terça-feira, 28 de setembro de 2010

QUATRO VEZES VITORIOSA




QUATRO VEZES VITORIOSA
Por Gabriel Novis Neves




A então ministra do Meio Ambiente driblou a morte quatro vezes para ser enterrada simbolicamente por militantes ecológicos. Os desenvolvimentistas a acusam de inimiga do progresso. Os ambientalistas, de traidora da causa. Afinal de contas, quem é ela?


Uma seringueira, nascida a 70 km da cidade de Rio Branco, em casa construída sobre palafitas, que conseguiu vencer a morte por quatro vezes, dona de uma fé inabalável, de uma determinação invejável, de condutas éticas inquestionáveis - está preparada para ser a Presidente do Brasil.


Em recente artigo escrevi que a Marina “salvou-se do analfabetismo aos 16 anos, e depois fugiu da morte.” Muitos contestaram a minha segunda afirmação. Estamos familiarizados, infelizmente, com o analfabetismo, e temos inúmeros exemplos de pessoas que conseguiram se salvar deste flagelo até com mais idade. Agora, um médico dizer que alguém fugiu da morte? Causou espanto e incredulidade em muito leitores. As críticas vieram de todos os lados. Até de leviano e antiético fui chamado. “Ah! Dá licença! Já é demais!" Esse tipo de comentários eu recebi aos montes.




Agora, digo a vocês que a Marina não enganou e fugiu da morte somente uma vez, mas quatro vezes. E, depois dessa incrível façanha, teve um enterro simbólico – vejam só a ironia do destino.




Conheço bem a história da minha vizinha amazônica seringueira. O seu jogo de vencer a morte começou quando ela tinha apenas 16 anos. Depois foi vencedora do mesmo jogo aos 19 anos. A seguir, já adulta, em 1991, quando exercia o mandato de deputada estadual, outra vitória. E por fim em 1994, como senadora, malogrou a intenção da senhora morte pela quarta vez. Em 2007 teve o seu enterro simbólico em Belo Horizonte organizado pelos ambientalistas que a acusavam de traidora da causa. No dia 23 de março de 2007, o caixão de Marina Silva percorreu algumas ruas da cidade num cortejo fúnebre promovido por ambientalistas. Tratava-se de uma encenação, um protesto contra a transposição das águas do rio São Francisco.  Hoje, esses mesmos ambientalistas a apóiam em sua jornada.




Em rápidas palavras relatarei o calvário da Marina. Aos 16 anos teve uma hepatite, mas foi tratada como malária. O caso era grave e uma tia de Marina escutou o prognóstico do médico: “A alma dessa menina já está no inferno”. Ao saber disso Marina falou: “Eu não morro de jeito nenhum.” Após um ano de tratamento em casa, com o fígado destruído, mudou-se para Rio Branco, capital do Acre, abandonando o seringal em que trabalhava extraindo borracha. Curou-se.




Aos 19 anos, foi acometida por nova hepatite. Diante da gravidade do caso, foi internada. Outra vez o prognóstico negativo do médico: “Ela tem cirrose e vai morrer”. E Marina novamente disse: “Vou morrer nada!” Saiu do hospital, após assinar um termo de responsabilidade, e, com a ajuda de um religioso, mudou-se para São Paulo para tratar da saúde. Curou-se.




Como deputada estadual, em 1991, nova provação. A morte outra vez sondava a sua vítima. Depois de inúmeros exames foi diagnosticado contaminação por mercúrio. Resultado dos pesados remédios tóxicos que tomara para curar uma leishmaniose. Muito debilitada mudou-se para a casa da sogra em Santos.




Durante o tratamento Marina fica grávida. Sentenciada de novo pelos médicos: “Ela não vai sobreviver ao parto.” E a resposta: “Não morro de jeito nenhum”. Teve parto prematuro, e salvou-se.




Como senadora, em 1994, o estado de saúde de Marina continuava merecendo atenção. Muito debilitada foi para os Estados Unidos e internou-se no Massachusetts Hospital. Não melhorou. Retornou ao Brasil e escutou de seu médico particular: "A senhora não precisa de um médico. A senhora precisa de um milagre".




Um milagre realmente salvou Marina das quatro mortes profetizadas. Mas, neste milagre, a participação de Marina foi fundamental. Criou o seu mantra – “não morro de jeito nenhum”.


De acordo com Mahatma Gandhi “o mantra se torna o cajado da vida de uma pessoa e a carrega através de cada provação. Tem o poder de alterar o nosso estado de consciência e entrar nos planos espirituais superiores e fazer as coisas virem em nossa abonação, ou seja, controlar o nosso próprio destino.”


Uma seringueira, nascida a 70 km da cidade de Rio Branco, em casa construída sobre palafitas, que conseguiu vencer a morte por quatro vezes, dona de uma fé inabalável, de uma determinação invejável, de condutas éticas inquestionáveis - está preparada para colher mais uma Vitória - Ser a Presidente do Brasil.


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*Gabriel Novis Neves é médico obstetra, professor-fundador, primeiro reitor da Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT
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Texto enviado por Eliana Crivellari, do Movimento Marina Silva -
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Leia também, do mesmo autor, neste blog: http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/09/marina-sabe.html

2 comentários:

  1. Marise,
    Ficou ótimo!
    Gostei demais!
    Só a título de exemplo, Leonardo Boff foi
    ferrenho opositor da transposição das águas do
    Rio São Francisco, e hoje está com Marina, com depoimmento registrado no Movimento Marina Silva.
    Abs,
    Eliana Crivellari

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  2. Com certeza, nossas verdades individuais PRECISAM ser aprimoradas dia a dia!

    Abraços, Amiga!

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