monte e sua Hidrelétrica no Xingu, quem noticia? Os jornais locais e, um tanto, Portugal!...

No momento em que imagens como essas do povo egípcio sobre a ponte do Nilo, mostrando toda a unidade de propósito, tendo a energia de mudar a direção dos caminhões do exército, aí, sim, poderemos falar em mudança positiva - que alguns gostam de chamar de Revolução.

Marise Jalowitzki
Escritora
marisej@terra.com.br
Porto Alegre - RS - Brasil

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Videos Suplicy:
Vandré - http://www.youtube.com/watch?v=6-wv2B7lJQA

Marina deve ter, sim, padecido um monte enquanto Senadora. Olhem sua seriedade em: http://www.youtube.com/watch?v=F7rL0puGCMs&NR=1 quando novamente Suplicy ataca de cantor junto com o Coral do Senado!
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2 comentários:

  1. Marise, admiro a tua inquietação, a tua disposição em chamar por um líder. No entanto, devo dizer-te, querida, que esse líder só surgirá quando o povo estiver pronto. E você está fazendo a sua parte aguerridamente. Como a história dos nenúfares no lago que crescem exponencialmente e que em um dia aparece um que no dia seguinte se transforma em dois, dobrando a sua quantidade. Se o lago não for limpo, quando estiver tomado pela metade, no dia seguinte ele estará totalmente coberto. Assim também é a conscientização de um povo. Eu acredito e é por isso que continuo a fazer a minha parte.
    Abraços

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  2. Sei disso, Ana Rosa, e quanto. "O Mestre aparece quando o aprendiz está pronto!" - dizem todos os cultos e filosofias orientais. O que faço, conscientemente, é tentar despertar aqueles que sequer sabem que precisamos ter um líder, sequer sabem que precisamos estar unidos, sequer sabem que precisam saber.

    E o "aguerridamente" é pelo pouco tempo que temos todos nós. É para tentar diminuir o espaço entre o "deitado eternamente em berço esplêndido" em que quase todos estão dormindo e a ação efetiva. Não há mais tempo para esperar que os nenufares brotem por si só.

    Estamos na era dos transgênicos, lembra? Todo o demais, a que muitos chamam de "mal" está aumentando vertiginosamente. É preciso intensificar o que acreditamos ser o mais justo e o mais correto.

    Não ver só o "Rio-Rico" do turismo que encanta os olhos, quando o "Rio-Miserável" urgencia cuidados e pede socorro. Espero que entendam que isso é uma metáfora. Pois essa realidade se estende ao planeta. É isso. Abs

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